sábado, setembro 17, 2022

Para onde correr?




Sem se mover, resta a Bolsonaro que ‘segundo turno é outra eleição’. Será?

Por Eliane Cantanhêde (foto)

Mais uma pesquisa atestando a estabilidade favorável ao ex-presidente Lula e capaz de desestabilizar a campanha do presidente Jair Bolsonaro: o Datafolha confirmou ontem que o petista se mantém firme e forte na faixa dos 45% e o presidente não sai do lugar, oscilando não mais para cima, mas para baixo.

A situação continua rigorosamente igual, mostrando, semana a semana, que Bolsonaro não atingiu o alvo de ultrapassar Lula nem reduziu a diferença. A nova pesquisa só não é um total desastre para ele porque a hipótese de segundo turno permanece real. Com a frustração de disparar em junho, julho, agosto, setembro... resta o consolo de que “o segundo turno é uma nova eleição”. Será?

Com mudanças de estratégia e movimentos erráticos, a campanha de Bolsonaro dá sinais de que não sabe mais o que fazer. E é exatamente no meio disso que Bolsonaro vai torrar seis decisivos dias, indo a Londres e a Nova York. E continuam os erros.

Ele e aliados atacam jornalistas mulheres e falam sobre “princesas” e que mulheres “não são insubmissas e livres”, num país em que a maioria da população (logo, das mulheres) é pobre, luta bravamente pela sobrevivência, não quer “beijinhos e rosas”, como diz o presidente, mas, sim, emprego, renda, respeito, dignidade, saúde e educação para os filhos e, claro, comida na mesa.

Bolsonaro fala humildemente num dia que tem 67 anos e, se perder, passa a faixa, desiste da política e “não tem mais nada a fazer nessa Terra”. No dia seguinte, volta a atacar tudo e todos. E ele decidiu investir tudo em São Paulo, no interior, com seus 18,2 milhões de eleitores, mas sua situação lá também não parece confortável.

Pelo Datafolha, o petista Fernando Haddad tem 36% e o bolsonarista Tarcísio de Freitas, 22%, mas o governador Rodrigo Garcia, neotucano, cresceu quatro pontos, está com 19% e ameaça ultrapassar Tarcísio.

Isso reflete as dificuldades do próprio Bolsonaro no principal Estado e as coisas não vão bem também em Minas, segundo colégio eleitoral, onde o presidente não conseguiu apoio formal do governador Romeu Zema, que pode vencer em primeiro turno, e tem um candidato, Carlos Viana, com míseros 5%.

Com Bolsonaro engessado, Lula investe em duas frentes: o voto útil dos eleitores de Ciro Gomes e Simone Tebet e uma supercampanha para os eleitores “não pegarem seus carrinhos e irem para a praia no dia da eleição”. Além de mais agressivo, o eleitor de Bolsonaro é mais obstinado e vai votar. Se a abstenção bater novo recorde, tende a ser à custa dos votos de Lula e matar de vez a vitória no primeiro turno.

O Estado de São Paulo

Em destaque

Senado impõe sigilo sobre entradas de nomes ligados ao escândalo do Banco Master

Publicado em 10 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Ouvidoria do Senado é comandada por Ciro Nogueira Ra...

Mais visitadas