terça-feira, setembro 20, 2022

Investimento chinês retorna ao País - Editorial




Brasil foi o principal destino dos investimentos chineses em 2021; o volume voltou aos níveis de antes da pandemia

Ao destinar, no ano passado, o maior volume de investimentos para o Brasil desde 2017, os responsáveis pela expansão das atividades das empresas chinesas no exterior demonstraram, mais uma vez, que não se deixam impressionar por gestos de desdém ou desprezo de autoridades brasileiras. Em 2021, as empresas chinesas investiram R$ 5,9 bilhões no Brasil, valor 208% maior do que o registrado no ano anterior, de acordo com relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). 

É um claro sinal de confiança na economia brasileira. Os investimentos no Brasil responderam por 13,6% de tudo o que a China aplicou no exterior no ano passado. O País foi, assim, o principal destino desses recursos em 2021.

Dados como esses devem desagradar ao atual governo brasileiro. Há pouco, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “não queremos a ‘chinesada’ entrando aqui, quebrando nossas fábricas”. Na verdade, o problema da indústria brasileira não é a entrada de investimentos externos, chineses ou de outra procedência, que estimulam a produção e a modernização do setor manufatureiro nacional. O que tem prejudicado a indústria brasileira é sua contínua perda de competitividade em razão do crescente atraso tecnológico em relação a outros países e a falta de articulação entre as ações do governo e as iniciativas das empresas privadas. 

O crescimento expressivo do ingresso de investimentos chineses no ano passado se deve à base de comparação muito baixa (a pandemia comprimiu a atividade econômica em todo o mundo em 2020), mas o valor alcançado é bastante próximo dos níveis observados antes da pandemia. Em 2019, por exemplo, o País recebeu US$ 5,6 bilhões. É como se o padrão estivesse sendo restabelecido.

O fato de o valor aplicado no Brasil em 2021 representar mais de 10% de tudo o que a China investiu no exterior no passado, porém, mostra que o País mereceu atenção especial dos dirigentes chineses. No ano passado, os aportes da China no mundo cresceram apenas 3,6%, o que mostra a importância do Brasil nos planos internacionais dos chineses. Os investimentos da China nos Estados Unidos e na Austrália, por exemplo, foram fortemente reduzidos no ano passado.

Em valores, o setor de petróleo absorveu 85% do total aportado pelos chineses no Brasil, superando o setor elétrico, que vinha sendo a aplicação predominante. Em número de projetos, porém, o setor elétrico continua liderando a recepção de capitais chineses, com 46% do total. O setor de tecnologia da informação ficou em segundo lugar quanto ao número de projetos.

Em valores, o estoque de investimentos chineses no Brasil, no período entre 2007 e 2021, é liderado pelo setor de eletricidade, que absorveu 45,5% do total, seguido pelo setor de extração de petróleo e gás, com 30,9%. Quanto à indústria manufatureira, o investimento chinês está longe de ter alcançado volume suficiente para “quebrar nossas fábricas”, como parece temer o ministro da Economia. Os investimentos chineses nesse setor representam 5,5% do volume aplicado nos últimos anos. 

O Estado de São Paulo

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