Publicado em 17 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Jair Renan acha normal ganhar dinheiro na sombra do pai
Eduardo Barretto
Metrópoles
O autodenominado influenciador digital Jair Renan Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, confirmou em depoimento à PF em abril que recebeu ajuda do lobista Marconny Faria, alvo da CPI da Pandemia, para criar sua empresa, a Bolsonaro Jr Eventos.
A PF perguntou ao influenciador que assuntos dos seus contratos Marconny teria resolvido. A pergunta era uma referência a mensagens obtidas pela CPI da Pandemia, no ano passado, entre Renan e Marconny. “Bora resolver as questões dos seus contratos!!”, escreveu Marconny ao filho de Bolsonaro em setembro de 2021.
PEDIU “DICAS” – Jair Renan respondeu no depoimento à PF que pediu “dicas” a Marconny sobre como criar uma empresa, e teria recebido a orientação. Disse não se lembrar de mais detalhes nem saber quais seriam esses contratos.
Segundo o influenciador, o único contrato que assinou foi o de aluguel da sede do seu escritório, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.
Marconny Faria foi apontado pela CPI da Pandemia como um lobista da Precisa Medicamentos, representante de um laboratório indiano que tentou vender a vacina Covaxin por R$ 1 bilhão ao governo. A negociação foi suspensa pelo governo após ser revelada pela CPI. Ao fim dos trabalhos, em outubro, os senadores pediram que Marconny Faria fosse indiciado pelo crime de formação de organização criminosa.
TRÁFICO DE INFLUÊNCIA – No ano passado, a Polícia Federal abriu um inquérito contra Jair Renan Bolsonaro para apurar supostos crimes de tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Os investigadores buscam saber se, em novembro de 2020, Jair Renan atuou para que o grupo empresarial Gramazini conseguisse duas reuniões no Ministério do Desenvolvimento Regional. A empresa tentaria obter um projeto de casas populares na pasta. Em contrapartida, teria beneficiado Jair Renan.
Um dos benefícios seria um carro elétrico de R$ 90 mil dado ao personal trainer Allan Lucena, então parceiro comercial de Renan na Bolsonaro Jr Eventos. Depois de a imprensa revelar o caso, a defesa de Lucena informou que o automóvel foi devolvido aos empresários.
Procurado, William Falcomer, advogado de Marconny Faria, afirmou que a posição de Marconny “é a mesma de Renan”, e acrescentou que o próprio Falcomer teria dado a orientação. “Renan conversou informalmente com Marconny, que indicou que ele me procurasse. Eu o atendi e orientei que contratasse um contador para abrir a empresa. Simples assim”, afirmou o advogado. A defesa de Jair Renan não respondeu. O advogado do influenciador digital, Fred Wassef, tem negado qualquer irregularidade no caso.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O fato concreto é que o lobista Marconny Faria pagou a reforma do “escritório” de Jair Renan, dizendo ter gastado R$ 9,5 mil. E participou de uma reunião no Planalto em 2019 com o servidor Márcio Teixeira Nunes, do Instituto Evandro Chagas, ligado ao Ministério da Saúde. Há suspeita de que Marconny tenha cobrado R$ 400 mil pela ascensão do funcionário no órgão. A ligação do lobista com o filho de Bolsonaro e o personal sócio trainer é tão flagrante que devolveram o carro elétrico, que custa cerca de R$ 100 mil. (C.N.)