Bolsonaro circula pelo país, numa campanha permanente
Carlos Newton
O recorde de aprovação do governo desde sua posse não deve causar surpresa. Já tínhamos assinalado aqui na Tribuna da Internet que o candidato Jair Messias Bolsonaro é favorito absoluto nas eleições de 2022 e nem mesmo as candidaturas de Lula de Silva ou Sérgio Moro podem abalar a possibilidade de reeleição. A pesquisa DataFolha, divulgada nesta sexta-feira, demonstra amplamente essa realidade.
Bolsonaro tem muitos defeitos, continua a merecer o apelido que ganhou nas Agulhas Negras (Cavalão), não consegue governar, mas tem uma característica importantíssima – sabe como se dirigir à grande massa dos eleitores, formada por cidadãos de baixa instrução e qualificação.
FENÔMENO POLÍTICO – Não interessa se Bolsonaro faz ou não um bom governo, o desemprego pode aumentar à vontade, com a Amazônia e o Pantanal em chamas, o presidente pode brigar com o maior parceiro comercial do Brasil, a dívida pública pode se elevar indefinidamente, a desindustrialização pode avançar, nada disso importa para a maioria do povo brasileiro, porque o Brasil entrou na Era das Aparências, em que tudo pode ser virtual.
Bolsonaro é ignorante para entender os grandes problemas nacionais, sua imagem no mundo é a pior possível, seu ministro do Exterior é um fracasso tão retumbante quando o ministro do Meio Ambiente, qualquer outro governante se livraria deles o mais rápido possível, mas o atual presidente segue caminho inverso,.
Nesta quinta-feira, usando realidades virtuais ou fake news, ele até desmentiu as informações científicas sobre a escalada do desmatamento e das queimadas.
APROVAÇÃO RECORDE – A esperança dos oposicionistas é de que a aprovação recorde seja um fenômeno sazonal, como efeito da ajuda emergencial dada a famílias carentes e desempregados.
É uma tese interessante, porque a solicitação do auxílio chega a 40% na população como um todo, taxa que alcança 75% entre desempregados que procuram emprego, 71% entre assalariados sem registro e 61% entre autônomos e profissionais liberais, grupos em que são identificadas as maiores variações pró-governo. Entre os que hoje estão sem ocupação, por exemplo, a reprovação caiu 9 pontos e o apoio subiu 12.
Realmente, o auxílio emergencial contribuiu fortemente para a aprovação recorde, mas nada indica que a próxima extinção desses benefícios possa propiciar o inverso, com reprovação recorde, pois haverá resíduos a favor.
NÃO HÁ OPOSIÇÃO – O fato concreto é que Bolsonaro avança porque não tem concorrente. O único grande líder da oposição é Lula da Silva, mas está escanteado, sem direitos políticos por oito anos. Sua candidatura depende da anulação dos julgamentos do então juiz Sérgio Moro, um fato altamente improvável.
Os líderes que sobraram são Ciro Gomes e João Doria, mas nenhum dos dois consegue sequer fazer cócegas em Bolsonaro. Essa é a situação do Brasil na Era das Aparências, em que mais vale uma realidade virtual, tipo fake news, do que uma informação verdadeira.
Tudo pode ser manipulado, essa é a verdade, e o povão está à mercê da demagogia política, como ocorria antigamente e ainda continuará ocorrendo, caso não apareça um líder de verdade neste país.
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P.S. – O único líder que poderia enfrentar Bolsonaro chama-se Sérgio Moro, que ainda não tem robustez política. Por isso, em 2022 seria melhor Moro sair candidato ao governo do Paraná, onde será facilmente vitorioso, para depois tentar o Planalto em 2026, com muito mais chance de derrotar o candidato que Bolsonaro apoiar. Bem, este é o quadro nesse momento político. Até as eleições, daqui a quase dois anos, pode e deve mudar muito, é claro. (C.N.)
P.S. – O único líder que poderia enfrentar Bolsonaro chama-se Sérgio Moro, que ainda não tem robustez política. Por isso, em 2022 seria melhor Moro sair candidato ao governo do Paraná, onde será facilmente vitorioso, para depois tentar o Planalto em 2026, com muito mais chance de derrotar o candidato que Bolsonaro apoiar. Bem, este é o quadro nesse momento político. Até as eleições, daqui a quase dois anos, pode e deve mudar muito, é claro. (C.N.)