
Fotocharge reproduzida do UOL Notícias
Pedro do Coutto
O ministro Paulo Guedes é o rei de criar confusões para o governo. Depois de se referir à fantasia de que empregadas domésticas viajavam para Disney, sustentou que o dólar mais alto é bom para todos, o que é um rematado absurdo.
Reportagem de Manoel Ventura e Gabriel Martins, em O Globo de quinta-feira, expõe clara e diretamente mais uma enorme falha do ministro da Economia. Em matéria de comunicação política, o titular da pasta é um desastre, acumulando erros em série.
PRÓS E CONTRAS – O dólar mais alto pode ajudar aos exportadores, mas atinge negativamente as importações brasileiras. E atinge mais ainda as empresas brasileiras que possuem dívidas com base na moeda americana. Caso da Petrobrás, que se endividou, principalmente durante o governo Dilma Rousseff.
Portanto, feito um balanço comparativo, a subida do dólar prejudica mais o Brasil do que ajuda no comércio exterior.
Mais uma vez Paulo Guedes atrapalha a articulação política e com isso prejudica a imagem do governo Jair Bolsonaro.
BC INTERVÉM – Voltando a alta do dólar, ontem mesmo o Banco Central interveio no mercado financeiro, colocando estoque da moeda na bolsa de São Paulo, exatamente para conter a elevação do dólar no país.
Como se constata, a subida do dólar não interessa ao sistema financeiro do Brasil, pois se interessasse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, não teria autorizado a colocação de dólares no mercado justamente para evitar sua subida. Paulo Guedes, assim, terminou sendo apanhado na sua própria contradição.
Impressionante a capacidade de fantasia que o ministro tem quando ingressa no tema salário. Dizer que as empregadas domésticas, com dólar baixo, iam de duas a três vezes por ano a cidade de Orlando, é um exagero completo.
MALUQUICE COMPLETA – Duas a três vezes por ano nem as familias de classe média poderiam desembolsar na viagem de lazer. Basta ver qual o preço que teriam de ter pago para levar seus filhos. Afinal de contas, viajar para a Disney exige um grupo de pessoas com quem dividir as distrações.
Mas existe um outro aspecto envolvendo a questão: o menosprezo acentuado por Paulo Guedes a seguimentos sociais contidos nas menores faixas de renda.
Se não houvesse desemprego e o valor do dólar fosse de 1,80 reais, seria uma descriminação preconceituosa colocada para um setor social que compõe a classe em empregadas domésticas.
TUDO ERRADO – A verdade é ao contrário. Se a situação do país permitisse que as empregadas domésticas viajassem com tal frequência, seria um sinal de que o megadesenvolvimento econômico estava se realizando num ritmo capaz de refletir favoravelmente na estrutura do consumo e na incorporação dos segmentos sociais, que antes não poderiam alimentar esse sonho.
Este é o panorama que Paulo Guedes traçou para tentar apoio no Congresso para seu projeto de reforma administrativa. Que fazer?
A subida do dólar, na verdade, é sempre preocupante sinal de alarme no mar de Brasília.