terça-feira, dezembro 10, 2019

Bolsonaro critica o espaço dado para ativista Greta sobre mortes de indígenas no Maranhão

Greta disse que índios são assassinados ao proteger a floresta
Guilherme Mazui
G1
O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta terça-feira, dia 10, o espaço dado na imprensa para as declarações da ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, a quem chamou de “pirralha”. Bolsonaro deu a declaração ao ser questionado por jornalistas, na saída do Palácio da Alvorada, se estava preocupado com as mortes de dois indígenas da etnia Guajajara em um atentado registrado no sábado, dia 7, no Maranhão.
Aos 11 anos Greta foi diagnostica com Asperger, um tipo de autismo. Desde a infância ela realiza protestos para cobrar das autoridades ações concretas de combante às mudanças climáticas. A sueca faltava aulas para protestar em frente ao parlamento da Suécia e neste ano cruzou o Atlântico em um veleiro para participar de uma conferência da ONU sobre clima.
CRÍTICA – O presidente pediu ajuda para lembrar o nome de Greta e criticou a ativista e o espaço dado pela imprensa às declarações da adolescente. “A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí, pirralha”, disse. Em seguida, Bolsonaro afirmou que “qualquer morte preocupa” e que seu governo deseja “cumprir a lei”, sendo contra desmatamento e queimadas ilegais.
No sábado, dia 7, em uma rede social, Greta compartilhou um vídeo sobre as mortes dos indígenas brasileiros e escreveu que esses povos são assassinados na tentativa de proteger a floresta do desmatamento ilegal.
Na segunda-feira, dia 9, Greta voltou a mencionar os povos indígenas durante uma cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU), que organiza a COP 25. “Os direitos deles estão sendo violados em todo o mundo, e eles também estão entre os mais atingidos, e mais rapidamente, pela emergência climática e ambiental”, disse a sueca.
MORTES DO INDÍGENAS – O número de lideranças indígenas mortas em conflitos no campo em 2019 foi o maior em pelo menos 11 anos, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgados nesta segunda-feira (9). Foram 7 mortes em 2019, contra duas mortes em 2018. Os dados deste ano são preliminares: o balanço final só será feito em abril do próximo ano.
No último fim de semana, três ativistas indígenas foram mortos no país: no Maranhão, em Jenipapo dos Vieiras, dois indígenas Guajajara morreram e outros dois ficaram feridos durante um atentado no sábado (7); em Manaus, no Amazonas, o ativista da etnia Tuyuca Humberto Peixoto Lemos morreu no hospital após ser agredido a pauladas na segunda-feira (2).

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