segunda-feira, abril 18, 2011

O PMDB não é governo

Carlos Chagas

Com o retorno da presidente Dilma ao país reabre-se a questão do preenchimento dos postos de segundo e terceiro escalões do governo, que o PMDB espera cada vez com mais impaciência. Menos pelos medalhões ainda escanteados, como José Maranhão, Orlando Passutti e Helio Costa, mais pelos feudos que perdeu no setor elétrico e nos bancos estatais, o partido não esconde o mal-estar. E joga a responsabilidade pela demora das nomeações sobre os ombros do vice-presidente Michel Temer, que durante a semana em que exerceu a presidência foi pressionado e precisou reunir-se com os companheiros mais afoitos, pedindo-lhes paciência.

Paciência vem sendo produto em falta nas prateleiras do PMDB, do Sul ao Nordeste. Bem que os ministros peemedebistas, muitos exasperados, gostariam de engrossar as fileiras dos deputados e senadores descontentes, mas falta-lhes coragem. Estão cada vez mais isolados, sem integrar o núcleo de poder real estabelecido em volta da presidente Dilma, onde predomina o PT.

Existem ministros que, passados cem dias, ainda não despacharam isoladamente com a chefe do governo. Desconhecem a cor do mobiliário de seu gabinete e hesitam entre reclamar ou deixar as coisas como estão. Melhor não levar puxões de orelha, mesmo vendo paralisados planos e propostas que ainda não tiveram oportunidade de expor.

Entre essas duas paralelas segue o outrora maior partido nacional: ocupar vagas capazes de demonstrar a influência perdida e tentar confirmar os vaticínios um dia feitos por Michel Temer, de que o PMDB não estaria no governo porque era governo. Não é.

JESUS NÃO GOSTARIA

Estivesse entre nós de corpo presente e Jesus sentiria ímpetos de pegar o chicote e novamente vergastar não apenas os vendilhões do Templo, mas os gazeteiros de Brasília. Porque nesta Semana Santa nos tribunais superiores não haverá sessões plenárias. Teoricamente de folga a partir de quarta-feira, nem hoje nem amanhã deverão ser julgadas questões de vulto. A moda possivelmente se estenderá a instâncias inferiores.

No Congresso, apesar do esforço de alguns abnegados deputados e senadores para reunir suas comissões, nenhum projeto importante será sequer discutido, quanto mais votado.

E no Executivo, será diferente? Seria bom prestar atenção nas agendas dos 37 ministros. A madre superiora estará vigilante, mas quantas noviças se dedicarão a inspecionar obras ou participar de conferências e seminários, fora de Brasília? Por coincidência, em seus estados de origem.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Em destaque

Nova Guerra Fria inclui eleições brasileiras na disputa entre as potências

Publicado em 11 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Brasil e Europa deparam-se com a ameaça de interfe...

Mais visitadas