Carlos Chagas
O presidente Lula concentra seus maiores esforços na eleição de Dilma Rousseff para presidente, mas sabe que até para o sucesso da candidata, o PT precisará armar quadros sucessórios eficazes nos estados.
Até agora, as dificuldades são muitas. Tome-se São Paulo, por exemplo. Depois da aventura que seria a candidatura de Ciro Gomes, que é do partido socialista, o escolhido foi Aloísio Mercadante, que pelo jeito vai para o sacrifício. Ao menos conforme as pesquisas, Geraldo Alckmin é o franco favorito.
Em Minas, Lula atropela seus próprios companheiros, insistindo que devem apoiar Helio Costa, do PMDB, deixando Patrus Ananias e Fernando Pimentel no vinagre.
No Rio, não há candidato do PT, o presidente precisou afastar Lindberg Farias para apoiar a reeleição de Sérgio Cabral, do PMDB, que agora anda de cara feia para o Planalto.
No Rio Grande do Sul, José Fogaça é o favorito, mas integra a facção do PMDB que apóia José Serra e não Dilma Rousseff. Tarso Genro disputará pelo PT, mas por enquanto com chances reduzidas.
Faltam petistas para o Paraná, Amazonas, Goiás, Pará, Pernambuco, Ceará e outros estados. No mínimo, faltará para Dilma, se for eleita, uma base de apoio estadual de seu próprio partido.
Lula fora do palco, depois de 31 de dezembro?
Não é fácil ser ex-presidente da República, tendo ou não conseguido fazer o sucessor. Fernando Henrique que o diga, porque depois de deixar o Palácio do Planalto vive até hoje tentando ocupar espaços na beiradinha das atenções, geralmente sem conseguir.
Itamar Franco, que elegeu o sociólogo, soube desencarnar porque candidatou-se ao governo de Minas e venceu, mas Fernando Collor ralou anos a fio, escanteado, até que conseguiu eleger-se senador.
José Sarney ficou pendurado no pincel, sem escada, quando teve negada sua candidatura a senador pelo seu próprio estado, o Maranhão, precisando mudar-se para o Amapá.
Quanto ao presidente Lula, há dúvidas: não parece inclinado a se tornar condômino do poder, se Dilma Rousseff for eleita, mas será um espinho na garganta dela, se ficar por aqui sem ter o que fazer. Concorrer a secretário geral das Nações Unidas é ilusão. Ironicamente, a posição mais cômoda para Lula estará na vitória de José Serra, porque aí se tornaria o chefe da oposição.
Fonte: Tribuna da Imprensa