Glaucio Dettmar/CNJ
Workshop encerrado ontem, em Brasília, deu início aos trabalhos do Judiciário para atingir as metas definidas pelo Conselho Nacional de Justiça para 2010
Vinícius André DiasA constatação a que Mendes se refere está refletida nos números: a média geral de cumprimento das metas estabelecidas pelo CNJ para 2009, em todo o Judiciário, foi de 76% (na Justiça estadual do Paraná, a média registrada pelo relatório do CNJ foi de 80%). “O estabelecimento de metas, sem dúvida, é importante. Antes não havia a mobilização nacional que tem havido em torno das metas”, diz o desembargador federal aposentado Vladimir Passos de Freitas, presidente do Instituto Brasileiro de Administração do Sistema Judiciário (Ibrajus). Opinião similar tem o juiz federal Anderson Furlan, presidente da Associação Paranaense dos Juízes Federais (Apajufe). “A definição de metas é uma boa prática de gestão, transportando para a esfera pública conceitos da iniciativa privada, para melhorar o serviço prestado ao contribuinte”, analisa.
Luiz Silveira/CNJ
“Não podemos deixar cair no esquecimento as metas de 2009 que não foram cumpridas.” Rubens Curado, secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça
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Outras medidas
Justiça Criminal no foco
Apesar de as metas se dirigirem a todo o Judiciário, o grande desafio da Justiça, em 2010, reside em uma área específica: a criminal. A afirmação foi feita pelo ministro Gilmar Mendes anteontem, na abertura do 1º Workshop sobre Metas de nivelamento 2010. Segundo Mendes, este é o ano da Justiça Criminal, instituído a partir do da experiência obtida com os projetos Mutirão Carcerário e Começar de Novo. Para exemplificar a importância de se dar atenção à área criminal, o ministro revelou que atualmente existem no país cerca de 170 mil mandados de prisão a serem cumpridos. “Se a metade disso fosse cumprida, nós já teríamos o caos instalado em todos os setores”, analisou.
Na ocasião, Mendes informou também que 2010 deve marcar o início da implantação dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, para causas contra o Estado. Segundo ele, contudo, é preciso estimular soluções extrajudiciais aos conflitos. “Tanto quanto possível, prefeituras, os estados-membros e a União deveriam, especialmente para aqueles casos já pacificados, buscar uma solução que não envolvesse a instauração da controvérsia judicial. Mas se houver necessidade, talvez os Juizados Especiais da Fazenda Pública possam dar uma boa resposta”, explicou.
Lista
Durante o workshop, o secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Rubens Curado, informou que o Conselho pretende divulgar, dentro de um mês, uma lista das cem instituições públicas e privadas com maior número de processos tramitando na Justiça brasileira. “Somos morosos, temos dificuldades e um número grande de processos. Por isso queremos um diálogo institucional, para enfrentar esse problema e solucioná-lo de peito aberto”, disse.
Novas metas
A experiência foi tão positiva que o CNJ aprovou, juntamente com os gestores dos 91 tribunais brasileiros, novas metas para 2010 (ver quadro) – durante o 3.º Encontro Nacional do Judiciário, realizado em fevereiro deste ano, em São Paulo. A famosa Meta 2, que assombrou muitos magistrados no ano passado ao prever o julgamento, até o fim de 2009, de todos os processos distribuídos até o final de 2005, foi remodelada para este ano. Em 2010, a Meta 2 é: “julgar todos os processos de conhecimento distribuídos (em 1.º grau, 2.º grau e tribunais superiores) até 31 de dezembro de 2006 e, quanto aos processos trabalhistas, eleitorais, militares e da competência do Tribunal do Júri, até 31 de dezembro de 2007”. Tudo acompanhado pelo já famoso Processômetro, espécie de placar que desde o ano passado acompanha o cumprimento da Meta 2, disponível no site do CNJ (www.cnj.jus.br) – neste ano, vai registrar os resultados de outras metas também.
Mas não é só isso. Além de cumprir a nova Meta 2, os magistrados não podem deixar de julgar os novos casos e ainda têm de lidar com o que ficou acumulado da meta do ano passado, cerca de 1,7 milhão de processos – segundo o CNJ, a média nacional de cumprimento da Meta 2, em 2009, ficou em 58,79%, enquanto a da Justiça paranaense foi de 63%. Durante o workshop desta semana, o secretário-geral do CNJ, Rubens Curado, informou que, até o final deste mês, os tribunais terão de enviar ao CNJ um plano de ação com cronograma para o cumprimento das metas do ano passado que não foram alcançadas – o relatório final das metas de nivelamento do Poder Judiciário de 2009 está disponível no site www.cnj.jus.br, no link Gestão e Planejamento. “Não podemos deixar cair no esquecimento as metas de 2009 que não foram cumpridas”, enfatizou.
Falta estrutura
Em nota do início do mês, o presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), juiz Gil Guerra, pediu melhores condições de trabalho para o cumprimento da nova Meta 2, sobretudo a contratação de assessores para os magistrados de 1.º grau. “No episódio da Meta 2 (de 2009), a magistratura do Paraná ofereceu sentida cota de sacrifício, sem receber as mínimas condições para realização do serviço exigido”, afirma o documento. Também no início de março, ao tomar conhecimento das novas metas, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) manifestou, em ofício ao CNJ, seu inconformismo por não ter sido incluída como meta para 2010 a sugestão de que 75% dos servidores atuem no primeiro grau do Judiciário, onde se concentra a maior demanda – a sugestão foi acolhida pelo CNJ apenas como recomendação aos tribunais.
* Segundo a pesquisa Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil), apurado pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Direito GV), 93,4% dos brasileiros acreditam que o Judiciário resolve os conflitos de forma muito lenta e 71% têm dúvidas quanto à honestidade e à imparcialidade da Justiça. O estudo está disponível na internet: www.direitogv.com.br/subportais/RelICJBrasil4TRI2009.pdf
Fonte: Gazeta On Line