Ronaldo Schemidt/AFP
Lula nasceu no agreste pernambucano (nordestino e isso incomoda), de família pobre, fugindo da seca foi para São Paulo e lá se tornou metalúrgico. Como membro da categoria passou a condição de dirigente sindical e impôs a 1ª grande derrota ao regime militar, ao liderar a grave do ABC paulista.
Caboclo destemido e com uma fala meio embolada resolveu dar um pulo maior quando decidiu concorrer à Presidência da República pelo PT que era uma sigla ainda pequena e com dificuldade para se organizar nos Estados e Municípios. Até então não metia medo a ninguém.
Quando Fernando Collor de Melo foi eleito, a TV Globo tinha como grande adversário Leonel Brizola que a ameaçava, se eleito, embolar o meio de campo da vênus platinada. Entre Brizola e Lula melhor seria promover a candidatura de Lula para em segundo turno, batendo com a candidatura Collor, facilitar a vitória do último. A Globo não errou e deu Collor na cabeça.
Fernando Henrique Cardoso sob o guarda-chuva do Plano Real saiu candidato e governou por dois mandatos consecutivos. Final de mandato para FHC, novas eleições. O PSDB/DEM tinha José Serra como candidato e o PT, Lula. Seria Lula realmente candidato ou mero sparring? Vai pesquisa e vem pesquisa e Lula na cabeça. Era demais para a paulicéia desvairada e para a tradicional família mineira. Veio o pânico e os sugadores do dinheiro público pensaram e não deu outra, espalharam que se Lula fosse eleito as empresas multinacionais iriam embora e o Brasil entraria em estado de pânico. Ledo engano.
Não colou (vou contar a história do colou. Tinha o vapor de cachoeira com restaurante e tudo e quando alguém fazia refeição ao pedir a conta, na nota, vinha à palavra colou e valor respectivo. Quem era mais atento perguntava ao garçom o que seria o colou e este quando indagado dizia: não colou. O valor da conta era reduzido) e Lula foi eleito, posteriormente reeleito com mandato se encerrando no corrente ano.
Nos governos Lula o Brasil estabilizou a economia, cresceu, ganhou prestígio internacional e passou de devedor a credor (não é chic emprestar dinheiro ao FMI?). Faz parte do BRIC e é apontado como uma das economias mais fortes nas próximos décadas. Na crise que se abateu sobre os Estados Unidos e arrastou o resto do planeta a economia brasileira enfrentou bem e aqui ela não passou de marola. Um dado. Hoje o Brasil é o 3º maior exportador mundial de produtos derivados da agricultura, perdendo apenas para Estados Unidos e Austrália.
No plano interno os resultados são satisfatórios. A inflação está sob controle, cresce a geração de empregos, se investiu pesadamente na educação pública, os então excluídos foram incluídos e hoje são os grandes consumidores dos produtos da chamada linha branca. Sinal dos tempos.
A carcomida elite política e econômica sugadora dos cofres públicos nunca engoliu a eleição de Lula e a formidável posição brasileira. Aproveitando-se do mensalão pensou em atingir o Presidente Lula, esquecendo-se que foi nos governos Lula que os grandes escândalos foram postos a público e a sociedade descobriu as mazelas dos pongadores da coisa pública.
Em São Paulo nasceu um natimorto movimento com o título “Cansei” que tinha em mente combater o Governo Lula. Não deu em nada. Em artigo jornalístico, como contraponto do “Cansei” tratei de “Cansei dos imbecis”.
Lula consolidou sua administração e tem o maior índice de aprovação popular de um presidente brasileiro. Isso era e é demais para os conservadores. A grande mídia nacional escrita e televisada, a todo o momento, procura distorcer os fatos. Diariamente a TV Globo faz divulgação de números da economia nacional e encerra com números que dão a entender ao público que a economia vai mal. Quem entende de economia não é economistas e nem jornalistas, quem entende de economia é o povo, o trabalhador e a dona de casa que sabe aquilatar se os seus ganhos aumentaram e se a vida melhorou. Para 80% dos brasileiros sim.
Se aproximando as eleições presidenciais a grande mídia volta à carga. Na semana em curso se explorou sem limites os números da economia em 2009. Foi um estardalhaço. Enquanto os Estados Unidos, a Europa, Japão e Rússia tiveram queda na produção, diferentemente do Brasil, o que se divulgou foi que o crescimento do Brasil foi inferior ao da Argentina e o Peru, tudo para atingir o Governo Lula e criar reflexo negativo para a candidatura de Dilma. Acontece que Dilma cresce e Serra cai.
Daqui até outubro a grande imprensa manietada e compromissada com interesses não confessáveis irá divulgar notícias requentadas, distorcer números, explorar situações que entender constrangedoras para o Governo Lula e usar do instrumento mais eficiente dos covardes, a calúnia. A revista Veja da semana vem com reportagem sobre o tesoureiro do PT e tenta vinculá-lo a Lula com doações de campanha na sua primeira. Foi exaustivamente explorado o capítulo da morte de um dissidente cubano.
É preciso estar atento e forte. A grande mídia que diariamente bate no Governo Lula é a mesma que participou ativamente do Golpe de 1964. Ela não tem compromisso com a Nação brasileira. Defende seus próprios interesses.
Pessoalmente não tenho simpatias com a Ministra Dilma. Acontece que ela é o continuísmo do Brasil que cresce e da oportunidade para todos. Se Lula favoreceu os menos favorecidos, eu prefiro Lula. Eles que se danem.
Paulo Afonso, 13 de março de 2010.
Fernando Montalvão.