sábado, março 20, 2010

Ao ver um deles, se pique!

Veneno

Lorena Costa

Cerca de oito mil casos de pessoas picadas ou mordidas por animais peçonhentos foram registrados em toda a Bahia no ano passado. O dado é do Centro de Informações Antiveneno (Ciave), órgão vinculado a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab). As ocorrências envolvendo os escorpiões são as mais comuns e acontecem, principalmente, na região Sudoeste, Chapada Diamantina e localidades secas. Ainda não foram computados os registros deste ano.

Conforme Daniel Rebouças, médico toxicologista e diretor do Ciave, 70% dos casos registrados são de picadas de escorpião. As serpentes têm 25% das ocorrências, enquanto outros animais – como aranha e abelha – dividem os outros 5%. “As picadas de escorpião ocorrem em todo o Estado, porém é mais frequente no interior, em regiões mais distantes. Em Salvador existem ocorrências, mas as espécies de escorpião existente na capital baiana são menos perigosas e, por isso, os acidentes ocorridos por aqui não são considerados graves”, contou.

A recomendação do toxicologista em casos desse tipo é a de que o ferimento seja lavado com água limpa e sabão. Segundo ele, outros procedimentos não são recomendados e, pelo contrário, podem agravar ainda mais a lesão. “O primeiro passo é lavar com água limpa e sabão, apenas, e se dirigir imediatamente à unidade de saúde mais próxima. Se possível, o animal deve ser capturado e apresentado no momento do atendimento. Outro tipo de tratamento preliminar, como amarrar o local do ferimento, chupar, queimar, usar mercúrio ou qualquer outra substância, não é recomendado por acabar provocando vermelhidão e, até mesmo, o agravamento da ferida”, disse.

Medidas preventivas também podem ser adotadas. De acordo com Rebouças, é importante evitar a proliferação desses animais, através da limpeza da casa e da área externa. “Os cuidados de limpeza devem ser adotados em todo lugar, independentemente de Zona Rural ou Urbana. É preciso cuidar para que o lixo não seja acumulado em local impróprio e para que uma coleta seja realizada com frequência. O acúmulo de entulhos também favorece a proliferação desses bichos”.

Outro cuidado é verificar roupas e calçados antes de usar. “Principalmente na Zona Rural, é também importante verificar roupas e sacudir os calçados antes de vestir e calçar os pés”, completou.

Ainda de acordo com Rebouças, um trabalho de controle da proliferação desses animais é feito regularmente pelo Ciave em parceria com os centros de controle de zoonoses dos municípios. “Este é um trabalho que faz parte das nossas atividades. Realizamos esse controle através da aplicação de inseticidas, identificação dos ninhos e também conscientização da população. Nos municípios onde não existe Centro de Controle de Zoonoses temos o apoio dos agentes de endemias”.

Caso do bebê – De acordo com Rebouças, esses registros são mais comuns do que se imagina, porém o incidente com o bebê de 11 meses é considerado atípico. “A suposição de que ele teria sido picado por uma aranha foi descartada.

Não temos como saber o que provocou todo o quadro do bebê, mas isso deve ser analisado pela nova equipe que o acompanha em São Paulo”, afirmou. O fato aconteceu no dia 21 de fevereiro, em Alagoinhas (a 107 km de Salvador). Na ocasião, a mãe da criança, Jamile Ferreira, contou que o bebê chorava muito por conta de uma ferida na perna.

A contaminação através da picada da aranha-marrom, como é conhecida a espécie Loxosceles, foi descartada por Rebouças pela evolução contínua do quadro do menino. “Suspeitamos de que ele tivesse sido picado por uma aranha, mas foi somente uma suposição, já que a aranha não chegou a ser capturada.

As características do ferimento foram analisadas e, baseados nesta análise, foi ministrado o soro antiaracnídeo. Porém, a evolução do estado de saúde do menino nos leva a crer que pode ter havido um outro agente causador do problema, ainda desconhecido.” O menino, que receber atendimento no Hospital Jorge Valente, em Salvador, foi transferido na última quinta-feira para São Paulo, onde continua o tratamento.

Como se safar desses animais nojentos!

Estes animais gostam de se esconder em locais escuros, protegidos ou sujos, portanto, evite:

• Calçar botas, sapatos ou tênis sem antes examinar seu interior. Principalmente se você não os usa há muito tempo. Geralmente, estes animais se alojam com facilidade nas zonas rurais e em casas de campo e de praia.

• Sacuda as roupas guardadas em casas com pouco uso antes de usá-las.

• Não ande descalço nos jardins. Use sempre botas na zona rural.

• Se você tiver de mexer no jardim, use luvas.

• Na proximidade das casas não deixe entulho de construção, material usado ou lixo doméstico. Mantenha estes lugares roçados e limpos.

• Bons esconderijos para animais peçonhentos são as trepadeiras, folhagens densas e bananeiras. Estas plantas não devem ficar nas proximidades das casas.

• Não ponha a mão em buracos entre pedras, fendas em troncos, buracos em cupins, folhas secas, lenha depositada, pedaços de troncos podres.

• Na zona rural, colocar um rolinho de tecido cheio de areia na soleira de portas e janelas.

• Se houver um terreno baldio ao lado de sua casa, mantenha-o limpo.

• Onde aparecem ratos também podem aparecer cobras.

Fonte: Tribuna da Bahia

Em destaque

Tista de Deda participa de debate na UPB sobre altos cachês do São João e alerta para impacto nas finanças municipais

  Tista de Deda participa de debate na UPB sobre altos cachês do São João e alerta para impacto nas finanças municipais O prefeito de Jeremo...

Mais visitadas