Francisco Assis Melo
Temos assistido, ao longo dos anos, espetáculos (se assim pudermos chamar) degradantes protagonizados pelo Senado da República. O mesmo jogo de cenas e até as mesmas palavras se repetem. Os mesmos personagens, com alguma variação, ocupando os holofotes, alguns buscando os cinco minutos da fama efêmera que serão depois exibidos na propaganda eleitoral de seus estados durante a próxima campanha. E depois tudo volta à normalidade. Normalidade deles, que fique claro. E os escândalos que se sucederam chegaram a lugar nenhum. Quando muito a renúncia dos que foram “vítimas” das denúncias e representações para evitar a perda de seus direitos políticos, e a volta “triunfal” pelo voto de seus eleitores na eleição seguinte.
E todos os episódios tiveram como pano de fundo disputas político partidárias. Por mais que aleguem o interesse público, a preservação da desgastada imagem do Senado, da moralização da instituição, todos sabem que por trás de tudo sempre estão grupescos contrariados em seus interesses pessoais ou corporativos, tendo o suporte de parte da mídia da qual fazem parte e algumas vezes representa. E nada mais do que isto.
A bola da vez, agora, é o Sarney. Não por tudo o que foi denunciado e representado, pois, se assim fosse, os presidentes anteriores também teriam sofrido o mesmo processo de denunciação posto que as práticas se sucedem ao longo dos anos por todos os que ocuparam o cargo. O pano de fundo que emoldura o cenário da crise atual é a CPI da Petrobrás através da qual pretende a oposição fazer o seu estandarte para as eleições de 2010 e tentar implodir a candidatura da Dilma Roussef. E o Sarney e seu grupo do PMDB, enquanto aliado do governo, é uma pedra volumosa no caminho da oposição.
O seu principal denunciante, o líder do PSDB, inclusive também foi representado por manter por 18 meses um funcionário fantasma em seu gabinete, fato confessado no próprio plenário da Casa, ao mesmo tempo em que se “redimia” afirmando que irá devolver as verbas pagas ao funcionário. Fato tão grave quanto o do Sarney mas que não teve a mesma ressonância na mídia nem causou as mesmas indignações na oposição da qual faz parte o Senador. Além de ter pago gastos pessoais em Paris com verbas do Senado e custear o tratamento de saúde de sua genitora (750 mil conforme a mídia) com o seu plano de saúde de parlamentar.
Então, que esses senhores saibam que existe parte da opinião pública que não se deixa levar pela mídia a qual servem ou vice versa, muito menos pela eloqüência de seus discursos falaciosos em defesa do povo brasileiro e da instituição Senado da República.
Se realmente querem a moralização da política brasileira e a restauração da confiança do povo na instituição o caminho seria o de uma renúncia coletiva. Os pecados de Sarney são os mesmos cometidos por tantos outros que estão no Congresso Nacional e talvez menores do que os cometidos nos processos de privatizações durante o governo Fernando Henrique Cardoso, dos quais alguns protagonistas ainda estão no Senado e fazem parte do pelotão de fuzilamento do Sarney. E que todos conhecem e silenciaram porque os interesses feridos foram o do povo brasileiro e não desses grupescos, aliás patrocinadores e beneficiários das mamatas.
O gesto de grandeza que a Nação gostaria de ver não é a renúncia ou licença do Sarney para abrir caminho para que outros continuem fazendo o mesmo de sempre ou pior. O gesto de grandeza seria a renúncia coletiva dos senadores e a realização de uma nova eleição, da qual fossem impedidos de participar. É isto que se espera que seja a palavra de ordem da mobilização programada para o próximo sábado, um grito pela renúncia de todos.
Mas, como está sendo organizada por setores ligados ao DEM(PFL) e PSDB (vejam só!) certamente isto nunca acontecerá. Seria o mesmo que pedir a raposas que fiquem longe do galinheiro.
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