quarta-feira, abril 08, 2009

Nilo não deixa Wagner e rejeita Souto no PSDB

Luis Augusto Gomes


Ao ver, na semana passada, divulgada a notícia de que teria naquele dia um encontro com o governador paulista, José Serra (PSDB), o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo, também tucano, surpreendeu-se, pois imaginava tratar-se de um segredo bem guardado. Apesar dos seus 20 anos no ramo, o deputado sonhava conduzir sigilosamente um entendimento que tanta importância tem na política baiana, com repercussão no plano nacional.
Nilo, que ameaçou deixar a legenda se nela ingressasse o ex-governador Paulo Souto, é um "histórico" do PSDB que sempre foi adversário do carlismo, mesmo quando o falecido senador Antonio Carlos Magalhães, pelo antigo PFL, hoje DEM, aliou-se nacionalmente ao seu partido. Ele esteve com Serra e Geraldo Alckmin em 2002 e 2006, respectivamente, enquanto para governador da Bahia votou nas duas vezes contra Souto.
Desta vez, seria uma exigência de Serra que ele apoiasse o candidato da coligação PSDB-DEM na Bahia, isto é, o próprio Souto. Por isso, o conteúdo do encontro com Serra despertava tanto interesse. Mas, se não conseguiu esconder a ocorrência da reunião de uma hora e 15 minutos, Nilo de forma alguma quis entrar em seus detalhes. "Não abro a boca. Conversa com governador é do governador, ainda mais se só estão as duas pessoas. Se vazar, fui eu. Cabe a ele, se quiser, falar".
Sabe-se que Serra convidou Nilo a permanecer no partido, embora sejam desconhecidas as condições em que isso se daria. Como tem até setembro para decidir e conta, em qualquer circunstância, com a compreensão do PSDB para liberá-lo, Nilo fica calado. Não diz se, nesse caso, a proposta foi de apoiar Serra para presidente e Jaques Wagner para governador, o que pareceria o acordo mais lógico, inclusive pela, digamos, jurisprudência. O presidente da Assembleia só garante duas coisas: não larga Wagner e sai do PSDB se Souto se filiar.
Escaldado de eleições passadas, em que a divisão regional dos aliados nacionais era necessariamente motivo de enfraquecimento da campanha, o DEM não quer saber de dubiedade em 2010, como deixam claro os parlamentares da bancada estadual. Consideram a aliança com o PSDB consolidada no País e que assim deve ser, sem rusgas, nos Estados.
"Quem fala pelo PSDB é seu presidente regional, Antonio Imbassahy. Tanto ele como o deputado Jutahy Júnior já disseram que não vai haver defecção. Portanto entendo que os integrantes do partido estarão alinhados na esfera estadual, como já acontece nacionalmente", disse o líder do DEM na Assembleia, Misael Júnior. Nessa linha de raciocínio, ele supõe que Serra fez o convite a Nilo pedindo-lhe para "refletir sobre a decisão de apoiar o PT".
Com a concordância dos demais parlamentares presentes, todos da oposição, Misael afirmou que "o DEM e o PSDB não vão permitir que se dê palanque ao PT na Bahia". Indagado se não seria mais provável que se repetisse a fórmula de eleições anteriores, o líder arrematou: "Sob pena de recurso à legislação da fidelidade partidária, não serão permitidas defecções na coligação".
Fonte: Tribuna da Bahia

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