domingo, abril 19, 2009

Comédia de absurdos

Hélio Rocha
Quem imaginou que a soma dos absurdos no cenário político brasileiro já tinha chegado ao fim percebe agora novos lances, destacando-se, nesta temporada, o Congresso. Casos como o do deputado escondendo seu castelo, o diretor-geral do Senado ocultando sua mansão, outros diretores cumulando parentes de vantagens e, agora, parlamentar pagando com dinheiro público viagens da namorada e integrantes da mesa diretora requisitando passagens para parentes.
Pior ainda que, chamados a explicar, os que se envolvem com esses deslizes fazem de conta que não houve nada de errado: namoradas e parentes podem perfeitamente viajar à custa dos contribuintes.Pior também é que nem mesmo a divulgação dos fatos consegue refrear a farra.
A República brasileira, que foi proclamada por um monarquista, fiel e leal ao imperador d. Pedro II até a véspera da proclamação, já deu muito o que falar, com extenso repertório de episódios trágicos ou tragicômicos. Mas parece que nunca foi politicamente tão exótica quanto agora, com o desfile de sucessivos fatos formando uma espécie de tragicomédia rococó. O Brasil se moderniza sob muitos aspectos, mas a cena política projeta um amontoado de bizarrias e anacronismos.
Quem está assistindo a tudo isto poderá contar aos netos, acrescentando: "Meninos, eu vi!". E fará muito mais sucesso do que quem viu em 15 de novembro de 1889 o movimento da proclamação da República. Quem for contar o que vem se sucedendo no curso dos últimos tempos despertará atenção maior do que quem narrou para os mais novos como nasceu a novíssima República, supostamente tão antagônica à República do regime militar, mas presidida por quem fora exatamente o coordenador político e ajudante civil dos militares, José Sarney. Fará mais sucesso do que quem contou, com paciência, como foi a Era Collor, com as peripécias do incrível anti-herói PC Farias.
Foi mesmo Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) quem deixou de legado a frase "ou se restaure a moralidade ou nos locupletemos todos?" Pois bem, é uma apropriada sentença para acompanhar o desdobramento dos fatos políticos registrados nos últimos tempos. Pois nada indica que a moralidade seja restaurada tão brevemente, enquanto se encenarem essas tragicomédias e os aproveitadores continuarem convencidos de que não haverá corte na própria carne, pois a impunidade prevalecerá.
Fonte: O Popular (GO)

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