Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Novidade, não é. A coincidência verifica-se apenas porque, de uns dias para cá, responsáveis pelas vítimas decidiram-se a denunciar os hediondos crimes de estupro contra menores, algumas até de nove anos de idade. Uma estatística choca mais do que outras: 43% dos abortos legais praticados em hospitais públicos envolvem meninas com menos de doze anos.
Como regra, os estupros são praticados dentro de casa, por pais, padrastos e familiares das vítimas, geralmente sob a complacência ou a inação das mães.
Fazer o quê com esses animais? No mínimo, enjaulá-los pelo resto da vida, jamais deixar que, como outros criminosos, fiquem em liberdade enquanto não tiverem concluídos os processos contra eles, sem sentença definitiva, como decidiu o Supremo Tribunal Federal. Ou, mesmo no caso de decretada sua prisão temporária ou preventiva, impedir que sejam alimentados pelo poder público à espera de condenações que em poucos anos os devolverão às ruas, para novos estupros.
Faz pouco o presidente Lula recebeu os presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara, Michel Temer, para examinarem a pauta dos trabalhos do Congresso neste primeiro semestre. Terão abordado a necessidade de imediata revisão nas leis penais para interromper o fluxo desse esgoto que nos envergonha? Como acabar com a leniência da legislação elaborada para beneficiar bandidos, seja com dezenas de recursos protelatórios, seja com benesses que reduzem penas e permitem a devolução dos animais à sociedade em poucos anos?
Estuprador merece prisão perpétua, para dizer o mínimo, mas, senão isso, pelo menos trinta anos de reclusão sem direito a qualquer benefício seriam de justiça. Nem livramento condicional nem redução por bom comportamento, muito menos prisão albergue, saídas pelo Natal ou sucedâneos. No mínimo, vale repetir, porque, em países como a China é tiro na nuca depois de processos sumários.
O Brasil real, dos estupros e demais crimes hediondos, parece situado a centenas de quilômetros além de Brasília, não obstante acontecerem também por aqui. Encontram-se blindados os presidentes do Senado e da Câmara, assim como seus subordinados. Nem se fala do presidente da República e seus ministros. Apenas como folclore registra-se que anos atrás a então presidente do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, foi assaltada na Linha Vermelha, no Rio. Seria necessário que os donos do poder deixassem as regalias do Brasil formal para fazer valer a importância dos direitos humanos. Direitos humanos? Claro, a que faz jus quantos são assaltados, assassinados e estuprados...
Lula e Obama - Voltam-se as atenções para o próximo sábado, quando o presidente Lula será recebido pelo presidente Obama, em Washington. Empatia não faltará a ambos, numa conversa multifacetada. A crise econômica e as medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos diante das exportações dos países em desenvolvimento. A estatização de bancos e empresas postas em dificuldades pela própria incúria e ambição de seus responsáveis. A ampliação do uso da energia alternativa ao petróleo, sem a queda de braço entre o milho e o etanol. A importância de transferência de tecnologia dos países ricos ao resto do mundo. A falecida rodada de Doha. A atenção necessária a ser dada ao continente africano.
Tão importante quanto esse e outros temas pontuais está o relacionamento entre os americanos e nós, da América do Sul. Ainda que o presidente Lula não entre na Casa Branca com procurações passadas em cartório para falar em nome de Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e outros, saltam aos olhos seu papel de indutor do desarmamento dos espíritos.
Barack Obama tem primado por comportar-se de forma diferente e até antagônica a George W. Bush. Não cheira a enxofre como afirmou o presidente da Venezuela, referindo-se ao antecessor. Mas não pode simplesmente apagar as ofensas feitas ao seu país pelo coronel e penduricalhos. Uma simples abertura ao diálogo, porém, elevará o Lula a uma liderança inconteste no subcontinente. Coisa capaz tanto de incomodar quanto de gerar reverências por parte de nossos vizinhos.
Pesquisas são pequisas
Millor Fernandes escreveu décadas atrás, no inesquecível "Pif-Paf", que para uns as estatísticas provam tudo, mas, para outros, não provam nada. Naqueles idos não se falava em pesquisas de opinião, mas o sentido era o mesmo.
Aguarda-se com ansiedade uma nova rodada de consultas populares a respeito da sucessão presidencial do ano que vem. A tendência é de que Dilma Rousseff suba um pouco mais em seus percentuais. Tinha oito, passou para treze e agora é capaz de alcançar mais de quinze por cento das preferências.
Para o governo, será sinal de uma curva ascendente, o que é verdade. Para as oposições, também verdadeira, a evidência da impossibilidade de a candidata encostar-se a José Serra, superando os 40%.
As pesquisas são pagas, com uma exceção maior, para o Datafolha, mas, mesmo pretendendo agradar ao freguês, que tem sempre razão, os institutos não podem distanciar-se muito, nem por muito tempo, dos números reais. Devem prevenir-se para as próximas consultas ou as próximas eleições. Por tudo isso, convém aguardar. Seria esperar demais que todas as pesquisas fossem divulgadas. Algumas são secretas, apenas para orientação de quem as encomendou. Como aquelas que circulam por aí com a pergunta fundamental que ninguém faz de público, mas ultrapassam todas as outras: "Votaria no presidente Lula para um terceiro mandato, se a Constituição permitisse?"
Exagerou
Em respeito à infância e à ampla juventude transcorrida em colégio e universidade católica, o repórter evitou até agora comentar a iniciativa do arcebispo de Olinda e Recife, que excomungou médicos, enfermeiras e parentes da menina de nove anos estuprada pelo padrasto e submetida a um aborto por gravidez indesejada e para poupar-lhe a vida.
Neste fim de semana, porém, foram muitos os padres que, no púlpito, durante a missa, criticaram a iniciativa do alto prelado. Menos, até, por não haver excomungado o estuprador, mais porque se tratava de salvar uma vida ou de perder três, já que a menina esperava gêmeos e não sobreviveria ao parto.
D. Antônio Sobrinho exagerou ao excluir a equipe médica dos sacramentos e da paz no Paraíso. A gente fica pensando como teria agido seu antecessor, D. Helder Câmara, diante de situação igual. Sua primeira iniciativa teria sido visitar a infeliz vítima, no hospital.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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