R$ 194. É tudo o que dona Maria Barbosa, três filhos, quatro netos, e uma amiga agregada contam todo mês para comprar comida, gás e o que mais a família precisar. No prato chegam feijão, arroz, farinha, verdura, só de vez em quando, e carne, uma vez ao mês. Tem dias que não chega nada. O dinheiro acaba antes de 30 dias e aí, diz ela, “é rezar”. “A gente pensa que Deus proverá”, diz dona Maria, moradora da Travessa Cuiabá, Periperi, no subúrbio ferroviário de Salvador.Dona Maria alimenta a estatística dos brasileiros que passam ou vivem na iminência de passar fome. O valor para as compras é a soma do recurso do Bolsa Família que ela e duas filhas recebem. A família enfrenta uma situação que atinge, em algum nível, mais da metade da população da Bahia: a insegurança alimentar, ou seja, falta de acesso a comida em quantidade ou qualidade adequadas. Até a próxima sexta, acontece a Semana Mundial de Alimentação. Entidades da sociedade civil e poder público se mobilizam e acentuam o debate sobre condições de nutrição e discutem a fome. São cerca de 1,7 milhão de pessoas com insegurança alimentar grave na Bahia, o que coloca o Estado entre os nove com piores índices no Brasil, sendo o quinto no Nordeste. Estas pessoas não têm ao menos uma refeição assegurada ao dia, segundo o IBGE.
No centro da discussão está o Bolsa Família, carro-chefe do Fome Zero e a estratégia do governo para assegurar o direito à alimentação. O programa é objeto de estudo inédito no Brasil conduzido por grupo de pesquisa da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (Ufba). “Fomos os únicos a acompanhar os beneficiários desde a implantação. Pegamos a transição do Bolsa Alimentação do governo FHC”, explica Sandra Chaves, que é membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e da Associação Nacional de Pós-Graduação em Saúde Coletiva.
O objeto do estudo foram 1.420 famílias de Irará, a 128 km da capital, de 2002 a 2006. Os resultados apontam para o aumento na altura e no peso das crianças beneficiadas quando comparadas ao grupo controle de crianças cujas famílias não recebiam o benefício e com condições sociais equivalentes. Em apenas 12 meses, as primeiras cresceram, em média, 1,2 centímetros a mais do que as do grupo de controle. Quanto ao peso, há uma diferença de 2% a 3% a favor das beneficiadas. “Novos alimentos passaram a fazer parte do prato. Mas, por ser transferência de renda, também deu o poder da escolha”, avalia, explicando que, nas camadas mais pobres, assim como nas demais, persiste uma preferência por carboidratos e baixo consumo de frutas e verduras.
Agente de saúde em Irará, Joêmia Dias atesta que a qualidade de vida melhorou com o Bolsa Família: “Conheço pessoas que comiam um único tipo de bolacha no café. Hoje, conseguem uma alimentação variada, 100% melhor”. Ela é beneficiária do programa e conta: “Aumentamos o consumo de pão, de leite e de biscoito e diversificamos o almoço, que era só de farinha e feijão, com macarrão e arroz”, frisa.
Fonte: A Tarde
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