José Rogério Cruz, gerente da agência de Feira de Santana, foi preso por liderar esquema fraudulento que rendeu R$1,5 milhão
Marcelo Brandão
O gerente José Rogério de Almeida Cruz, da agência da Caixa Econômica Federal do município de Feira de Santana, a 110km de Salvador, foi preso ontem, em São Paulo, sob acusação de liderar um esquema fraudulento, que rendeu, apenas em 2007, cerca R$1,5 milhão. Pelo menos 40 clientes da CEF, em Feira, foram vítimas do golpe desarticulado na Operação Senha de Acesso, deflagrada pelo Ministério Público Federal em parceria com a Polícia Federal.
Outras duas pessoas foram capturadas na Bahia – a mulher e o contador do gerente. Os agentes federais também recolheram computadores e documentos, em cumprimento a 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo procurador da República Vladimir Aras, que vinha investigando o caso desde fevereiro deste ano. O material foi encaminhado à sede da Superintendência da Polícia Federal, em Água de Meninos.
Outros seis suspeitos estão sendo investigados por participação no golpe. Eles seriam parentes ou pessoas ligadas a José Rogério, que eram usados como “laranjas” por ele. O procurador Vladimir Aras acredita que o valor total do golpe pode ultrapassar R$1,5 milhão, envolvendo um número ainda maior de correntistas lesados.
A operação foi deflagrada simultaneamente na Bahia e em São Paulo, por volta das 6h de ontem, com a participação de mais de 50 policiais federais. O gerente José Rogério foi preso em um hotel da capital paulista, enquanto sua mulher, Cláudia Santana da Cruz Almeida, foi capturada em casa, no bairro de Muchila, em Feira de Santana. O contador do bancário, Robson Crispim Moreira Santos, foi detido no município de Conceição do Jacuípe, a 95km de Salvador, também logo nas primeiras horas do dia. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos acusados e dos demais suspeitos, nas cidades de Nova Soure, Conceição de Jacuípe, Feira de Santana e Salvador.
Investigação - O golpe vinha sendo investigado pela Caixa Econômica desde outubro de 2007, quando o gerente foi afastado das suas funções, depois que clientes suspeitaram de irregularidades e o denunciaram. Mas o caso só chegou ao procurador Vladimir Aras em fevereiro deste ano, quando ele foi procurado pelo superintendente regional CEF, em Feira de Santana, e advogados do banco. Depois de reunir provas sobre o esquema e indícios da participação dos acusados, o MPF solicitou à Justiça a prisão temporária dos suspeitos.
Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram concedidos pelo juiz Marcos Garapa de Carvalho, da comarca de Feira de Santana. A Justiça determinou ainda a indisponibilidade dos bens dos acusados. O delegado da Polícia Federal Rodrigo Leitão passou a coordenar as investigações, fazendo o levantamento da participação dos acusados e dos locais onde deveriam ser cumpridos os mandados judiciais.
José Rogério gozava da confiança de muitos clientes da agência da Caixa Econômica onde trabalhava como gerente, situada na Rua Tertuliano Carneiro, centro de Feira. Com isso, tinha acesso às senhas dos correntistas e os fazia assinar papéis para abertura de novas contas e tomada de empréstimos e financiamentos, sem que eles percebessem. O gerente movimentava os recursos adquiridos nas operações fraudulentas, sem que os clientes tivessem conhecimento.
Quando os correntistas recebiam correspondência do banco, cobrando prestações não pagas, José Rogério alegava que tinha ocorrido um erro da Caixa. De acordo com Vladimir Aras, o bancário costumava fazer novos financiamentos para pagar empréstimos antigos, mas acabou perdendo controle por causa da quantidade de fraudes praticadas. “As operações fraudulentas viraram uma bola de neve”, explicou.
O empresário Joaquim Cordeiro, proprietário do Restaurante e Lanchonete Cordeiro, localizado no centro de Feira de Santana, foi uma das vítimas do esquema. Ele acusa o gerente de ter lhe causado um prejuízo de R$140 mil. O comerciante contou ter tomado um empréstimo na CEF e quitado antes do tempo previsto, mas José Rogério desviou o dinheiro. Segundo Cordeiro, o golpista abriu uma conta do seu restaurante sem que ele soubesse e contraiu empréstimos em nome da empresa.
A assessoria da CEF foi procurada pela reportagem do Correio da Bahia, mas informou apenas que estava aguardando orientações da sede do banco, em Brasília. Até o fechamento desta edição, a CEF não se pronunciou sobre os clientes prejudicados.
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CRIME
A PRISÃO temporária, determinada pela Justiça a José Rogério de Almeida Cruz e aos dois cúmplices, tem duração máxima de dez dias, prazo usado para investigação e produção de provas. Depois, o Ministério Público Federal poderá solicitar a prisão preventiva, com duração maior. O gerente, a mulher dele e o contador responderão pelos crimes de formação de quadrilha e peculato, caracterizado quando um funcionário público apropria-se de dinheiro a que tem acesso em função do cargo. O crime de peculato prevê pena de dois a 12 anos de prisão, além de multa.
Fonte: Correio da Bahia
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