sábado, março 07, 2026

Editorial – A pior imprensa é aquela que manipula e omite informações.

 

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Editorial – A pior imprensa é aquela que manipula e omite informações.

Por José Montalvão

Há uma frase que sintetiza um dos maiores perigos para qualquer democracia: a pior imprensa não é a que erra, mas a que manipula e omite informações. O erro pode ser corrigido; a manipulação deliberada, porém, corrói silenciosamente a confiança pública e distorce a compreensão da realidade.

O jornalismo tem uma função essencial: informar com precisão, contextualizar os fatos e permitir que o cidadão forme seu próprio juízo. Quando essa missão é abandonada, a imprensa deixa de ser instrumento da democracia e passa a ser instrumento de interesses políticos, econômicos ou ideológicos.

Uma das formas mais sofisticadas de manipulação não é a mentira direta, mas a omissão seletiva. Ao ocultar informações relevantes, excluir perspectivas divergentes ou destacar apenas determinados aspectos de uma notícia, cria-se uma narrativa incompleta que leva o público a conclusões distorcidas. Em muitos casos, não se trata de inventar fatos, mas de escolher quais fatos serão mostrados e quais serão escondidos.

As consequências desse comportamento são profundas. A difusão de informações parciais pode alterar a opinião pública, gerar pânico, destruir reputações e influenciar decisões políticas e econômicas. Ao mesmo tempo, quando a população percebe que há uma distância entre o que é noticiado e o que de fato ocorre, instala-se uma grave crise de credibilidade na imprensa.

Esse fenômeno pode ser observado em diversos episódios recentes da vida pública. O caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o rombo bilionário associado ao sistema financeiro que orbitava o banco Master é um exemplo ilustrativo. A nova prisão do empresário recebeu ampla cobertura da mídia, destacando o aspecto policial da operação, o modus operandi da quadrilha e as apreensões realizadas pela Polícia Federal.

No entanto, o contexto político do caso recebeu tratamento bem diferente.

É público que governadores e políticos ligados a setores da direita e do chamado Centrão tiveram relações com o banco ou tentaram salvá-lo por meio de investimentos de fundos de pensão estaduais, mesmo diante de alertas técnicos. Também surgiram informações sobre parlamentares e figuras políticas citadas em agendas e contatos associados ao esquema.

Contudo, essas conexões políticas raramente receberam o mesmo destaque dado ao escândalo financeiro em si.

A pergunta que muitos fazem é inevitável: qual seria o tratamento dado pela grande mídia se os nomes envolvidos fossem majoritariamente ligados à esquerda ou ao governo federal?

Se fotografias, agendas ou doações financeiras vinculassem o escândalo a figuras progressistas, é difícil imaginar que o noticiário se limitaria ao aspecto policial do caso. Provavelmente haveria manchetes, editoriais inflamados e pressão política intensa.

Essa seletividade revela um problema estrutural: a narrativa jornalística pode ser moldada por interesses e disputas de poder.

O lendário editor e fundador do Prêmio Pulitzer, Joseph Pulitzer, alertava para esse perigo há mais de um século. Ele descreveu o ciclo de degradação da imprensa quando ela abandona o compromisso com a verdade: primeiro torna-se cínica, depois mercenária, em seguida demagógica e, por fim, corrupta. Nesse processo, a imprensa deixa de educar o público e passa a deformar o senso crítico coletivo.

Quando a informação vira produto e o cidadão vira apenas consumidor, o objetivo deixa de ser a verdade e passa a ser a confirmação de preconceitos, o sensacionalismo e a disputa por audiência. A notícia perde profundidade e vira espetáculo.

É claro que o problema da desinformação não está apenas nos grandes veículos. Fake news, redes sociais e campanhas organizadas de desinformação também contaminam o debate público e são frequentemente usadas para desacreditar jornalistas e instituições.

Mas isso não absolve a imprensa tradicional de suas responsabilidades. Pelo contrário: quanto maior o poder de influência, maior deve ser o compromisso com a verdade, a contextualização e a transparência.

Uma imprensa que seleciona fatos de acordo com conveniências políticas não fortalece a democracia — ela fragiliza a confiança social e cria um ambiente propício à manipulação.

Uma sociedade livre precisa de uma imprensa livre, mas também honesta, plural e responsável. Porque quando a informação é manipulada, quem perde não é apenas a verdade — é o próprio cidadão.

E quando o povo deixa de confiar na imprensa, abre-se um vazio perigoso: o espaço onde prosperam a mentira, o extremismo e a manipulação.

A história mostra que uma imprensa degradada não forma um povo crítico; forma um público manipulável.

E nenhuma democracia sobrevive por muito tempo assim.

José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025




JN E A NOTÍCIA PELA METADE

Angela Carrato 


Desde cedo e ao longo desta quarta-feira (4/3), todos os portais e edições de TV deram destaque à  nova prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de seu cunhado, Fabiano Zettel, e à descoberta, pela Polícia Federal, de mais um IPhone e do esquema  que revelou o modus operandi da quadrilha.

É público que esta turma deu um rombo de R$ 50 bilhões em quem investiu no Master e nas outra sete fintechs que integravam o seu sistema. 

Todas e o próprio Master liquidadas extrajudicialmente pelo Banco Central.

A primeira prisão de Vorcaro aconteceu em 17 de novembro do ano passado, quando tentava fugir em um de seus jatinhos de muitos milhões de dólares  para Malta.

Era público, mesmo que bastante minimizado pelo JN, que governadores de extrema-direita como Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Clecio Luis, do Amapá tentaram ajudar o amigo investindo milhões dos fundos de pensão de funcionários de seus Estados no Master, apesar de todas as recomendações técnicas em contrário. Ou seja: estes governadores fizeram de tudo para salvar o Master.

A "Turma", como era chamada a gangue de Vorcaro, no entanto, divulgou e pagou para que fosse divulgado que, entre os políticos que trabalhavam para o Master, estavam figuras progressistas ou ligadas ao governo Lula, como os ex-ministros Ricardo Lewandowiski e Guido Mantega. Divulgaram igualmente que  Viviane, a esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, tinha um contrato milionário com o banco. O que valeu para acusarem o ministro de, em função disso, tentar salvar o Master.

Até  onde se sabe, o tal contrato, sem assinatura, portanto uma minuta, estava num dos celulares de Vorcaro. 

Foi o que bastou para que penas de aluguel do Grupo Globo decretassem que Moraes teria que renunciar ao STF.

Por que estou recordando isso agora?

Porque o JN cobriu a nova prisão de Vorcaro e sua "turma" sem fazer as necessárias ligações políticas. 

Cobriu como um caso de ganguesterismo - o que sem dúvida é  - mas omitiu propositadamente o fato dele envolver diretamente políticos do Centrão  e a extrema-direita bolsonarista.

A título de exemplo, qual seria a chamada do JN nesta edição, se a foto do filho de Lula, Fábio Luiz, e não o de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à  presidência da República, aparecesse ao lado de Vorcaro e do Careca do INSS?

Qual seria a manchete se os 21 nomes de parlamentares que foram encontrados na agenda do IPhone de Vorcaro fossem todos do PT ou de partidos progressistas e não de agremiações de direita?

Entre os nomes estavam lá o atual e  ex-presidente da Câmara dos Deputados, respectivamente, Hugo Motta e Arthur Lira, e  três parlamentares mineiros, Álvaro Antônio, Paulo Abi-Ackel e Nikolas Ferreira.

A presença de Nikolas nesta lista só  reforça a ligação dele com os rolos da campanha derrotada de Jair Bolsonaro para a reeleição  em 2022. 

Nikolas fez inúmeras viagens em jatinhos de Vorcaro durante a campanha, não prestou conta de nada à Justiça Eleitoral e diz não  saber de quem eram as aeronaves.

No mínimo, cometeu crime eleitoral, passivo de cassação.

Mas a cereja do bolo é o fato de Zettel, ter dado R$ 3 milhões para a campanha de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a do hoje governador de São  Paulo, Tarcísio de Freitas.

Se a doação tivesse sido para Lula, o mínimo que o JN e a mídia corporativa teriam manchetado é: Lula recebeu dinheiro do esquema corrupto do Master. E, claro, os pedidos de impeahment choveriam.

Por que uma manchete deste tipo não aparece em relaçã a Bolsonaro ou Tarcísio?

Disposta a tudo fazer para evitar a reeleição de Lula, esta mídia preserva tanto Flávio Bolsonaro, quanto Tarcísio.

Prova disso é  que o JN mostrou a operação da Polícia Federal sem fazer estas óbvias relações políticas. 

O JN, como o próprio jornal O Globo - a "voz do trono da família Marinho" - deu destaque  para o fato de que um de seus colunistas estava entre os jornalistas ameaçados pela "turma" do Vorcaro.

Pior ainda. 

Deu sem qualquer questionamento que o encarregado pelo trabalho sujo, o policial aposentado Luiz Phillipi Mourão,  apelidado de Sicário, suicidou-se na Superintendencia da Polícia Federal em Belo Horizonte, horas após ser preso. Oficialmente ele se enforcou com uma camiseta.

Você acredita nesta história? 

Eu não.  

Sicário poderia fazer delação  premiada e conseguir uma pena bem leve a partir de tudo o que sabia. 

Não por acaso é fato que Vorcaro, Zettel e Nikolas têm em comum pertencerem à  Igreja da Lagoinha.

Passou da hora da Igreja da Lagoinha ser devidamente investigada.

Ela tinha inclusive uma fintech, a Clava Forte, fechada tão logo o escândalo de corrupção do Master veio à tona.

De novo - e sempre é  importante repetir  - se Lula ou políticos de esquerda fossem de uma mesma Igreja e se ela tivesse uma instituição  financeira metida em todo tipo de falcatrua, como seria a manchete do JN?

Ao se prender ao meramente factual, ao dia de hoje, sem qualquer contextualização, sem lembrar dos aspectos políticos que citei, o JN passa pano para a extrema-direita e, de quebra, tenta posar de mocinho, a partir da violência que o colunista do Grupo Globo poderia ser alvo e que estava registrado nas articulações, apreendidas.

Como Vorcaro tem no mínimo outros seis celulares, é  de se esperar que novas ações e articulações desta milícia ainda venham à  tona.

Como último exemplo, vale lembrar que na terça-feira, ao não conseguir blindagem para a turma do fundo de pensão do Amapá,  o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, manteve o inegavelmente fraudado resultado da votação que aprovou a quebra do sigilo do filho do presidente Lula, Fábio Luiz.  

O assunto sequer foi citado pelo JN.

O mínimo a se esperar agora é que o sigilo de Flávio Bolsonaro também seja quebrado.

A campanha suja da mídia contra Lula, que nunca deixou de existir neste terceiro mandato, agora está  descarada.

Alguém ainda duvida que é só  o começo e que esta mídia tudo fará para tentar jogar a corrupção do Master no colo do governo Lula? 

O nome disso é Lava Jato 2.0.

Mendonça é a fonte secreta das ‘Malus Gaspares’", diz jornalista após afirmar que 'sicário ameaça ressuscitar e contar tudo'

 Eduardo Guimarães alerta para o risco de descredibilização do Judiciário: “um país com um judiciário totalmente nocautado no chão e acusado de todos os lados significa a falência desse país”

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A PERSISTÊNCIA DE LINHAGENS GOLPISTAS NO BRASIL À LUZ DE MAQUIAVEL

 “Um homem mau queimará sua própria nação até o chão, só para governar sobre as cinzas.” – Sun Tzu


A PERSISTÊNCIA DE LINHAGENS GOLPISTAS NO BRASIL À LUZ DE MAQUIAVEL 


Qualquer pesquisa honesta associa o golpe militar de 1964 — que depôs João Goulart e instaurou uma ditadura até 1985 — a uma linhagem familiar de elites conservadoras que perpetuam agendas antidemocráticas. Figuras como os descendentes de oligarquias rurais, militares e empresários, frequentemente retratados como defensores de "Deus, Pátria e Família" (slogan adotado por integralistas e bolsonaristas), são acusadas de priorizar interesses econômicos sobre a equidade social.


Exemplos incluem famílias como os Bolsonaro, com raízes em redes conservadoras, ou clãs políticos no Nordeste e Sudeste que alternam entre apoio a regimes autoritários e oposições seletivas. Essa "herança golpista" se manifesta em eventos recentes, como as tentativas de contestar eleições em 2018-2022, onde filhos e netos de atores do regime militar (e.g., descendentes de generais ou políticos da Arena/UDB) emergem em movimentos contra as reformas sociais, como as do governo Lula.


Maquiavel, em O Príncipe (capítulos 3-5), defende a eliminação radical de ameaças para consolidar o poder: ao conquistar um território habituado à liberdade ou a um príncipe anterior, o novo governante deve "destruir" opositores e suas linhagens, pois "os homens se vingam das injúrias leves, mas das graves não podem". Ele argumenta que famílias ofendidas pela perda de status se tornam focos de rebelião, e a estabilidade exige erradicar "a memória do antigo príncipe".


Aplicado ao contexto brasileiro, isso sugere que governos progressistas, como os petistas, falharam em "extirpar" essas raízes — via reformas institucionais, como a desmilitarização ou punições por crimes da ditadura — permitindo que gerações subsequentes reciclarem narrativas autoritárias, agora via redes sociais e milícias digitais.


No Brasil, a impunidade (por exemplo, anistia de 1979) perpetuou ciclos, mas poderia ser eliminada sem evocar autoritarismo, alienando aliados e violando liberdades. Em vez disso, uma abordagem crítica priorizaria educação cívica, regulação de heranças políticas e responsabilidade judicial para quebrar esses padrões. Substanciado historicamente, o padrão geracional existe (por exemplo, relatórios da CNV mostram continuidade familiar em abusos). Maquiavel alerta para a instabilidade, mas a verdadeira estabilidade vem de inclusão, não extermínio.


Considerando que a resistência persiste nas memórias, nas linhagens e nos ressentimentos, tornando o controle frágil se não for acompanhado de medidas radicais — como a destruição de opositores ou a erradicação de potenciais focos de rebelião. Maquiavel reconhece limites práticos nessa abordagem: o ódio gerado por crueldade excessiva ou opressão sistemática pode destruir o príncipe mais rapidamente do que qualquer inimigo externo. Ele adverte que "o ódio destrói a autoridade" e que o governante deve evitar ser odiado, priorizando o temor sem ultrapassar o limiar do desprezo coletivo.


Essa tensão revela que a estabilidade não reside apenas na eliminação física ou na repressão brutal. Maquiavel sugere que o príncipe deve equilibrar a "crueldade bem usada" (rápida, calculada e pontual, para prevenir desordens maiores) com a "piedade mal-usada" (clemência excessiva que permite o caos). Mais importante: o povo, em geral, "quer apenas não ser oprimido". Quando satisfeito nesse mínimo — segurança, ausência de abusos graves e alguma percepção de benefícios —, tende a apoiar ou ao menos tolerar o governante. O amor é instável e volúvel, mas o temor (sem ódio) é mais confiável para a manutenção do poder.


Aplicando ao contexto brasileiro, a "verdadeira estabilidade" que contrasta com o extermínio maquiavélico puro reside exatamente nessa inclusão pragmática. Eliminar linhagens ou opositores pode dar uma vitória imediata, mas gera ciclos de vingança e instabilidade (como visto em ditaduras que colapsam por ódio acumulado). Governos que priorizam a inclusão — via políticas redistributivas, responsabilização judicial, educação cívica, regulação de elites e canais democráticos para expressar descontentamentos — quebram heranças autoritárias de forma mais sustentável. Não se trata de ingenuidade moral, mas de realismo maquiavélico: o poder se mantém melhor quando o povo se sente parte do sistema, não apenas súdito passivo ou vítima. A opressão perpetua inimigos; a inclusão os desarma ou os transforma em aliados relutantes.


No Brasil contemporâneo, isso significa que combater "linhagens golpistas" por meio de exclusão punitiva pode falhar; a via mais eficaz é deslegitimá-las pela inclusão social e institucional, tornando o autoritarismo obsoleto e impopular. Assim, a lição maquiavélica atualizada: inclusão não é fraqueza, é a crueldade mais eficaz contra a instabilidade de longo prazo.

Luis Celso - Jornalista

O Brasil da desigualdade e do desrespeito à Constituição

 

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O Brasil da desigualdade e do desrespeito à Constituição

Por José Montalvão

O Brasil vive um paradoxo difícil de explicar ao cidadão comum. De um lado, cobra-se sacrifício da população, fala-se em contenção de gastos, limita-se reajustes salariais, reduz-se benefícios e discute-se até mesmo a diminuição de direitos previdenciários. Do outro lado, surgem números que escancaram uma realidade de privilégios incompatíveis com o espírito da Constituição.

A própria Constituição Federal estabelece limites claros para a remuneração no serviço público. O chamado teto constitucional corresponde ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente fixado em R$ 46.366,19, regra reafirmada por resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em tese, nenhum servidor público deveria receber acima desse valor.

No entanto, um levantamento divulgado pelo portal Bahia Notícias,(https://www.bahianoticias.com.br/justica/noticia/74234-levantamento-registra-salarios-acima-do-teto-entre-magistrados-do-tj-ba-entenda) com base nos relatórios da folha de pagamento do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), mostra uma realidade que causa indignação. Os documentos referentes ao período de janeiro a dezembro de 2025 apontam magistrados recebendo valores líquidos que chegam a aproximadamente R$ 180 mil entre juízes e ultrapassam R$ 185 mil no caso de desembargadores.

Mesmo quando parte desses valores é justificada como indenizações ou verbas eventuais — como décimo terceiro salário, férias ou outros adicionais — o fato é que, na prática, os rendimentos ultrapassam com folga o limite constitucional. Em setembro de 2025, por exemplo, desembargadores receberam entre R$ 98.963,76 e R$ 101.758,83 líquidos. Já em fevereiro, considerado um mês de menor movimento, os rendimentos ainda ficaram acima do teto, com cerca de R$ 57.645,06.

A situação também se repete entre os juízes de primeiro grau. Em dezembro de 2025, a faixa de rendimentos líquidos variou entre R$ 65 mil e R$ 185.118,59. Valores que, para o trabalhador comum, parecem completamente fora da realidade do país.

Enquanto isso, professores lutam por salários dignos, trabalhadores recebem remunerações que mal cobrem o custo de vida, e aposentadas — muitas delas viúvas — enfrentam reduções em seus benefícios. O mesmo Estado que afirma não ter recursos para valorizar quem está na base da sociedade parece encontrar mecanismos para pagar cifras que afrontam o princípio da moralidade administrativa.

Como se não bastasse a questão salarial, também surgem denúncias sobre práticas que comprometem ainda mais a confiança da população na Justiça. Entre elas está o fenômeno conhecido como “juízes TQQ” — magistrados que comparecem presencialmente apenas às terças, quartas e quintas-feiras, muitas vezes residindo em cidades diferentes das comarcas onde atuam. Tal prática tem sido considerada irregular e incompatível com a responsabilidade da função pública.

O atual corregedor nacional de Justiça, o ministro Mauro Campbell Marques, já manifestou a intenção de extinguir esse tipo de prática, por entender que ela compromete a credibilidade do Poder Judiciário.

O problema central não é discutir a importância da magistratura. Juízes exercem função essencial para a democracia e devem, sim, receber remuneração digna. A questão que revolta a sociedade é a desigualdade gritante e a aparente contradição entre o discurso de austeridade imposto ao povo e a realidade de privilégios existentes em determinadas estruturas do Estado.

Quando a própria Justiça — que deveria ser a guardiã da Constituição — parece relativizar seus limites, o cidadão se pergunta: quem fiscaliza os fiscalizadores?

Sem transparência, moralidade e respeito aos princípios constitucionais, cresce o sentimento de injustiça social. E um país não se sustenta apenas com leis escritas, mas com o exemplo daqueles que têm o dever de cumpri-las.

Porque, quando a Constituição deixa de ser respeitada por quem deveria defendê-la, quem paga a conta é sempre o povo.

José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025 

sexta-feira, março 06, 2026

Lindbergh pede investigação de Campos Neto por omissão no caso Banco Master

Publicado em 6 de março de 2026 por Tribuna da Internet

Deputado apresentou uma representação à PGR

Yago Godoy
O Globo

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do PT na Câmara, apresentou uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a conduta de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, à frente do comando da instituição em meio às fraudes que envolvem o caso do Banco Master. O parlamentar definiu a postura do gestor como uma “omissão dolosa”.

Segundo o deputado, o objetivo da ação é “assegurar uma apuração independente e completa” sobre os possíveis responsáveis pelo escândalo. Para Lindbergh, há “decisões administrativas e eventuais condutas comissivas ou omissivas” que podem ter favorecido as irregularidades praticadas pelo banco e seu dono, Daniel Vorcaro, preso nesta quarta-feira pela Polícia Federal (PF).

OMISSÃO DOLOSA – “(A Notícia-Crime na PGR foi protocolada) Para que seja investigada omissão dolosa de Campos Neto na fiscalização bancária e se apure indícios de que norma editada durante sua gestão possa ter contribuído para facilitar fraudes atribuídas ao Banco Master”, escreveu Lindbergh, nas redes sociais, nesta quarta-feira.

O parlamentar também mencionou o envolvimento do ex-diretor do Banco Central, Paulo Souza, afastado do cargo por ligações com Vorcaro. Ele e Belline Santana foram afastados ontem por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

SUSPEITAS – A determinação ocorreu por conta de uma investigação ter apontado suspeitas de que os dois prestavam serviços de “consultoria informal” para o banqueiro, recebendo vantagens indevidas. Ambos já haviam deixado o cargo por decisão administrativa do BC no âmbito de uma investigação interna sobre o Master.

Atualmente, Campos Neto é vice-chairman e chefe global de políticas públicas do banco Nubank. Procurada, a empresa disse que não irá se manifestar sobre a acusação de Lindbergh. A reportagem não localizou a assessoria do ex-presidente do Banco Central. O espaço segue aberto.

ARTICULAÇÃO DA ESQUERDA –  O Palácio do Planalto está disposto a tentar vincular o caso Master ao ex-presidente e seus aliados, conforme mostrou reportagem do GLOBO. Campos Neto foi indicado à presidência do Banco Central pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2019, cargo em que permaneceu até janeiro de 2025.

Nas redes sociais, nesta semana6, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), disse que a operação “expôs definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto”, ao citar que Souza e Santana “recebiam dinheiro de Vorcaro para impedir a fiscalização” do banco.

Durante a gestão de Campos Neto, o Banco Central foi alertado por anos de que o Banco Master, que foi liquidado em novembro do ano passado em meio a alegações de fraude, estava se expandindo em um ritmo alarmante. O sistema nacional de garantia de depósitos, conhecido como Fundo Garantidor de Crédito (FGC), enviou cartas de advertência ao BC, enquanto executivos dos maiores bancos do Brasil, principais financiadores do FGC, também entraram em contato com a autoridade monetária para expressar preocupação, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

"Corrupção no Judiciário por dependência" by Joao Victor Palermo G Gianecchini

 

Corrupção no Judiciário por dependência
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Author Photo Joao Victor Palermo G Gianecchini
2022, SISTEMA DE INTEGRIDADOE E PODER JUDICIÁRIO Estudos em homenagem ao Ministro Luiz Fux
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ABSTRACT
Nem sempre se garantem ao juiz concretas condições para o devido cumprimento de seu dever funcional. Há situações cada vez mais cotidianas de ameaças de associações criminosas ou mesmo pressão ilegítima de grupos altamente poderosos que podem comprometer o exercício "autônomo" e "independente" da judicatura. Isso...
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Operação deflagrada pelo MPBA e PF combate fraudes bancárias na Bahia

 

Operação deflagrada pelo MPBA e PF combate fraudes bancárias na Bahia

Dois mandados de prisão e dez de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Itabuna e Entre Rios

Por Redação

06/03/2026 às 10:23

Imagem de Operação deflagrada pelo MPBA e PF combate fraudes bancárias na Bahia

Dois mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão estão sendo cumpridos na manhã desta sexta-feira, dia 6, pelo Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), e a Polícia Federal nas cidades de Itabuna e Entre Rios. O objetivo da operação, denominada "Amêndoa Negra”, é o combate a fraudes cometidas contra a Caixa Econômica Federal e outras instituições bancárias. 

Investigações apontam a realização de diversos empréstimos através de contas bancárias fraudadas, os quais causaram um prejuízo que ultrapassa os R$ 500 mil para as instituições bancárias. As apurações, que tiveram o apoio da Centralizadora Nacional de Segurança e Prevenção a Fraude (Cefra), da Caixa Econômica Federal, detectaram que foram abertas 17 contas bancárias em agências das cidades de Conceição do Coité, Prado, Valença e em São Paulo, com a utilização de documentos falsos, tendo o único intuito de obter recursos através de empréstimos fraudulentos. 

A Polícia Federal passou a seguir o destino dado ao dinheiro que entrava nas contas bancárias abertas com documentos falsos e identificou parte do grupo beneficiado com as fraudes. Os mandados de prisão e busca e apreensão cumpridos hoje foram expedidos pela 17ª Vara Federal da Seção Judiciária de Salvador. 

Amêndoa Negra

O nome da operação foi escolhido em razão da associação simbólica com o processo de ocultação, característica marcante da atuação do grupo investigado. A amêndoa, apesar de possuir um interior claro e vulnerável, é protegida por uma casca rígida e escura, que dificulta seu acesso. Essa metáfora representa, no contexto criminal, o modo como a organização estruturou suas fraudes bancárias: utilizando camadas de dissimulação, contas de passagem, laranjas e mecanismos artificiais de proteção para ocultar a origem e o destino dos valores ilícitos. Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro.

Politica Livre


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Publicado em 6 de março de 2026 por Tribuna da Internet

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