sábado, maio 10, 2025

Kassab cresce junto com o PSD e seu apoio será fundamental nas eleições


PSDB perde Eduardo Leite para PSD de Kassab que empata número de governadores a PT e União Brasil - Território Livre

Com Eduardo Leite, o PSD já tem dois presidenciáveis

Bela Megale
O Globo

Desafeto de Jair Bolsonaro no meio político, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, passou a ser foco de elogios da cúpula do partido do ex-presidente, o PL. Kassab tem sido descrito como “o melhor estrategista” quando o assunto são as eleições de 2026.

Na leitura de correligionários do PL, Kassab tem se movimentado, nos bastidores, para inviabilizar a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência, atuando para que ele disputa a reeleição pelo governo de São Paulo. O plano do presidente do PSD é ser o vice da chapa de Tarcísio em São Paulo.

FILIAÇÃO DE LEITE – Movimentos recentes de Kassab, como filiar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, na sua legenda e estimular a pré-candidatura do governador do Paraná, Ratinho Júnior, têm sido lidos como ações para minar o voo de Tarcísio rumo ao Palácio do Planalto.

Na avaliação da cúpula do PL, Kassab usará os nomes de Eduardo Leite e Ratinho Júnior para “vender mais caro” um apoio a uma eventual candidatura de Michelle Bolsonaro à Presidência, tentando até mesmo emplacar um vice do PSD.

Caciques da legenda de Bolsonaro têm elogiado a “sagacidade” de Kassab para manter Tarcísio em São Paulo, ocupar a vive de sua chapa, e quem sabe, até emplacar o candidato a vice de Michelle.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Por enquanto, está tudo no ar. A situação depende da anistia a ser votada pelo Congresso. Se for aprovada incluindo Bolsonaro, é um quadro. Se Bolsoraro continuar inelegível, é outro quadro. O pior é que dona Michelle tomou gosto pela política e quer ser candidata. A confusão é geral, diria Machado de Assis, no conto “O Alienista”, que transcorre num manicômio. (C.N.)


Rei Davi jamais disfarçava seus desejos, desesperos ou alegrias diante de Deus



A ilustração de Ricardo Cammarota foi executada em técnica manual, com pincél e nanquim sobre papel. Depois foi escaneada e colonizada digitalmente.  Na horizontal, proporção 13,9cm x 9,1cm, a Ilustração colorida com traços de gravura antiga e efeitos gráficos contemporâneos. À esquerda, figura masculina de perfil levemente voltado para cima, com barba longa e ondulada em azul claro, coroa na cabeça e manto roxo. Ao centro, uma harpa estilizada em rosa, com cordas finas verticais. À direita, outra figura masculina com barba verde, usando vestes decoradas com padrões detalhados em azul e vermelho, colar com pingente redondo e manto com detalhes de pele. Há três círculos sólidos em laranja cobrindo partes da imagem — um sobre o peito da figura à esquerda, outro sobre a harpa, e o terceiro na parte inferior direita. Também há retângulos brancos translúcidos aplicados sobre trechos do rosto e da roupa. O fundo é bege com bordas irregulares, simulando papel envelhecido.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

“O Senhor é o meu pastor e nada me faltará”. Salmo 23. Talvez o mais famoso de todos. A tradição remete a autoria dos salmos ao rei Davi, de todos os heróis bíblicos, o mais amado por Deus.

O predileto de Deus, o rei Davi, fala muito da personalidade do Deus de Israel. Um desses traços é sua imprevisibilidade absoluta. Esta, aliás, faz parte do caráter absoluto da sua liberdade. Impredicável, o Deus de Israel escolhe seus heróis ou heroínas ao bel-prazer da sua vontade livre, como nenhuma outra jamais existiu.

FÉ INABALÁVEL – Deus ama Davi, muitos dizem, por conta da sua fé inabalável. A ideia de que importa a Deus o coração honesto de uma pessoa, no caso de Davi, é marcante. Um filósofo poderia dizer que o imperativo categórico kantiano de que jamais devemos mentir é a mais pura realidade do coração desse rei da casa de Judá.

Davi jamais disfarça suas emoções, desejos, desesperos, ódios e alegrias diante de Deus. Isso nos leva a crer que o Deus de Israel se comove diante de alguém que é sincero acerca de si mesmo. Sendo Deus onisciente, a sinceridade diante dele significa, antes de tudo, a sinceridade diante de si mesmo, já que Deus sabe tudo.

Para além do debate acerca da autoria dos Salmos — Davi os escreveu? Escreveu alguns? Nenhum? —, o fato é que o personagem Davi é apresentado pela tradição como sendo um poeta e místico que encantava as pessoas e a Deus com sua harpa e seu canto.

À MERCÊ DE DEUS – Nesse canto — os Salmos em si —, Davi revela todas as facetas de uma alma à mercê de Deus e que, ao mesmo tempo, goza de uma intimidade com o criador que ninguém jamais teve — à exceção de Cristo, para os cristãos, que, aliás, entendem que o seu Messias era descendente da casa de Davi, do contrário não seria o Messias, segundo a profecia.

A vida de Davi é “uma representação intricada de grandeza e loucura humana, de sabedoria e pecado, de fé e fidelidade, de perspectivas contraditórias e desejos conflitantes”.

Assim, cita Randy Neal no seu ensaio de crítica bíblica “The Search for the Elusive King David: Studies in 1 & 2 Samuel” —a busca pelo esquivo rei Davi, numa tradução direta.

INDESCRITÍVEL – Mas vale dizer que “elusive” pode ser também traduzido por indescritível ou ilusório. O termo aponta para a difícil apreensão do personagem, o que não é difícil de se entender dadas as contradições das fontes, sua antiguidade e o fato de que ele teria vivido cerca de 1.000 anos antes de Cristo.

A propósito, o Samuel citado no título é o profeta por excelência da epopeia de Davi, e seus livros, fontes essenciais para os estudos davidianos.

Um dos traços mais citados acerca do predileto de Deus é sua vida sexual rica. As fontes e estudos acerca de Davi indicam nove esposas “oficiais”, além de várias concubinas. Neste sentido, Davi repete, aliás, como em quase tudo, um padrão da realeza do período no Oriente Médio.

MULHERES PODEROSAS – Vale salientar que, em Israel, assim como nos reinos em volta, Egito ou Babilônia, cerca de 1000 a.C., as esposas dos reis não eram meros objetos sexuais. Apesar de serem referidas sempre como “mãe de”, “esposa de” ou “filha de alguém”, essas mulheres tinham grande poder no ordenamento político do estado monárquico de então.

Esse poder não surgia, como muita gente pensa, do que ela fazia na cama com o rei, o seduzindo com o seu corpo e gestos eróticos. Esse poder emanava da sua posição dentro do palácio e da hierarquia política mesma: essas mulheres carregavam consigo uma soberania conjunta com o rei. Resumindo: tinham grande poder.

Mesmo que as filhas pudessem ser “dadas” em casamento para fins políticos, assim como os filhos, essa dinâmica não retirava o poder cotidiano dessas mulheres da realeza israelita antiga.

CONSELHEIRAS – Chegavam mesmo a ser conselheiras dos reis. Não devemos esquecer que a intimidade sob os lençóis quase sempre implica um modo, muitas vezes aparentemente invisível, de soberania pouco estudada em ciência política.

As mais famosas das suas esposas são Michal, filha do rei Saul que o precede no trono, e Batsheva, a esposa do general Urias, de quem ela é roubada por Davi. Ela será a mãe do herdeiro de Davi, o rei Salomão. Segundo as fontes, Davi a conhece pela primeira vez, quando caminhando sobre o teto do palácio —caminhadas essas descritas como momentos místicos—, a vê, linda, tomando banho, e, a partir daí, enlouquece por ela. Fará dela adúltera e rainha.

“Na verdade, todo homem caminha como uma sombra, em vão se inquietam, amontoam riquezas e não sabem quem as levará.” Salmo 39. Este é o mesmo homem que arde de desejo pela mulher do outro, e a toma. O predileto de Deus. 

Por unanimidade, Supremo limita decisão da Câmara e mantém ação contra Ramagem

 Foto: Fellipe Sampaio/STF

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou na manhã deste sábado (1)10 de maio de 2025 | 14:00

Por unanimidade, Supremo limita decisão da Câmara e mantém ação contra Ramagem

brasil

Com voto da ministra Cármen Lúcia na manhã deste sábado, 10, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou unanimidade no julgamento para enfrentar a decisão da Câmara que suspendia a ação contra o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) por tentativa de golpe de Estado.

O colegiado já tinha atingido maioria na sexta-feira, 9, cinco horas após o início da sessão. A decisão limita a resolução aprovada pela Câmara na quarta-feira, que determinou a suspensão do processo do golpe contra Ramagem enquanto durar o seu mandato.

Naquele dia, bolsonaristas confrontaram o STF — que acolheu a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro e outros 33 réus, incluindo Ramagem, por tentativa de golpe de Estado — e aprovou um projeto para salvar os aliados. O texto beneficiava tanto o ex-presidente quanto outros réus.

O PL se fundamentou num trecho da Constituição que dá à Câmara o poder de sustar o andamento de uma ação penal enquanto o parlamentar mantiver o seu mandato.

A leitura dos ministros do Supremo, no entanto, é de que o Poder Legislativo não tem atribuição para decidir sobre ações penais em curso na Corte. E de que poderiam ser anuladas apenas as acusações contra Ramagem sobre atos após a sua diplomação. Esse foi o argumento seguido pelos ministros no julgamento, que entenderam que fatos criminosos anteriores à diplomação não podem ser objeto de votação da Câmara.

Como relator, o ministro Alexandre de Moraes foi o primeiro a se manifestar. Ele votou para dar sequência ao processo e foi acompanhado por Cristiano Zanin e Flávio Dino, com ressalvas. Luiz Fux votou de acordo com os demais em seguida.

Em seu voto neste sábado, Cármen justificou que a sustação aprovada pela Câmara dos Deputados se restringe aos crimes alegadamente praticados por Ramagem após sua diplomação, especificamente os delitos de dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima, e de deterioração de patrimônio tombado, “em relação aos quais deve ser suspenso o curso do prazo prescricional, enquanto durar o mandato”.

“Os demais crimes a ele imputados — organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado — devem ter trâmite regular, por terem sido praticados, em tese, antes da diplomação, a eles não aplicando nem aos demais corréus, a imunidade prevista na Constituição”, escreveu em seu voto feito na sessão virtual, em que não há debate entre os ministros.

Dois crimes imputados a Ramagem no processo são posteriores à diplomação — dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. São os crimes relacionados aos atos de vandalismo do 8 de Janeiro de 2023. Em relação a eles, Moraes defendeu a suspensão do processo até o fim do mandato e foi acatado pelos demais ministros.

Desta forma, o STF decide que Ramagem deve continuar a responder pelos três outros crimes: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; tentativa de golpe de Estado; e organização criminosa.

Em ofício enviado à Câmara, Zanin já havia alertado os deputados sobre os limites de uma decisão de sustar a ação penal, e mesmo assim a oposição seguiu com a iniciativa.

O episódio faz parte de um movimento maior da oposição bolsonarista para salvar tanto os presos e condenados no 8 de Janeiro quanto os que ainda podem vir a ser responsabilizados. Uma das alternativas é tentar aliviar as penas dos manifestantes penalizados com cadeia. Mas Bolsonaro e seus aliados têm dito que somente uma anistia “ampla, geral e irrestrita” interessa a eles.

Guilherme Caetano/Estadão

CORDEL DO ABRIGO E DA ESPERANÇA


Na terra de Jeremoabo,
Sopra um vento de agonia,
Pois querem calar um canto
De fé, cuidado e harmonia.
Mas o povo já desperta,
E começa a rebeldia.

É o Abrigo dos Vicentinos,
Patrimônio de valor,
Refúgio de tantos velhinhos,
Cercado de tanto amor.
Mas há quem queira apagar
Essa luz com desamor!

Maldição dos capuchinhos?
Não! Aqui não vai colar.
Jeremoabo não aguenta
Só crescer pra baixo, já!
Feito rabo de cavalo
Que só sabe se arrastar.

Mas eis que surge uma chama
Que aquece todo rincão:
É o povo se levantando,
Com coragem e união!
Pois o povo unido, amigo,
Jamais será um tostão!

Tista de Deda chegou,
Já deu o seu parecer:
“Essa chama, meus amigos,
Jamais vai se esmorecer!”
E com fé no seu governo,
Vai lutar pra proteger.

Antonio Manoel já disse:
“Também vou me somar sim!”
José Mário já se move,
Toma frente no motim.
E a cidade vai ganhando
Um vigor do povo afim!

Mas a Câmara? Silenciosa…
Será que vai se omitir?
Até quando esse silêncio
Vai querer nos confundir?
Num momento tão sagrado,
Não se pode mais fingir!

Que os edis saiam da toca,
Vão mostrar pra que estão lá!
Quem não luta pelo povo,
De que lado é que vai estar?
O povo já tá de olho,
E começa a anotar...

O Abrigo dos Vicentinos
É legado de valor!
Com respeito e com justiça,
Vamos pôr fim à dor.
Jeremoabo se ergue agora
Com coragem e com amor.

A CHAMA DOS VICENTINOS — UM CORDEL DE SOLIDARIEDADE

 A CHAMA DOS VICENTINOS — UM CORDEL DE SOLIDARIEDADE

No sertão de Jeremoabo,
Com coragem e coração,
Teve gente que fez história
Com trabalho e dedicação.
Hoje venho aqui contar
Um cordel pra celebrar
Um abrigo e sua missão.

Anabel, mulher valente,
Quando esteve a governar,
Com um gesto de bondade
Fez a chama se acender lá.
Com o Estado fez convênio,
Foi gesto puro e espontâneo,
Fez a luz resplandecer, brilhar!

O Abrigo dos Vicentinos,
Com respeito e com amor,
Ganhou vida, teve amparo,
Teve abrigo ao sofredor.
Foi um tempo de esperança,
De cuidado e confiança,
No mais nobre dos valores.

Mas o tempo é traiçoeiro,
E o destino é brincalhão.
Hoje a chama que brilhava
Já ameaça a escuridão.
Muita coisa se perdeu,
E o que Anabel acendeu
Quase vira escuridão.

Mas eis que Tista de Deda,
Homem sério e de valor,
Assumiu com firmeza
Esse grito de clamor.
— “Essa chama não se apaga,
Vou buscar, por mais que a saga
Nos exija mais suor!”

“Já convoquei servidores,
Gente pronta pra ajudar.
Um porteiro e dois guerreiros
Pra o abrigo acompanhar.
E também vamos fazer
Campanha pra arrecader,
Pois não vamos abandonar!”

“Aos Vicentinos, minha estima.
O que puder, vou fazer.
Essa luz de caridade
Tem que continuar a arder!
Pois a chama da esperança
É dever e é bonança
Pra quem luta pra viver!”

E assim segue a história viva
De um povo em comunhão.
Anabel fez seu capítulo,
Tista firma sua missão.
E que o povo, lado a lado,
Veja o bem multiplicado
Pela força da união!

O abrigo é mais que prédio,
É laço, é vida, é calor.
É o descanso de quem sofre,
É cuidado e é amor.
Que essa vela nunca apague,
Pois a fé sempre nos trague
Mais justiça e mais valor.

INSS: Funcionários Foram Afastados, Não Demitidos — A Verdade Que a Mídia Está Confundindo

 

Sede do INSS.

Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil… - 


Por: José Montalvão

Nos últimos dias, diversas manchetes têm alardeado a suposta "demissão" de servidores do INSS, causando alvoroço entre os trabalhadores e desinformação generalizada na opinião pública. Mas, como diria o velho guerreiro Chacrinha: "Eu não vim pra explicar. Vim para confundir." E parece que parte da mídia adotou esse bordão como linha editorial.

A verdade é simples: nenhum servidor do INSS foi demitido até agora. O que houve, de fato, foi o afastamento temporário de alguns funcionários de suas funções. Trata-se de uma medida administrativa que não configura demissão, tampouco exoneração definitiva.

De acordo com a legislação brasileira, um servidor público só pode ser demitido após o devido processo legal, com direito à ampla defesa e ao contraditório. Isso significa que, caso existam suspeitas ou acusações, é necessário abrir um processo disciplinar — e só após a conclusão dele, se comprovadas as irregularidades, a demissão pode ser aplicada como sanção.

Confundir afastamento cautelar com demissão é um erro grave — ou uma manipulação proposital. A medida de afastamento serve justamente para garantir a lisura da apuração, evitando que o servidor influencie o andamento da investigação ou tenha acesso a sistemas internos durante o processo.

Portanto, é importante que a sociedade fique atenta e não caia em narrativas apressadas ou sensacionalistas. Mais do que nunca, é preciso diferenciar informação de desinformação — e manchete de verdade.

Derrotamos a corregedora da Abin e um delegado da PF na justiça

 

Derrotamos a corregedora da Abin e um delegado da PF na justiça

ntercept Brasil

E a decisão é uma lição sobre jornalismo e democracia.

Você que acompanha os nossos e-mails sabe: os tempos são difíceis. É um monte de ataques, ameaças, processos judiciais e tentativas de fazer o nosso trabalho parar. Todos os dias. Mas hoje eu vim dizer que ainda há o que comemorar.


Nos últimos dias, duas decisões judiciais nos fizeram felizes ao reconhecerem um princípio fundamental: sem jornalismo, não há democracia.


O Tribunal Justiça do DF rejeitou ações movidas contra o Intercept Brasil por uma ex-corregedora da Abin e por um delegado da Polícia Federal, ambos mencionados em nossas reportagens sobre os recentes escândalos na inteligência brasileira.


Os dois pediram a remoção de matérias, retratação pública e indenizações que, somadas, superam os R$100 mil. Perderam.

O juiz Edmar Ramiro Correia, do 3º Juizado Especial Cível de Brasília, no último dia 30 de abril, assinou duas sentenças afirmando o que já sabíamos: as matérias se limitaram a criticar, dentro da legalidade, a atuação dos servidores públicos em suas funções. “Não ultrapassaram os justos limites da liberdade de expressão e de imprensa”, escreveu ele.

“De fato, a crítica à atuação de servidor público, dentro dos limites legais, caracteriza direito de liberdade de expressão e de imprensa, pilares essenciais em uma sociedade democrática, sendo ônus de quem ocupa o cargo sujeitar-se à possibilidade de críticas à sua atividade, ainda que duras”, afirmou o juiz.

O juiz ainda concluiu que não houve ofensa pessoal, má-fé nem dolo, e por isso julgou improcedentes todos os pedidos — nas duas ações. Os processos foram, inclusive, associados judicialmente, tamanha a similaridade das tentativas de silenciamento. Cabe recurso das decisões.

Essas derrotas judiciais, ainda que parciais, acontecem no momento em que nossa cobertura sobre a Abin paralela se confirma, passo a passo, no julgamento sobre a tentativa de golpe que corre no Supremo Tribunal Federal — e na reta final do inquérito que apura o uso clandestino da Abin no governo Bolsonaro.

Foi o Intercept quem revelou, em 2020, que a Abin de Alexandre Ramagem e Jair Bolsonaro criou uma estrutura de espionagem paralela alocada em um novo departamento, o Centro de Inteligência Nacional.

Com essa mesma reportagem, citamos, pela primeira vez, a existência de Marcelo Bormevet, um agente da Polícia Federal escalado para operar ilegalidades da Abin.

Essa investigação foi citada por Alexandre de Moraes, ministro do STF, para autorizar uma operação da PF e mirou os principais nomes do bolsonarismo, como Ramagem, Heleno, Braga Netto e o próprio Bolsonaro, em janeiro de 2024.

Em 2023, em um trecho de uma reportagem que revelava o uso de um software capaz de rastrear os dados de navegação de cidadãos na internet, fomos os primeiros a noticiar que a agência era acusada de espionar até mesmo ministros do STF – o que, hoje você sabe, veio a se confirmar quase um ano depois.

E não foi só isso. Nossas reportagens sobre o tema detalharam como agentes da Abin operam com empresas de inteligência clandestinas, como o caso de Bruno Albuquerque, que chegou a dizer que “o PT é um braço político do PCC” – num áudio que você pode ouvir aqui e que só foi ao ar devido, justamente, às ameaças que ele nos fez.

Não é coincidência que nosso trabalho tenha sido alvo de processos, pressões e ameaças. Estamos mexendo onde muitos não querem que se mexa. Mas se essas decisões mostram algo, é que seguimos firmes — e amparados pela lei.

Vamos continuar.


Nota da Redação deste Blog : 

Vitória da Verdade: Quando o Jornalismo Triunfa, a Democracia Respira

Em tempos de sombras e perseguições, cada decisão judicial em favor da liberdade de imprensa deve ser celebrada como um sopro de esperança. Foi assim que recebemos, com imensa satisfação, duas decisões recentes que reafirmaram um princípio basilar de qualquer sociedade democrática: sem jornalismo livre, não há democracia possível.

Derrotamos na Justiça uma corregedora da Abin e um delegado da Polícia Federal. Uma conquista que não é só nossa – é do Brasil democrático, do direito à crítica, da luta constante contra a censura, os abusos de autoridade e as tentativas de silenciamento.

Enquanto o site The Intercept Brasil encontrou justiça no Distrito Federal, nós, aqui em Jeremoabo, enfrentamos outra realidade. Estou sendo forçado a recorrer ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) para me defender de uma acusação inexistente, movida apenas pela imaginação de um servidor do Fórum local — curiosamente, um servidor já denunciado por mais de uma dúzia de advogados da cidade por supostos atos ímprobos.

A ironia salta aos olhos: quem denuncia o erro é punido, enquanto o erro se blinda por dentro do sistema. É o mundo de cabeça para baixo. Mas como disse o jurista Ives Gandra:

“Se o rei está nu, tem que se dizer que o rei está nu, e não por conveniência ficar calado. Cada vez que nos calamos quando as coisas não andam corretamente, evidentemente nós estamos colaborando com elas.”

Essa frase ecoa fortemente em momentos como este. Não estamos calados. Seguimos falando, escrevendo, denunciando – mesmo diante de ataques, ameaças, processos judiciais e tentativas sistemáticas de fazer calar a nossa voz.

E é por isso que celebramos. Porque mesmo em tempos difíceis, ainda há o que comemorar. A Justiça, mesmo pressionada, mesmo lenta, às vezes ainda se curva diante da verdade.

Mas não podemos parar. A luta por uma imprensa livre é contínua. O jornalismo sério, investigativo, combativo, não existe sem riscos. Mas é ele quem ilumina os cantos escuros do poder. É ele quem resiste quando os poderosos tentam calar.

Se o Intercept Brasil pôde vencer no DF, esperamos que o TJBA também cumpra seu papel e não se deixe contaminar por conveniências políticas locais. Porque, no final das contas, não é uma questão pessoal – é uma questão de princípio.

E se a verdade é nossa maior aliada, que ela continue nos guiando.(J.M)

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