sexta-feira, novembro 03, 2023

Congresso está correto em tentar conter os exageros que o Supremo vem cometendo

Publicado em 3 de novembro de 2023 por Tribuna da Internet

Charge do Bier (Arquivo Google)

Conrado Hübner Mendes
Folha

O Supremo Tribunal Federal recebeu da Constituição de 1988 uma lista inédita de poderes e deveres. E a missão de proteger o projeto jurídico mais ousado da história nacional. O constituinte tinha razões históricas e institucionais para suspeitar que o Parlamento eleito, sozinho e sem constrangimento constitucional, não faria esforço pelas promessas de progresso.

Passados 35 anos, a desconfiança do constituinte no Parlamento provou-se um acerto. O excesso de confiança nos ministros do STF, um erro grosseiro.

PODERES INEXISTENTES – A maioria dos ministros do STF avacalhou essas responsabilidades. Construíram, na prática, poderes individuais não autorizados constitucionalmente. Praticaram a obstrução do colegiado e da agenda constitucional do país. Por meio do pedido de vista, fizeram valer a máxima “quando um não quer, 11 não decidem”; por meio da liminar monocrática, a máxima “quando um quer, decide sozinho, bota na gaveta e sonega do plenário”.

Para completar o pacote da autoimolação do STF, ministros normalizaram costumes promíscuos, suspeições e conflitos de interesse. Ridicularizaram a ética judicial.

Se a vida é a arte do encontro, a vida magistocrática é a arte do encontro privado contra o interesse público. Reuniões festivas e mui inocentes do Lago Sul à Praia do Forte, de Nova York a Lisboa. Têm até patrocínio para cobrir as despesas.

MINISTROS ABUSARAM – A democracia brasileira tolerou abusos de ministros contra a instituição do Supremo por tempo demais. Ministros se fizeram surdos às críticas contra arbitrariedades procedimentais e se encastelaram no autoelogio invocando decisões que tomaram na defesa de direitos sem reconhecer, em paralelo, o quanto corroboraram com violações de outros direitos e com a proteção consistente de certos interesses sociais e econômicos em prejuízo de outros.

Rosa Weber, em seu mandato na presidência da corte, conseguiu aprovar resolução “revolucionária” para mitigar o uso indiscriminado e injustificado de pedidos de vista. Estabeleceu prazo e rito que dificultam obstrução.

Ainda não se sabe o quanto essa resolução vai se fazer respeitar. Um estoque de pedidos de vista do passado remoto continua na gaveta.

CONTROLE DO DESCALABRO – O Congresso Nacional resolveu, mais uma vez, tentar controlar o descalabro. A PEC 08/2021 enfrenta duas aberrações bastante elementares: limita a concessão de liminar monocrática e o pedido de vista.

Não proíbe a concessão de liminares, apenas as monocráticas (sem impedir que situações de excepcional urgência ainda as justifiquem); não proíbe pedidos de vista, apenas o engavetamento sem prazo para voltar.

Curiosamente, a Lei 9868/99 já limitava o poder de liminar monocrática; o regimento interno do STF já dava prazo para o pedido de vista (mesmo antes da resolução de Rosa Weber). Mas o STF passou a desobedecer rotineiramente a essas regras. E nem sequer prestou contas. A iniciativa atual do Congresso é esforço inusitado e redundante para dizer ao STF que leis precisam ser obedecidas. Até mesmo pelo STF.

REAÇÕES DESTEMPERADAS – Não foi surpreendente que alguns ministros tenham reagido a essas medidas de modo destemperado. Os ministros de sempre. Por economia argumentativa, alegaram que tais regras violariam a independência judicial e a separação de Poderes. Portanto, claro, inconstitucionais. Raciocínio jurídico que cabe num meme.

Mais um hábito excêntrico da antiética judicial: antecipar aos microfones uma declaração de inconstitucionalidade de caso que ainda não surgiu. Mas o meme autoritário, assinado por ministro, já vai circulando nas redes.

IMPRENSA AMESTRADA – Parte do jornalismo se deixou enganar mais uma vez e repetiu os termos usados por ministros para distorcer. Acreditaram que essas regras “limitam poderes do STF”. Não perguntaram nem perceberam que, de fato e de direito, as regras fortalecem o STF ao controlar a arbitrariedade de ministros.

As falas e movimentos de atores jurídicos interessados (advogados, juízes etc.) seguem um certo padrão ilusionista, já não muito difícil de detectar e prevenir.

Quando repercute essas palavras e gestos de modo preguiçoso e servil, o jornalismo presta um desserviço cognitivo à esfera pública. E um serviço valioso à farra magistocrática.

quinta-feira, novembro 02, 2023

Quando uma cadeira de dentista é encontrada em condições inadequadas, a vigilância sanitária pode interditar o consultório até que o problema seja corrigido.

, Uma cadeira de dentista caindo aos pedaços e sem higiene deve ser interditada pela vigilância sanitária. Isso porque a cadeira é um equipamento essencial para a realização de procedimentos odontológicos, e sua segurança é fundamental para a proteção do paciente.

Uma cadeira de dentista que está caindo aos pedaços pode representar um risco de acidentes, como quedas ou ferimentos. Além disso, uma cadeira com falta de higiene pode ser um foco de infecção, colocando o paciente em risco de doenças.

A vigilância sanitária é o órgão responsável por fiscalizar a saúde pública, incluindo os serviços de saúde. Quando uma cadeira de dentista é encontrada em condições inadequadas, a vigilância sanitária pode interditar o consultório até que o problema seja corrigido.

A interdição da cadeira de dentista é uma medida importante para proteger a saúde dos pacientes. Ao encontrar uma cadeira de dentista em condições inadequadas, o paciente deve denunciar o caso à vigilância sanitária.

Aqui estão algumas dicas para identificar uma cadeira de dentista que deve ser interditada:

  • A cadeira deve estar em boas condições estruturais, sem partes quebradas ou soltas.
  • A cadeira deve estar limpa e desinfetada.
  • A cadeira deve estar equipada com todos os equipamentos necessários para a realização de procedimentos odontológicos.

Se você notar alguma dessas irregularidades, denuncie o caso à vigilância sanitária.

Pacientes perdem globo ocular após infecção adquirida em mutirão de cirurgias no Amapá

 Foto: Halanna Gama/Governo do Amapá

Atendimento no Programa Mais Visão, no Amapá, em 202202 de novembro de 2023 | 17:20

Pacientes perdem globo ocular após infecção adquirida em mutirão de cirurgias no Amapá

BRASIL

O carpinteiro Antônio Ferreira, 82, conta que se orgulhava da autonomia que tinha, ao fazer atividades domésticas e pessoais sozinho, mas agora não consegue mais nem andar pela própria casa sem ajuda. Ele foi um dos 104 pacientes que tiveram infecções nos olhos após um mutirão de cirurgias oftalmológicas gratuitas, realizado no dia 4 de setembro, no Amapá.

Desse grupo, Ferreira foi um dos sete casos mais graves, que tiveram de ser submetidos à evisceração (remoção do globo ocular) após contrair endoftalmite. O paciente perdeu o olho direito, no dia 10 de setembro, durante tratamento na Clínica dos Olhos, no município de Ananindeua, região metropolitana de Belém, no Pará. Antes disso, ele já sofria com baixa visão no lado esquerdo, devido a catarata.

“Eu não tenho dinheiro para estar indo atrás de tratamento. Meu olho direito era o que eu enxergava melhor. Agora eu não tenho mais o meu olho, foi arrancado. Eu conseguia fazer qualquer coisa antes. Não tinha problema nenhum. Andava pela rua sozinho, ia no mercado. Agora não consigo nem andar sozinho dentro de casa”.

Com quadro de diabetes e hipertensão, Antônio Ferreira relatou que começou a sentir fortes dores três dias após a cirurgia de catarata ofertada no programa Mais Visão, em Macapá. O paciente foi encaminhado ao atendimento após diagnóstico em uma ótica particular.

Após complicações de saúde e perda do olho, o excesso de remédio durante o tratamento causou em Ferreira, segundo a família, insuficiência renal, nos dois rins, e afetou o fígado.

“Eu não dormia nem de dia e nem de noite por causa da dor nos olhos, no fígado e nos rins. Pensei que ia morrer. Até me despedi de todos os meus filhos”, falou.

Para a família de Ferreira, a ajuda recebida pela coordenação do programa, durante o tratamento em Macapá, não foi o suficiente. Até agora eles teriam ganhado duas cestas básicas e dois vales combustíveis no valor de R$ 50,00 cada, sendo que o paciente precisa se deslocar da zona norte até o centro e a zona sul, em busca dos tratamentos.

O idoso ainda passará por um novo drama em breve, informou a família. Durante as idas e vindas no oftalmologista, ao longo do processo de recuperação, ele foi diagnosticado com glaucoma no olho esquerdo e em breve perderá a visão total, pois a doença não tem cura.

PROGRAMA MAIS VISÃO

Ferreira contraiu a infecção hospitalar após passar por cirurgia no programa Mais Visão, em Macapá. Ao todo, foram 141 pessoas atendidas neste mesmo mutirão, sendo 104 casos tiveram complicações pós-operatórias. As atividades ainda seguiram até o dia 8 de setembro, quando o Ministério Público do Amapá pediu a suspensão dos atendimentos depois do surgimento das denúncias.

A iniciativa é realizada desde 2020 pelo Centro de Promoção Humana Frei Daniel de Samatare em parceria com o Governo do Amapá, por meio de termo de fomento. Procurados, ambos os órgãos informaram que prestam toda assistência aos pacientes e familiares com atendimento médico e psicológico, e custeio de tratamento no Amapá, em clínicas particulares, e fora do estado, incluindo hospedagem e alimentação.

Em nota, a empresa terceirizada Saúde Link, responsável pelos procedimentos no programa, disse que atuou durante “mil dias ao lado de uma equipe séria de médicos, enfermeiros, profissionais de saúde para que mais de 100 mil pessoas fossem operadas e voltassem a enxergar. Foram mais de mil dias de operações bem-sucedidas”.

A Saúde Link informou, ainda, que os pacientes que tiveram infecção hospitalar em atendimento numa única sala, apesar das precauções tomadas. O local foi isolado para investigação e, após conhecimento dos casos, as atividades foram paralisadas por tempo indeterminado.

O Mais Visão começou no mandato do então governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), atual ministro de Integração e Desenvolvimento Regional, e desde o início conta com recursos de emenda parlamentar do senador Davi Alcolumbre (União Brasil). O atual governador Clécio Luís Vieira (Solidariedade), eleito em 2022 com apoio político de Góes e Alcolumbre, deu prosseguimento ao termo de fomento.

De acordo com a secretária de Saúde, Silvana Vedovelli, da gestão Clécio, dois pacientes foram transferidos para hospitais em São Paulo e 68 foram encaminhados ao Pará – desses 55 passaram por vitrectomia (cirurgia ocular para tratar problemas da retina e vítreo do olho) e 13 fizeram transplante de córnea. O restante está sendo tratado em Macapá, nos Capuchinhos (como é conhecido o Centro Frei Samarate) e em um hospital particular, custeado pelo Mais Visão.

“O programa Mais Visão é realizado há três anos e sempre teve resultados vitoriosos. Mas, no dia 4 de setembro, para nós, foi fatídico, uma tragédia. Nós nunca tínhamos passado por isso. O Governo do Amapá se solidariza com todos pacientes e familiares afetados. Nós estamos na Saúde para salvar vidas, e estamos prestando assistência integral”, disse a secretária.

INVESTIGAÇÃO

A Promotoria de Saúde, do Ministério Público do Amapá, acompanha de perto os 104 casos de complicações pós-cirurgias desde as primeiras denúncias. O promotor Wueber Penafort, responsável pelo caso, destaca que solicitou investigação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e da SVS (Superintendência de Vigilância em Saúde), do governo estadual.

“Convoquei os órgãos de fiscalização e fizemos uma reunião para estabelecer uma metodologia de trabalho sobre as questões de investigação. Pedimos para suspender o repasse de recurso público para o programa e exigimos a oferta um plantão de 24h de atendimentos médicos e sociais aos pacientes acometidos pela endoftalmite”.

Ainda segundo Penafort, outras promotorias entraram no circuito de investigação, como a Criminal, para avaliar se foi doloso, culposo ou infortúnio, e do Patrimônio Público, porque envolve processos contratuais com verbas públicas, além da Saúde que avalia as questões médicas e de assistência à saúde.

“O agente biológico que causou a infecção hospitalar ainda não foi identificado. Não sabem se foi fungos ou bactérias, ou se foi devido aos produtos utilizados nos procedimentos ou se foi o local ou falha médica”, destacou o promotor.

Jorge Abreu/Folhapress

Racha familiar entre Ciro e Cid causa debandada no PDT, que teve 12 baixas

Publicado em 2 de novembro de 2023 por Tribuna da Internet

Cid rompeu com Ciro e vai sair do PDT com seu grupo

Cid rompeu com Ciro e vai sair do PDT com seu grupo

Luísa Marzullo
O Globo

A guerra interna entre o ex-ministro Ciro Gomes e seu irmão, o senador Cid Gomes, gerou uma debandada no PDT no Ceará. Desde que as alas comandadas pela família Ferreira Gomes travaram uma disputa nas eleições do ano passado, 12 políticos já deixaram a sigla.A tensão entre os irmãos cresceu desde a última sexta-feira, quando eles protagonizaram uma discussão acalorada durante evento da sigla, com gritos e dedos em riste.

Com o agravamento da crise, o senador não nega uma eventual desfiliação, assim como seu outro irmão, Ivo Gomes, prefeito de Sobral (CE).

CONVITE DO PSB – Até o momento, o PSB fez um convite para receber Cid e seu grupo, mas nada foi formalizado. O senador já marcou uma reunião do diretório estadual para o dia 9, na qual irá discutir “coletivamente a situação do partido”.

Atualmente, a ala de Cid conta com ao menos dez deputados estaduais, cinco federais e mais de 25 prefeitos. Em um ano de disputas entre Ciro e Cid, dez prefeitos deixaram o PDT para se aliar ao PT. A maioria, cinco, segue sem partido, mas três migraram para o PT, um para o PSB e um para o Podemos. Ao total, somam-se mais duas desfiliações.

Sob o risco de nova debandada, logo após a reunião no Rio, a direção nacional, comandada pelos aliados de Ciro, expediu uma resolução em que dificulta a concessão de anuências, ou seja, a saída do partido.

JANELA PARTIDÁRIA – As mudanças da resolução miram nos parlamentares eleitos no ano passado. A próxima janela partidária ocorrerá em 2026 e, por isso, dependem das permissões para não perderem seus mandatos.

“O filiado eleito pela legenda do PDT reconhece, como pressuposto, que ao partido pertencerá o mandato, devendo ao partido lealdade, fidelidade e disciplina”, diz trecho da resolução que também destaca que a função de liberar as desfiliações cabe apenas ao diretório nacional e determina nulidade nas que descumprirem esses termos.

A medida também é uma reação do grupo de Cid que, no mês passado, liberou o presidente da Assembleia Legislativa cearense, Evandro Leitão, para se desfiliar do PDT.

DISPUTA JUDICIAL – O episódio gerou uma disputa judicial entre os grupos e, na última segunda-feira, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) decidiu, por unanimidade, pela autorização da saída. A ala de Ciro recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Leitão deseja sair do PDT para concorrer à prefeitura de Fortaleza. Dentro da legenda, aliados de Ciro formaram um consenso pela reeleição do atual prefeito, José Sarto, desafeto de Cid.

A desfiliação do deputado Evandro Leitão, próximo ao senador Cid Gomes, pode permitir que ele concorra contra o seu atual correligionário, já que o político recebeu convites de PT e PSB.

CONFUSÃO TOTAL – Alguns filiados, no entanto, alegam que a resolução não vai frear apenas os aliados de Cid, já que o grupo de Ciro também estaria saturado com as crises. O conflito entre os irmãos começou quando seus grupos discordaram sobre quem seria o candidato a governador.

Na ala de Cid, estava a ex-governadora Izolda Cela, a primeira a deixar o PDT quando os aliados de Ciro optaram pelo ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, que terminou em terceiro lugar na disputa.

O movimento não agradou a ala do senador Cid Gomes que então se aproximou do atual governador Elmano de Freitas (PT) com dez prefeitos.

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NOTA DA REDAÇÃO
 – Muita gente reconhece a capacidade de Ciro Gomes, mas não vota nele devido a seu temperamento irascível. Ele envelhece, mas não muda, decepcionando seus supostos eleitores. Desse jeito, não tem o menor futuro na política. (C.N.)


Preferência atual por “populistas autoritários” está relacionada à criminalidade e corrupção

Publicado em 2 de novembro de 2023 por Tribuna da Internet

Charge de Iotti publicada em 18 de setembro  de 2019

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Marcos André Melo
Folha

Os resultados das eleições na Argentina e na Polônia levaram analistas a decretarem a morte do chamado voto econômico. Na Argentina, Massa logrou sair da terceira posição nas primárias para a primeira em um quadro de inflação de 140%, e expectativas de debacle financeira. Na Polônia, o PiS foi defenestrado, a despeito do PIB per capita ter aumentado inacreditáveis 31% nos últimos 8 anos que governou.

A relação entre economia e voto é um tópico clássico da pesquisa empírica em ciência política. O conhecimento acumulado é que a economia é o mais importante preditor em qualquer modelo. Mas a questão é complexa. Não se trata apenas da economia real, mas a percebida pelos eleitores, a qual expressa viés partidário.

POUCA INFLUÊNCIA – A avaliação da economia por eleitores do governo e da oposição pode variar em mais de 40%. Os eleitores não conseguem distinguir o efeito de políticas de outros fatores (choques).

Para além das respostas às pesquisas de opinião, a economia real influencia o voto de forma indireta porque produz sentimentos de mudança ou continuidade. O efeito é defasado: há evidências de memória curta por parte dos eleitores.

Pesquisas de séries temporais cobrindo décadas mostram que os eleitores reagem ao desempenho da economia no semestre anterior, e não ao mandato como um todo.

OUTROS FATORES – A escolha eleitoral tampouco é unidimensional: outros fatores importam. A disputa política é também uma disputa de narrativas rivais. Na Argentina, uma entre opção autoritária e semente do caos vs status quo. A arquitetura da escolha também importa. A proposta de mudança estava dividida, a continuidade unificada. O peronismo perdeu, embora Massa tenha ganho.

Na disputa de narrativas, Milei e o PiS são apontados como ameaças à democracia. Parece ter funcionado. Mas a demanda por líderes autoritários seria produto da crise econômica?

A questão é controversa. As evidências empíricas mais robustas sugerem que, como regra geral, o apoio normativo ao sistema democrático não é afetado pelo comportamento da economia, mas a satisfação com a democracia —que tem uma dimensão instrumental, de como ela está funcionando—, sim.

SÉRIES TEMPORAIS – Claaseen e Guimarães examinaram a questão utilizando séries temporais cobrindo 91 democracias, de 1988 a 2018.

O achado mais instigante é que há dois outros fatores que afetam o apoio à democracia: a criminalidade violenta e a corrupção. O desempenho dos serviços de saúde, questão central para o bem-estar dos eleitores, não se mostrou significativo.

Para os brasileiros, não é novidade que a demanda eleitoral por “populistas autoritários” está relacionada com a criminalidade violenta e corrupção.


Valdo Cruz ainda acha que Haddad vai insistir no déficit zero para 2024

Publicado em 2 de novembro de 2023 por Tribuna da Internet

Charge do JCaesar | VEJA

Charge do JCaesar | VEJA

José Carlos Werneck

Segundo informou o jornalista Valdo Cruz, em seu Blog em “O Globo”, o Ministério da Fazenda vai insistir na meta fiscal de 2024 com déficit zero. O jornalista diz que Fernando Haddad começou a semana em desvantagem, com a ala que defende um déficit de 0,25% do PIB para evitar cortes ganhando a disputa, mas vai terminando com novos adeptos e aliados, e a tendência é que a meta fiscal seja mantida.

Valdo Cruz diz que Lula deve voltar a discutir o tema nesta sexta-feira, com seus ministros. Ele quer saber se há viabilidade de o Governo conseguir aprovar as medidas de aumento de arrecadação para garantir zerar o rombo das contas públicas no ano que vem.

NOVAS PROPOSTAS – O artigo assinala que Haddad quer apresentar novas propostas para gerar aumento de receitas em 2024. Se tudo for possível, ele decidirá pela meta zero.

Segundo assessores do presidente da República, Haddad realmente ganhou força ao longo da semana, depois de ficar em desvantagem nessa discussão após o chefe ter praticamente jogado a toalha e dito que não quer cortar gastos.

Dentre os que defendem que não sejam feitos cortes no Palácio do Planalto, estão os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Esther Dweck, da Gestão.

MEXER NA LDO – Valdo Cruz vai além e dix que Lula vai ser aconselhado a não enviar uma mensagem modificativa do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) alterando a meta fiscal. O governo tem prazo até o início da semana que vem para tomar essa decisão, porque o relator da LDO, deputado Danilo Forte, vai apresentar seu relatório para ser votado ainda na primeira quinzena de novembro.

O relator espera os cálculos da equipe de Fernando Haddad sobre as perdas da União com as subvenções de ICMS concedidas pelos governadores, que derrubam a arrecadação federal desde 2017.

Antes, Haddad quer aprovar a MP 1185, que limita em 25% os efeitos das subvenções na arrecadação de IR e CSLL. O governo espera arrecadar R$ 35 bilhões com a MP. Até lá, o Ministério da Fazenda vai manter a sua meta de déficit zero. Se perder a batalha interna, a equipe de Haddad ainda vai manter o trabalho para tentar zerar o déficit no ano que vem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Valdo Cruz é um jornalista de coragem. Enquanto toda a imprensa aponta numa direção (traçada por Lula), ele aposta na direção contrária. Disse que Haddad tem “novos adeptos e aliados”, mas não mencionou nenhum deles(C.N.)


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