quinta-feira, junho 22, 2023

Senador muda de partido como quem troca de camisa

Adiberto de Souza

em 22 jun, 2023 8:14 

Ganha um pé-de-moleque quem acertar em quantos partidos o senador Alessandro Vieira ainda vai se filiar até o final do mandato, em 2026. Ontem, o fidalgo pulou a cerca partidária pela terceira vez, trocando o PSDB pelo MDB. Eleito em 2018 pelo Rede, o ilustre saltou para o Cidadania, depois virou um tucano emplumado e agora amarrou o jegue no MDB velho de guerra. Político de direita e ex-bolsonarista, Alessandro também alterna períodos na oposição e no governo. Exemplo disso foi o seu repentino pulo da surrada canoa oposicionista para o confortável barco do governador Fábio Mitidieri (PSD), político que Vieira tanto criticou no 1º turno das últimas eleições. A facilidade do senador em migrar de um partido para outro deixa claro que esse negócio de ideologia caiu em desuso para a maioria dos políticos. Decididamente, foi-se o tempo em que o suplicante filiado a uma legenda não passava nem pela porta do adversário. Era assim com a turma da UDN e do PSD. Hoje, a maioria dos políticos está mais preocupada em se eleger, não importando se, para tanto, tenha que mudar de partido e de discurso com a mesma facilidade como se troca de camisa. Home vôte!

Sonhar é livre

Políticos sergipanos seguem incensando a promessa de construção do longo e caríssimo Canal de Xingó, que levaria água do Rio São Francisco desde a distante Paulo Afonso (BA) até Poço Redondo (SE). Ontem mesmo, uma comitiva liderada pelo governador Fábio Mitidieri (PSD) foi à sede da Codevasf saber a quantas anda o projeto da obra, orçada em exagerados 2,3 bilhões, fora os aditivos. Ora, nunca é demais lembrar que a maior parte dos 114,55 quilômetros de extensão do canal está na Bahia. Ou seja, sem o apoio do governo e da bancada federal baiana esse projeto jamais sairá do papel, embora continue dando discurso à classe política sergipana e alimentando o sonho dos sofridos sertanejos. Só Jesus na causa!

Arca de Noé

Engana-se quem pensa ser o nosso Corpo de Bombeiros Militar especializado somente em apagar incêndios. Seus bravos militares também sabem socorrer animais. Os bichinhos socorridos são, em sua maioria, cães e gatos que se perderam, foram abandonados ou se envolveram em situações de perigo. Também são resgatados pelos soldados do fogo raposas, cobras e jacarés. Com tantos animais socorridos no currículo, o Corpo de Bombeiros lembra a arca de Noé da narrativa do dilúvio de Gênesis. Aff Maria!

Juntos e separados

Quem vê o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT), o ministro Márcio Macedo (PT) e o governador Fábio Mitidieri (PSD) assim juntinhos, nem imagina que politicamente eles estão bem separados. O petista e o pedetista duelaram em 2020 pela Prefeitura de Aracaju, enquanto o PT de Macedo disputou com Mitidieri o governo de Sergipe, no ano passado. Ao comentar a pose dos três para a fotografia, o governador disse que “continuamos avançando com ideias sendo propostas por meio da união entre atores políticos”. Deixe estar que em 2024 o retrato será outro, indo cada um para um lado, tal qual acontece quando se desamarra uma corda de caranguejos. Marminino!

Por que parou?

Como perguntar não ofende: alguém sabe que fim levou o Movimento Polícia Unida? Em fevereiro de 2022, quando lutavam pelo adicional de periculosidade e por reajuste salarial, os policiais civis e militares desenvolveram uma barulhenta operação padrão, promoveram apreensões de material do jogo do bicho e até tiraram de circulação das ruas de Aracaju vários ônibus como documentação irregular. Depois que o governo passado concedeu um mísero reajuste salarial, o Movimento Polícia Unida sumiu das ruas e da mídia. Simplesmente escafedeu-se. Por que parou? Parou por quê? Cruz, credo!

Dinheiro na mão

Desde ontem, o governo de Sergipe paga a folha salarial deste mês. Amanhã, a Prefeitura de Aracaju também deposita a grana mensal dos servidores municipais, garantindo que a galera se esbalde nos animados festejos juninos. O pagamento do funcionalismo estadual e de Aracaju vai injetar algumas dezenas de milhões na economia sergipana, porém o servidor que não abrir o olho chegará no dia 30 pobre de marré deci. Portanto, vale lembrar aos mais exaltados que dinheiro na mão é vendaval e que depois das festas teremos dois meses seguidos com 31 dias. Quem avisa, amigo é!

Esperando na janela

O presidente da Federação Sergipana de Futebol, Milton Dantas (PDT), pode virar vereador de Aracaju logo após os festejos juninos. A previsão é do secretário do PSD sergipano, ex-deputado estadual Jorge Araújo. Bem informado, o pessedista revelou que Milton Dantas está esperando para assumir uma cadeira na Câmara “pacientemente em uma janelinha da Federação”. Neste ponto, Jorge faz um trocadilho com o nome do vereador e professor Joaquim da Janelinha (SD), provável convidado do prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) para assumir uma secretaria municipal. Aguardemos, portanto!

Sangue novo

O presidente do Banese, Marco Antônio Queiroz, empossou os novos diretor-superintendente e diretor de operações da Banese Corretora, respectivamente, Walter Dias e Ételas Silvestre. A nova diretoria assume prometendo ampliar a liderança da empresa no mercado local e criar produtos antenados com as recentes tendências do mercado. Segundo Marco Queiroz, trabalhar pelo crescimento da Corretora é firmar o compromisso de que a marca Banese ocupará, ainda mais, o espaço que lhe é devido e merecido. Ah, bom!

Ministros em Sergipe

Nada menos do que quatro ministros do governo Lula vêm a Sergipe nesta quinta-feira. Visando prestigiar o PPA Participativo, darão com os costados na terrinha Márcio Macedo (Secretaria-Geral da Presidência), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Juscelino Filho (Comunicação Social). Segundo Macedo, o PPA é o momento dos movimentos sociais e da sociedade civil organizada colocarem as digitais no planejamento do governo para os próximos quatro anos. O evento acontece no Teatro Tobias Barreto, em Aracaju, devendo reunir lideranças sociais e políticas de todo o estado. Então, tá!

Nadando em dinheiro

Quem ouve falar no volume de recursos gastos com os festejos juninos pensa logo que o governo de Sergipe está nadando em dinheiro. Ao cobrar mais transparência do Executivo com a grana investida nos folguedos de São João, a deputada estadual Linda Brasil (Psol) citou que foram gastos cerca de R$ 20 milhões com a montagem do Arraiá do Povo e a contratação de artistas locais e nacionais. Como seria bom que o governo Fábio Mitidieri também tivesse dinheiro para conceder um reajuste salarial digno aos servidores e cobrir o rombo financeiro do Ipesaúde, avaliado em R$ 200 milhões. Misericórdia!

Três senhores

Não deve ser fácil atender a três senhores, principalmente quando dois deles são adversários políticos. Essa é a situação do novo superintendente da Codevasf em Sergipe, Thomas Jefferson. Ontem, ele teve que acompanhar o governador Fábio Mitidieri (PSD) à sede da Companhia, em Brasília, e depois ir ao gabinete do senador Rogério Carvalho (PT). O petista aproveitou a visita do distinto para lembrar que “sempre trabalhei e continuarei trabalhando em parceria com a Codevasf, para beneficiar o povo de Sergipe”. Indicado para o cargo pelo presidente estadual do União Brasil, André Moura, Thomas Jefferson terá que se virar nos 30 para satisfazer governo e oposição. Crendeuspai!

INFONET

Narrativa da “criminalização” da política se transforma numa fábula de “vitimização”


Corrupção nos noticiários e a volta do Papai Noel nas charges dos jornais  de sexta-feira - Região - Correio de Gravataí

Charge do Tacho (Jornal NH)

Malu Gaspar
O Globo

Há alguns dias, a presidência da Câmara convocou uma sessão extraordinária para colocar em regime de urgência alguns projetos de lei. Entre eles, havia um especial. Apresentado pela deputada Dani Cunha (União-RJ) — filha dele mesmo, Eduardo Cunha —, o texto torna crime “injuriar, ofender ou discriminar” políticos denunciados ou condenados em primeira e segunda instância cujos processos não tenham transitado em julgado (não tenham esgotado todos os recursos).

Também pune bancos e instituições financeiras que “discriminem” agentes públicos, políticos e seus parentes — conhecidos como “pessoas politicamente expostas”, ou PEPs.

NEM VOTARAM – Apesar da pressa, a urgência não foi sequer votada. O vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP), que comandou a sessão, afirmou haver um acordo de líderes partidários para aprová-lo em votação simbólica, mas alguém roeu a corda. “Tô percebendo que vai ter (votação) nominal, e eu não gostaria de enfrentar.”

Só o fato de alguém achar razoável propor uma lei assim já deveria ser espantoso, que dirá considerá-la urgente. Mas parece haver boa chance de o projeto passar quando ninguém estiver prestando atenção.

Para que não fique dúvida: não se trata de punir quem imputar crimes a um inocente. Para isso já existem os crimes de calúnia, injúria ou difamação. A coisa vai além e atinge até a liberdade de expressão, já que torna crime chamar alguém de corrupto se condenado por corrupção apenas em primeira e segunda instância.

NORMAS DO BC – Além disso, o escrutínio dos bancos nas contas de políticos e seus parentes ou cônjuges, os PEPs, não é gratuito. Segue normas do Banco Central e acordos internacionais contra a lavagem de dinheiro de que o Brasil é signatário. A legislação permite que os bancos até recusem um PEP como cliente, caso identifiquem um risco muito alto — como o dinheiro ter origem ilícita.

O objetivo não é apenas combater a corrupção, mas também o tráfico de drogas, o terrorismo e outros crimes. Nesse caso, o que os deputados pretendem fazer? Revogar todo esse arcabouço legal para impedir a terrível discriminação contra essa minoria desfavorecida que são os políticos?

No ano passado, o Congresso fez algo semelhante, aprovando uma lei que Jair Bolsonaro sancionou sem polêmica: o novo estatuto da advocacia, com um artigo tornando possíveis os contratos verbais de prestação de serviços.

FICA COMBINADO… – Agora, não é mais necessário um advogado sob investigação comprovar que trabalhou no processo, escreveu pareceres, participou de reuniões e audiências com juízes. É só dizer que tem um “contrato verbal” que justifique a dinheirama, e está tudo certo.

Esse dispositivo foi incluído no Projeto de Lei em novembro de 2020, dois meses depois da etapa da Operação Lava-Jato que avançou sobre escritórios de advocacia suspeitos de fazer parte de um esquema de tráfico de influência a partir de contratos falsos com Fecomércio, Sesc e Senac do Rio de Janeiro.

A lista de alvos era eclética. Ia de Frederick Wassef a Cristiano Zanin, que Lula acaba de indicar para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O processo foi todo anulado quando a Segunda Turma do STF decidiu que o juiz Marcelo Bretas não tinha competência legal para tocar o caso.

IDEAL PARA FLÁVIO – A nova lei acabou servindo mesmo a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que não conseguia apresentar provas dos serviços advocatícios pelos quais dizia ter recebido os R$ 6 milhões usados na compra de sua mansão em Brasília.

Agora, Flávio não precisa se preocupar. Basta dizer que recebeu por um contrato verbal, que está tudo certo.

A Lava-Jato acabou, Lula já ganhou as eleições, Deltan Dallagnol (Podemos-PR) já foi cassado e há grandes chances de Sergio Moro (União-PR) seguir o mesmo caminho. E o argumento da criminalização da política continua sendo empunhado para desmontar o aparato de combate à corrupção.

HÁ COMPLICAÇÕES – Às vezes, a coisa complica. Na semana passada, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), foi “desdenunciado” e inocentado por unanimidade pelo STF de uma acusação de corrupção e lavagem de dinheiro, ao mesmo tempo que protestava contra uma operação da Polícia Federal que dizia ser movida por perseguição política por parte do governo Lula.

 Claro que são casos diferentes, e cada um tem sua especificidade. O difícil, nestes dias, é achar quem tenha autoridade e coragem para distinguir com clareza a vítima do perseguidor.

Afinal, qualquer hora dessas a lei de Dani Cunha é aprovada, e aí irá para a cadeia quem se atrever a dar nomes aos bois.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente artigo de Malu Gaspar. Mostra a que ponto chegou no Brasil a proteção aos corruptos, com certificado de garantia da impunidade. Mas o lobby da corrupção ainda não está satisfeito e exige ainda maiores salvaguardas, para desviar à vontade os recursos públicos. E assim a Justiça se transformou na maior vergonha nacional. (C.N.).

É preciso determinar no Brasil quem vai defender os defensores da liberdade


Charge do Frank (Arquivo Google)

Conrado Hübner Mendes
Folha

O Produto Interno da Brutalidade Brasileira (PIBB) e o subdesenvolvimento não se improvisam, diria Nelson Rodrigues. Não ocorrem por acidente, por falta de sorte ou de oração. O projeto de crescimento permanente do PIBB é inteligente, juridicamente facilitado, constitucionalmente disfarçado, socialmente alimentado.

Cientistas sociais há muito demonstram os dispositivos de exploração da vulnerabilidade e da discriminação. Lá nas periferias territoriais e simbólicas onde conquistas jurídicas não chegam e a desigualdade se reproduz e perpetua.

BELA TENTATIVA – O texto da Constituição de 1988 tentou resolver definitivamente pelo menos alguns conflitos de força entranhados na sociedade. Aos direitos da criança e do adolescente, por exemplo, mandou dar “absoluta prioridade” quando outros interesses tentarem competir (art. 227). A “prevalência dos direitos humanos” e a “redução das desigualdades” não são negociáveis numa mesa de conciliação (arts. 3º e 4º).

Em nenhuma circunstância alguém poderia sofrer tortura e tratamento degradante (art. 5º). Povos indígenas têm “direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”, independentemente de marcos temporais que ministro do STF tire do fundo de seu instinto colonial de pacificação no porrete (art. 231).

Mas resolver no mundo das leis não resolve na vida real. Constatar como autoridades jurídicas e seus argumentos foscos podem contribuir mais para a exploração do que para a emancipação faz muito aluno e aluna de faculdades de Direito abandonarem o curso no meio do caminho.

JAMAIS DESISTIR – Essa perda da inocência sobre os limites do Direito e da Constituição, quando seus operadores não estão à altura, não justifica que renunciemos a seu potencial. Mesmo quando o presidente indica para o mais alto tribunal do país seu advogado pessoal, que se tornou conhecido não pelo que pensa nem pela biografia, mas pelo serviço prestado ao presidente.

Lutar contra essa engrenagem histórica requer ação estatal e social concertada. Políticas públicas e sociedade civil ativa, portanto. Defender a liberdade não só de grupos e indivíduos vulneráveis, mas dos próprios defensores da liberdade é parte elementar desse esforço.

Dias atrás o governo federal instalou o “Grupo de Trabalho Técnico Sales Pimenta” (decreto 11.562). Tem o papel de contribuir na “operacionalização da Política Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, aos Comunicadores e aos Ambientalistas”.

POLÍTICA PÚBLICA – Tínhamos uma política pública precária para proteger quem defende liberdades. Bolsonaro a desmontou. O novo governo tenta recriá-la, sob liderança do ministro Sílvio de Almeida.

Numa sociedade como a brasileira, não se defendem direitos humanos impunemente. O cenário pós-governo Bolsonaro é tão ruim quanto se podia imaginar de quem prometeu enviar militantes para a ponta da praia. A radiografia da devastação aparece no relatório “Na linha de frente: violência contra defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil” (Terra de Direitos e Justiça Global).

O texto examina uma amostra de casos de violência registrados entre 2019 e 2022. Classifica a violência em oito tipos: ameaça, agressão física, assassinato, atentado, criminalização, deslegitimação, importunação sexual e suicídio em decorrência do contexto de violação de direitos.

VEJAM OS NÚMEROS – Entre os 1.171 casos mapeados, foram 169 assassinatos (15%), três por mês, 140 deles de pessoas que lutavam por direito a terra, ao território e pelo meio ambiente. Foram 579 ameaças (50%). As regiões Norte e Nordeste, locais de conflitos fundiários mais agudos, concentram quase 65% das ocorrências.

Um terço das pessoas assassinadas foi de indígenas. A morte de indígenas em razão de conflitos territoriais que a Constituição resolveu, mas a hermenêutica ruralista bagunçou, não despertou o senso de urgência do STF, que há anos posterga decisão sobre marco temporal, proteção jurídica da qual povos indígenas dependem.

Entre intimidações verbais e processos judiciais, agressões físicas e morte, defensores da liberdade pedem ajuda. Não só por eles.

Orçamento do SUS está estagnado há 10 anos, e Lula não pode seguir se omitindo

Publicado em 22 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Diante de multidão, Lula discursa em defesa da união e chora ao falar da  fome – Política – CartaCapital

Lula chora ao falar dos pobres, mas nega verbas ao SUS

Maria Hermínia Tavares
Folha

A sexagenária Ana (nome fictício), faxineira de profissão, padece há quatro anos de dores intensas, em consequência de uma cirurgia ortopédica malsucedida –que, por isso mesmo, precisa ser corrigida urgentemente com nova intervenção.

Ela é uma cidadã brasileira que a Constituição de 1988 tornou portadora do direito universal à saúde. Mas, na vida que lhe toca viver, Ana é só uma estatística: faz parte do contingente de mais de 1 milhão de compatriotas – 111.271 no estado de São Paulo, por exemplo – que formam a interminável lista de espera para cirurgias no SUS (Sistema Único de Saúde).

OBRIGAÇÃO SOCIAL – Em suas colunas nesta Folha, o médico Drauzio Varella volta e meia chama a atenção para outra estatística. Nesta, o Brasil figura como o único país com mais de 100 milhões de habitantes dotado de um sistema público de saúde universal e gratuito – que atende a mais de 70% da população.

Foram décadas de construção de um arranjo sofisticado que articula os três níveis de governo, bem assim os setores público e privado. Notável por sua capilaridade, a ele se acede por uma porta única, aberta a todos, em âmbito municipal.

O SUS é a mais fiel expressão do compromisso social inscrito na Carta. É também o indicador mais seguro das limitações de um sistema atenção à saúde que, embora assegure acesso universal, está longe de prover atendimento minimamente adequado a todos.

ORÇAMENTO ESTAGNADO – E não por acaso. Segundo estudo do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), o orçamento federal para saúde está estagnado desde 2013. Os investimentos caíram.

De cada R$ 5 aplicados, apenas R$ 1 se destina a despesas não obrigatórias, porém indispensáveis; deste, R$ 0,35 vêm de emendas parlamentares, que se orientam antes pela lógica eleitoral do que pela avaliação das prioridades.

Custeio de administração, pagamento de pessoal e vigilância sanitária consomem a maior parte dos recursos, sem margem para a expansão do sistema.

ESTÁ NAS ÚLTIMAS – Em recente reunião, o Fórum dos Partidos Progressistas – que representam o braço esquerdo do governo —, concluiu que o efeito da reciclagem dos programas sociais das administrações anteriores do PT está nas últimas, sendo necessário criar com urgência novas marcas.

Se fosse consultada, a cidadã aqui chamada Ana provavelmente diria que, antes de inventar novas modas, seria bom instalar o SUS no centro das prioridades do governo – e fazer dele, na medida do possível, um instrumento de garantia efetiva de cidadania social.

Para começar, tirando-o de vez do encardido balcão onde se negociam cargos em troca de apoio ao governo de custosa coalizão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente e preocupante artigo. Lula sempre se emociona e até chora quando fala nos problemas do povo. Mas procede como se não tivesse nada a ver com o decadência do SUS, que ele considera “o melhor do mundo”. Sinceramente, é muita desfaçatez(C.N.)

Após a prisão, Lula não devia usar Petrobras para salvar a empresa do amigo Odebrecht

Publicado em 22 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET | Depoimento do patriarca Emilio Odebrecht incrimina  Lula e Palocci

Fotocharge reproduzida do Arquivo Google

Paulo Uebel
Gazeta do Povo

Embora queira ser visto como “pai dos pobres”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva age mesmo é como pai de alguns empresários escolhidos por ele a dedo – aqueles que podem lhe dar algo em troca, é claro. A Novonor, novo nome da antiga Odebrecht, está afundada em dívidas. Uma saída para ela, de mercado, é permitir a venda de seus 38% na petroquímica Braskem para a empresa privada Unipar.

Entretanto, os petistas radicais querem aproveitar a oportunidade para “estatizar” a Braskem, aumentando a participação da Petrobras na empresa para ter mais de 50% do capital. Lula endossa a venda, porque ela vai ajudar seus “amigos do rei” e também vai possibilitar o aumento dos tentáculos do Partido dos Trabalhadores na economia.

JOIA DA COROA – A Braskem é uma petroquímica de atuação global, a joia da coroa da petroquímica brasileira. 38% dela pertence à Novonor, antiga Odebrecht. 36% dela é da Petrobras, que não tem direito, hoje, a comandar as operações. Ao mesmo tempo, a Novonor não consegue quitar suas contas que se agravaram depois da Operação Lava Jato.

A Unipar quer comprar os 38% da Novonor e propôs pagar  a dívida de R$ 14 bilhões da antiga Odebrecht com os bancos, que detém as ações da Braskem como garantia, segundo informou o Poder360 no último dia 14.

“A Unipar se propõe pagar R$ 10 bilhões aos bancos credores e renegociar outros R$ 4 bilhões diretamente com as instituições financeiras, saneando as contas da Novonor”, explicou o noticiário.

NA CORDA BAMBA – “Hoje, a Novonor se esforça para recuperar o equilíbrio em suas finanças. Por causa das penas impostas pela Lava Jato, a empresa ficou muito fragilizada. Sem uma injeção de dinheiro como a Unipar propõe, dificilmente teria como voltar a ser algo próximo do que foi no passado”, completa o texto do Poder360.

Aí está a “mágica”: a compra de parte da Braskem pela Unipar pode, indiretamente, patrocinar a volta da Petrobras ao setor químico. Em sua proposta, a Unipar deixou em aberto a negociação dos 36% da Braskem que pertencem à Petrobras.

Com o aval de Lula, a saída seria os 36% da Petrobras serem entregues em ativos para a estatal, que poderia voltar a operar diretamente no setor petroquímico. É um jogo de ganha-ganha para Lula, o PT e a família Odebrecht.

SEM IR AO CADE – Isso também iria desmembrar a Braskem e evitar que a compra da empresa pela Unipar seja questionada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Iria evitar a instituição de apontar muita concentração do mercado e deixar o negócio inviabilizado. O desmembramento decorrente da compra da Unipar também tem a ver com a presença do Estado incomodar outras empresas no setor.

Devido à desproporção de tamanho entre Unipar e Braskem, há poucas chances da companhia privada adquirir a Braskem por completo, e como a Petrobras não vai se desfazer de sua parcela, a Unipar teria de fatiar a Braskem e, assim, uma parte voltaria para a Petrobras.

“A diferença entre Braskem e Unipar é gritante: em 2021, a primeira registrou receita líquida de R$ 105 bilhões (a primeira acima dos R$ 100 bilhões), com um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) de R$ 30 bilhões. Já a Unipar – que em 2021 teve um ano que classificou como “excepcional” – teve receita líquida de R$ 6,29 bi, com Ebitda de R$ 3,16 bi”, explicou a Istoé Dinheiro.

ÚNICOS BENEFICIADOS – Nesse capitalismo de compadrio, com uma eventual estatização da Braskem, os únicos beneficiados serão o PT e a família Odebrecht.

Apesar de tudo isso, essa parece ser a alternativa menos prejudicial aos brasileiros, já que a Petrobras também poderia comprar a parte da Novonor na Braskem e estatizar de vez a empresa. Por pior que pareça, a estatal tem, inclusive, a preferência na negociação. S

obre isso, o presidente da estatal, o ex-senador petista Jean Paul Prates, disse que isso está sendo discutido e que será decidido no devido momento. “Vamos analisar tudo o que está acontecendo, mas não podemos dizer nada porque, neste caso, justamente se presta a muita especulação. Temos mantido uma posição inerte por enquanto, embora internamente a gente esteja trabalhando”, disse ele.

NÃO HÁ ANÁLISE – Porém, apesar do que Prates declarou, a âncora da CNN, Raquel Landim, revelou que o assunto não está sendo discutido tecnicamente dentro da Petrobras. “Dentro da empresa, não tem sido tratado no nível de diretoria nem no conselho de administração”, disse ela ao vivo.

“As pessoas dentro da empresa só estão ouvindo o que ele [Prates] diz pela imprensa, não está sendo feita uma avaliação estratégica dentro da companhia”, completou a apresentadora.

Ao que tudo indica, essa decisão será política. Vale lembrar que se trata de um setor que já deu prejuízo para Petrobras, de modo que é ainda mais absurdo que a área técnica da estatal não esteja participando das discussões. No passado, os investimentos realizados sem análise técnica deram prejuízos milionários à empresa.

AMIGOS DE LULA – Além do mais, a principal beneficiada será a família Odebrecht, que viu seus negócios indo de mal a pior quando a Operação Lava Jato revelou sua ligação com os esquemas de corrupção com o PT, liderado por Lula.

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, também é um inimigo da Lava Jato. Vale lembrar que, em março, jornalistas descobriram que ele estava defendendo, em reuniões fechadas com aliados, que a Diretoria de Governança e Conformidade era um “entulho da Operação Lava Jato”. Essa diretoria nasceu em 2014 para evitar fraudes e desvios de recursos para manter as melhores práticas de gestão.

Há um claro conflito de interesses na complexa transação societária entre a Braskem, a Novonor, a Unipar e a Petrobras — se ela for realizada apenas para permitir a volta da Petrobras ao setor químico.

DIZ WAACK – “O que está envolvido aí, no fundo, é o seguinte: a principal força política no Palácio do Planalto chama-se PT”, comentou William Waack sobre a questão. “[O partido] vai permitir que esse mercado continue dividido ou o seu tradicional DNA monopolista fará com que a gente volte a como era antes?”, perguntou ele.

Mais uma vez, é a política passando na frente da razoabilidade econômica e do interesse público. Parece ser mais um capítulo do PT contra a economia popular e o bom senso. Nesse capitalismo de compadrio, com uma eventual estatização da Braskem, os únicos beneficiados serão o PT e a família Odebrecht.

 E, independente do caminho que a Petrobras irá fazer – se ela vai deixar a Unipar comprar a parte da Novonor para depois receber os ativos da Braskem via Unipar ou se ela vai comprar diretamente a parcela da Novonor –, o resultado dessa história será o Partido dos Trabalhadores aumentando seus tentáculos na economia e no setor petroquímico. Assim, não parece uma transação que pode acabar bem para os brasileiros, nem para a economia de mercado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Interessante matéria enviada por Mário Assis Causanilhas. Podem apostar: Lula vai fazer o possível e o impossível para salvar a Odebrecht (leia-se: Novonor). Se não teve vacilo em usar recursos públicos para salvar Silvio Santos da falência, mandando a Caixa comprar o banco PanAmericano, imagina-se o que fará para salvar a Novanor (Odebrecht). Podem apostar… (C.N.)


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