quinta-feira, dezembro 15, 2022

Bolsonaro, Braga Netto e aliados se tornam réus no TSE por terem atacado as eleições

Publicado em 15 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

Braga Netto tenta se cacifar para ser vice de Bolsonaro na chapa da  reeleição - Jornal O Globo

Braga Netto e Bolsonaro estão na alça de mira de Moraes

Luana Patriolino
Correio Braziliense

O ministro Benedito Gonçalves, corregedor-geral eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), abriu nesta quarta-feira (14/12) uma investigação para apurar a conduta do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus aliados por tentarem desacreditar o processo eleitoral brasileiro e o resultado das urnas eletrônicas — que definiu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República.

Os alvos da investigação são: Jair Bolsonaro, ex-ministro Braga Netto, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Carla Zambelli (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF); deputados eleitos Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO); e senador eleito Magno Malta (PL-ES).

VIOLAR O VOTO LIVRE – “A autora sustenta a tipicidade da conduta, ao argumento de que os investigados, a partir de ‘premissas corrompidas’, usam as redes sociais para propagar ‘a narrativa de que o sistema eleitoral brasileiro seria inseguro e manipulável’, alcançando milhares de seguidores, de modo a exercer uma ‘dominação do território virtual através da manutenção dos seus vínculos para amplificar o alcance da desinformação e violar a liberdade de pensamento, opinião e voto livre e consciente das pessoas’”, diz a ação.

A decisão do magistrado atende a um pedido apresentado pela coligação de Lula. Em uma segunda ação é pedida uma investigação sobre o atual chefe do Executivo e seu vice, que teriam concedido benefícios de forma ilegal durante a campanha. Esse item também foi acatado pelo corregedor-geral.

ABUSO DE PODER – Neste processo, apenas Bolsonaro e Braga Netto serão investigados também por suposta prática de abuso de poder político e econômico.

O argumento da coligação é de que os réus se beneficiaram de atos do presidente da República, durante o período eleitoral, “valendo-se da máquina pública para otimizar programas sociais” para angariar votos e, portanto, “influenciar na escolha dos eleitores brasileiros, de modo a ferir a lisura do pleito”.

“São citadas, entre outras medidas supostamente exploradas para finalidades eleitoreiras: antecipação da transferência do benefício do Auxílio-Brasil e do Auxílio-Gás; aumento do número de famílias beneficiadas pelo Auxílio-Brasil; antecipação de pagamento de auxílio a caminhoneiros e taxistas […]”, detalha o documento.

Mercado reage contra Mercadante no BNDES e condena a mudança na Lei das Estatais

Publicado em 15 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

O futuro presidente do BNDES, Aloizio Mercadante

Aloizio Mercadante é considerado “desenvolvimentista”

Guilherme Grandi e Fernando Jasper
Gazeta do Povol

A indicação do economista petista Aloizio Mercadante para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a manobra articulada com o Congresso para mudar a Lei das Estatais causam novos abalos no mercado e pioram as expectativas sobre a condução da economia no futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na avaliação de um número crescente de analistas e gestores, as escolhas de Lula sugerem que a gestão que começa daqui a pouco mais de duas semanas pode ter características próximas às do governo de Dilma Rousseff (2011-16) – que ficou marcado por um intervencionismo mais acentuado na economia e “pedaladas fiscais” que culminaram na profunda recessão de 2015 e 2016, quando a economia encolheu quase 7%, e no impeachment da então presidente.

DESENVOLVIMENTISTA – Boa parte desses agentes entende que indicar um conhecido desenvolvimentista como Mercadante para o BNDES aumenta as chances de que o governo retome a política dos “campeões nacionais”, em que bilhões de reais de dinheiro público foram usados para subsidiar empresas escolhidas.

Quando o banco de fomento abandonou essa estratégia, em 2013, cerca de R$ 18 bilhões já haviam sido investidos nos grupos eleitos. Em paralelo, o Tesouro repassou R$ 440 bilhões para o financiamento a juros baixos de empresas, estados, municípios e pessoas físicas. Só em 2023 o BNDES terminará de devolver esses recursos, e isso porque tal devolução foi antecipada.

“Para os membros do mercado financeiro que julgavam que o novo governo seria pragmático e muito semelhante ao primeiro mandato de Lula, as decepções se acumulam e toda torcida se converte na realidade de que tudo está se voltando às características do mandato de Dilma”, escreveu Jason Vieira, economista-chefe da gestora Infinity Asset, em relatório enviado a clientes.

LEI DAS ESTATAIS – Mais até que a indicação de Mercadante, chama atenção a rapidez da manobra para mexer na Lei das Estatais e abrir caminho para indicações políticas. O número elevado de votos na Câmara – 314, mais que o necessário para aprovar uma emenda constitucional, por exemplo – é revelador da disposição de parlamentares do Centrão para colaborar com o PT em questões como essa.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) – como seu filho Eduardo (PL-SP) – também aprovaram a alteração. Apenas os partidos Novo, PSDB e Cidadania orientaram que seus deputados votassem contra a mudança. Depois o Novo propôs requerimento para suprimir a redução da quarentena, e nesse caso o PL se juntou a Novo, PSDB e Cidadania orientando pela supressão, porém os 123 votos obtidos foram insuficientes para derrubar o trecho.

O economista Sílvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, classifica de retrocesso a iniciativa da Câmara dos Deputados, que em questão de horas alterou e votou um projeto para desmontar a legislação. “Há um claro afrouxamento das regras, ao permitir que pessoas com um passado político bem recente ocupem cargos em estatais”, disse Campos Neto à Gazeta do Povo.

BLINDAR AS ESTATAIS – Aprovada em 2016, na gestão de Michel Temer, em meio às revelações da Operação Lava Jato sobre a gestão das estatais pelos governos petistas, a lei busca profissionalizar a gestão e blindar essas empresas de interferências partidárias. No caso mais famoso, o uso político da Petrobras levou a problemas de gestão, atrasos em obras, superfaturamento e corrupção.

Assim, embora o mercado veja risco de que o próximo governo seja uma espécie de “Dilma 3” em termos de condução da economia, alguns dos temores são relacionados a práticas observadas nas estatais já nos mandatos de Lula.

Gabriel Araujo Garcia, analista da Guide Investimentos, afirmou em relatório que o impacto positivo da Lei das Estatais é visível no aumento da rentabilidade dessas empresas, e que acabar com ela deve provocar efeito oposto.

DIZ O ANALISTA – “Desde que a lei foi aprovada, em 2016, a rentabilidade sobre o patrimônio da Petrobras e Banco do Brasil aumentaram sensivelmente. No caso do BB, a rentabilidade atualmente é maior do que a dos bancos privados (Itaú e Bradesco, por exemplo), o que não acontecia antes da lei. No caso da Petrobras, a rentabilidade é sensivelmente maior”, disse Garcia.

“Em resumo, acabar com a Lei das Estatais deve ter impacto negativo sobre a rentabilidade destas empresas e consequentemente sobre a cotação de suas ações na bolsa”, acrescentou.

O mercado financeiro vem reagindo desde segunda-feira (12) tanto à possibilidade de indicação de Mercadante para o BNDES quanto à expectativa de mudança na Lei das Estatais – ambas, agora, confirmadas. O maior impacto foi sobre a B3, a bolsa de valores brasileira.

MEDIDA PROVISÓRIA – Na segunda-feira, uma nota da consultoria Eurasia apontou a possibilidade de Lula editar uma medida provisória para modificar pontos da Lei das Estatais a permitir a indicação de políticos para os cargos nas empresas, levando em consideração críticas que o PT faz à legislação. Outros partidos e o próprio presidente Bolsonaro também já criticaram abertamente as restrições da lei.

Em nota à imprensa no fim da tarde de terça, depois que Lula confirmou a indicação para o BNDES, a assessoria de Mercadante contestou que sua nomeação possa ferir a Lei das Estatais, argumentando que ele não faz parte da estrutura decisória do PT, não exerceu função remunerada na campanha de Lula e que se limitou a “colaborar para a elaboração do programa de governo”.

Horas depois, porém, a Câmara aprovou a mudança na Lei das Estatais, com uma mudança sob medida para indicações políticas.

EMENDA MERCADANTE – O projeto, que inicialmente ampliava o limite de gastos das estatais com publicidade, ganhou um dispositivo – apelidado de “emenda Mercadante” pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) – para reduzir de 36 meses para apenas 30 dias a “quarentena” necessária para que políticos assumam cargos na direção de estatais.

“A mudança relâmpago na Lei das Estatais para permitir a nomeação de Mercadante sinaliza a convicção do governo Lula em indicar alguém com perfil desenvolvimentista na liderança do BNDES. Isso não agrada a todos no mercado financeiro, mas não é sinal de falta de diálogo com o mercado, apenas uma indicação de prioridades que podem se traduzir em ganhos para o investidor nos setores que o governo considerar prioritários”, pondera Flávio Saraiva, coordenador da escola internacional de negócios IBS Americas.

Para ele, as lideranças políticas e a sociedade estarão atentas a cada passo dado por empresas e bancos estatais no futuro governo, para lhes cobrar uma prestação de contas transparente.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Fuzil e mandados de prisão: O que se sabe sobre operação da PF contra bolsonaristas

Apoiadores de Jair Bolsonaro fazem manifestação em Brasília (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Apoiadores de Jair Bolsonaro fazem manifestação em Brasília (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)


 Redação Notícias

Apoiadores de Jair Bolsonaro fazem manifestação em Brasília (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)



  • Eleitores radiciais de Jair Bolsonaro fazem manifestações antidemocráticas pelo país;

  • PF cumpre mandados expedidos pelo STF contra suspeitos de atuar e financiar atos golpistas;

  • Dois deputados estaduais do Espírito Santo terão que usar tornozeleira eletrônica.

A PF (Polícia Federal) cumpriu nesta quinta-feira (15) mais de 100 mandados de busca e apreensão em sete estados e no Distrito Federal.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi o responsável por autorizar a operação que mira apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) suspeitos de organizar atos golpistas que contestam o resultado das eleições que ocorreram em outubro.

Além dos mandados, Moraes, que também preside o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), autorizou o bloqueio de contas e a quebra do sigilo bancário dos envolvidos.

Bolsonaristas radicais têm organizado atos antidemocráticos, como bloqueios de rodovias e manifestações em quartéis, em várias cidades brasileiras desde a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 30 de outubro.

A seguir, veja tudo o que aconteceu até o momento:

  • A PF fez operação no Acre, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e no Distrito Federal;

  • No Espírito Santo, além dos mandados de busca e apreensão, foram cumpridos quatro mandados de prisão. Dentre os alvos estão dois deputados estaduais capixabas, segundo o portal UOL: Carlos Von (DC) e Capitão Assumção (PL). Eles não foram detidos, mas precisaram colocar tornozeleira eletrônica;

  • De acordo com o portal Metrópoles, foram bloqueados 168 perfis em redes sociais de suspeitos de organizar e financiar as manifestações;

Apreensão de armamentos

Durante os trabalhos de busca e apreensão, a PF encontrou pelo menos 15 armas com suspeitos de atuar em atos antidemocráticos após o resultado das eleições.

Dentre os equipamentos, estão uma submetralhadora, um fuzil, um rifle e munições.

Noite de terror

O final da última segunda-feira (12) foi marcado por atos de vandalismo promovidos por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Eles tentaram invadir a sede da Polícia Federal e entraram em confronto com oficiais da entidade.

Tudo aconteceu após o STF determinar a prisão temporária de José Acácio Serere Xavante por incentivar e participar de atos antidemocráticos.

De acorco com Moraes, Serere Xavante convocou manifestantes armados a agirem para impedir a diplomação de Lula e o vice, Geraldo Alckmin (PSB).

Repercussão

Políticos se posicionaram nas redes sociais sobre a operação da PF contra apoiadores de Bolsonaro suspeitos de organizar atos antidemocráticos.

No Twitter, o ex-governador do Maranhão e futuro ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), afirmou que “os que querem o caos antidemocrático não venceram e não vencerão”. Já o senador Humberto Costa (PT-PE) declarou que “o cerco está fechando contra criminosos golpistas”.

Yahoo

Ministros de Lula foram avisados de que extremistas tentarão impedir posse no dia 1º


Imprensa destaca protestos de 'fanáticos' no Brasil, que dizem sair às ruas  'contra o comunismo'

O fanatismo domina as manifestações dos bolsonaristas

Vera Rosa
Estadão

Ministros escolhidos para o novo governo receberam informações de que um grupo de radicais vai tentar tumultuar e impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro. Antes mesmo desse recado, porém, interlocutores de Lula já haviam iniciado conversas com militares, na tentativa de retirar apoiadores de Jair Bolsonaro acampados na frente dos quartéis. Até agora, não tiveram sucesso.

Embora a cúpula do PT já esperasse protestos de extremistas após a cerimônia de diplomação de Lula e do vice Geraldo Alckmin pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a violência surpreendeu.

FINANCIADORES? – Aliados do presidente eleito estão convencidos de que os atos de depredação em Brasília, com ônibus e carros incendiados, barricadas e botijões de gás na rua, foram financiados por empresários. Lula acusou Bolsonaro de estar por trás das ações de vândalos, que não foram coibidas com rigor pela Polícia Militar do Distrito Federal. Ninguém foi preso.

Alguns dos vândalos são investigados no inquérito das milícias digitais, conduzido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou, por sua vez, que há uma “situação anômala” no País, na qual instalações militares estão “sitiadas” por um acampamento. “Não me recordo que isso tenha sido tolerado no passado pelas Forças Armadas”, comentou. Apesar do clima tenso, Dino garantiu ontem aos participantes do gabinete de transição que a posse de Lula ocorrerá, sem choro nem vela. “O presidente ‘sainte’ vai sair e o presidente ‘entrante’ vai entrar em 1.º de janeiro”, resumiu.

VELHO CONHECIDO – Na prática, o indígena José Acácio Serere Xavante, pivô do quebra-quebra, é velho conhecido do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Foi após sua prisão, determinada por Moraes, que ocorreram explosões na capital da República. Nos últimos dias, Serere Xavante foi responsável pela convocação de “pessoas armadas” para impedir a diplomação e a posse de Lula.

Em 30 de novembro, o indígena – que também é pastor evangélico – liderou um protesto na Esplanada contra o resultado das urnas. “Nós não podemos admitir que o Lula sobe (sic) na rampa, que ele ocupa (sic) o cargo maior deste País”, gritou.

Agora, apoiadores de Bolsonaro que saíram do QG do Exército começam a acampar diante do Palácio da Alvorada. Ali, o inquilino já avisou que “só Deus” o tira da cadeira. Nos bastidores, dirigentes do Centrão avaliam que, agindo assim, Bolsonaro perde capital político para liderar a oposição a Lula. Afinal, a quem interessa um Capitólio tupiniquim?

Polícia Federal faz prisões e encontra até fuzis e submetralhadora com manifestantes bolsonaristas


Quero ver quem vai cumprir”, diz dirigente da PF sobre pedido de prisão da  cúpula da corporação | Metrópoles

Operação está sendo feita em vários Estados ao mesmo tempo

Fabio Serapião e Matheus Teixeira
Folha

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (15) um total de 81 mandados de busca e apreensão contra envolvidos em manifestações antidemocráticas, incluindo bloqueios em rodovias, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL). As medidas foram ordenadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Além das buscas, Moraes também ordenou o bloqueio de diversas contas bancárias e de vários perfis nas redes sociais dos investigados.

As operações são realizadas em endereços no estados de Acre, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina.

UM ARSENAL – Em um dos endereços, em Santa Catarina, a PF encontrou o que foi considerado pelos agentes como um arsenal. Foram 11 armas, entre elas, uma submetralhadora, um fuzil e rifles com luneta.

No último dia 7, Moraes já havia multado em R$ 100 mil os proprietários dos caminhões identificados pelas autoridades de Mato Grosso que estariam envolvidos em atos. Moraes também tornou esses veículos indisponíveis —ou seja, proibiu a sua circulação e bloqueou seus documentos. A decisão ocorreu após ele ter determinado a adoção de providências para o desbloqueio de rodovias e espaços públicos no estado.

Em novembro, o ministro também mandou bloquear contas bancárias ligadas a 43 pessoas e empresas suspeitas de envolvimento com os atos antidemocráticos que questionam o resultado das eleições.

SERVIÇO DE INTELIGÊNCIA – Por meio de nota, o ministro afirmou que “a operação se baseou em uma rede de investigação formada por relatórios de inteligência enviados pelo Ministério Público, pela Polícia Civil, pela Polícia Militar e pela Polícia Rodoviária Federal dos estados”.

Ele diz que os levantamentos das corporações identificaram “patrocinadores de manifestações, financiadores de estruturas para acampamentos, arrecadadores de recursos, lideranças de protestos, mobilizadores de ações antidemocráticas em redes sociais, além de donos de caminhões e veículos que participaram de bloqueio”.

O magistrado ressalta que a investigação apura a atuação de três grupos “envolvidos no crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.

321 BLOQUEIOS – Os bloqueios de rodovias começaram logo após ser declarada a vitória de Lula. No dia seguinte da eleição, já havia 321 pontos de bloqueios em vias de 25 estados e no Distrito Federal.

Vídeos que circularam na internet mostraram integrantes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) agindo de maneira leniente com as manifestações antidemocráticas.

O número de pistas bloqueadas foi diminuindo ao longo dos dias, mas demorou para acabarem totalmente. Em 19 de novembro, por exemplo, a PRF ainda contabilizava cinco rodovias interrompidas. Isso 20 dias depois de Moraes ter determinado o desbloqueio de todas as estradas obstruídas – e a decisão foi referendada por unanimidade pelo plenário do STF. Após o fim dos bloqueios, os apoiadores do presidente direcionaram as manifestações para a frente de quarteis generais do Exército em todo o país.

VÁRIAS PRISÕES – A Polícia Federal prendeu preventivamente quatro pessoas e cumpre 23 de busca e apreensão no Espírito Santo nesta quinta-feira (15). Operação acontece no âmbito do inquérito 4.781 dos atos antidemocráticos.

A TV Gazeta e o portal g1, de O Globo, confirmaram que os mandados de prisão são contra o vereador de Vitória Armandinho Fontoura (Podemos), o jornalista Jackson Rangel Vieira, o pastor Fabiano Oliveira e o radialista e candidato derrotado a deputado estadual Max Pitangui (PTB).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Esses fanáticos são inteiramente desequilibrados e estão confiantes de que o presidente Jair Bolsonaro lhes dará cobertura. Quando descobrirem que isso não acontecerá e que responderão individualmente por diversos crimes, vai ser uma choradeira de fazer inveja a Chitãozinho e Chororó. (C.N.)

Lula diz que precisa de Mercadante para comandar a “reindustrialização” do país


Mônica Bergamo
Folha

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do economista Aloizio Mercadante (PT-SP), recém-indicado por ele para presidir o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e criticado por setores do mercado financeiro e até mesmo entre economistas e políticos aliados.

Na terça (13), a Bolsa de Valores caiu 1,71% depois de Lula anunciar Mercadante no comando do banco. Um dia depois, a Câmara dos Deputados aprovou uma lei mudando a regra de quarentena para que dirigentes políticos possam assumir a direção de empresas estatais.

NOVAS RESSALVAS – A alteração foi entendida como feita sob medida para que Mercadante possa assumir o BNDES, o que gerou novas ressalvas à indicação.

Lula mostrou contrariedade com as seguidas críticas a Mercadante. Em conversas com aliados, disse que ele está sendo “perseguido”, e que “estão colocando na conta do Mercadante” coisas que não são da responsabilidade do economista, como a mudança na lei das estatais.

No entendimento de Lula, o futuro presidente do BNDES poderia assumir o comando do banco sem a mudança na regra, já que não ocupava cargo na direção do PT. O presidente eleito afirma que sequer sabia que as alterações na lei seriam feitas pela Câmara.

COMETEU ERROS – Lula aceita as análises de que Mercadante foi inábil e cometeu equívocos no período em que foi ministro de Dilma Rousseff (PT), comandando em sequência as pastas de Ciência e Tecnologia, Educação e Casa Civil, e sendo considerado homem forte do governo dela.

Mas diz que ele “mudou” e que agora mostra uma habilidade muito maior para exercer o poder em postos-chave do governo, como o BNDES.

Mercadante se afastou de Lula já no primeiro mandato de Dilma Rousseff, que assumiu a Presidência em 2011. Na disputa de bastidores entre os que defendiam que ela concorresse à reeleição e os que preferiam a volta de Lula, o economista ficou do lado da então presidente. Depois que Lula saiu da prisão, no entanto, os dois se reaproximaram.

PROGRAMA DE GOVERNO – Mercadante não tem cargo de direção no partido. Há muitos anos preside a Fundação Perseu Abramo, centro de estudos vinculado ao PT, e nesta condição coordenou a formulação do programa de governo de Lula.

Ao divulgar a escolha dele para o BNDES, o presidente eleito afirmou que o Brasil precisa de alguém que “pense em desenvolvimento, que pense em reindustrializar esse país, em alguém que pense em inovação tecnológica”. E disse que as privatizações iriam “acabar”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Lula está correto ao indicar Mercadante para o BNDES. O economista conhece bem o banco  e sabe da importância que tem para alavancar a economia, como aconteceu na gestão de seu amigo Carlos Lessa, que foi demitido por fazer críticas à política adotada pelo então ministro Antonio Palocci, que nada entendia de gestão econômica, mas sabia muito bem como meter a mão no dinheiro, desde os tempos em que foi prefeito de Ribeirão Preto. (C.N.)

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