quarta-feira, dezembro 14, 2022

Uma nova era de guerra?




Yuval Harari analisa a invasão da Ucrânia por Putin e como o fim da paz pode ameaçar a sobrevivência da própria espécie

Há alguns anos, publiquei um livro chamado 21 Lições para o Século 21, e dediquei um dos capítulos ao futuro da guerra. Com o subtítulo Nunca subestime a estupidez humana, o capítulo argumentava que as primeiras décadas do século 21 foram a era mais pacífica da história da humanidade e que travar uma guerra não fazia mais muito sentido econômico ou geopolítico. Mas esses fatos não garantiam absolutamente a paz, porque “a estupidez humana é uma das forças mais importantes da história” e “mesmo líderes racionais frequentemente acabam fazendo coisas muito estúpidas”.

Apesar dessas reflexões, em fevereiro de 2022 fiquei chocado quando Vladimir Putin tentou conquistar a Ucrânia. As repercussões esperadas para a própria Rússia e toda a humanidade eram tão destrutivas que pareciam um movimento improvável mesmo para um megalomaníaco de coração frio. Mas, o autocrata russo escolheu acabar com a era mais pacífica da história humana e empurrar a humanidade para uma nova era de guerra que pode ser pior que qualquer coisa que já vimos antes. Na verdade, pode ameaçar a própria sobrevivência de nossa espécie.

Isso é uma tragédia, especialmente porque as últimas décadas mostraram que a guerra não é uma força inevitável da natureza. É uma escolha humana que varia de lugar para lugar e de tempo para tempo. Desde 1945, não vimos um único caso de guerra entre grandes potências, nem um único caso de um Estado reconhecido internacionalmente aniquilado por conquista estrangeira. Conflitos regionais mais limitados permaneceram comuns; moro em Israel, então sei disso. Mas, apesar da ocupação israelense da Cisjordânia, os países raramente tentaram expandir unilateralmente suas fronteiras pela violência. Essa é uma das razões pelas quais a ocupação israelense atraiu tantas críticas. O que foi a norma por milhares de anos tornou-se um anátema.

Mesmo levando em consideração guerras civis, insurgências e terrorismo, nas últimas décadas as guerras mataram muito menos pessoas que suicídios, acidentes de trânsito ou doenças relacionadas à obesidade. Em 2019, cerca de 70 mil pessoas foram mortas em conflitos armados ou tiroteios policiais; cerca de 700 mil cometeram suicídio, 1,3 milhão morreram em acidentes de trânsito e 1,5 milhão de diabetes.

Psicológica

A paz não tem sido, porém, só uma questão de números. Talvez a mudança mais importante nas últimas décadas tenha sido psicológica. Por milhares de anos, a paz significou “a ausência temporária de guerra”. Por exemplo, entre as três Guerras Púnicas entre Roma e Cartago houve décadas de paz, mas todo romano e cartaginês sabia que essa “paz púnica” poderia ser quebrada a qualquer momento. Política, economia e cultura foram todas moldadas por constantes expectativas de guerra.

No final do século 20 e início do 21, mudou o significado da palavra paz. Enquanto a Antiga Paz significava apenas “a ausência temporária de guerra”, a Nova Paz passou a significar “a implausibilidade da guerra”. Em muitas (mas não todas) regiões do mundo, países deixaram de temer que seus vizinhos os invadissem e os aniquilassem. Os tunisianos pararam de temer uma invasão italiana, os costa-riquenhos não pensaram que o exército nicaraguense pudesse invadir San José e os samoanos não temeram uma frota de guerra fijiana surgindo repentinamente no horizonte. Como podemos dizer que os países não estavam preocupados com isso? Olhando seus orçamentos de Estado.

Até recentemente, as Forças Armadas eram o esperado item número 1 no orçamento de todos os impérios, sultanatos, reinos e repúblicas. Os governos gastaram pouco em saúde e educação, porque a maior parte de seus recursos foi para o pagamento de soldados, construção de muros e de navios de guerra. O Império Romano gastou cerca de 50 a 75% de seu orçamento com as Forças Armadas; o número era de cerca de 80 % no Império Sung (960-1279); e cerca de 60% no Império Otomano do final do século 17. De 1685 a 1813, a participação dos militares nas despesas do governo britânico nunca ficou abaixo de 55% - em média foi de 75%. Nos grandes conflitos do século 20, democracias e regimes totalitários se endividaram para financiar metralhadoras, tanques e submarinos. Quando tememos que os vizinhos possam a qualquer momento invadir nossas cidades, escravizar nosso povo e anexar nossas terras, isso é o razoável a se fazer.

Orçamentos

Os orçamentos na era da Nova Paz constituem um material de leitura muito mais esperançoso do que qualquer tratado pacifista já escrito. No início do século 21, o gasto médio dos governos com suas Forças Armadas foi de apenas 6,5% - e mesmo os EUA, a superpotência dominante, gastaram apenas cerca de 11% para manter sua supremacia. Como as pessoas não viviam mais sob o terror de invasões externas, os governos podiam investir mais dinheiro em saúde, bem-estar e educação do que nas Forças Armadas. O gasto médio com saúde, por exemplo, foi de 10,5% do orçamento dos governos, cerca de 1,6 vezes o orçamento da defesa. Para muita gente, hoje, o fato de o orçamento da saúde ser maior do que o orçamento militar não é digno de nota. Mas, se tomarmos a Nova Paz como certa e a negligenciarmos, logo a perderemos.

A Nova Paz foi o resultado de três forças principais. Em primeiro, as mudanças tecnológicas e, sobretudo, o desenvolvimento de armas nucleares aumentaram muito o preço da guerra, especialmente entre as superpotências. A bomba atômica transformou a guerra das superpotências em um ato louco de suicídio coletivo, razão pela qual elas não entram em guerra umas contra as outras desde Hiroshima e Nagasaki.

Em segundo lugar, as mudanças econômicas diminuíram muito os lucros da guerra. Os principais ativos econômicos já foram recursos materiais que podiam ser conquistados pela força. Quando Roma derrotou Cartago nas Guerras Púnicas, ficou rica saqueando seu rival derrotado, vendendo seu povo como escravo e assumindo o controle das minas de prata da Espanha e dos campos de trigo do norte da África. Nas últimas décadas, porém, o conhecimento científico, técnico e organizacional se tornou o ativo econômico mais importante em muitos lugares. O Vale do Silício não tem minas de silício. Empresas de trilhões de dólares, como Microsoft e Google, são construídas com base no que está na mente de engenheiros e empreendedores, e não no que está no chão sob seus pés. E, se capturar minas de prata à força é fácil, não é possível adquirir conhecimento assim. A realidade econômica levou a uma forte queda na lucratividade da conquista.

Embora as guerras por recursos materiais continuem a caracterizar certas partes do mundo - como o Oriente Médio -, as grandes economias do período pós -1945 cresceram sem conquista imperial. Alemanha, Japão e Itália viram seus exércitos serem destruídos e seus territórios diminuírem -, mas, no pós-guerra, suas economias cresceram. O milagre econômico chinês ocorreu sem nenhuma grande guerra desde 1979.

Ucrânia

Enquanto escrevia estas linhas no início de novembro, soldados russos estavam saqueando a cidade ucraniana de Kherson, enviando de volta à Rússia caminhões cheios de tapetes e torradeiras roubados de casas ucranianas. Isso não tornará a Rússia rica e não compensará os russos pelo enorme custo da guerra. Mas, como prova a invasão da Ucrânia por Putin, as mudanças tecnológicas e econômicas por si só não foram suficientes para produzir a Nova Paz. Alguns líderes são tão sedentos de poder e tão irresponsáveis que podem começar uma guerra, mesmo que economicamente nociva e empurrar toda a humanidade para o Armagedon nuclear. Assim, o terceiro pilar essencial da Nova Paz tem sido cultural e institucional.


As sociedades humanas foram por muito tempo dominadas por culturas militaristas que viam a guerra como inevitável e até desejável. Os aristocratas de Roma e de Cartago acreditavam que a glória militar era a maior conquista da vida e o caminho ideal para o poder e a riqueza. Artistas como Virgílio e Horácio concordaram, dedicando seus talentos ao canto de armas e guerreiros e imortalizando conquistadores brutais. Durante a Nova Paz, artistas usaram seus talentos para expor os horrores da guerra, enquanto políticos buscavam deixar sua marca com reformas no sistema de saúde em vez de saquear cidades. Líderes de todo o mundo, influenciados pelo medo de uma guerra nuclear, uniram forças para construir uma ordem global funcional que permitisse aos países desenvolverem-se pacificamente.

Essa ordem global tem se baseado em ideais liberais, ou seja, que todos os seres humanos merecem as mesmas liberdades básicas; que nenhum grupo humano é inerentemente superior aos outros; e que todos os seres humanos compartilham experiências, valores e interesses centrais. Esses ideais encorajaram os líderes a evitar a guerra e, em vez disso, trabalhar juntos para proteger nossos valores e interesses comuns. A ordem liberal global vinculava a crença em valores universais ao funcionamento pacífico das instituições globais.

Embora essa ordem global estivesse longe de ser perfeita, ela melhorou a vida das pessoas não apenas nos antigos centros imperiais, como a Grã-Bretanha e EUA, mas também em muitas outras partes, da Índia ao Brasil, da Polônia à China. Países de todos os continentes se beneficiaram do comércio e investimentos globais. Não só Dinamarca e Canadá puderam transferir recursos de tanques para professores - Nigéria e Indonésia fizeram o mesmo.

Idade de ouro

Qualquer um que queira discutir os defeitos da ordem global liberal deve primeiro responder a uma pergunta simples: você pode, por favor, citar a década em que a humanidade estava em melhor forma do que na década de 2010? Qual década é a sua idade de ouro perdida? A de 1910, com a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Bolchevique, Jim Crow e os impérios europeus explorando brutalmente grande parte da África e da Ásia? Talvez a década de 1810, com as Guerras Napoleônicas atingindo seu clímax sangrento, camponeses russos e chineses esmagados por seus senhores aristocráticos, a Companhia das Índias Orientais garantindo seu controle da Índia e a escravidão ainda legal nos EUA, Brasil e na maioria das outras partes do mundo? Talvez você esteja sonhando com a década de 1710, com a Guerra da Sucessão Espanhola, a Grande Guerra do Norte, a guerra de sucessão Mughal e um terço das crianças em todos os lugares morrendo de desnutrição e doenças antes de atingir a idade adulta?

Trump e Brexit

A Nova Paz não resultou de algum milagre divino. Foi alcançada por humanos fazendo escolhas melhores e construindo uma ordem global funcional. Infelizmente, muitas pessoas consideraram essa conquista como algo garantido. Talvez presumissem que a Nova Paz estivesse garantida principalmente por forças tecnológicas e econômicas e que poderia sobreviver mesmo sem seu terceiro pilar - a ordem global liberal. Consequentemente, esta foi primeiro negligenciada e depois atacada com ferocidade.

O ataque começou com estados desonestos como o Irã e líderes desonestos como Putin, mas sozinhos eles não foram fortes o suficiente para acabar com a Nova Paz. O que realmente minou a ordem global foi que tanto os países que mais se beneficiaram dela (incluindo China, Índia, Brasil e Polônia) quanto os que a construíram em primeiro lugar (principalmente o Reino Unido e os EUA) viraram as costas para ela. A votação do Brexit e a eleição de Trump em 2016 simbolizaram essa virada.

Aqueles que desafiaram a ordem liberal global não desejavam a guerra: só queriam promover os interesses de seu país e entendiam que cada Estado-nação deveria defender e desenvolver sua própria identidade e tradições sagradas. O que nunca explicaram foi como todas essas diferentes nações lidariam com a ausência de valores universais e instituições globais. Os oponentes da ordem global não ofereciam nenhuma alternativa clara. Pareciam pensar que, de alguma forma, as várias nações se dariam bem e o mundo se tornaria uma rede de fortalezas muradas, mas amigáveis.

Mas fortalezas raramente são amigáveis. Cada fortaleza nacional geralmente quer um pouco mais de terra, segurança e prosperidade às custas de seus vizinhos, e sem a ajuda de valores universais fortalezas rivais não podem concordar com nenhuma regra comum. O modelo de rede de fortalezas era uma receita para o desastre.

E o desastre não demorou a chegar. A pandemia demonstrou que, na ausência de uma cooperação global efetiva, a humanidade não pode se proteger contra ameaças comuns como os vírus. Então, talvez por ter observado como a covid corroeu ainda mais a solidariedade global, Putin concluiu que poderia dar o golpe de misericórdia quebrando o maior tabu da era da Nova Paz. Ele achou que, se conquistasse a Ucrânia e a absorvesse na Rússia, alguns países o condenariam - mas ninguém faria nada contra ele.

O argumento de que Putin foi pressionado a contragosto a invadir a Ucrânia para impedir um ataque ocidental é propaganda sem sentido. Alguma vaga ameaça ocidental não é uma desculpa legítima para destruir um país, saquear suas cidades e infligir um sofrimento incalculável a dezenas de milhões de pessoas. Quem acredita que Putin não teve escolha deve dizer qual país se preparava para invadir a Rússia em 2022. Você acha que o exército alemão estava se reunindo para cruzar a fronteira? Ou imagina que Napoleão saiu de seu túmulo para liderar o Grande Armée mais uma vez a Moscou, e Putin não teve escolha? E lembre-se: Putin invadiu a Ucrânia pela primeira vez em 2014, não em 2022.

Putin preparou sua invasão por muito tempo. Ele nunca aceitou a dissolução do Império Russo e nunca viu a Ucrânia, a Geórgia ou qualquer outra república pós-soviética como nação independente e legítima. Enquanto - como observado anteriormente - as despesas militares médias representam cerca de 6,5% dos orçamentos governamentais em todo o mundo e 11% nos EUA, na Rússia elas são muito maiores. Não sabemos exatamente quanto maiores, porque é um segredo de Estado. Mas as estimativas colocam o número em torno de 20%, e pode até ser mais de 30%.


Colapso

Se a aposta de Putin for bem-sucedida, o resultado será o colapso final da Nova Paz. Os autocratas aprenderão que guerras de conquista são novamente possíveis, e as democracias também serão forçadas a se militarizar para proteção. Já vimos a agressão russa levar países como a Alemanha a aumentar acentuadamente seu orçamento de defesa da noite para o dia, e países como a Suécia a restabelecer o alistamento. O dinheiro que deveria ir para professores, enfermeiras e assistentes sociais irá para tanques, mísseis e armas cibernéticas. Aos 18 anos, jovens de todo o mundo cumprirão o serviço militar obrigatório. O mundo inteiro parecerá a Rússia - um país com um Exército enorme e hospitais com falta de pessoal. O resultado será uma nova era de guerra, pobreza e doenças. Alternativamente, se Putin for interrompido e punido, a ordem global não será quebrada pelo que ele fez - será fortalecida. Qualquer um que precisasse de um lembrete redescobriria que simplesmente não se pode fazer essas coisas.

Qual desses dois cenários se concretizará? Felizmente para todos, apesar de seus preparativos militares, Putin estava desastrosamente despreparado para algo crucial: a coragem do povo ucraniano. Os ucranianos repeliram os russos em uma série de vitórias impressionantes perto de Kiev, Kharkiv e Kherson. Mas Putin até agora se recusou a reconhecer seu erro e reage à derrota com maior brutalidade. Vendo que seu exército não pode superar os ucranianos na linha de frente, agora ele está tentando congelar os civis ucranianos até a morte em suas casas. Prever como a guerra terminará é impossível, assim como o destino da Nova Paz.

A história nunca é determinista. Após o fim da Guerra Fria, muitas pessoas pensaram que a paz era inevitável e que ela continuaria mesmo que negligenciássemos a ordem global. Depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, alguns adotaram a visão oposta. Alegam que a paz sempre foi apenas uma ilusão, que a guerra era uma força ingovernável da natureza e que a única escolha que os humanos tinham era se queriam ser presas ou predadores.

Valores universais

Ambas as posições estão erradas. Guerra e paz são decisões, não inevitabilidades. Guerras são feitas por pessoas, não por leis da natureza. E assim como os humanos fazem guerras, também podem fazer a paz. Mas fazer a paz não é uma decisão única. É um esforço de longo prazo para proteger normas e valores universais e para construir instituições cooperativas.

Reconstruir a ordem global não significa voltar ao sistema que se desintegrou na década de 2010. Uma ordem global nova deve dar papéis mais importantes às potências não ocidentais que dela desejam participar. Deve também reconhecer a relevância das lealdades nacionais. A ordem global se desintegrou sobretudo pelo ataque das forças populistas, segundo os quais as lealdades patrióticas contradizem a cooperação global. Os políticos populistas pregaram que, se você é um patriota, deve se opor às instituições e à cooperação global. Mas não há contradição inerente entre patriotismo e globalismo, porque patriotismo não é odiar estrangeiros, mas amar seus compatriotas. E no século 21, se você quiser proteger seus compatriotas da guerra, da pandemia e do colapso ecológico, a melhor maneira de fazer isso é cooperando com os estrangeiros.

The Atlantic / Estadão

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REVISÃO DE VIDA TODA E IGUALDADE

Wagner Balera

É justíssimo o modelo de cálculo dos benefícios que leva em conta todo o percurso contributivo do segurado. Essa é a melhor expressão da proteção social que é, sobretudo, programa coletivo, no qual, o indivíduo cede passo ao todo.

Se cada qual teve perfil contributivo médio ao longo de toda a trajetória laborativa, é, e deve ser, essa a expressão do benefício que deverá receber.

Tudo o que diferir dessa mediana contributiva acabará por premiar de modo distinto os trabalhadores. Só serão mais bem aquinhoados com a prestação, aqueles cujas carreiras tenham compreendido uma ascensão constante, segundo certo modelo ideal que certas empresas cunham em suas escalas de carreira.

Ocorre que a imensa maioria dos trabalhadores passa por diversos períodos da vida laboral por momentos de estagnação e, até, de retrocesso, diante do brutal fenômeno do desemprego que convive, de modo dramático e desde sempre, com o mundo do trabalho.

O vetor do benefício médio é, assim, certo componente de equidade que, considerada toda a coorte de beneficiários, retrata não só a realidade contributiva, mas também o teor da previdência social que, em média, todos e cada qual perceberão a título de aposentadoria ou de pensão.

Aqui não se está a analisar a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que está revestida das peculiaridades processuais geradas ao longo de processo pleno de problemas. Aqui só se trabalha com o conceito que, enquanto modelo ideal, deveria ser inscrito na legislação social. Mas, a verdadeira igualdade exige mais. Exige que esse modelo se aplique a todos os trabalhadores, independentemente do regime previdenciário a que se ache filiado.

Hoje em dia, a diversidade de regimes retrata verdadeiro oceano de desigualdades na proteção social e acaba por criar a seguinte situação paradoxal: quanto mais privilegiado o sujeito é, − que, pela lógica proteção social, menos deveria carecer da proteção comunitária −, mais bem aquinhoado será com a aposentadoria e com a pensão que venha a gerar.

As distorções, nesse modelo, chegam a ser tão violentas a ponto de criarem fictícias promoções nos cargos para que o trabalhador receba, na inatividade, provento que nunca percebeu na vida ativa. Quer dizer, a proteção social na inatividade, custeada por toda a coletividade, passa a ser mais vantajosa do que a remuneração que o sujeito percebia quando estava a serviço da comunidade. A qualquer pessoa do povo a quem se explicasse essa situação, esse privilégio, carregado de desigualdade, soaria como verdadeira afronta!

Por fim, o modelo de distorções − e refiro-me sobretudo ao instalado nos diversos regimes próprios − chega ao cúmulo de criar benefícios de valor ilimitado e que ultrapassam, em muito, o teto remuneratório do serviço público.

Ora, a redação original da Constituição, em 05 de outubro de 1988, estabeleceu, em Disposições Transitórias: 

Art. 17. Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, nesse caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título.        

Essa regra deveria ter o seguinte desdobramento lógico: redução de todo e qualquer provento cujo valor excedesse o teto de prestação constitucionalmente estabelecido.

No entanto, e pelo jeito, essa ordem constituinte não foi cumprida.

É o que se verifica com a edição, em dezembro de 2003 – vale dizer, 15 anos depois da promulgação da Constituição de 1988 –, de uma regra que manda aplicar o transcrito art. 17. É o que estabelece o art. 9º, da Emenda Constitucional n. 41, de 2003:

Art. 9º Aplica-se o disposto no art. 17 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias aos vencimentos, remunerações e subsídios dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza.     & lt; /span>

Interpretações casuísticas impediram, ao longo desses 35 anos, desde a promulgação da Constituição, que ela fosse cumprida e que ninguém percebesse benefício em valor superior ao teto constitucional, sob nenhum título, como ordena a parte final do art. 17.

Se os Tribunais de Contas auditassem o cumprimento dessa regra, verificariam as milhares de situações em que ela está sendo descumprida.

A construção de uma sociedade mais justa e igualitária passa, em primeiro lugar, pela estrita observância da Constituição, a maior e melhor garantia do Estado de Direito.

Wagner Balera é professor titular na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Livre-docente e doutor em Direito Previdenciário pela mesma Universidade.

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Quem paga a conta do vandalismo contra o transporte público de Brasília?

 Em nota à imprensa, Associação que representa as empresas de transporte coletivo urbano no país repudia atos criminosos, que culminaram com a queima de cinco ônibus em Brasília

 

Brasília, 14 de dezembro 2022 -- A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), entidade que representa mais de 500 empresas operadoras e entidades do setor de transportes por ônibus no Brasil, lamenta e repudia os atos de vandalismo ocorridos na noite desta segunda-feira (12), na capital federal do país, que culminaram com a destruição de cinco ônibus urbanos. Trata-se de prática criminosa, que gera prejuízos não somente às empresas de ônibus; mas, especialmente, à população que utiliza esse serviço essencial.

 

A NTU que, desde o ano de 2004, monitora a ocorrência de incêndios em ônibus no Brasil, registrou, somente este ano, 62 veículos queimados (incluindo as últimas cinco ocorrências), contra 69 ocorrências, em 2021. Desde o início do monitoramento, já foram registrados 2.700 veículos incendiados, em todas as regiões do país, com destaque para o Sudeste, com 71% dos casos, seguido pela região Nordeste, com 16%. "É inadmissível que o ônibus seja usado como meio de protesto por grupos de vândalos ou facções criminosas, colocando vidas em riscos e gerando enormes prejuízos, inclusive por motivos que não têm nada a ver com o transporte coletivo", lamenta Francisco Christovam, presidente-executivo da NTU.

 

Para a Associação, somente a presença do Estado, por meio da atuação da segurança pública, pode inibir ações desse tipo. "São prejuízos que não podem ser embutidos nos custos das empresas, mas que acabam sendo absorvidos por elas", esclarece. Ocorrências como essas não são cobertas por seguradoras, prejudicando as empresas e, principalmente, os passageiros.

 

Nos registros de acompanhamento dessa prática criminosa, a NTU contabiliza ainda a ocorrência de 20 mortes e 79 feridos graves, no período de 1987 a 2022."Quem coloca fogo em ônibus não tem ideia dos riscos e nem do quanto essa prática afeta quem usa o serviço. Um ônibus queimado pode demorar três meses ou mais para ser reposto, a depender da situação da empresa", alerta Christovam. Segundo a NTU, a queima de um único ônibus representa um prejuízo estimado de R$ 500 mil, além de reduzir a oferta do serviço para os passageiros.

 

De acordo com a publicação "Fogueiras da Insensatez", lançada pela NTU, em 2018, em parceria com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), ocorreu um aumento do número de casos de ônibus incendiados, a partir de 2013, ano marcado por fortes protestos de rua contra o reajuste das passagens de ônibus, iniciados em São Paulo. Entre 2004 e 2018, a quantidade de ônibus queimados teria o potencial para transportar uma quantidade superior a um milhão de passageiros, por dia.


assessoria de imprensa socorro.ramalho@fsb.com.br

"Terra arrasada": veja imagens do rastro de vandalismo de apoiadores de Bolsonaro em Brasília

 

Imagem sobre "Terra arrasada": veja imagens do rastro de vandalismo de apoiadores de Bolsonaro em Brasília
Foto: Nicole Angel / Bahia Notícias

Os atos de vandalismo promovidos por grupos de bolsonaristas em Brasília, na noite desta segunda-feira (12), deixaram um rastro de destruição em alguns pontos da cidade. Ônibus e carros foram incendiados e a capital federal amanheceu nesta terça-feira (13) com policiamento reforçado em frente ao prédio-sede da Polícia Federal (PF), ponto central dos atos.

 

No início desta terça ainda foram registrados pontos de bloqueio em vias com ônibus queimados. Alguns trechos estão fechados para a desobstrução e limpeza, de acordo com informações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

 

LEIA TAMBÉM: 

 

Em balanço divulgado, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) fez um balanço dos atendimentos na ocasião. O quebra-quebra seria supostamente motivado, segundo alguns bolsonaristas, pela prisão do líder indígena e apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) Cacique Tserere.

 

Confira abaixo algumas imagens da Asa Norte, em Brasília, próximo ao prédio da PF, no início da manhã desta terça:

 

Vandalismo em Brasília

 

 

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Bahia Notícias

Paxlovid previne 44% das hospitalizações por Covid em vacinados, aponta estudo

 

Paxlovid previne 44% das hospitalizações por Covid em vacinados, aponta estudo

Por Ana Bottallo | Folhapress

Imagem sobre Paxlovid previne 44% das hospitalizações por Covid em vacinados, aponta estudo
Foto: Divugação/Pfizer

A pílula contra Covid da Pfizer, Paxlovid, apresentou eficácia de 44% contra hospitalização e morte em pessoas vacinadas com 50 anos ou mais, diz estudo feito nos Estados Unidos.
 

O tratamento também apresentou proteção semelhante frente à internação e morte causada pela variante ômicron do coronavírus.
 

Os resultados foram publicados nesta segunda (12) na revista científica Annals of Internal Medicine.
 

Dados de eficácia da droga, que é uma combinação dos medicamentos nirmaltrevir e ritonavir, divulgados pela farmacêutica apontaram uma redução de 89% de hospitalizações e mortes, mas esses números foram relacionados a indivíduos não vacinados e com alto risco.
 

O período de estudo da farmacêutica ocorreu antes da chegada da ômicron e suas subvariantes, o que também levou a questionamentos por parte da comunidade científica sobre sua ação contra essas formas do vírus mais recentes.
 

No novo estudo, pesquisadores usaram dados de pacientes com diagnóstico positivo de Covid de 1° de janeiro a 17 de julho de 2022 da rede Mass General Brigham, que inclui hospitais do estado de Massachusetts, como o Hospital Brigham para Mulheres e o Hospital Geral de Massachusetts, em Boston. Foram analisados quase 45 mil indivíduos com 50 anos ou mais e não hospitalizados.
 

O período do estudo incluiu a circulação das variantes BA.1, BA.2, BA.5 e suas sublinhagens da ômicron.
 

Quase um terço deles (28%, ou 12.451) recebeu o tratamento com Paxlovid, enquanto 72% (32.010) não foram tratados e serviram como grupo controle. A taxa de hospitalização no período do estudo foi baixa, de 1%. O risco relativo de hospitalização do grupo tratado foi de 0,55% (69 indivíduos), enquanto no grupo controle foi de 0,97% (310).
 

Assim, os pesquisadores concluíram que o tratamento com Paxlovid teve uma eficácia de 44% de proteção contra hospitalização por Covid. Em alguns grupos, como aquele dos indivíduos com esquema de vacinação incompleto (sem a dose de reforço), a eficácia contra internação e óbito chegou a 81%.
 

De acordo com os autores do estudo, a redução de 81% de hospitalização nos indivíduos sem o esquema vacinal completo é semelhante à eficácia encontrada no ensaio clínico da Pfizer. Segundo os autores, a menor taxa de hospitalização no estudo conduzido na rede Mass General Brigham se deve ao contexto pandêmico, de menor gravidade e de maior proporção de indivíduos completamente vacinados.
 

Ainda de acordo com os pesquisadores, há algumas variáveis que podem ser investigadas em estudos futuros, como a diferença de prescrição para pacientes brancos em relação aos negros e de etnias latinas --outros estudos já indicaram que pacientes negros tendem a receber menos indicação de tratamentos eficazes.
 

O alto custo do tratamento também pode ser um fator limitante --o ciclo completo indicado pela farmacêutica abrange duas pílulas diárias ao longo de cinco dias. Segundo informações divulgadas pela Reuters em fevereiro, cada tratamento Paxlovid custou ao governo americano cerca de US$ 530 (cerca de R$ 2.800).
 

Um dos pontos fortes do estudo, porém, foi a indicação de que a proteção de Paxlovid era maior quanto mais tempo desde a última vacina contra Covid que aquele paciente recebeu (20 semanas ou mais). Isso indica que, em pessoas que estão desatualizadas quanto ao reforço, a droga da Pfizer pode ajudar a reduzir o risco de hospitalização e óbito.
 

Por fim, os autores concluem que a pesquisa fornece mais evidências a favor do uso de Paxlovid em um contexto de saúde pública, em que devem ser consideradas ainda outras medidas de proteção, incluindo a vacinação. Ainda, a redução de cerca de 40% de hospitalização e até 70% contra morte indica um benefício evidente da droga como tratamento para a Covid.

Bahia Notícias

O erro da Igreja Universal nas eleições de Sergipe

 em 14 dez, 2022 4:08

                                                                     Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
                             “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

Ainda não se sabe o que levou a direção da Igreja Universal em Sergipe em ter preterido o apoio ao candidato a deputado federal Heleno Silva nas eleições deste ano. O certo é que ficou demonstrado, tanto para a Igreja quanto para o candidato, que um precisava do outro. Separados a derrota caí como uma bomba no colo de quem trabalhou para isto acontecer.

Heleno demonstrou que tem votos seguros no Sertão, e mostrou que fez um belo trabalho para avançar nas outras regiões. O resultado de um trabalho, quase que solitário, foram quase 30 mil votos.

Mas a Igreja, que tinha um candidato oficial a estadual, preferiu não apoiar Heleno e embarcar em uma aventura. Não elegeu o estadual e deixou de eleger um federal, Heleno. Que com seus quase 30 mil votos, se tivesse feito a dobradinha com a Igreja, muito provavelmente hoje estaria eleito e puxaria o estadual.

Favas contadas.

No segundo turno, Heleno foi o principal articulador da frente evangélica que deu apoio a Fábio Mitidieri. Foi ele quem arregimentou os primeiros pastores e marcou reuniões com o comando da campanha do, agora, governador eleito.

No segundo turno, Heleno montou fileiras no Sertão e ocupou programas de rádios e foi às feiras, onde parece imbatível, para pedir votos para Fábio.

Terminada a apuração, Heleno já esteve em várias das cidades onde foi bem votado para agradecer os votos recebidos, coisa que muitos dos eleitos nem quiser cogitaram.

Perguntado sobre o seu futuro político, ele responde aos mais próximos, “Deus é o senhor do meu destino”.

 

 

 

Rádio inaugurará novo estúdio com nome de Reinaldo Moura E o radialista, vereador, deputado estadual e conselheiro do TCE/SE, Reinaldo Moura será homenageado na próxima sexta-feira, 16,  às 11h, com a inauguração do novo estúdio da rádio SIM FM 94,3 localizada no alto do Monte Castelo, em Carmópolis. Uma justa homenagem para um dos grandes nomes do rádio sergipano que, se vivo, teria completado 79 anos no último domingo, 11.  A direção da SIM FM 94,3 e o ex-deputado André Moura em nome de toda família está fazendo o convite aos amigos e admiradores do eterno Reinaldo Moura.

Projetos Aracaju O prefeito da capital, Edvaldo Nogueira, compareceu, na manhã de ontem, 13, à Câmara Municipal de Aracaju (CMA) para entregar quatorze Projetos de Lei. De autoria do Executivo Municipal, as proposituras abordam, dentre outros assuntos, a redução da alíquota do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), criação da política municipal de ciência e tecnologia de Aracaju e desmembramento da Secretaria Municipal da Indústria, Comércio e Turismo de Aracaju.

Redução alíquota IPTU “São projetos importantes para a cidade. O da redução da alíquota do IPTU vai ser importante para as pessoas que possuem imóveis em regiões mais distantes da cidade e que tem imóveis com preço menor”, afirmou o Prefeito de Aracaju. Edvaldo Nogueira também destacou que a política municipal de ciência e tecnologia fará a cidade avançar na criação de startups, atraindo assim empresas tecnológicas e gerando emprego e renda.

Novas pastas Em relação ao desmembramento da Secretaria Municipal da Indústria, Comércio e Turismo de Aracaju, o prefeito explicou que o projeto propõe a Secretaria Municipal de Turismo e a criação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação. “Essa proposta vai possibilitar Aracaju encontrar o seu caminho no sentido de qual modelo de desenvolvimento nós queremos, ela vai cuidar da instalação de empresas, de planejamento, de desenvolvimento econômico”, assinalou Edvaldo Nogueira.

Reunião Além do presidente da CMA, vereador Nitinho (PSD), participaram da reunião os vereadores Ricardo Vasconcelos (Rede), Anderson de Tuca (PDT), Fabiano Oliveira (PP), Pastor Diego (PP), Cícero do Santa Maria (Podemos), Eduardo Lima (Republicanos), Sávio Neto de Vardo da Lotérica (PSC), Breno Garibalde (União Brasil), Dr. Manuel Marcos (PSD), Fábio Meireles (PSC), Sargento Byron (Republicanos), Paquito de Todos (Solidariedade), Binho (PMN), Soneca (PSD) e Professor Bittencourt (PDT).

Apoio De acordo com o vereador Ricardo Vasconcelos, futuro presidente da CMA, “tudo que nós julgarmos que forem positivos, que forem bons para o desenvolvimento da nossa cidade, para a melhoria da qualidade de vida, tem o total apoio da Câmara Municipal”.  O vereador Fabiano Oliveira (PP) enfatizou a relação harmoniosa entre os Poderes Executivo e Legislativo.

Surpresa Segundo a vereadora Sheyla Galba (Cidadania), os parlamentares foram pegos de surpresa com a vinda do Prefeito Edvaldo Nogueira na Casa Legislativa. “O que mais contraria é que são projetos de Lei que ele está apresentando para alguns vereadores, colocou no e-mail durante a Sessão, não tinha como os vereadores analisarem. E o respeito pelo povo? E o respeito por essa Casa? Nós que fazemos parte da oposição resolvemos tirar o quórum, em respeito às pessoas que estão em casa nos assistindo, em respeito a essa Casa”, concluiu.

INFONET

Bolsonaristas tentam atribuir vandalismo a infiltrados e black blocs, mas Polícia contesta


Manifestantes quebram carros e tentam invadir sede da PF em Brasília

Em sua maioria, vândalos estavam vestidos de verde e amarelo

Samuel Lima
Estadão

Aliados do presidente Jair Bolsonaro tentam, em postagens nas redes sociais, dissociar os atos de vandalismo praticados na noite desta segunda-feira, 12, em Brasília, das manifestações que contestam a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva na eleição e pedem intervenção militar no Brasil.

A tese, replicada por apoiadores em plataformas abertas e aplicativos de mensagens, é a de que as cenas de violência foram protagonizadas por supostos infiltrados de esquerda e grupos radicais conhecidos como black blocs. O objetivo seria desestabilizar as manifestações em frente aos quartéis.

Mais desde cedo, autoridades do Distrito Federal, no entanto, afirmam que parte dos envolvidos eram mesmo manifestantes que estavam alojados nos arredores do Quartel General do Exército.

PRISÃO DO INDÍGENA – Nesta segunda-feira, mesmo dia em que Lula foi diplomado, bolsonaristas incendiaram ônibus, carros, depredaram prédios públicos e privados e tentaram invadir a sede da Polícia Federal, na área central de Brasília. A depredação foi iniciada depois que uma liderança entre os apoiadores de Bolsonaro, o líder indígena José Acácio Serere Xavante, teve a prisão temporária decretada pela Justiça.

Ao longo desta terça-feira, o termo “infiltrados” permaneceu nos trending topics do Twitter, lista dos assuntos que ganham mais atenção na rede social, com 297 mil publicações. As citações superavam o termo “bolsonaristas” (231 mil) e tinham cerca de metade da incidência de “Brasília” (606 mil), no começo da tarde.

O Monitor de Redes do Estadão, criado em parceria com a empresa Torabit, mostrava tanto o termo ‘infiltrados’ entre as palavras mais comentadas quanto a presença de hashtags de apoio aos atos antidemocráticos, como #primaverabrasileira, #vemproalvorada e #brazilwasstolen.

CIRO NOGUEIRA – O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (Progressistas-PI), foi um dos que contestaram a ligação no Twitter. “Eles têm cara de Black Blocs, jeito de Black Blocs, fúria de Black Blocs, cheiro de Black Blocs e violência dos Black Blocs, que não existiram durante todo o governo Bolsonaro. Será coincidência ou a volta deles?”, escreveu o político, um dos líderes do Centrão.

Outros parlamentares e influenciadores passaram a espalhar fotos e vídeos para alegar que se trata de uma armação. A deputada federal Bia Kicis (PL-DF), por exemplo, reproduziu em suas redes um print de uma suposta página black bloc do ABC paulista — a foto de dois homens com roupas de uma torcida organizada do Corinthians, porém, é antiga e não tem relação com os atos de Brasília, como mostrou o Estadão Verifica.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) postou um vídeo alegando que pessoas que atearam fogo em um ônibus gritavam “Fora, Bolsonaro”. A gravação é feita de um prédio e não é possível saber quem de fato gritou a frase. Mesmo assim, o parlamentar escreve que a “tática terrorista” pertence a organizações de esquerda e que “infiltrados devem ser investigados e punidos”.

REPÓRTER DESMENTE – A cena foi registrada por uma repórter do jornal O Tempo, que depois desmentiu a história e informou que as palavras foram proferidas por pessoas que estavam em um hotel ao lado.

Há ainda entre apoiadores, como o deputado federal Marco Feliciano (PL-SP), a alegação ainda de que o Brasil viveu “40 dias de manifestações pacíficas”, ignorando confrontos com as forças de segurança registrados em diferentes pontos do País por conta de bloqueios de rodovias.

“É precipitada a atribuição de autoria a bolsonaristas radicais”, opina o senador Marcos Rogério (PL-RO), dizendo haver “indícios” de ação de infiltrados de esquerda, mas sem apresentá-los. “Não fazem parte dos movimentos conservadores. A quem interessa esse tumulto?”, escreveu Gilson Machado, ex-ministro do Turismo.

PT PROTESTA – A oposição reagiu ao cenário de violência em Brasília com críticas ao presidente Jair Bolsonaro e cobranças pela atuação das forças de segurança e a punição legal dos envolvidos. A principal reclamação incide sobre a ausência de prisões até o momento e a continuidade dos atos que pedem intervenção militar.

“Passou da hora de desmobilizar as frentes de quartéis, não tem nada de liberdade de expressão, só golpismo”, escreveu a presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR).

O ex-governador do Maranhão e futuro ministro da Justiça no governo Lula, Flávio Dino (PT), afirma que “as medidas de responsabilização jurídica prosseguirão, nos termos da lei”. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) anunciou que pediria investigação dos que financiaram e apoiaram os atos em Brasília dentro de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Enfim, uma grande indicação! Mercadante é confirmado como presidente do BNDES


Lula anuncia Mercadante presidente do BNDES “para pensar em desenvolvimento” - Vermelho

No BNDES, Mercadante poderá apoiar a reindustrialização

Deu no g1 e TV Globo

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou nesta terça-feira (13) que o ex-ministro da Educação e da Casa Civil Aloizio Mercadante será o próximo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O petista fez o anúncio durante evento que marcou o fim dos trabalhos da equipe de transição governamental, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília.

“Eu, Aloizio Mercadante, vi algumas críticas sobre você, sobre boatos que você vai ser presidente do BNDES. Eu quero dizer para vocês que não é mais boato, Aloizio Mercadante será presidente do BNDES”, afirmou Lula.

CARGO IMPORTANTE – Criado em 1952, o BNDES é uma empresa pública federal vinculada ao Ministério da Economia. A instituição é um instrumento do governo para financiamentos de longo prazo e investimentos em diversos setores produtivos.

Na campanha de Lula ao Palácio do Planalto, Mercadante foi responsável por elaborar o plano de governo petista. Já na transição, o ex-ministro coordenou os mais de 30 grupos técnicos de trabalho.

Após anunciar Mercadante no BNDES, Lula disse que o país está aberto aos investidores, mas não vai vender as empresas estatais. “E nós queremos dizer ao mundo inteiro: quem quiser vir para cá, venha, tem trabalho, tem as coisas para você vir fazer, tem projeto Lula para os investimentos, mas não venha aqui para comprar nossas empresas públicas porque elas não estão à venda e o nosso país vai voltar a ser respeitado com soberania”, declarou o presidente eleito.

REAÇÃO DO MERCADO – Nesta segunda-feira, antes mesmo do anúncio de Lula, o mercado reagiu mal a rumores de que Mercadante seria indicado para presidir o BNDES a partir do próximo ano.

Isso porque especialistas entendem que, para que o ex-ministro possa assumir a função, seria necessária uma mudança na Lei das Estatais. Criada no governo Michel Temer, a legislação estabelece parâmetros rígidos de governança para empresas públicas, blindando de interferências políticas.

Uma alteração dessa lei poderia facilitar indicações de políticos para estatais, uma vez que ela impede a nomeação de quem tenha atuado nos últimos anos em direção de estrutura partidária ou quem tenha participado de campanha eleitoral.

BIOGRAFIA – Mercadante é formado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Universidade de Campinas (Unicamp). Fez parte do grupo de fundadores do PT, em 1980.

Em 1991, assumiu mandato de deputado federal. Em 1994, foi candidato a vice-presidente na chapa de Lula, que acabou derrotada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 1999, voltou à Câmara. Em 2002, foi eleito senador pelo estado de São Paulo. Em 2006, concorreu ao governo de São Paulo, mas foi derrotado por José Serra (PSDB). Em 2010, tentou mais uma vez e perdeu para Geraldo Alckmin (PSDB)

Em 2011, no primeiro mandato de Dilma Rousseff, assumiu o Ministério da Ciência e Tecnologia; em 2012, foi indicado para o Ministério da Educação; em 2014, assumiu a Casa Civil; e em 2015, no segundo mandato de Dilma, voltou para a Educação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Enfim, uma excelente indicação. Mercadante é um grande economista, muito experiente, e acompanhou de perto a vitoriosa gestão de seu amigo Carlos Lessa no BNDES, que movimentou a economia no governo Lula, ao reerguer a construção naval, priorizar micros, pequenas e médias empresas, incentivar as indústrias e apoiar fortemente as exportações, fazendo o PIB chegar a espantosos 7,5 % em 2010. Mas na gestão de Dilma a política de Lessa foi desmontada e a economia estagnou. Se Mercadante seguir o mesmo caminho de Carlos Lessa, a economia pode voltar a ter crescimento sustentável. (C.N.)

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