sábado, novembro 12, 2022

Políticos que apoiaram Lula criticam discurso contra regras fiscais

 




João Amoedo (foto), que declarou voto no ex-presidente no segundo turno, é um dos críticos

Representantes de segmentos políticos que apoiaram a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticaram o discurso do petista anteontem em que ele critica dar prioridade “a tal estabilidade fiscal” em detrimento aos problemas sociais. A fala do presidente eleito derrubou a Bolsa e fez o dólar disparar na quinta-feira, 10.

“O discurso caiu mal não só para o mercado, mas também entre aqueles que acharam que a frente ampla, que foi essencial para a vitória dele no segundo turno, valeria também para o governo. Lula dava sinais positivos na transição, mas fez um discurso desnecessário. Foi um passo mal dado”, disse o presidente do Cidadania, Roberto Freire. O dirigente reiterou, porém, que mantém apoio ao governo Lula.

Fundador do Novo, o empresário João Amoedo, que declarou voto em Lula no segundo turno, seguiu na mesma linha. “Achei ruim e desnecessário ele fazer esse discurso na largada. Lula precisa sair do palanque. Mas ainda é prematuro dizer como será o governo dele. A transição trouxe coisas boas e ruins. Mas o mercado está volátil demais”, disse Amoedo.

Para o tucano José Aníbal, o contraponto exposto for Lula entre teto de gastos e gastos sociais não é válido. “É possível trabalhar nas duas frentes”, disse.

Apoiador de Lula desde do primeiro turno, o ex-chanceler tucano Aloysio Nunes Ferreira discorda. “Estão fazendo uma tempestade em copo d’água. Até os neoliberais de carteirinha sabem que Lula cuidou do superávit quando era presidente”, afirmou.

Em sua fala na sede do governo de transição na quinta, Lula afirmou: “Por que as pessoas são levadas a sofrerem por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal desse País? Por que toda hora as pessoas falam que é preciso cortar gastos, que é preciso fazer superávit, que é preciso fazer teto de gastos? Por que as mesmas pessoas que discutem teto de gastos com seriedade não discutem a questão social neste País?”, questionou, em discurso no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Como mostrou o Estadão, ganhou força na equipe de transição a opção de retirar as despesas do Auxílio Brasil do teto de forma permanente, o que desagradou o mercado. Para o setor financeiro, a saída que vem sendo negociada pela equipe de transição, que também teria de ser feita via PEC, pode deteriorar a trajetória de sustentabilidade da dívida pública.

Estadão / Dinheiro Rural

Sem plano, Lula improvisa




Expandir gastos e só depois, quem sabe, anunciar como as contas públicas serão mantidas sob controle

Por Rogério F. Werneck (foto) 

Lula bem sabia que, sem ampliar em grande medida sua base de apoio no Congresso, lhe seria difícil governar. A grande questão é de que forma tal ampliação de base seria assegurada.

Terminada a eleição, ainda havia um fio de esperança de que, afinal, Lula se moveria inequivocamente para o centro, no eixo que de fato importa, que é o da condução da política econômica. E de que sua busca de apoio mais amplo no Congresso seria norteada pela necessidade de garantir respaldo a tal movimento.

“Fazer a coisa certa” desde o início, de forma a assegurar um bom desempenho da economia, daria ao governo Lula mais resiliência para novo embate com o bolsonarismo em 2026.

Mas estariam Lula e o PT preparados para abandonar seu velho ideário e adotar para valer um programa econômico de centro? Ou, aferrados a esse ideário, estariam propensos a tentar negociar “em outros termos” a ampliação do apoio ao governo no Congresso?

Não há, entre parlamentares de centro-direita, especial apego à ideia de “fazer a coisa certa” na condução da política econômica. Se Lula preferisse, estariam prontos a negociar a ampliação do apoio “em outros termos”. A grande diferença é que, sem assegurar um bom desempenho da economia, Lula poderia marchar para paulatina fragilização de seu governo. E acabar enredado pelo Congresso.

Mal passados três dias do segundo turno, contudo, o novo governo deixou claro que o que deverá pautar a ampliação de sua base parlamentar não será em absoluto a necessidade de “fazer a coisa certa”. A preocupação é tão somente conseguir extrair do Congresso licença para expandir os gastos do governo em 2023, muito acima do que hoje permitem as restrições fiscais em vigor.

O que se alega é que o presidente eleito tem promessas de campanha a honrar. E que sua credibilidade ficará comprometida caso não sejam honradas. A governabilidade estaria em jogo, chegou a ser alegado.

Chama a atenção a sem-cerimônia com que o governo eleito se permitiu deflagrar negociações com o Congresso para viabilizar tamanha expansão de gastos, sem nem mesmo ter definido quem serão os novos responsáveis pela condução da política macroeconômica.

E sem sequer ter esboçado como pretende assegurar que a gestão das contas públicas nos próximos anos estará pautada pela sustentabilidade fiscal.

Expandir gastos, primeiro, e só depois, quem sabe, anunciar como as contas públicas serão mantidas sob controle é um erro crasso. Ao se apressar a pagar promessas de campanha para não perder credibilidade junto a seus eleitores, o novo governo parece não se ter dado conta de que já pode ter incorrido em grave perda de credibilidade da política econômica que adotará.

Como se temia, Lula se ressente, agora, de ter ganho a eleição sem ter um plano de jogo para a economia. E o que hoje se vê é uma transição atabalhoada, marcada por constrangedora improvisação.

O Globo

Parlamentares criticam falta de clareza de notas das Forças Armadas e da Defesa




Recentes notas oficiais divulgadas pelo Ministério da Defesa e pelas Forças Armadas sobre o resultado das eleições repercutiram no mundo político. À medida que manifestantes favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro (PL) vão às ruas em atos antidemocráticos para pedir intervenção militar, parlamentares fazem apelos para que as instituições adotem discurso mais claro, sob o argumento de que mensagens dúbias podem contribuir para inflar a população.

Em relatório enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Defesa não citou a palavra “fraude” e chegou à mesma contagem de votos feita pela Corte, ou seja, atestou, na prática, o resultado das urnas. Mas, em seguida, a pasta divulgou nota afirmando não ter comprovado, mas nem descartado a hipótese de inconfiabilidade do sistema de votação.

Em vídeo publicado nesta sexta-feira, 11, o deputado federal Marco Feliciano (PL) pediu que a Defesa “não fique em cima do muro” e “não brinque com os sentimentos” dos manifestantes pró-Bolsonaro, que nutrem esperanças sobre uma eventual confirmação de fraude.

“Por misericórdia, sejam mais explícitos em suas notas. (Peço) que o ministro da Defesa venha a público e diga com todas as letras o que encontraram nessas benditas urnas eletrônicas. Por favor, não prolonguem mais essa agonia, não brinquem com os sentimentos do povo brasileiro, que é ordeiro e patriota e está nas ruas protestando”, afirmou o deputado.

Feliciano disse, ainda, que a investigação sugerida pela pasta ao TSE deve ter um prazo para começar, e que deve ser estabelecido se isso ocorrerá antes ou depois da posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contudo, o presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, afirmou nesta semana que esse assunto “já está encerrado faz tempo”, ao ser questionado sobre a investigação.

A deputada estadual Janaina Paschoal (PRTB-SP), que se afastou do presidente Bolsonaro durante a campanha eleitoral deste ano, afirmou ao Estadão que considera “irresponsável” o que ela chamou de “mensagens cifradas” da Defesa.

“Penso ser uma irresponsabilidade o Ministério da Defesa adotar uma postura ambígua. Se houve alguma irregularidade nesta eleição de 2022, que tenham coragem de apontar com clareza. Se não houve, que cessem as mensagens cifradas, que findam estimulando falsas esperanças na população infeliz com o resultado”, disse.

O senador Omar Aziz (PSD-AM) criticou o fato de a nota das Forças Armadas divulgada nesta sexta-feira, 11, ter, segundo ele, minimizado o caráter inconstitucional das manifestações que pedem intervenção militar. “Isso (os atos) é balbúrdia, essas pessoas têm de ser punidas por pedir intervenção, isso é inconstitucional, é crime, e aqueles que aceitam isso também estão cometendo esse crime, estão sendo coniventes”, afirmou, em entrevista ao portal UOL.

Já o deputado federal General Girão (PL-RN) elogiou a nota das Forças Armadas e afirmou que cabe à instituição “restabelecer a ordem e a harmonia entre os poderes”. “Mesmo diante do momento de exceção que vivemos no Brasil, onde alguns ministros estão atropelando a Constituição e nossas garantias, a censura e o cerceamento da livre manifestação não deverão ser tolerados”, escreveu.

Estadão / Dinheiro Rural

Maldito mistério da Física: Teste mais preciso já feito do eletromagnetismo

 





A equipe usou dados de 17 estrelas gêmeas da nossa para testar a constante α.

Por Michael Murphy - The Conversation 

Constante de estrutura fina

Há um problema estranho e irritante com nossa compreensão das leis da natureza que os físicos tentam explicar há décadas. É sobre o eletromagnetismo, a lei de como os átomos e a luz interagem, o que explica tudo, desde por que você não cai através do chão até por que o céu é azul.

Nossa teoria do eletromagnetismo é sem dúvida a melhor teoria física que os humanos já fizeram - mas ela não tem resposta para o porquê de o eletromagnetismo ser tão forte quanto é. Apenas experimentos podem lhe dizer a intensidade do eletromagnetismo, que é medida por um número chamado α (alfa, ou constante de estrutura fina).

O físico norte-americano Richard Feynman, que ajudou a desenvolver a teoria, chamou isso de "um dos maiores malditos mistérios da física" e exortou os físicos a "colocar esse número em seus quadros negros e se preocupar com isso".

Em uma pesquisa recém-publicada na revista Science, decidimos testar se α é o mesmo em diferentes lugares da nossa galáxia estudando estrelas que são gêmeas quase idênticas do nosso Sol. Se α é diferente em diferentes lugares, isso pode nos ajudar a encontrar a teoria final, não apenas do eletromagnetismo, mas de todas as leis da natureza juntas - a "teoria de tudo".

Queremos quebrar nossa teoria favorita

Os físicos realmente querem uma coisa: Uma situação em que nossa compreensão atual da física se desfaça. Uma nova física. Um sinal que não possa ser explicado pelas teorias atuais. Um poste de sinalização para a teoria de tudo.

Para encontrá-lo, eles podem esperar no subsolo de uma mina de ouro para que partículas de matéria escura colidam com um cristal especial. Ou eles podem vigiar cuidadosamente os melhores relógios atômicos do mundo por anos para ver se eles mostram o tempo ligeiramente diferente. Ou esmagar prótons (quase) à velocidade da luz no anel de 27 km do Grande Colisor de Hádrons.

O problema é que é difícil saber onde procurar. Nossas teorias atuais não conseguem nos guiar.

Claro, procuramos em laboratórios na Terra, onde é mais fácil pesquisar minuciosamente e com mais precisão. Mas isso é um pouco como o bêbado procurando suas chaves perdidas apenas debaixo de um poste de luz quando, na verdade, ele poderia tê-las perdido do outro lado da estrada, em algum canto escuro.

'Gases mais quentes e mais frios borbulhando através das atmosferas turbulentas das estrelas torna difícil comparar as linhas de absorção nas estrelas com as observadas em experimentos de laboratório'.

As estrelas são infernais, mas às vezes terrivelmente semelhantes

Nós decidimos olhar além da Terra, além do nosso Sistema Solar, para ver se estrelas que são gêmeas quase idênticas do nosso Sol produzem o mesmo arco-íris de cores. Átomos nas atmosferas das estrelas absorvem parte da luz que tenta escapar das fornalhas nucleares em seus núcleos.

Apenas certas cores são absorvidas, deixando linhas escuras no arco-íris. Essas cores absorvidas são determinadas por α - portanto, medir as linhas escuras com muito cuidado também nos permite medir α.

O problema é que as atmosferas das estrelas estão se movendo - fervendo, girando, dando voltas, arrotando - e isso altera as linhas. As alterações arruínam qualquer comparação com as mesmas linhas em laboratórios na Terra e, portanto, qualquer chance de medir α. As estrelas, ao que parece, são lugares terríveis para testar o eletromagnetismo.

Mas nos perguntamos: Se você encontrar estrelas muito semelhantes - gêmeas umas das outras - talvez suas cores escuras e absorvidas também sejam semelhantes. Então, em vez de comparar estrelas com laboratórios na Terra, nós comparamos gêmeas do nosso Sol umas com as outras.

'O telescópio de 3,6 metros do ESO no Chile passa grande parte do seu tempo observando estrelas semelhantes ao Sol para procurar planetas, usando seu espectrógrafo extremamente preciso, o HARPS'.

Um novo teste com gêmeos solares

Nossa equipe de estudantes, pós-doutorandos e pesquisadores seniores, das universidades Swinburne de Tecnologia e Nova Gales do Sul [Austrália], mediram o espaçamento entre pares de linhas de absorção no nosso Sol e em 16 gêmeas solares - estrelas quase indistinguíveis do nosso Sol.

Os arco-íris dessas estrelas foram observados no telescópio de 3,6 metros do Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile. Embora não seja o maior telescópio do mundo, a luz que ele coleta entra naquele que provavelmente é o espectrógrafo mais bem controlado e mais bem compreendido: o HARPS. Ele separa a luz em suas cores, revelando o padrão detalhado de linhas escuras.

O HARPS passa a maior parte do seu tempo observando estrelas parecidas com o Sol para procurar planetas. Muito convenientemente, isso nos deu um baú do tesouro com exatamente os dados de que precisávamos.

A partir desses espectros requintados, nós mostramos que α era o mesmo nas 17 gêmeas solares com uma precisão surpreendente: Exatamente 50 partes por bilhão. Isso é como comparar sua altura com a circunferência da Terra. É o teste astronômico mais preciso de α já realizado.

Infelizmente, nossas novas medições não quebraram nossa teoria favorita. Mas as estrelas que estudamos estão todas relativamente próximas, a apenas 160 anos-luz de distância.

'Os dados não foram suficientes para desfazer a "maldição de Feynman".

O que vem a seguir?

Recentemente, identificamos novos gêmeos solares muito mais distantes, a meio caminho do centro da nossa Via Láctea.

Nessa região, deve haver uma concentração muito maior de matéria escura - uma substância elusiva que os astrônomos acreditam espreitar por toda a galáxia e além. Tal como α, nós sabemos muito pouco sobre a matéria escura, e alguns físicos teóricos sugerem que as partes internas da nossa galáxia podem ser exatamente o canto escuro onde devemos procurar por conexões entre esses dois "malditos mistérios da física".

Se pudermos observar esses sóis muito mais distantes com os maiores telescópios ópticos, talvez encontremos as chaves para o Universo.

Inovação Tecnológica

Inflação, um alerta ao novo governo - Editorial




Acabou a deflação provocada como lance político de Bolsonaro, e a equipe do novo governo deveria ver na desordem de preços um estímulo a mais para cuidar bem das contas públicas

A trégua acabou e a inflação real voltou a aparecer em outubro, depois de três meses de recuo dos indicadores. Puxado principalmente pelos preços de alimentos e bebidas, o custo de vida subiu 0,59% no mês passado, acumulando alta de 4,70% no ano e de 6,47% em 12 meses. Disfarçada por algum tempo, a evolução dos preços no varejo continua apertando a maior parte dos brasileiros – famílias já empobrecidas, endividadas e assombradas pelo risco da inadimplência, do nome sujo e da perda de crédito. A redução de impostos sobre combustíveis, uma jogada essencialmente política, escondeu por algum tempo a gravidade do quadro inflacionário. Mas os números de novo retratam os fatos claramente, como comprova o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A alta de 0,59% mostrada pelo índice oficial é muito mais que um mero repique setorial, depois de um recuo passageiro. Aumentos de preços foram observados em oito dos nove grandes grupos de bens e serviços cobertos pela pesquisa. Quase todos os componentes do orçamento familiar foram afetados. Com elevação de 0,72% em outubro, o item alimentação e bebidas teve um impacto de 0,16 ponto porcentual, o mais significativo, na formação do IPCA. O grupo vestuário encareceu 1,22%, mas seu efeito no índice final foi de apenas 0,06 ponto. A diferença é facilmente explicável: a comida tem um peso muito maior no dia a dia das famílias e, portanto, na composição do indicador geral.

Não há como avaliar de forma realista a situação das famílias, diante da inflação, sem levar em conta os aumentos acumulados no período recente. O custo da alimentação, por exemplo, subiu 10,32% em dez meses, enquanto o indicador geral, o IPCA, só aumentou 4,70%.

Vale a pena lembrar: o encarecimento da comida é mais sensível, para a maioria das famílias, que a redução de preços (queda de 6,12%) do conjunto TV, som e informática. Esses itens afetam a qualidade de vida, o trabalho e a educação, mas o acesso a alimentos é um desafio imediato. No mesmo período, os preços dos combustíveis de veículos caíram 25,63%, mas as tarifas do transporte público aumentaram 10,36%. Gasolina mais barata pode ter sido um belo presente para quem tem carro ou trabalha com automóvel, mas esse benefício ficou longe da maior parte das pessoas.

A onda inflacionária bastaria para prejudicar milhões, mas outros problemas graves têm pressionado os brasileiros. No mês passado, 79,2% das famílias estavam endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Um ano antes esse grupo equivalia a 74,6%. O endividamento pode sinalizar expansão do consumo e da economia, mas hoje é preocupante. Em 12 meses, a parcela de famílias com dívidas em atraso passou de 25,6% para 30,3%, numa situação agravada por juros altos.

O aumento de juros tem sido usado pelo Banco Central (BC) como ferramenta anti-inflacionária. Frear o consumo, a formação de estoques e até o investimento em bens de produção é uma forma consagrada – e dolorosa – de conter os preços.

Mas o efeito é defasado. Pelas projeções do mercado, a alta de preços ao consumidor deve ficar na faixa de 5,60% a 5,80% neste ano e recuar em 2023 para 4,94%. Os juros básicos devem manter-se em 13,75% ainda por algum tempo e encerrar o próximo ano em 11,25%. Essas estimativas deveriam preocupar a equipe do presidente eleito e incentivá-la a ser muito cautelosa no gasto público.

Será difícil baixar os juros mais velozmente no Brasil enquanto as taxas permanecerem elevadas nos Estados Unidos, porque o custo do dinheiro afeta os fluxos de dólares. A inflação americana em 12 meses caiu de 8,2% em setembro para 7,7% em outubro, mas falta saber como a autoridade monetária reagirá a essa novidade, em Washington. De toda forma, o BC brasileiro deverá concentrar-se, prioritariamente, nas perspectivas internas, levando em conta, de modo especial, o comprometimento do novo governo com a gestão prudente de suas contas. Não há notícia clara, por enquanto, desse comprometimento. 

O Estado de São Paulo

Declaração de Lula sobre reforma trabalhista assusta empresários e preocupa o mercado




Representantes de diversos setores da economia apontam as vantagens e desvantagens da emenda

Por Mateus Omena 

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) causou certo rebuliço no mundo empresarial após fazer duras críticas à reforma trabalhista.

O petista apontou que a atual legislação teria que ser rediscutida a partir de 2023, pois defende a modernização das leis trabalhistas, mas rejeita a ideia do trabalhador ter que abrir mão de direitos.

Apesar de Lula não ter criticado diretamente um ponto específico da reforma trabalhista, a apresentação de uma possível mudança nesse setor incomodou diversos empresários.

Diante do episódio, o presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Fernando Valente Pimentel, por exemplo, reforçou que a indústria defende a reforma de 2017.

Para ele, o texto trouxe segurança jurídica e modernizou as leis trabalhistas, garantindo direitos constitucionais como o salário mínimo, o FGTS e as férias. "A reforma não pode ser boa para um lado e ruim para o outro. Ela preservou os direitos fundamentais e trouxe mais segurança jurídica, ao mesmo tempo que se ajustou no âmbito das novas formas de trabalho, que vão continuar mudando", declarou.

De acordo com Pimentel, a reforma trabalhista ajudou a colocar o Brasil no mesmo ritmo das mudanças mundiais, provocadas por novas tecnologias que geram novas necessidades e novos postos de trabalho que, antes, não existiam. Contudo, ele destacou a importância de maior avanço na proteção dos trabalhadores de aplicativos.

"É óbvio que temos que avançar na proteção daqueles que não tem a proteção e trabalham individualmente. Isso é um grande desafio para o Brasil e o mundo, e deve ser encarado por nós. O maior exemplo disso é o iFood, o Uber. Temos que criar maneiras de dar a proteção social, trazendo a contribuição desses funcionários, diminuindo a vulnerabilidade de quem quer que seja no nosso país".

Ambiente de tensão

Fernando Homem de Mello, CEO da Vipex Transportes, empresa paulista do ramo de logística, não reagiu bem à fala de Lula e afirmou que a revogação da reforma trabalhista seria um grande erro para o novo governo.

"Manter a reforma é fundamental para a saúde do ambiente de negócios do país. Uma eventual revogação por parte do novo presidente eleito seria um retrocesso", explicou.

Para Mello, a reforma trouxe mudanças importantes para pequenas e médias empresas, como a normatização da contratação de profissionais autônomos. "É uma prática extremamente usual em empresas de logística e que trouxe a possibilidade do trabalho em regime de exclusividade e continuidade sem configurar uma relação de emprego".

Já o jurista Washington Barbosa, mestre em direito, apontou que a mensagem de Lula deixa o mercado ainda mais apreensivo, pois existem expectativas sobre o posicionamento do governo, por isso a fala teve ampla repercussão.

Por outro lado, o especialista enfatiza que a reforma trabalhista teve pontos positivos e negativos. Mesmo assim, ela valorizou a negociação coletiva, uma antiga reivindicação dos movimentos sindicais. "Esse aspecto, especificamente, deveria ser elogiado. E o que se deve fazer no futuro, e agora, é fortalecer esses movimentos, no sentido que possam oferecer negociações mais vantajosas".

Além disso, Barbosa reforçou que a declaração de Lula também assusta empregadores, pois dá a impressão de insegurança jurídica. "O efeito direto é reduzir os planejamentos, os planos de investimento para 2023 e, até, se há contratações esperadas, deixar de fazê-las ou desfazer contratos com base na reforma, com medo de que isso seja alterado proximamente", finalizou.

Diário de São Paulo

Marcha do Dia da Independência da extrema direita atrai milhares de pessoas na Polônia




Marcha do Dia da Independência da extrema direita atrai milhares de pessoas na Polônia 11/11/2022 

Por Agnieszka Pikulicka-Wilczewska e Marek Strzelecki

VARSÓVIA - Milhares de pessoas se reuniram em Varsóvia nesta sexta-feira para uma marcha anual organizada pela extrema direita da Polônia para marcar o Dia da Independência, com algumas delas exibindo slogans de supremacia branca e contra homossexuais e soltando sinalizadores vermelhos.

O público, que incluiu famílias com crianças e também representantes de grupos da extrema direita, balançaram bandeiras vermelha e branca da Polônia e cantaram “Deus, Honra, Pátria” ao andarem pelo centro de Varsóvia, em meio a uma forte presença policial.

“A Polônia será independente apenas se os direitos de todos à vida forem iguais e o aborto for completamente proibido”, disse uma participante Malgorzata Kurzeja, 42, ativista anti-aborto.

O evento anual se tornou um ponto de fricção, com grupos de extrema direita e apoiadores do governo nacionalista do primeiro-ministro Mateusz Morawiecki, do partido Lei e Justiça (PiS), de um lado e progressistas poloneses do outro.

Desde que chegou ao poder em 2015, o governo tem buscado estimular valores familiares mais conservadores e tradicionais na vida pública, incluindo a introdução de uma proibição quase total ao aborto. Críticos internos e externos acusaram o governo de fomentar homofobia durante campanhas eleitorais.

Reuters / SWI

Transição não será um passeio pelo Eixo Monumental




Por Luiz Carlos Azedo (foto)

O risco que Lula corre é o novo ministério ficar com cara de governo velho, no qual antigos caciques políticos e a cúpula petista pontificariam, sem sinalizar uma forte renovação

Engana-se quem pensa que este período de transição para o novo governo será fácil para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. No plano político, a sinalização está sendo boa: Lula estabeleceu as relações cordiais com os demais Poderes e opera a montagem de um governo de ampla coalizão democrática. Também mostrou que não pretende deixar no sereno os eleitores de mais baixa renda que o elegeram, ao anunciar que os recursos do Bolsa Família vão extrapolar o teto de gastos.

Entretanto, o dólar disparou depois da divulgação da inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Ontem, o câmbio já passou dos R$ 5,30. O preço do fechamento do dia foi de R$ 5,396, alta de 4,14% no dia. Por volta das 15h30, o dólar estava a R$ 5,341, alta de 3,09%. Logo na abertura do mercado, a moeda americana chegou a subir quase 3%. Na quarta-feira, o dólar já havia fechado o dia em alta, de 0,74%, fechando a R$ 5,18. Desde o início do mês, a alta é de 2,96%. É óbvio que existe muita especulação no mercado, com divulgação de fake news que mexem com a Bovespa, em razão da insegurança dos investidores.

Lula já disse que não tem pressa para indicar o novo ministro da Fazenda, mas é aí que está o xis da questão no mercado financeiro. A rigor, ninguém sabe quais serão as medidas de impacto dos 100 primeiros dias de governo, exceto aquelas que estão sendo negociadas no Congresso, que sinalizam uma certa continuidade da farra fiscal que marcou a gestão do ministro Paulo Guedes durante a campanha eleitoral. Esse problema somente se resolverá quando for anunciado o nome do novo ministro da Economia ou da Fazenda, se houver desmembramento.

Havia uma expectativa positiva de que o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin viesse a ocupar esse cargo, mas isso nunca foi cogitado de verdade por Lula. O próprio Alckmin já havia dito isso, o que fora interpretado como dissimulação, porém, ontem, Lula jogou uma pá de cal nessa possibilidade, ao afirmar que o ex-governador paulista não ocupará nenhum ministério. Esse também não foi o problema maior para o mercado financeiro, o que gerou instabilidade foi a própria fala de Lula e o fato de o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega ter sido confirmado como um dos integrantes do governo de transição.

Coalizão

Até agora, a principal ancoragem da transição de governo no mercado financeiro era a presença dos economistas Pérsio Arida, André Lara Resende e Guilherme Mello na equipe econômica da transição. A confirmação de Guido Mantega, ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma Rousseff, sinaliza noutra direção. Mantega tem uma velha relação com Lula, que começou quando dava aulas de economia para o então líder metalúrgico no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.

Arida, Resende e Mello têm evitado declarações à imprensa; imagina-se que a mesma coisa acontecerá com Guido Mantega. Enquanto não se define o nome do futuro ministro, porém, as especulações no mercado financeiro vão continuar, até porque existe um ambiente internacional que também favorece isso. A guerra da Ucrânia se prolonga, o inverno se aproxima na Europa e há sinais de que poderemos ter um ambiente de recessão na economia mundial. Esse cenário acaba alimentando as teses de políticas anticíclicas, como as adotadas por Lula após crise de 2008, que se prolongaram no governo Dilma, levando-a ao impeachment.

A transição vai bem no plano político. Lula está prestigiando todos os políticos que o apoiaram desde o primeiro turno e ampliou a equipe de transição para incorporar os partidos e lideranças que o fizeram no segundo turno, principalmente Simone Tebet. O risco que corre, porém, é o novo ministério ficar com cara de governo velho, no qual antigos caciques políticos e a atual cúpula petista pontificariam. Com a PEC da Transição, do ponto de vista de sua base eleitoral, e o bom relacionamento com os líderes do Centrão, principalmente o presidente da Câmara, Arthur Lira, Lula garante a estabilidade do governo na sua largada para o novo mandato. Mas isso não basta para satisfazer os setores da classe média e da elite econômica do país que fazem restrições ao presidente eleito.

De qualquer forma, o novo governo será o que Lula conseguir articular em termos de forças democráticas. O primeiro turno das eleições mostrou que o projeto original era viabilizar nas urnas, de forma inequívoca, um governo de esquerda, ainda que sua coalizão eleitoral se autointitulasse “frente ampla”. A correlação de forças políticas e eleitorais, porém, obrigou Lula a ampliar suas alianças em direção ao centro político; a vitória por estreita margem, a realizar uma articulação ampla das forças democráticas para dar sustentação ao seu governo. Essa articulação não passa apenas pelos acordos no Congresso, passa também, e sobretudo, pela formação do governo e sua composição.

Correio Braziliense

Dólar alto? O que esperar do real em 2023 após desvalorização recente




Depois de perder quase 40% do valor entre 2020 e 2021, a moeda brasileira se recuperou neste ano, mas ainda está muito longe do equilíbrio

Por Camilla Veras Mota, em São Paulo

Depois de cair para algo próximo de R$ 5 após a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o dólar registrou alta significativa na quinta-feira (10/11), de 4,1%, fechando o dia cotado a R$ 5,39.

Parte da alta foi "devolvida" nesta sexta-feira, quando por volta de 14h, o dólar comercial era negociado a R$ 5,29.

Apesar do salto, a moeda americana acumula queda em 2022, de cerca de 7,7%. Ainda assim, segue distante da chamada taxa de câmbio de equilíbrio - aquela que, de forma bastante simplificada, seria a ideal para o país, levando em conta suas variáveis macroeconômicas.

"Nossas contas externas estão positivas, o país tem reservas [em dólar], os termos de troca [a relação entre os preços de exportação e importação] estão favoráveis, não há nenhum grande desequilíbrio macroeconômico… olhando apenas para os fundamentos, o dólar deveria estar bem mais baixo", avalia o coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada (CEMAP) da EESP-FGV Emerson Marçal.

Junto do pesquisador Oscar Simões, o economista calculou o nível atual de desalinhamento cambial brasileiro.

Levando em consideração os dados do segundo trimestre, os mais recentes disponíveis, o real estaria em média 20% mais fraco do que indicam seus fundamentos.

A análise consta no novo relatório do CEMAP, que deve ser divulgado nos próximos dias.

Por que o dólar ainda está tão caro

Em 2020 e 2021, o dólar acumulou alta expressiva de 38,9% em relação ao real. O desalinhamento negativo do câmbio nesse período é um dos maiores e mais persistentes da história recente do país, como mostra o gráfico elaborado pelos pesquisadores do CEMAP:

Parte do movimento se deveu ao fato de que, nesses dois anos, o país assistiu a uma saída expressiva de investidores estrangeiros, e por razões diversas.

O cenário de pandemia contribuiu para um aumento da aversão ao risco, levando investidores a tirar dinheiro de mercados considerados menos seguros, como os países emergentes.

As turbulências do cenário doméstico também contribuíram, sejam as dúvidas em relação ao compromisso do governo com a estabilidade das contas públicas, os atritos do Executivo com o Judiciário ou o discurso de ameaça a ruptura institucional muitas vezes repetido pelo presidente Jair Bolsonaro.

"O governo atual tem uma imagem internacional muito ruim", comenta Marçal.

Em 2022, por sua vez, o cenário internacional mudou, com fortalecimento do dólar. Uma onda global de inflação, em parte alimentada pelo aumento de preços de combustíveis, e a possibilidade de uma recessão na Europa levaram investidores a procurar ainda mais os ativos americanos, considerados seguros, contribuindo para apreciar a moeda dos Estados Unidos.

Isso provocou uma enxurrada de desvalorizações cambiais pelo mundo - libra, euro, iene, todos perderam valor ante o dólar.

O real tem sido uma das poucas moedas que têm conseguido ganhar valor em relação à moeda americana - a principal razão apontada pelos economistas foi a escalada forte da taxa de juros no Brasil, que saltou de 2% em março de 2021 para 13,75% no último mês de agosto, um dos aumentos mais significativos observados no mundo.

Esse efeito do aumento da Selic sobre o câmbio se dá porque, à medida que os títulos públicos e de renda fixa passam a pagar mais juros, eles atraem mais investidores, contribuindo para a entrada de dólares no país.

'Nome do futuro ministro da Fazenda do governo Lula ainda não foi anunciado'

O que esperar para 2023 com a troca de governo?

O professor Emerson Marçal enxerga dois possíveis movimentos que podem ter impacto sobre o câmbio no primeiro ano do novo mandato de Lula - um que poderia baratear o dólar e outro que pode pressioná-lo para cima.

De um lado, um eventual retorno dos investidores estrangeiros ao país aumentaria a entrada de dólares, contribuindo para reduzir a cotação da moeda americana.

Um dos fatores que poderiam tornar o Brasil mais atraente seria o compromisso do governo com uma política ambiental responsável, com metas concretas de redução do desmatamento e de emissões de gases de efeito estufa.

A visão negativa que a gestão Bolsonaro tem internacionalmente na área ambiental contribuiu para afastar o capital estrangeiro do Brasil nos últimos anos.

Cada vez mais fundos de investimentos norteiam suas aplicações com base nos princípios ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), que levam em consideração medidas de sustentabilidade.

"O que continua é a incerteza em relação à questão fiscal", diz o economista, referindo-se às dúvidas que ainda existem em relação à política econômica do novo governo Lula.

A alta do dólar nesta semana aconteceu justamente após o presidente eleito dar sinalizações de que vai continuar ampliando gastos, sem apontar de forma clara um compromisso com o controle das contas públicas.

Na quinta, em sua primeira visita à sede da transição de governo, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Brasília, Lula afirmou: "Por que as pessoas são obrigadas a sofrer para garantir a tal da responsabilidade fiscal deste país? Por que toda hora falam que é preciso cortar gastos, é preciso fazer superávit, é preciso cumprir teto de gastos?"

"Vamos mudar alguns conceitos, muitas coisas consideradas como gasto temos que passar a considerar investimento", concluiu.

O anúncio do nome do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para a equipe de transição também desagradou o mercado. Mantega esteve à frente da pasta entre 2006 e 2015 e é muitas vezes associado com a deterioração das contas públicas na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

Em 2015, a nota de crédito do Brasil perdeu grau de investimento em duas agências de rating, a Standard&Poor's (S&P) e a Fitch; e em 2016, na Moody's. Até hoje o país tem nota considerada como grau especulativo nas três agências.

Na sexta-feira, contudo, o dólar já devolveu parte da alta do dia anterior. A notícia de que a PEC da Transição, que fará mudanças no Orçamento de 2023 para acomodar os gastos da nova gestão, foi adiada para quarta-feira da próxima semana alimentou a expectativa de que o texto pode ganhar alterações que sinalizem um controle maior das despesas do que sinalizado anteriormente.

Em um relatório, o economista da Oxford Economics Marcos Casarin avalia que parte do movimento nos preços de ativos nos últimos dias foi "excessivamente violento", mas pontua que o episódio manda uma mensagem dura ao presidente eleito sobre a complacência do mercado com a trajetória do gasto público no novo governo.

"Os mercados abriram nesta sexta recuperando parte das perdas, mas esperamos que a volatilidade permaneça elevada até que a transição presidencial seja concluída em janeiro", acrescenta o texto. Até lá, a expectativa da consultoria é que o dólar oscile entre R$ 5,20 e R$ 5,30.

O mais recente Boletim Focus, publicação do Banco Central que reúne estimativas das principais consultorias e instituições financeiras do país, projetam o câmbio de 2023 em patamar semelhante ao esperado para este ano, R$ 5,20.

Ainda que o cenário que se concretize contribua para a valorização do real, Marçal calcula que a taxa de equilíbrio do câmbio esteja hoje em torno de R$ 4,90/R$ 4,95. Ou seja, não seria fácil deixar o dólar muito mais barato do que isso.

Uma das razões para o patamar alto, ele explica, é o nível elevado da inflação brasileira nos últimos anos.

Inflação alta corrói poder de compra da moeda e faz com que ela perca valor diante das moedas de outros países, especialmente aqueles em que os índices de preços têm melhor trajetória. 

BBC Brasil

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