quinta-feira, novembro 10, 2022

Lula diz que Bolsonaro não tinha o direito de envolver as Forças Armadas na fiscalização das eleições

Publicado em 10 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, visita pela primeira vez o  centro de transição no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e se reúne  com parlamentares das bancadas aliadas. |

Lula fez discurso e perdeu uma oportunidade de ficar calado

Weslley Galzo
Estadão

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, deu por encerrada a fiscalização do Ministério da Defesa no sistema eletrônico de votação. Ele indicou que o relatório apresentado quarta-feira pelos militares não terá desdobramento e o resultado da eleição será respeitado.
Questionado por jornalistas sobre as providências que adotaria a partir do pedido das Forças Armadas de instauração de investigação urgente sobre as urnas, Moraes afirmou: “Esse assunto já se encerrou faz tempo”.

NOTA DE AGRADECIMENTO – Logo após a divulgação do relatório das Forças Armadas na noite de ontem, Moraes emitiu uma nota em que agradeceu o envio do documento destacando que o trabalho dos militares não aponta qualquer fraude ocorrida na eleição.

Mas nesta quinta-feira, dia 10, o Ministério da Defesa divulgou uma segunda nota dizendo que a fiscalização realizada “não excluiu a possibilidade da existência de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022″.

“Por isso, o Ministério da Defesa solicitou ao TSE, com urgência, a realização de uma investigação técnica sobre o ocorrido na compilação do código-fonte e de uma análise minuciosa dos códigos que efetivamente foram executados nas urnas eletrônicas, criando-se, para esses fins, uma comissão específica de técnicos renomados da sociedade e de técnicos representantes das entidades fiscalizadoras”, diz a nota da Defesa.

VERSÃO DO TSE – Para o TSE, no entanto, como não foi encontrada nenhuma irregularidade e o mesmo relatório confirma que os votos registrados nos boletins impressos pelas urnas coincidiram com os votos totalizados, não há que se falar em questionamento do resultado.

A nota da Defesa foi divulgada após uma onda de reações negativas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais. Usuários do Twitter disseram ter se sentido traídos pelas Forças Armadas por causa do resultado da fiscalização e da contagem paralela de votos.

Os militares fizeram diversas investidas na Justiça Eleitoral para que pudessem realizar a contagem paralela e instituir um teste de segurança das urnas com uso das digitais dos eleitores, como forma de evitar possíveis fraudes ou a instalação de um “código malicioso” nos dispositivos que teria a capacidade de alterar o resultado das eleições.

“CÓDIGO MALICIOSO” – O Estadão apurou que o uso da expressão “código malicioso” pelo ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, foi interpretado no TSE como uma forma de Nogueira atender de alguma forma o presidente Jair Bolsonaro, que contava com esse relatório como a última cartada para contestar o resultado da eleição. Ainda não há confirmação se o presidente fará isso.

Segundo apurou o Estadão, o relatório da Defesa também causou mal estar no núcleo político do candidato vencedor das eleições deste, o presidente eleito Lula da Silva (PT).

Em visita à sede do TSE na tarde ontem, Lula considerou ser um “absurdo” a forma como as Forças Armadas foram utilizadas politicamente na cruzada de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas.

LULA PROVOCADOR – Na manhã desta quinta-feira, dia 10, Lula fez discurso em Brasília, no escritório do CCBB onde se faz a transição de governo, e criticou a conduta do presidente e disse que Bolsonaro humilhou as Forças Armadas no caso da fiscalização das urnas.

“Ontem aconteceu uma coisa humilhante e deplorável para as nossas Forças Armadas. Um presidente da República, que é o chefe supremo das Forças Armadas, não tem o direito de envolver as Forças Armadas a fazer uma comissão para investigar urnas eletrônicas, coisas que são da sociedade civil, dos partidos políticos e do Congresso Nacional”, declarou Lula, sem saber que a equipe fiscalizatória das Forças Armadas foi formada para atender a um convite do então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Lula vinha muito bem, ao ficar calado e deixar a vida seguir, como recomendava João Saldanha. Mas nesta quinta-feira, resolveu fazer um discurso em Brasília, e o monte de besteiras que falou não está no gibi. Além de tentar intrigar Bolsonaro e as Forças Armadas, Lula conseguiu derrubar a Bolsa de Valores e provocar a maior alta do dólar desse março de 2020. Ou seja, perdeu uma belíssima oportunidade de ficar em silêncio, cuidado das cachorras(C.N.)

A PEC do Orçamento e a afirmação política de Lula no Congresso

 Publicado em 10 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Pedro do Coutto

A equipe de transição do presidente eleito Lula da Silva preferiu o caminho de um projeto de emenda constitucional para alterar o orçamento do país para assegurar o pagamento do novo Bolsa Família no valor de R$ 600 e mais um adicional de R$ 150 por filho de até seis anos de idade das famílias mais pobres.

Se aprovada a emenda, além da viabilização do programa ameaçado por falta de previsão orçamentária, terá sido uma afirmação política de Lula no Congresso, demonstrando assim seu potencial de articulação entre as diversas legendas, embora seja difícil no caso alguma bancada partidária tentar obstruir o pagamento do auxilio extraordinário a 21 milhões de famílias extremamente carentes.

LEGITIMIDADE –  De qualquer forma, representa um passo no caminho de uma ação articulada no Legislativo, representando que, no fundo da questão, encontra-se também não só a legitimidade do governo que assume em janeiro, mas também uma clara opção democrática fundamental para assegurar o Estado de Direito, principalmente contra aqueles que permanecem inconformados batendo às portas de quartéis reivindicando violação das regras do jogo eleitoral e uma ruptura institucional que significaria um gravíssimo retrocesso para o país, sobretudo na conjuntura internacional.

No Globo, reportagem de Manoel Ventura, Fernanda Trisotto, Jussara Soares e Bruno Góes focaliza o tema que por si só dá margem a análises políticas importantes, entre as quais o equilíbrio entre o novo governo e o Congresso Nacional.

Até agora, apenas o PL, através de seu presidente, Valdemar Costa Neto, declarou formar na oposição e mesmo assim, como destaca reportagem de Jussara Soares e Natália Portinari, também no O Globo desta quarta-feira, apresentando declarações de grupos dissidentes que não acompanham o presidente da legenda nesse posicionamento.

DIÁLOGO – A bancada do PL reúne 99 deputados, mas cerca de 36 se dispõem a dialogar com a administração de Lula da Silva. Valdemar da Costa Neto, por seu turno, lançou a candidatura de Jair Bolsonaro para 2026, o que, no fundo, representa tacitamente o reconhecimento explícito de sua derrota nas urnas. Além de fornecer um argumento voltado para acalmar os setores da direita radical, com a abertura de uma perspectiva de retorno ao poder pelas urnas daqui a quatro anos.

Costa Neto disse que o PL não renunciará às suas bandeiras e aos seus ideais, e fará oposição ao presidente Lula. Ao mesmo tempo, negou que Bolsonaro vai disputar a Prefeitura do Rio em 2024. “Ele será candidato à Presidência em 2026”, afirmou. Quanto à PEC do Orçamento, ele disse que já conversou sobre o tema com o presidente Jair Bolsonaro e submeterá à bancada o posicionamento partidário. “Se a solução for boa para o país, o partido votará a favor”, frisou.

TRANSIÇÃO –  A equipe de transição no setor econômico foi escalada com dois economistas que elaboraram o Plano Real no governo FHC e dois economistas, Nelson Barbosa e Guilherme Mello, afinados com o pensamento e uma presença firme do Estado no processo econômico e social.

O problema, na minha opinião, está no fato do projeto de transição formado por pensamentos diversos chegar a um denominador comum para a elaboração de um projeto básico a partir da análise da situação atual do país deixada pelo presidente Jair Bolsonaro e pela política de concentração de renda colocada em prática com base na proposta efetiva do ministro Paulo Guedes.

A transição vai incluir a face social cuja equipe será comandada – numa ótima escolha – pela senadora Simone Tebet. Realmente, nenhum projeto econômico pode se afastar, como se afastou nos últimos quatro anos, do pensamento voltado para o desenvolvimento social.

CARTEIRA ASSINADA – Para isso, é fundamental a política de emprego com carteira assinada e reajuste de salários pelo menos ao nível da inflação, pois caso contrário o rendimento do trabalhador estará sendo diminuído, como na ação de Paulo Guedes, enquanto os preços sobem livremente.

A equipe de Simone Tebet inclui Márcia Lopes, Tereza Campello, André Quintão, todos comprometidos com a recuperação social do país. No O Globo, o tema é focalizado por Bianca Gomes, Gustavo Schmitt, Manoel Ventura, Bruno Góes, Paula Ferreira e Alice Cravo.

Se tivessem achado fraudes, os militares declarariam a Terceira Guerra Mundial…

Publicado em 10 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Zé Dassilva: urna eletrônica nos holofotes | NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Renata Galf e Cézar Feitoza
Folha

O relatório apresentado pelo Ministério da Defesa ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não traz nenhuma evidência ou indício de que possa ter ocorrido fraude na eleição. No documento, os militares fazem críticas a pontos que avaliam como insuficientes para o que consideram que seria uma fiscalização completa do processo.

Na prática, portanto, eles nem colocam o sistema em xeque tampouco atestam a integridade.

MUNIÇÃO AO GOLPISMO – Ao longo do ano, diferentes episódios envolvendo os militares e a corte eleitoral deram munição ao discurso golpista e mentiroso do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Usadas no país desde 1996 sem nenhum registro de fraude até hoje, urnas eletrônicas e sistemas eleitorais brasileiros têm passado por constantes melhorias, pleito após pleito. Parte delas impulsionadas pela contribuição e críticas da comunidade técnica.

No início do documento, a Defesa destaca que não está no escopo do trabalho “avaliar o grau de segurança” dos sistemas eleitorais ou das urnas eletrônicas. Ao todo são 63 páginas, sendo 24 de análise das etapas de fiscalização e o restante de anexos.

COMPLEXIDADE – O relatório diz ainda que devido à complexidade do sistema, da falta de esclarecimentos técnicos, de acesso a programas e bibliotecas, “não foi possível fiscalizar o sistema completamente, o que demanda a adoção de melhorias no sentido de propiciar a sua inspeção e a análise completas”.

Na prática, ao mesmo tempo em que aponta não ter identificado nenhum indício de fraude, a pasta evita afrontar Bolsonaro, ao indicar que não teria como assegurar a total confiabilidade do processo.

De outubro de 2021 até setembro de 2022, o código-fonte da urna eletrônica ficou disponível em uma sala do TSE para análise das entidades interessadas. Esse código é o programa que dá as instruções e comandos para ela funcionar e registrar os votos. Apenas em agosto deste ano os militares solicitaram acesso ao TSE.

CONDIÇÕES PARA FISCALIZAR – Uma das críticas dos militares se refere às condições dadas para fiscalização. Eles sugerem, por exemplo, que seja autorizado o uso de outras ferramentas para análise dos códigos.

Também apontam dados a que quiseram ter acesso, como o sistema de controle de versões do código-fonte, o que inviabilizou, segundo eles, a comparação da versão do código que foi compilada para ir para as urnas com a versão fiscalizada.

Porém, segundo informações da Secretaria de Comunicação do TSE, o código-fonte mantido no repositório de controle de versões foi integralmente disponibilizado para análise. Além da auditoria de entidades fiscalizadoras, o código-fonte da urna também foi analisado por hackers no Teste Público de Segurança (TPS) e, nesta eleição, foi enviado para a inspeção de universidades parceiras.

COMPILAÇÃO DO CÓDIGO – Para funcionar, algumas linguagens de programação precisam passar por um processo chamado de compilação. Nele, as instruções são traduzidas para uma linguagem que computadores entendem, gerando um programa que é escrito apenas em zeros (0) e uns (1) —o código binário.

No caso do código da urna, esse processo é feito em uma cerimônia pública, em que o código é assinado digitalmente pelo TSE e pelas entidades fiscalizadoras. Depois disso ele é gravado, lacrado e armazenado numa sala-cofre.

O ponto levantado pelos militares no relatório se relaciona com o modo como o código que vai ser compilado é baixado para o computador que faz a compilação.

RISCO À SEGURANÇA – Os militares afirmam que “os computadores utilizados no processo de compilação acessaram infraestrutura de rede” para obtenção dos códigos-fontes ou bibliotecas de softwares, e alegam que tal acesso pode configurar “relevante risco à segurança do processo”.

Segundo informações da Secretaria de Comunicação do TSE, os repositórios usados para o desenvolvimento dos sistemas não estão expostos na internet e, no casos em que foi necessário acesso remoto, ele foi realizado por meio de acesso individualizado, com uso de VPN e múltiplo fator de autenticação.

Já os computadores em que ocorre a compilação dos códigos-fonte dos sistemas eleitorais não ficam perenemente conectados à internet, mas têm eventuais e controladas aberturas de acesso para atualização de drivers dos tokens utilizados pelas entidades fiscalizadoras para a realização de assinatura digital dos códigos.

PREPARAÇÃO DAS URNAS – A geração das mídias que serão inseridas em cada uma das urnas, com base nos programas enviados pelo TSE, é feita pelos diferentes Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) em cerimônias públicas divulgadas em edital.

Já na cerimônia de carga das urnas, ocorre a instalação dos programas e a inserção de dados como lista de eleitores e de candidatos. Depois disso, elas são lacradas fisicamente com dispositivos produzidos pela Casa da Moeda.

Os militares acompanharam cerimônias em diferentes estados e afirmaram que a “geração das mídias de carga feita conforme previsto” e que “não foram identificadas inconformidades nos trabalhos executados pelos TRE nas localidades visitadas” em ambos os turnos.

TESTE DE INTEGRIDADE – O chamado teste de integridade tem por objetivo verificar se as urnas registram os votos corretamente. No dia da eleição, votos feitos em papel por fiscais são digitados por servidores na urna eletrônica e lidos em voz alta. Tudo é filmado e, ao final, é emitido o boletim da urna, e os resultados são comparados com os votos em papel. Os votos do teste não são contabilizados na eleição.

No relatório, os militares apontam que o teste de integridade tradicional “foi realizado em conformidade com o previsto”. “O Teste de Integridade (sem biometria) não encontrou, em todos os TRE, inconsistências nas urnas escolhidas e sorteadas.”

Em resposta a uma demanda das Forças Armadas, neste ano, parte das urnas passaram por um projeto-piloto do teste de integridade com biometria.

ELEITORES VOLUNTÁRIOS – Esses testes com biometria ocorreram nos locais de votação e dependiam da participação de eleitores voluntários possam liberar as urnas com sua biometria, com o objetivo de tornar o teste mais próximo das condições em que a votação ocorre. Depois disso, o restante do teste é idêntico ao de integridade tradicional.

A crítica dos militares neste ponto foi quanto à baixa participação de eleitores no teste, que segundo o relatório foi de 13% em média em ambos os turnos, considerando as 58 seções eleitorais em que foi realizado. Apontaram ainda como problemas a quantidade de urnas que participaram do teste e a escolha não aleatória.

A partir disso, eles apontam que o teste foi “inconclusivo para a detecção de eventuais anomalias no funcionamento das urnas”.

BOLETINS DAS URNAS – Trata-se de comprovantes impressos emitidos ao final da votação com um resumo do que foi registrado ali, como a soma dos votos nos diferentes candidatos, brancos e nulos. Esses boletins das urnas e permitem que os partidos e quaisquer interessados confiram o resultado imediatamente após a eleição.

A equipe dos militares conferiu 442 boletins de urna de seções eleitorais pelo país e afirmou não ter identificado divergência nos dados registrados com os votos totalizados pelo TSE.

“Em ambos os turnos, não se verificou divergências entre os quantitativos registrados no BU afixado na seção eleitoral e os quantitativos de votos constantes no respectivo BU disponibilizado no site do TSE”, consta no documento.

PROPOSTA DE COMISSÃO – Em ofício, os militares sugerem à corte eleitoral a “criação de uma comissão específica, integrada por técnicos renomados da sociedade e por técnicos representantes das entidades fiscalizadoras”.

O objetivo desta comissão seria “realizar uma investigação técnica para melhor conhecimento do ocorrido na compilação do código-fonte e de seus possíveis efeitos” e “promover a análise minuciosa dos códigos binários que efetivamente foram executados nas urnas eletrônicas”.

“Em face da importância do processo eleitoral para a harmonia política e social do Brasil, solicito, ainda, a essa corte superior considerar a urgência na apreciação da presente proposição”, concluem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Muita conversa e pouca conclusão no relatório dos militares, indicando uma desesperada tentativa de torturar os números para que confessassem a ocorrência de fraudes, mas o contorcionismo cibernético não deu certo. Motivo: já existe uma maneira de testar as urnas, através de boletim impresso, que indica o número de votos para cada um.  Os militares conferiram 442 boletins de urna de seções eleitorais pelo país e não encontraram a menor divergência com os votos totalizados pelo TSE. Se tivessem encontrado uma só divergência, certamente declarariam a Terceira Guerra Mundial e eternizariam Bolsonaro no eixo Planalto/Alvorada. (C.N.)

Era esperado! Deputados evangélicos pedem tempo para mudar o discurso e apoiar Lula

Publicado em 10 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Michelle Bolsonaro diz que Planalto já foi “consagrado a demônios” durante  culto em BH (vídeo) | Brasil | Matraqueiro

A fidelidade dos pastores a Bolsonara tem validade vencida

Mônica Bergamo
Folha

O PT intensificou o contato com pastores e parlamentares evangélicos que apoiaram Jair Bolsonaro (PL) em seus quase quatro anos de governo e fizeram campanha intensa para que o presidente fosse reeleito. Ouviram deles que a porta está aberta para o diálogo e que pretendem até mesmo se encontrar com Lula (PT).

Lideranças das igrejas bolsonaristas pediram apenas um tempo para readaptar o discurso. Como radicalizaram a narrativa contra o petista nas eleições, dizendo até mesmo que ele fecharia igrejas, pegaria mal agora elas simplesmente aderirem ao novo governo. Por isso as reuniões, por enquanto, são secretas.

ALCKMIN NEGOCIA – O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB-SP) também tem sido interlocutor preferencial dos dirigentes de agremiações religiosas. Ele sempre manteve bom relacionamento com a maioria deles quando governou o estado de São Paulo.

Dirigentes do PT defendem que o diálogo seja aberto inclusive com lideranças da Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. Além de eleger diretamente parlamentares ligados à igreja, tendo alguma força no Congresso, ele é dono da TV Record.

A reaproximação de figuras como Edir Macedo, no entanto, não é consensual na legenda, como ficou claro quando a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, respondeu ao bispo no Twitter dizendo que dispensava “o perdão” do bispo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Não se pode esquecer que Edir Macedo é também dono do Republicanos, um dos partidos que mais cresceram nestas eleições. (C.N.)


Ao contrário do que dizem, esta eleição não conseguirá definir o futuro da democracia

Publicado em 10 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

O que a compra do Twitter tem a ver com a eleição? Nada.

Pedro Doria
O Globo

Há alguns dias, Elon Musk entrou na sede do Twitter carregando uma pia de louça nas mãos. “Let that sink in” — escreveu. Literalmente, “Deixe esta pia entrar” — embora, em inglês, a frase também possa ser lida como “Deixa essa ficha cair”. Enquanto publicava o vídeo na própria plataforma, modificou sua autodescrição: “Chief Twit”. Mais ou menos ao mesmo tempo, os funcionários da empresa receberam um e-mail geral. “Elon Musk está circulando pelo prédio, aproveitem para dizer “oi”.

Pela cabeça de muita gente certamente passava outro recado — que Musk, ao comprar mesmo o Twitter, cortaria muita mão de obra da empresa. (Ele negava, mas cortou.)

CAINDO NA REAL – Pois é: dia 30 tivemos a eleição mais importante da História brasileira desde que Tancredo Neves foi escolhido pelo Colégio Eleitoral, lá se vão quase 40 anos. E cá o colunista está falando de Elon Musk comprando o Twitter…

Ocorre que o foco habitual deste espaço é o encontro de tecnologia, sociedade e política. E também acontece que a maneira como a informação que circula entre nós foi corrompida pelas redes sociais é diretamente responsável pela eleição de tipos como Donald Trump e Jair Bolsonaro, e quase funcionou novamente.

O assunto é inevitável e está no centro do drama que continuaremos a enfrentar, apesar da confirmação da vitória de Lula.

DONO DO TWITTER – Além da compra, Musk já agia como dono do Twitter. A toda hora o Vale do Silício anuncia que alguma startup abriu seu capital, fez um IPO na Bolsa, levantou alguns bilhões. O caminho inverso é bem mais raro. Musk está pegando uma empresa pública e fechando o capital. Comprando as ações vendidas na Bolsa e tornando-a um negócio privado.

A vantagem de um negócio privado é que a regulamentação é bem mais leve. O CEO não tem de prestar contas a cada quatro meses a respeito dos lucros, guinadas estratégicas violentas se tornam possíveis.

E este negócio das redes sociais precisa de uma guinada radical. Ele tem de ser reinventado. Musk, numa carta dirigida aos anunciantes do Twitter na outra semana, afirmou que imagina a plataforma como uma praça pública global onde o diálogo seja possível, mas os extremistas não tenham voz.

ALDEIA GLOBAL – As redes já são uma praça pública global. O problema é que, nesse espaço comum, não é o diálogo que os algoritmos  incentivam. É a desinformação e são os cancelamentos. Os atores políticos que não têm pudor de usar esses recursos crescem. Os outros perdem a voz.

Não é surpresa que o Brasil tenha elegido neste ano um Congresso onde o pior da direita venceu, e o centro desapareceu. E esta não é só uma história brasileira.

Musk também vem recebendo pressão de gente bem próxima para trazer de volta à plataforma vozes banidas por radicalismo ou desinformação. O problema, porém, não é o que é dito no Twitter. É o que o Twitter — ou o Face, ou o Insta, ou o YouTube, ou o TikTok — escolhe ampliar. Um antissemita como Kanye West falando para si mesmo e mais cinco não causa dano. Vira problema quando um app decide que sua voz deve chegar a milhões todos os dias.

Possibilidade de fraude na urna eletrônica não foi afastada, diz o Ministério da Defesa


Charge do Zé Dassilva: O exército e as urnas | NSC Total

Charge do Ze Dassilva (NSC Total)

José Carlos Werneck

O Ministério da Defesa divulgou, na manhã desta quinta-feira uma nota oficial a respeito do relatório de sua equipe especializada em informática sobre as urnas eletrônicas e a apuração dos votos.

 “Com a finalidade de evitar distorções do conteúdo do relatório enviado, ontem (9.11), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Ministério da Defesa esclarece que o acurado trabalho da equipe de técnicos militares na fiscalização do sistema eletrônico de votação, embora não tenha apontado, também não excluiu a possibilidade da existência de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022. Ademais, o relatório indicou importantes aspectos que demandam esclarecimentos. Entre eles:

– houve possível risco à segurança na geração dos programas das urnas eletrônicas devido à ocorrência de acesso dos computadores à rede do TSE durante a compilação do código-fonte;

– os testes de funcionalidade das urnas (Teste de Integridade e Projeto-Piloto com Biometria), da forma como foram realizados, não foram suficientes para afastar a possibilidade da influência de um eventual código malicioso capaz de alterar o funcionamento do sistema de votação; e

– houve restrições ao acesso adequado dos técnicos ao código-fonte e às bibliotecas de software desenvolvidas por terceiros, inviabilizando o completo entendimento da execução do código, que abrange mais de 17 milhões de linhas de programação.

Em consequência dessas constatações e de outros óbices elencados no relatório, não é possível assegurar que os programas que foram executados nas urnas eletrônicas estão livres de inserções maliciosas que alterem o seu funcionamento.

Por isso, o Ministério da Defesa solicitou ao TSE, com urgência, a realização de uma investigação técnica sobre o ocorrido na compilação do código-fonte e de uma análise minuciosa dos códigos que efetivamente foram executados nas urnas eletrônicas, criando-se, para esses fins, uma comissão específica de técnicos renomados da sociedade e de técnicos representantes das entidades fiscalizadoras.

Por fim, o Ministério da Defesa reafirma o compromisso permanente da Pasta e das Forças Armadas com o Povo brasileiro, a democracia, a liberdade, a defesa da Pátria e a garantia dos Poderes Constitucionais, da lei e da ordem.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Em tradução simultânea, pode-se dizer que chega a ser comovente o esforço dos militares para colocar dúvidas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e a apuração dos votos. Dá para imaginar o que fariam se tivessem vislumbrado uma mínima possibilidade de fraude, por insignificante que fosse. Realmente, com esse comportamento altamente parcial das Forças Armadas, a democracia no Brasil pode mesmo ser considerada sob ameaça de quem não tem medo do ridículo. (C.N.)

Em discurso, Lula chora ao falar da fome e diz que democracia voltou

 Em discurso, Lula chora ao falar da fome e diz que democracia voltou

Em discurso, Lula chora ao falar da fome e diz que democracia voltou

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz hoje a primeira visita ao gabinete de transição de governo, no Centro Cultural do Banco do Brasil na capital federal. Em discurso, ele disse que o processo está começando, e prometeu que restabelecerá a paz e o diálogo com as instituições e a população.

“A democracia voltou com os braços abertos, para dar a cada um de nós a sensação, o prazer e a felicidade de que seremos capazes de recuperar a civilidade nesse país”, declarou.

Lula se emocionou ao falar sobre o compromisso que terá com o combate à fome no país. “Se quando eu terminar esse mandato cada brasileiro estiver tomando café, almoçando e jantando outra vez, eu terei cumprido a missão da minha vida”, afirmou, antes de pausar para enxugar as lágrimas.

Qual é a regra de ouro desse país? É garantir que nenhuma criança vá dormir sem tomar um copo de leite e acorde sem ter um pão com manteiga para comer todo dia. Essa é a nossa regra de ouro.

Lula

Ele também disse que a ida a Brasília é para pacificar a relação com as instituições, como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

“Vim aqui para visitar as instituições brasileiras e dizer o seguinte: a partir de agora, vocês vão ter paz, porque não vão ter um presidente desaforado querendo intervir na Suprema Corte, na Justiça Eleitoral”, declarou.

O governo de Jair Bolsonaro (PL), derrotado por Lula na eleição, foi marcado pelos atritos com o Judiciário. O petista criticou o adversário, dizendo que ele tem uma dívida com o povo brasileiro.

“Agora que chegou ao fim, ele ainda não reconheceu a derrota. Seria tão fácil fazer como Alckmin, quando disputou comigo, como eu fiz duas vezes com FHC”, disse. “O presidente Bolsonaro tem uma dívida com o povo brasileiro: peça desculpas pela quantidade de mentiras que foram contadas nessa eleição e por duvidar da urna eletrônica”.

Ele disse ainda que a transição não decidirá nada, mas fará uma “ressonância magnética” da conjuntura. “A partir dessa situação, vamos discutir e tomar algumas decisões para começar o processo de mudança desse país”.’

FONTE:

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/11/10/lula-primeira-fala-gabinete-de-transicao.htm

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