quinta-feira, outubro 20, 2022

Vale tudo na reta final: Governo aceita até FGTS futuro para a casa própria


Charge do Adão Meira (opresente.com.br)

Pedro do Coutto

Os metros finais da campanha eleitoral deste ano estão marcados por um vale tudo desencadeado pelo governo Bolsonaro na tentativa de equilibrar a disputa e com isso enfrentar a diferença de seis milhões de votos registrada nas urnas de 2 de outubro.

Reportagens de Eliane Oliveira, Geralda Doca e Fernanda Trisotto, O Globo, e de Natália Garcia, Folha de S. Paulo, em edições de ontem, revelam que o governo aprovou proposta do Conselho do FGTS que – vejam só – permite o uso de recursos futuros do Fundo de Garantia como parcela destinada à aquisição de casa própria por famílias cuja renda mensal seja de até R$ 2400.

ABSURDO – No caso, não se trata de valor, e sim do absurdo da medida que sintetiza bem o vale tudo que o Palácio do Planalto adota na tentativa de vencer a corrida eleitoral. Pois como é possível considerar uma receita futura do FGTS como capaz de servir como base de financiamento para a casa própria?

Em primeiro lugar, a iniciativa abre um grande precedente. Em segundo lugar, se a receita prevista não se realizar, como fica o problema nas mãos da administração federal? Paralelamente, o governo, através da Caixa Econômica, já liberou R$ 1,8 bilhão para a concessão de empréstimos de R$ 2500 às famílias que se encontram cadastradas no Auxílio Brasil, com pagamento mensal de R$ 600.

Há algo de estranho na engrenagem, além da busca de votos por intermédio do peso da máquina financeira federal. É que, como já comentei, os créditos dependem, para seu resgate, do pagamento de juros mensais de 3,5%.

RESGATE – O prazo de pagamento, 24 meses, torna impossíveis os resgates das dívidas. A própria CEF terá que assumir os prejuízos. Mas o lucro das instituições financeiras que estão intermediando o negócio estará duplamente assegurado. Tão absurdo é o sistema de crédito que os bancos de primeira linha, como Itaú, Bradesco e Santander e até o Banco do Brasil, recusaram-se a participar dos desembolsos e de aceitar garantias que só existem em termos de votos para Bolsonaro.

A reta final da campanha, faltando menos de duas semanas para as urnas, está contaminada por tentativas inéditas na disputa presidencial. Nas redes sociais da internet, uma avalanche de fake news. Na consciência das eleitoras e eleitores uma perplexidade com o baixo nível das mensagens e até das situações.

“DESCULPAS” – Essas situações incluem até o caso das desculpas apresentadas pelo presidente da República no caso das adolescentes venezuelanas que o levou à precipitação de conceitos e de uma expressão (“pintou um clima”) totalmente absurda para o caso falsamente revelado e impropriamente comentado. As desculpas de Bolsonaro foram feitas a uma embaixadora da Venezuela que nunca existiu.

Hoje, quinta-feira, é dia de o Datafolha divulgar uma nova pesquisa que a meu ver poderá incluir os deploráveis acontecimentos na Basílica Nossa Senhora Aparecida. É importante esse aspecto. E, no dia 28, será o grande e decisivo debate entre Lula e Bolsonaro nas telas da TV Globo e da GloboNews.

quarta-feira, outubro 19, 2022

Ex-ministros do STF assinam manifesto em favor de Lula e Alckmin

 Quarta, 19 de Outubro de 2022 - 20:40

por Fábio Zanini | Folhapress

Ex-ministros do STF assinam manifesto em favor de Lula e Alckmin
Foto: Ricardo Stuckert

Os ex-ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto e Sepúlveda Pertence estão entre os signatários de um manifesto em favor da eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB).
 

Além dos ex-ministros, também assinam os ex-presidentes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) César Britto e Felipe Santa Cruz, a procuradora Débora Duprat, e o ex-reitor da UnB (Universidade de Brasília) José Geraldo.
 

O manifesto defende o voto na chapa petista porque argumentam que a alternativa, representada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), significa o fim da democracia e dos direitos políticos. "Reflita sobre a recente tentativa de intimidação e controle do STF, com a ameaça de aumentar o número de ministros. É o ataque do autoritarismo, uma agressão à Justiça, como fez a ditadura militar brasileira", sustentam.
 

"Recusamos a mentira, as ameaças, a violência. Somos pela democracia, pela justiça e pela vida. Votar em Lula, neste momento, é defender o Estado Democrático de Direito", concluem.
 

O documento foi organizado pelos Juristas em Defesa da Democracia, grupo liderado pelos advogados Jorge Messias, ex-assessor da então presidente Dilma Rousseff, e Maria Dionne. Ele será lido nesta quinta-feira (20) em um hotel em Brasília e já tem, até o momento, assinatura de 6.919 advogados, professores, estudantes de Direito e funcionários da Justiça.

Bahia Notícias

PT declara guerra sexual, acusando Bolsonaro de apoiar pedofilia e exploração sexual infantil

Publicado em 19 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Senadora e o marido, Paulo Bernardo, são acusados de praticar corrupção ativa e lavagem de dinheiro

Gleisi Hoffmann comanda a guerra sexual contra Bolsonaro

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Proibido de explorar na televisão a fala do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre meninas venezuelanas, o Partido dos Trabalhadores emitiu nota oficial nesta terça-feira (18/10) em que acusa o candidato à reeleição de estar “a serviço da xenofobia, da pedofilia e da exploração sexual infantil”.

No sábado, Bolsonaro afirmou que “pintou um clima” com menores de idade venezuelanas que estariam em situação de prostituição infantil em uma cidade satélite de Brasília. O tema dominou as redes sociais no final de semana e, nesta terça, o presidente se desculpou pela fala e negou envolvimento com pedofilia.

DIZ A NOTA DO PT – “O presidente demonstra ao país que não passa de um desocupado a serviço da xenofobia, da pedofilia e da exploração sexual infantil. Na cabeça de Jair Bolsonaro, é impensável que jovens venezuelanas estejam ‘se arrumando’ simplesmente porque são jovens”, diz a nota do PT, presidido por Gleisi Hoffmann.

A sigla diz repudiar e denunciar “as declarações de pedofilia e exploração sexual de adolescente” de Bolsonaro. “É inacreditável que um presidente da República circule pela periferia, encontre garotas menores de idade, presuma que elas estão a serviço dele, diga que ‘pintou um clima’ e peça para entrar na casa delas”, afirma o partido.

Mais cedo, em reunião com comunicadores, dirigentes petistas recomendaram à militância que sigam abordando a declaração de Bolsonaro nas redes sociais para desgastar a candidatura dele.

MEDIDAS JUDICIAIS – Na nota, o PT afirma ainda que vai acionar todas as medidas judiciais cabíveis contra Bolsonaro. “Para que o absurdo e a barbárie não sejam banalizados, nem sejam “perdidos” ou atenuados em processos burocráticos”.

O comunicado diz que o presidente ultrapassou todas as barreiras e arrasta o país inteiro rumo à completa barbárie. “A naturalização da violência contra a mulher é marca registrada desse presidente machista, que se utiliza da vulnerabilidade social e da origem territorial das mulheres para banalizar a misoginia, a xenofobia, a pedofilia e a exploração sexual infantil junto à opinião pública”, assinala.

“Um presidente que precisa gritar em palco o quanto é ‘imbrochável’ demonstra ao país que, para autoafirmar o próprio fetiche de masculinidade, é capaz de passar por cima de todas as leis e de todos os marcos civilizatórios”, destaca o PT.

O QUE SIGNIFICA A SIGLA LGBTQIAP+ - YouTube###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Simultaneamente à guerra santa, está declarada também a guerra sexual, que vai ser um espetáculo mais colorido do que as bandeiras do movimento LGBTQIAP+ (por favor, 
não perguntem o que significa, porque eu não sei…).

Só se sabe que vai ter de tudo, para todos os gostos sexuais, inclusive os sadomasoquistas, com dominatrix de todos os sexos possíveis e imaginários. Por fim, se usarem vibradores com verrugas, façam o favor de inserir pilhas alcalinas, que duram mais(C.N.)

Simone Tebet, radiante, está cotada para o ministério, em caso de vitória de Lula. Será?

Publicado em 19 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

VÍDEO: Simone Tebet declara apoio a Lula | Revista Fórum

Ainda como candidata, Simone admitiu que apoiaria Lula

Vicente Limongi Netto

Setores políticos especulam que Simone Tebet é cotada para assumir ministério em eventual governo Lula. No fundo da alma, a senadora sem voto e em fim de mandato respira contente e aliviada. O plano dela, arquitetado desde o início da campanha, caminha para o desfecho feliz.

De boba, Tebet não tem nada. Consciente de que não teria competência para vencer o pleito, nem chegar ao segundo turno, esmerou-se em falatórios e promessas mirabolantes. Boquirrota de carteirinha.

No estado dela, Mato Grosso do Sul, obteve perto de 80 mil votos. Suficientes, no máximo, para eleger-se deputada federal.  E conseguiu a façanha de esfacelar o MDB nas eleições regionais.

HAVIA OPOSIÇÃO – Políticos expressivos do partido, desde o início, foram contrários ao açodamento da arrogante senadora, que foi uma caloura petulante. Ganhou holofotes berrando contra depoentes na CPI da Covid. Quem não conhece Simone, que compre.

No primeiro turno, dividiu críticas e insultos a Lula e Bolsonaro. Sem nenhuma convicção. Não queria aparecer mal no filme com nenhum dos dois. Pura retórica de lorotas e falsa indignação.

A sequência do plano era cravar apoio ao candidato que estivesse liderando as pesquisas. “Temos diferenças, mas é o melhor para o Brasil”.

A ex-candidata já comprou o vestido da posse. Será que terá oportunidade para usá-lo?

DAMARES E ONYX – Duas figuras sombrias, arrogantes, infames e sem noção, enxovalhando a vida pública – a patética Damares Alves, eleita senadora, e o parlapatão e homofóbico ex-ministro Onyx Lorenzoni.  Ambos agindo sempre como esmerados serviçais bolsonaristas.

A pastora-senadora fez declarações irresponsáveis, torpes, mentirosas e levianas, sem provas, envolvendo em bárbaras pedofilias as crianças da Ilha de Marajó, Pará, como se tivesse provas. 

A sinistra Damares deveria ser punida com a perda do mandato. E ainda tem a cara lambida de se declarar candidata à presidência do senado. É mais fácil despoluir o Tietê e acabar com a covid no Brasil do que a desprezível Damares ter sucesso na sua pretensão.

PATÉTICAS AGRESSÕES – Já o nefasto gaúcho Onyx Lorenzoni, por sua vez, insultou o adversário, Eduardo Leite, declarando que, caso eleito governador do Rio Grande do Sul, o Estado “terá primeira-dama de verdade”.

E como se a estupidez e a falta de educação ainda fossem poucas, na saída de um debate com Eduardo Leite, declarada e assumidamente gay, Lorenzoni recusou-se a estender a mão para cumprimentar o opositor.

É um idiota, fracassou nos dois Ministérios que assumiu (Casa Civil e Cidadania) e agora age zelosamente como quem quer perder as eleições.  

Datafolha provoca clima de empolgação no QG bolsonarista no final do segundo turno

Publicado em 19 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Lula (esq.) e Bolsonaro durante o primeiro debate entre os dois para o segundo turno, em 16 de outubro

Sem dúvida, o debate na TV Band foi desfavorável a Lula

Rafael Moraes Moura
O Globo

Na reta final do segundo turno destas eleições, o QG do presidente Jair Bolsonaro passou a ter dias de entusiasmo e otimismo com os rumos da campanha eleitoral. Levantamentos dos principais institutos de pesquisa apontam um encurtamento da vantagem de Lula sobre Bolsonaro.

A última pesquisa Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (19), mostra Lula com 52% dos votos válidos, ante 48% de Bolsonaro – assim os dois estão próximos no limite da margem de erro, que é de dois pontos percentuais, com 50% cada um.

EFEITO CONJUNTO – Para integrantes do núcleo duro da campanha bolsonarista, esse movimento se deve aos efeitos do Auxílio Brasil, da recuperação da economia e da queda de preços – e do aumento à rejeição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado da estratégia do PL de resgatar a memória dos escândalos de corrupção do mensalão e do petrolão.

O QG bolsonarista também tem se empolgado com a expectativa de vitória do ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Freitas aparece com larga vantagem sobre o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) – 50% a 40%, segundo o Datafolha.

Nesta quinta-feira, Bolsonaro se reúne com Tarcísio e o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), em evento com prefeitos e vereadores no ginásio do Canindé para convocar os aliados para aumentar a vantagem de Bolsonaro em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

ACABA EM PIZZA – À noite, Bolsonaro será recebido com pompa e tapete vermelho no hall nobre do Palácio dos Bandeirantes, onde está prevista uma “pizzada” com aliados.

Derrotado na disputa pela reeleição, Garcia pretende angariar mais votos para Bolsonaro nas cidades de maior parte da grande São Paulo, como São Bernardo e São Caetano, já que o presidente teve bom desempenho no interior no primeiro turno.

Os bolsonaristas mais entusiasmados avaliam que é possível ampliar a vantagem do atual ocupante do Palácio do Planalto sobre Lula para ao menos 15 pontos percentuais no Estado – no primeiro turno, o placar foi Bolsonaro com 47,71% dos votos, ante 40,89% do petista.

Aliados do presidente também têm comemorado que, em trackings encomendados pela própria campanha, o chefe do Executivo aparece à frente de Lula pela primeira vez desde o início da disputa eleitoral, conforme a equipe da coluna apurou com dois integrantes do núcleo duro do QG bolsonarista e um terceiro aliado do mandatário no Congresso.

EMPATE TÉCNICO – A diferença entre Bolsonaro e Lula, nesses levantamentos, ainda é pequena – de cerca de dois pontos percentuais. É um placar apertado, mas que já foi suficiente para melhorar o ânimo de bolsonaristas, que foram obrigados nos últimos dias a apagar o incêndio provocado no episódio do “pintou um clima” com meninas venezuelanas.

Na guerra dos “trackings”, até mesmo a campanha do PT tem em mãos números que mostram que encurtou radicalmente a vantagem de Lula sobre Bolsonaro em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País.

No primeiro turno, Lula obteve 560 mil votos a mais que Bolsonaro entre os mineiros – 48,29% a 43,60%, um resultado muito parecido com o nacional, que foi de 48,43% a 43,20%.

A PEÇA-CHAVE – Tanto lulistas quanto bolsonaristas consideram Minas peça-chave no mapa eleitoral, já que desde a redemocratização, todos os presidentes escolhidos pelo voto popular venceram no Estado.

Apesar da euforia por ora, até os bolsonaristas mais radicais estão convencidos de que a eleição vai ser definida por um placar apertadíssimo – há quem estime uma diferença de apenas 3 milhões de votos, inferior à vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre Aécio Neves (PSDB), em 2014, de 3,6 milhões de votos.

“Vai ser uma carnificina”, resume um senador bolsonarista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O problema dos petistas é o chamado viés – a tendência. Nas pesquisa eleitorais, que são diferentes das estatísticas puras, podem ser constatadas as tendências da opinião pública. E o viés das últimas três pesquisas de diferentes institutos é claramente favorável a Bolsonaro, porque geralmente a vitória é de quem atropela nos momentos finais. Vamos aguardar. Ao contrário do Arquivo X, a verdade não está lá fora, porque só se revelará dentro das urnas(C.N.)

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Na Bahia, indígenas foram impedidos de votar

 


                                              Foto Divulgação



Primeira Caravana Intercultural Indígena recebeu denúncia de crimes eleitorais na região do Descobrimento

Fábio Costa Pinto*

Várias comunidades indígenas não votaram no primeiro turno das eleições, no último dia 2 de outubro. Gostariam de votar, tinham escolhido seus candidatos, mas não puderam sair de suas aldeias, o que resultou em uma abstenção de 30%. A eleição em Prado (BA), onde vivem seis mil indígenas, cidade com maior número proporcional de indígenas da Bahia, teve 27,84% de abstenção.

Segundo relatos, além de coação houve até fechamento de passagens em estradas, para impedir que os indígenas votassem. Estas denúncias foram ouvidas por mais de 100 participantes da I Caravana Intercultural Indígena, que passou pela Região do Descobrimento no último final de semana, entre os dias 15 a 17 de outubro.

Organizada pela Associação dos Docentes da UNEB (ADUNEB) e pelo Centro de Estudos e Pesquisas Intercultural da Temática Indígena (CEPITI – Campus da UNEB de Teixeira de Freitas), a expedição visitou comunidades de quatro municípios, conhecendo de perto a realidade das aldeias indígenas Pataxó da região.

Crime eleitoral

“Cotidianamente a população indígena e a de baixa renda já está constrangida e aterrorizada em sua mobilidade. Faltou transporte, sim. Mas no dia das eleições no primeiro turno, houve também um fluxo de veículos com grupos de homens desfilando para intimidar, muitas vezes exibindo armas” – relataram os denunciantes locais, apoiadores da causa indígena, como o jornalista Hilton Viotti, colega membro da ABI – Associação Brasileira de Imprensa – e que participou da Caravana.

Segundo o jornalista, nem daria para especificar uma aldeia no Prado, pois a coação foi visível em todo o território. “Com isso, muitos ficaram amedrontados e deixaram de sair de suas comunidades, para exercer seu direito ao voto. O TRE e o TSE precisam tomar medidas urgentes para combater este crime, garantir a participação dos indígenas no segundo turno e levantar se este caso ocorreu apenas aqui no sul da Bahia ou se não é um caso isolado” – alerta Hilton.

As autoridades deveriam providenciar ônibus para levar os eleitores indígenas às zonas eleitorais, e garantir sua segurança. O cacique Jovino e sua esposa Maria, da Aldeia Nova, denunciaram que sua comunidade ficou impedida de votar por causa do cerco armado por pistoleiros e fazendeiros que atacam sua aldeia.

Considerando o posicionamento estratégico da Aldeia Nova e das estradas de acesso das outras aldeias, situadas na fronteira dos municípios de Itamaraju/Prado e Porto Seguro, fica evidente que todos os Pataxó desta área se encontram encarcerados nas suas próprias comunidades. Situação que ainda não foi resolvida, mesmo depois de instalada a Força Tarefa designada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia, no último mês.

Para a Professora Maria Geovanda Batista, Coordenadora do CEPITI/UNEB e docente do Colegiado dos Cursos de Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena e Pedagogia Intercultural, uma das idealizadoras da I Caravana, “o TRE deve apurar a responsabilidade deste cerceamento no primeiro turno das eleições, em toda a zona fronteiriça que compreende as áreas retomadas ou auto demarcadas no entorno do Monte Pascoal e Vale do Kaí. O que percebemos através da Caravana é uma situação de encarceramento, a mesma estratégia vem sendo a alguns anos denunciada por moradores dos morros no Rio de Janeiro. Não se trata do cerceamento do direito ao voto isoladamente, o que já seria grave o bastante.”

A primeira vez que este assunto veio à tona foi logo que a Caravana chegou ao Monte Pascoal. Os participantes ouviram atônitos esta e outras denúncias. Representantes das Defensorias da União e do Estado, da CNDH, das organizações indígenas e a própria ouvidora da Defensoria Pública do Estado, presentes na reunião, prometeram tomar medidas urgentes. O MPF – Ministério Público Federal também foi acionado.

Violações a Direitos

O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, coalizão que reúne 45 organizações e movimentos sociais, participou de uma missão emergencial em conjunto com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) para verificar violações a direitos humanos aos territórios indígenas do povo Pataxó, em especial os que se encontram em áreas de retomadas.

A Defensoria Pública da União tem atuado em mais de 30 processos dos indígenas contra os fazendeiros denunciados por agressões, ameaças e assassinatos.

A I Caravana foi idealizada neste contexto de violência e violações, articulando uma rede de entidades que vem reivindicando junto às autoridades proteção e justiça para os povos originários. A rede de solidariedade se consolidou nesta caravana, e continuará desenvolvendo ações até que seus direitos estejam garantidos, as questões pacificadas. E que sejam punidos aqueles que contratam mercenários e pistoleiros para assassinar e tomar posse do que restaram dos Territórios Indígenas.

União

A Caravana, que abraçou os Pataxó no Vale do Cahy, TI (Terra Indígena) Comexatiba e na TI Barra Velha, aos pés do Monte Pascoal, partiu de Salvador na sexta-feira passada. Na segunda-feira dia 17, foi encerrada com uma Aula Pública em Teixeira de Freitas.

No encerramento destacou-se a urgência do despertar da sociedade para a importância da demarcação das terras indígenas, devolvendo aos Pataxós e às demais etnias o pouco que restou de seus territórios imemoriais, por direito já consagrado na Constituição Brasileira.

Foi aprovada a proposta de criação de um grupo de trabalho de comunicação, envolvendo as assessorias de todas as entidades participantes do coletivo, para planejamento estratégico,

 criação de conteúdo (com captação de imagens) e distribuição de forma permanente, para dar visibilidade à causa. O grupo inicia os trabalhos com membros da ABI - Associação Brasileira de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia e da Assessoria de Comunicação (Ascom) da ADUNEB.

* Fábio Costa Pinto Jornalista baiano, membro do Conselho Deliberativo da ABI que representou a entidade na Caravana


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