
Charge do Kap (Arquivo Google)
Rosana Hessel
Correio Braziliense
Pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics (PIIE), conceituado “think tank” em Washington, a economista e escritora Monica de Bolle considera crítico o quadro da economia brasileira e alerta que o Brasil não está imune ao ciclo de estagflação em curso nas maiores economias do planeta.
Como se sabe, a estagflação é o pior dos mundos em termos econômicos, pois não há crescimento, os preços continuam subindo e o desemprego aumenta. O momento atual no país, de um pouco de crescimento e de inflação perdendo força – que vem sendo utilizado na campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) – é temporário e fruto de medidas fiscais adotadas por um governo que está mais preocupado em se reeleger, segundo a especialista.
RITMO PROVISÓRIO – A economista ressalta que o país está, apenas, em um ritmo diferente do resto do mundo. “O descolamento é temporário. Ele nunca é permanente, porque o Brasil não está em Marte”, resume.
A escritora, que foi uma importante crítica das mazelas econômicas do governo Dilma Rousseff (PT), prevê que, ainda no começo de 2023, o país vai mergulhar no processo de estagflação global. Segundo ela, os efeitos por aqui podem ser muito piores, porque a economia não é muito dinâmica como os Estados Unidos e está muito desorganizada.
Em grande parte, esse desarranjo é culpa do atual governo que, para vencer as eleições a qualquer custo, está criando bombas fiscais que serão insustentáveis, segundo a economista.
DISCURSO DE PALANQUE – “O Brasil está crescendo artificialmente. É como se fosse um paciente sobrevivendo à base de ventilação, cheio de tubo”, ressalta.
Por isso, o discurso otimista do governo, ignorando a realidade, é meramente “político”, “de palanque”.
Ao analisar os programas dos candidatos à Presidência, Monica de Bolle diz que são incompletos e não se preocupam com os impactos dessa desaceleração global.
EFEITO COVID – Ela também faz um alerta sobre a necessidade de os governos se preocuparem mais com as doenças infectocontagiosas, pois o mundo não será mais o mesmo pós-covid.
Depois das comemorações do em 7 de setembro, a economista não tem dúvidas de que o país poderá ter badernas como a invasão do Capitólio, incentivada pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump.
“Bolsonaro é a mesma coisa. É um preguiçoso incompetente. E qual é a melhor estratégia para um preguiçoso incompetente? Fazer bagunça, criar baderna”, emenda.