quarta-feira, maio 11, 2022

Como melar uma eleição democrática




Por Luiz Carlos Azedo (foto)

Com a aproximação das eleições deste ano, o presidente Bolsonaro intensificou seus ataques ao processo eleitoral, levantando suspeitas sobre as urnas eletrônicas e até mesmo em relação ao TSE

A urna eletrônica é o maior avanço já realizado no Brasil para assegurar que nosso Estado de direito democrático seja realmente uma democracia de massas, segundo o princípio “cada cidadão um voto”, que caracteriza as eleições majoritárias no Brasil — principalmente as eleições para o Executivo, nos três níveis de federação. Só para ilustrar, esse princípio foi a principal reivindicação da luta contra o apartheid na África do Sul, em que pese a bandeira “Libertem Mandela”, o grande pai da democracia sul-africana.

As eleições proporcionais, embora tenham o mesmo princípio, não garantem uma representação exatamente proporcional ao número de eleitores de cada unidade da federação, porque São Paulo elege menos deputados do que seria a proporção de seu colégio eleitoral, e alguns estados com menos eleitores são sobrerepresentados, como Roraima, por exemplo.

Com a urna eletrônica, acabaram-se as fraudes eleitorais na contagem e na apuração dos votos, que eram muito frequentes quando o voto era impresso e apurados manualmente, inclusive durante o regime militar, e mesmo após a redemocratização. Em parte, o aperfeiçoamento do sistema decorreu da tentativa de fraude das eleições para o governo do Rio de Janeiro, em 1982, quando foi eleito o governador Leonel Brizola, numa operação tabajara realizada pelos órgãos de inteligência do governo do presidente João Batista Figueiredo.

Um sistema informatizado de apuração dos votos, feito pela empresa Proconsult, associada a antigos colaboradores do regime militar, transferia votos nulos e brancos para o candidato governista. Os indícios de que os resultados seriam fraudados surgiram da apuração paralela contratada pelo PDT à empresa Sysin Sistemas e Serviços de Informática, que divergiam completamente do resultado oficial. Outra fonte que obtinha resultados diferentes dos oficiais foi a Rádio Jornal do Brasil. A tentativa de fraude é analisada no documentário britânico Beyond Citizen Kane de 1993.

Com a adoção da urna eletrônica, porém, se tornou impossível alterar o resultado da votação na apuração e na computação dos votos, porque cada urna é um compartimento estanque, não conectado em rede, que registra, apura e emite o boletim de votação de cada seção eleitoral. Esses resultados, posteriormente, são transmitidos para os tribunais eleitorais e somados, num processo que possibilita a obtenção do resultado da eleição no mesmo dia.

Além disso, torna possível uma operação reversa de rastreamento, para conferir o resultado urna por urna, caso isso seja necessário. A inviolabilidade da urna eletrônica, porém, precisa ser atualizada a cada eleição, para impedir que sejam hackeadas.

Suspeitas fantasiosas

Desde quando tomou posse, o presidente Jair Bolsonaro (PL) levanta suspeitas sobre as urnas eletrônicas. Afirma que venceu as eleições de 2018 no primeiro turno, o que é fantasioso, sem qualquer base nos fatos. Chegou a promover uma tentativa de restabelecimento do voto impresso, que foi rejeitada pelo Congresso. Com a aproximação das eleições desde ano, nas quais concorrerá à reeleição, o presidente da República intensificou seus ataques ao processo eleitoral, levantando suspeitas sobre as urnas eletrônicas e, até mesmo, em relação à idoneidade dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para neutralizar esses ataques, o então presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, decidiu ampliar o colégio de especialistas encarregado de testar a segurança das urnas e, para isso, também convidou um representante das Forças Armadas, que têm uma unidade de defesa cibernética a cargo do Exército. O que era para ser uma colaboração específica, entretanto, passou a ser tratado por Bolsonaro como uma espécie de tutela militar sobre processo eleitoral, o que é inconstitucional.

Mais de 80 questionamentos foram feitos pelo general Heber Garcia Portella, encarregado de representar as Forças Armadas nesse processo, que agora estão servindo de pretexto para desacreditar o processo, em lives e declarações do presidente da República. Ontem, o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, encaminhou aos integrantes da Comissão de Transparência das Eleições (CTE) um ofício com as respostas técnicas da Corte às opiniões e recomendações expostas pelo Ministério da Defesa, em 22 de março deste ano.

As respostas tratam de novos questionamentos sobre a confiança do teste de integridade; o processo de amostragem aleatório para seleção de urnas que compõem o teste de integridade; a totalização com redundância pelos TREs; fiscalização e auditoria; a inclusão de urnas modelo UE2020 no teste público; os procedimentos normativos para a hipótese de verificação de irregularidade em teste de integridade; e as sugestões para uma possível duplicidade entre abstenção e voto.

Com esses esclarecimentos, o TSE deixou claro que a responsabilidade integral pela realização e lisura do pleito é da Justiça Eleitoral.

Correio Braziliense

Golpe ou pastelão?




Em vez de golpe com militares, não se descarta instabilidade com bolsonaristas armados nas ruas

Por Eliane Cantanhêde (foto)

Que confusão a Defesa está fazendo! É uma trapalhada atrás da outra, uma ameaça atrás da outra, um recuo atrás do outro e a imagem que fica é que “os militares” fazem qualquer coisa para agradar ao capitão insubordinado que assumiu a Presidência e pinta e borda com eles. “Qualquer coisa” incluiria até golpe. Pode uma coisa dessas?

É assustador assistir ao presidente Jair Bolsonaro e sua gente ameaçando Supremo, TSE, ministros e as próprias eleições, assim como atacaram a saúde e a vida na pandemia. O Brasil está normalizando o que não tem nada de normal. Os presidentes de Supremo, TSE, Senado e até Câmara, enviesadamente, têm de defender a democracia todo santo dia e o foco nacional não é inflação e fome, é como e quando vai ser o golpe...

A pergunta deve ser outra: com quem? A escalada de Bolsonaro, filhos, séquito e robôs é clara, mas, se a gente olha os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica e se fixa no Alto-Comando do Exército, é difícil encontrar ao menos um disposto a jogar seu nome na lama da história contra a democracia.

Em vez de golpe com militares, o que não se pode descartar é que Bolsonaro esteja criando um clima de tumulto e instabilidade com sua turba civil, que armou com revólveres e fuzis e pode entrar em ação em caso de derrota. Ele está em segundo lugar, com recorde de rejeição.

O que acontece nesse caso? “Cerca os caras, julga, condena e prende todo mundo. Acabou-se a história”, responde um oficial, parte de um grupo grande de militares que é contra o PT e o ex-presidente Lula pelo petrolão e “otras cositas más”, mas não louva Bolsonaro, muito menos golpes.

O problema é que, quando o general da ativa Eduardo Pazuello dizia que “um manda, outro obedece”, os militares ficavam indignados com a sabujice e agora, quando é a democracia em jogo, a Defesa passa a ideia de que “um manda, todos obedecem”.

Bolsonaro diz que o TSE tem uma “sala escura” para contar votos, quer uma justiça eleitoral paralela e um duto dos votos para um computador das Forças Armadas. O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Oliveira, encampa, quer mandar no TSE, tira e põe de novo um general na comissão de transparência e usa slogan bolsonarista: “Brasil acima de tudo”.

A Defesa reclama do sigilo de suas demandas sobre as urnas, mas o pedido foi da própria Defesa. Reclama que o ministro Edson Fachin não recebeu o general Paulo Sérgio, mas seria exatamente no último dia de prazo para o título de eleitor. Imaginem a agenda do presidente do TSE! Seria cômico, não fosse trágico.

O Estado de São Paulo

Bolsonaro vai à China

 




Em economia, há menos diferença do que se imagina em temas da economia? Ou é o ambiente político supercompetitivo que exige concessões?

Por Pedro Fernando Nery* (foto)

Será sancionado nos próximos dias pelo presidente o Auxílio Brasil com valor mínimo de R$ 400, permanentemente. A medida foi aprovada pelo Congresso com apoio do governo, tendo como relator na Câmara o próprio ministro da Cidadania. O valor médio dos benefícios seria mais do que o dobro do que tinha o Bolsa Família em 2010, já descontando a inflação. Só Nixon poderia ter ido à China.

Até o ano passado, o benefício se chamava Bolsa Família – um carro-chefe dos governos do PT. Bolsonaro era crítico ardoroso do programa, que via como uma forma de compra de votos pelo partido, um desincentivo ao trabalho dos beneficiários e um estímulo à fecundidade de nordestinas. O plot twist é que, sob sua batuta, o orçamento do Bolsa Família agora seria triplicado de forma permanente – ou, pelo menos, para os próximos anos (salvo cortes ou uma queda significativa da pobreza). 

Como isso aconteceu? A expressão “Nixon vai à China”, sobre a viagem do presidente republicano à ditadura comunista no auge da Guerra Fria, alude a momentos como este. Um presidente de esquerda não encontraria apoio para fazer o gesto, que despertaria a ira da oposição de direita. Só um presidente conservador poderia ter essa iniciativa, porque sua oposição é ideologicamente simpática à sua decisão, e sua base – ainda que não concorde – não há de sabotá-lo.

Explica-se, assim, o aparente paradoxo de mudanças à esquerda acontecerem em governos de direita (ou vice-versa). No caso do Auxílio Brasil, basta lembrar que em 2015 a presidente Dilma Rousseff vetou na LDO um texto que permitiria aumentos para o Bolsa Família – em um momento em que o desemprego, a inflação e a pobreza subiam. O orçamento real do programa acabou reduzido naquele período.

Chama atenção ainda uma nova alta da tributação sobre o lucro dos bancos, proposta pelo atual governo no mês passado. A alíquota da CSLL para as instituições financeiras terminaria este governo liberal sendo 40% maior do que era em governos de esquerda. Ano passado, foi a vez da fracassada tributação de lucros e dividendos. A proposta frustrou a Faria Lima e foi ao encontro de uma bandeira da oposição. 

Já a presidente Dilma ao fim de seu governo propôs um teto de gastos, preparava uma reforma da Previdência e anunciara uma reforma trabalhista. 

Por trás da feroz polarização, há menos diferença do que se imagina em temas da economia? Ou é o ambiente político supercompetitivo que exige concessões, turvando as fronteiras das agendas de esquerda e de direita? 

*Doutor em economia 

O Estado de São Paulo

Eleições 2022: Quem são os 5% de eleitores que acham que economia no Brasil vai bem




Apesar da alta contínua na inflação e do baixo crescimento econômico, 5% dos brasileiros consideram que a economia vai bem

Por Nathalia Passarinho, em Londres

O empresário Marconi Antônio de Souza, de 71 anos, mora em Brasília e atua no ramo de máquinas de cartão de benefícios corporativos, como vale-alimentação. Eleitor de Jair Bolsonaro (PL), ele considera que a economia no Brasil vai bem.

"Tivemos uma pandemia que ainda não acabou e que está tendo uma fase aguda na China, temos uma interferência de uma guerra e um ano eleitoral. Mesmo assim, acho que a economia está indo bem, porque o governo tomou medidas que fizeram com que houvesse uma reação, como redução de juros para financiamento imobiliário", disse à BBC News Brasil.

A empresa de Marconi de Souza não encolheu, mas também não cresceu muito nos últimos dois anos. Ele atribui isso à pandemia e a fatores externos.

"Nossa empresa estabilizou em 2020 e cresceu um pouco no ano passado. O setor de turismo sofreu muito com a pandemia e alguns outros setores reduziram a produtividade por um problema de abastecimento que é global, mas a economia não andou para trás. Tem segmentos reclamando de barriga cheia", diz.

O empresário de Brasília faz parte dos 5% de brasileiros que, segundo a pesquisa de opinião eleitoral BTG-FSB, divulgada em 25 de abril, consideram que o Brasil vive "um bom momento econômico". Outros 32% acreditam que o Brasil está em crise econômica, mas conseguindo superar. A maioria, porém - 62% - avalia que o Brasil está em crise econômica e com dificuldade de superar.

Alguns indicadores econômicos importantes, como alta de preços, taxa elevada de desemprego e baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), alimentam esse cenário menos otimista. A inflação no ano passado, de janeiro a dezembro de 2021, alcançou 10,06%, a pior taxa desde 2015. Levando em consideração as 11 maiores economias da América Latina, o Brasil só fica atrás de Argentina e Venezuela, dois países que atravessam crises profundas, que vão muito além dos problemas trazidos pela pandemia de covid-19 e suas repercussões.

Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, acelerou para 1,62%, a maior taxa em 28 anos. E, recentemente, o Banco Mundial reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira de 1,4% para 0,7% em 2022.

Mas, então, o que leva 5% dos eleitores a considerar que a economia vai bem? Quem é essa parcela da população?

Segundo cientistas políticas ouvidas pela reportagem, a explicação pode estar no forte apoio desse público ao atual governo e também no poder aquisitivo - muito ricos ou muito pobres. Entenda:

Apoiadores de Bolsonaro

Para a cientista política Andréa de Freitas, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), esses 5% são majoritariamente formados por pessoas que apoiam fortemente Bolsonaro. "Acredito que sejam o núcleo duro de apoio ao bolsonarismo. Bolsonaro, mesmo nos piores momentos de avaliação do governo, sempre mantém algo em torno de 15 a 20% de aprovação", disse à BBC News Brasil.

"Quando a gente vai olhando para várias perguntas das pesquisas de opinião que direcionam o entrevistado a questões específicas do governo, você sempre tem o núcleo duro, que acha que tudo está muito bem. Esses 5% são parte desse grupo."

Segundo Freitas, a percepção desse eleitorado sobre a economia, portanto, está mais ligada à identificação com Bolsonaro do que com a situação socioeconômica dessas pessoas. Isso porque, destaca a professora, embora haja setores menos afetados pela inflação e o baixo crescimento econômico, nenhum deles está se beneficiando fortemente do estado atual da economia.

'Em março, o IPCA acelerou para 1,62%, a maior taxa em 28 anos'

"Eu não acho que tenha um setor que esteja se beneficiando, seja de políticas públicas ou de ausência das políticas públicas do Estado para economia. Todo mundo está, de alguma forma, sendo afetado pela queda no consumo, causada pela diminuição da renda e pelo aumento do desemprego", diz.

Segundo ela, nesse contexto, os eleitores que integram o núcleo duro de Bolsonaro vão utilizar "duas ferramentas racionais" para analisar o estado da economia.

Uma delas, diz Freitas, é distribuir responsabilidades. "Ele vai dizer que a responsabilidade é dos governadores que fecharam o comércio na pandemia, do Congresso, do Supremo Tribunal Federal ou da guerra da Ucrânia. A segunda é afirmar que a economia poderia estar muito pior, não fosse por Bolsonaro."

A professora da Unicamp destaca que, de fato, a pandemia e a guerra são fatores que influenciam na economia. "Mas quando a gente vai olhar os indicadores frios, o Brasil está pior do que muitas economias da América Latina. E todas elas, assim como o Brasil, estão sendo afetadas pela guerra e pela pandemia."

O empresário Marconi de Souza tem outra avaliação. Para ele, parte da "imprensa e adversários de Bolsonaro" pintam um quadro excessivamente dramático da economia.

"Os segmentos do Brasil que têm problema não estão tendo problema por causa da forma como o governo trabalha. O segmento que sofreu muito é o informal: o cara que vendia pipoca na praia, no semáforo, perto dos estádios. Com o 'fica em casa' durante a pandemia, esses segmentos tiveram prejuízos. Mas o governo atendeu dando o auxilio emergencial", argumenta.

"Como a gente está num ano eleitoral, as pessoas estão querendo tomar proveito disso. Tem gente querendo queimar o governo."

Muito rico e muito pobre

Já a professora de Ciência Política Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) avalia que os 5% que consideram que a economia vai bem são os muito ricos ou muito pobres - esses últimos beneficiados recentemente com o Auxílio Brasil.

"Essas pessoas devem integrar as camadas mais ricas que, independentemente da inflação ou das condições sociais e políticas, vão manter um patamar de riqueza", avalia. "Ou é o segmento muito pobre que, independentemente da situação, não enxerga potencial de melhora na própria condição de vida. São pessoas em condição vulnerável, com baixa inteligibilidade do que se decide politicamente e o impacto dessas decisões na política."

Entre os integrantes dessa camada mais pobre, o recebimento do Auxílio Brasil pode ter contribuído para uma percepção mais positiva do estado da economia, diz a professora. Esse programa de transferência de renda foi Instituído pelo governo Bolsonaro para substituir o Bolsa Família e paga cerca de R$ 400 por mês a cerca de 18 milhões de famílias. A criação do Auxílio Brasil foi alvo de controvérsia, com críticos afirmando que ele teria caráter eleitoreiro.

Por sua vez, Andréa Freitas, da Unicamp, acredita que o benefício em si, sozinho, não seria suficiente para gerar essa avaliação positiva. Para ela, o componente ideológico, de apoio a Bolsonaro, é o fator principal, enquanto o Auxílio Família seria o argumento racional usado para justificar a percepção otimista sobre a economia.

"Não é que o auxílio não faça diferença, mas eu acho que, de novo, ele entra nesse lugar da argumentação racional", diz.

"Pode haver pessoas que estão recebendo auxílio e que sintam que estão melhores do que antes. Mas eu não acho que é isso que vai conduzir necessariamente o voto no Bolsonaro, porque o processo de implementação do programa foi confuso e gerou a percepção de uma política instável."

Economia será tema central da eleição

'O preço médio do litro da gasolina ficou em R$ 7,283 na última semana de abril'

O fato é que a economia deverá ser o principal tema da eleição presidencial deste ano. E a melhora ou piora nos indicadores deve ter efeito direto na aprovação de Bolsonaro.

Segundo a consultoria internacional Eurasia Group, a principal preocupação do eleitor atualmente é "renda e emprego". Entre março e abril, pesquisas de intenção de voto revelaram um avanço de Bolsonaro, embora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continue à frente em todos os cenários para o primeiro e segundo turno. Lula aparece com 41% a 45% das intenções de voto, dependendo da pesquisa, e Bolsonaro com 30% a 32%.

E, em média, o percentual dos que aprovam a gestão de Bolsonaro subiu de 30% para 35% nos primeiros três meses deste ano. A Eurasia Group atribui a melhora na avaliação de Bolsonaro "à modesta recuperação do poder de renda" da população mais pobre nos primeiros meses deste ano devido a medidas pontuais.

"No segundo semestre de 2021, a renda real no Brasil caiu 11%, impulsionada por um aumento inflacionário maior do que o previsto, que atingiu duramente as famílias de baixa renda. Mas, no início de 2022, essas famílias recuperaram parcialmente a renda perdida com o reajuste anual de 10% do salário mínimo nacional, 13º salário para aposentados e algumas medidas tomadas pelo governo, como o perdão da dívida estudantil e liberação de saques do FGTS", diz a consultoria.

Apesar dessa leve recuperação na renda, a situação econômica do país continua difícil, com alta nos preços dos alimentos e combustíveis. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 11,3%. Alimentos e combustíveis são alguns dos setores mais afetados.

O preço médio do litro da gasolina ficou em R$ 7,283 na última semana de abril, o que representa uma alta de 0,18% em relação ao levantamento anterior.

Trata-se do maior valor nominal pago pelos consumidores desde que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) passou a fazer levantamento semanal de preços, em 2004. Já a taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2022 foi de 11,1%, o mesmo patamar do primeiro trimestre de 2021. É uma taxa menor que a projetada pela agência Bloomberg, de 11,4%.

Segundo a consultoria Eurasia, Bolsonaro precisa de avanços mais substanciais nos indicadores econômicos para continuar crescendo nas pesquisas.

Socorro Braga, professora da UFSCar lembra que, historicamente, eleitores culpavam o candidato à reeleição pelas crises econômicas em vigor. Mas o cenário atual, de pandemia seguida por uma guerra na Ucrânia, viabilizou uma narrativa de culpabilização de fatores externos.

"A inflação no Brasil está alta e atinge a classe média. Nas eleições anteriores, quanto maior a inflação, menor capacidade de compra e, como consequência, culpava-se o governo", diz.

"Mas uma parcela da população, sobretudo esses 5% que consideram que a economia vai bem, está culpando o efeito da pandemia ou da guerra, e não a falta de políticas efetivas para debelar essa situação. É uma narrativa forte você dizer que isso é consequência de uma guerra, da falta de insumos e da pandemia."

Resta saber se essa narrativa vai ganhar força ou perder espaço ao longo da campanha eleitoral. 

BBC Brasil

A cama está feita




Por Carlos Andreazza (foto)

A farsa golpista encenada por Bolsonaro chegou à página em que a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro estaria condicionada ao exame por auditoria a ser contratada pelo partido de Valdemar Costa Neto. Processo cuja legitimação dependerá da supervisão das Forças Armadas, o Poder Moderador empossado pela leitura pervertida do Artigo 142 da Constituição e, até outro dia, comandado pelo general candidato a vice na chapa de Bolsonaro à reeleição.

A cama está feita.

Mais do que se considerarem, as Forças Armadas agem como Poder da República. Poder da República especial, cujo alcance moderador foi investido por ministros de tribunal superior que avalizaram burocratas armados e ressentidos como interlocutores com status para formular questões cujo pressuposto é a desonestidade da Justiça Eleitoral. Uma tocaia em que, independentemente das respostas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a tese de fraude restará provada.

A cama está feita.

As Forças Armadas que agem como Poder Moderador são as mesmas a serviço de minar a credibilidade do sistema eleitoral. A serviço, pois, dos interesses de Bolsonaro.

O ministro da Defesa já é outro. Não importa quem seja o da vez. O governo é militar e não se move senão sob o entendimento viciado — desde há muito explicitado — segundo o qual as Forças Armadas seriam conjunto com poder interventor sobre Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional. São generais zelosos dessa competência arbitrária — de representantes de um Poder acima do equilíbrio republicano, com direito a tutela sobre a concertação republicana — os que Luís Roberto Barroso e Luiz Fux convidaram a participar do processo eleitoral.

É uma obviedade: militares não são autoridades em matéria eleitoral; nem compõem um Poder, muito menos um Moderador. O problema, porém, é maior. Há má intenção. Sob o que já chamei de 7 de Setembro permanente, um estado mesmo de ameaça golpista que sustenta a instabilidade institucional como modo de o populismo bolsonarista prosperar, os militares aceitaram o papel de fundação para que o arruaceiro lastreasse o conspiracionismo com que espalha desconfiança contra uma das expressões concretas da República.

Parêntese importante aqui. Não é à toa que Bolsonaro ataca as culturas brasileiras de vacinação e eleição, ambas sólidas manifestações de um país que chega igualmente a todos. Ambas, portanto, materializações — manifestações de sucesso e fortaleza — da ideia de República. E ele é, antes de tudo, um antirrepublicano.

O presidente da República é, sobretudo, um mentiroso. Prometeu várias vezes — e há tempos não fala disso — apresentar provas de que a eleição que venceu fora fraudada. Nunca o fez. Nunca foi punido por criminalizar o TSE.

Prometeu também que sossegaria — aceitaria — qualquer que fosse o resultado da votação no Parlamento sobre adoção do voto impresso; pacificação em que só acreditou quem não compreende que a existência competitiva de Bolsonaro se alimenta de choques e imprevisibilidades. Arthur Lira nunca acreditou. Compôs o teatro. É sócio e está bom assim, bem servido pela multiplicação de orçamentos secretos que o antirrepublicanismo favorece.

Escorado num Congresso amansado, Senado de Pacheco incluído, por Orçamento da União sem teto para gastos de natureza patrimonialista em ano eleitoral, Bolsonaro declara que “as Forças Armadas não vão fazer o papel de chancelar apenas o processo eleitoral”. Note-se como evolui a corrosão da ordem constitucional. Convidadas — pelo TSE — a “chancelar” a qualidade do sistema, algo que nunca lhes coube, as Forças Armadas, orientadas pelo presidente e “bastante zelosas” de suas prerrogativas assaltadas à Constituição, tomaram o que jamais lhes foi função e ora vão deitadas na cama, de coturno e tudo, endossando previamente o que será acusação de fraude na eleição de outubro.

A cama está feita e ocupada.

Bolsonaro é claro sobre como explorará a armadilha que o Supremo levantou ingenuamente e a que o Supremo se oferece: “As Forças Armadas não estão se metendo no processo eleitoral. Elas foram convidadas”. Foram mesmo; convidadas a participar de comissão de transparência — um erro imensamente apontado — e agora se projetam como habilitadas a não validar o resultado de eleição.

Não validarão. Está dado. Ou não avançamos no capítulo em que as Forças Armadas — sob gestão explícita de Bolsonaro — plantam, na forma de perguntas diabólicas (em que a Justiça Eleitoral teria de provar a lisura de seu sistema de votação), que um tribunal superior é corrupto? Não se trata de outra coisa.

Desnecessário, a esta altura, será dizer que ninguém ali — presidente à frente — está preocupado com a segurança das eleições, como jamais esteve com a segurança da população a ser vacinada. Só a auditoria de Valdemar poderá nos salvar.

O Globo

Queremos eleições livres e justas no Brasil, diz subsecretária de Estado dos EUA




Militantes de direita pedem golpe militar na Avenida Paulista durante manifestações do 7 de setembro

Por Mariana Sanches, em Washington

No momento em que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) volta a lançar dúvidas sobre o processo eleitoral, sugerindo que os militares deveriam supervisionar a contagem de votos do pleito presidencial de 2022, a subsecretária de Estado dos Estados Unidos, Victoria Nuland, afirmou em entrevista exclusiva à BBC News Brasil que, no Brasil, "o que precisa acontecer são eleições livres e justas, usando as estruturas institucionais que já serviram bem a vocês (brasileiros) no passado".

Nuland, responsável por assuntos políticos na diplomacia americana comandada por Antony Blinken, esteve há poucas semanas no Brasil, junto a uma delegação americana de alto nível. Os diplomatas dos dois países trataram, entre outros temas, de cooperação na área de defesa e de agricultura.

Na ocasião, os americanos voltaram a expressar "confiança na democracia brasileira". Segundo Nuland, no entanto, ela alertou o governo e a oposição sobre o risco de interferência russa nas eleições deste ano.

Candidato à reeleição e em segundo lugar nas pesquisas, Bolsonaro tem feito uma série de comentários sobre supostas fragilidades das urnas eletrônicas, sem apresentar provas, e atacado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que conduz o processo.

Na semana passada, a agência de notícias Reuters noticiou que, em julho de 2021, o diretor da agência de inteligência americana, a CIA, William Burns, teria advertido assessores diretos de Bolsonaro de que o presidente, que àquela altura já levantava dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, deveria deixar de questionar a integridade das eleições no país.

Tanto Bolsonaro como o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que teria estado presente na conversa, negam que ela tenha acontecido.

Questionada sobre o que os EUA fariam em caso de uma tentativa de golpe no país, Nuland afirmou: "Queremos eleições livres e justas em países ao redor do mundo e, particularmente, nas democracias. Julgamos a legitimidade daqueles que se dizem eleitos com base em se a eleição foi livre e justa e se os observadores, internos e externos, concordam com isso. Então, queremos ver, para o povo brasileiro, eleições livres e justas no Brasil".

Ao citar observadores externos, Nuland toca indiretamente em mais um ponto sensível no atual debate político brasileiro. Depois que o TSE remeteu dezenas de convites para instituições estrangeiras acompanharem o pleito, em outubro, o Itamaraty reclamou do convite à União Europeia, e o TSE teve de recuar. Bolsonaro também disparou críticas públicas à presença dos observadores, que acompanham eleições brasileiras ao menos desde 1994.

Brasil e EUA vivem uma "recalibragem" de suas relações, depois do mal-estar causado nos americanos pela visita do presidente brasileiro a Moscou em fevereiro, dias antes de o líder russo Vladimir Putin ordenar a invasão da vizinha Ucrânia. Entre diplomatas brasileiros existe a expectativa de que Bolsonaro e Biden se falem pela primeira vez pessoalmente em Los Angeles (EUA), em junho, durante a Cúpula das Américas.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista, editada por concisão e clareza.

BBC News Brasil - Os EUA mudaram recentemente de tom em relação à Rússia: falam em 'enfraquecer' o país, enviam altos funcionários e parlamentares (como a presidente da Câmara, Nancy Pelosi) a Kiev, estão treinando soldados ucranianos. Não existe o risco de que essa nova postura contribua para o discurso de Putin de que esta é uma guerra do Ocidente contra a Rússia e aumente as chances de uma guerra nuclear? O que há para os EUA ganharem com essa nova abordagem?

Victoria Nuland - Eu diria que nosso tom em relação à Rússia é uma resposta direta ao fato de que Putin e seus militares invadiram a Ucrânia e à agressão cruel que estão perpetrando no país, incluindo os tipos de crimes de guerra que temos visto em Bucha e Kramatorsk etc. E os Estados Unidos, junto com o Brasil e muitos outros países, 141 países, foram ao Conselho de Segurança da ONU e à Assembleia Geral da ONU e disseram 'não' à agressão da Rússia.

Portanto, temos que chamar as coisas pelos seus nomes, e isso não é apenas uma guerra cruel contra a Ucrânia, mas uma violação de todos os princípios da carta da ONU e da soberania e integridade territorial dos países. Estamos defendendo o Estado de Direito, as regras globais que levaram à paz e à segurança por tantos anos e que a Rússia está violando flagrantemente agora.

'Biden e Putin se reuniram em Genebra em meados de 2021, em uma que reunião durou menos do que era previsto e não impediu o início da guerra na Ucrânia em fevereiro de 2022'

BBC News Brasil - O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, favorito para vencer as eleições de 2022 segundo pesquisas eleitorais, deu uma entrevista recente à revista Time em que critica o presidente dos EUA Joe Biden por não ter embarcado em um avião para Moscou para tentar dissuadir o líder russo Vladimir Putin da guerra. Como os EUA recebem essa crítica?

Nuland - Bem, em primeiro lugar, o presidente Biden falou com o presidente Putin duas, três, quatro vezes antes desta guerra, argumentando com ele. Como você deve se lembrar, os EUA descobriram esses planos de guerra no final de outubro e começaram a alertar o mundo em novembro, dezembro, janeiro, fevereiro que Putin tinha esses planos.

E durante esse período, o presidente Biden trabalhou muito para tentar convencer o presidente Putin a não ir à guerra, e em vez disso, seguir um caminho diplomático, trabalhar conosco, trabalhar com aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), trabalhar com a Ucrânia, negociar quaisquer preocupações que ele tinha sobre as visões de segurança russas na Ucrânia. E nos oferecemos para ajudar. Tivemos uma rodada de conversas.

Enviamos uma proposta de dez páginas analisando todos os tipos de coisas, como preocupações (russas) com armas ocidentais, etc. Mas, em vez de vir à mesa diplomática, o presidente Putin optou por invadir e invadir de uma maneira muito, muito sangrenta. Portanto, não acreditamos que ele esteja ouvindo alguém.

BBC News Brasil - O presidente brasileiro Bolsonaro sugeriu ao governo turco recentemente uma missão conjunta a Moscou para participar das negociações para o fim da guerra. Os EUA diriam que essa tentativa é bem-vinda?

Nuland - Não temos dificuldade com nenhum líder global tentando convencer Putin a acabar com esta guerra. E vários já tentaram. O presidente Putin não está ouvindo. Esse é o problema. Então, torna-se uma questão de, se ao ir a Moscou você não for muito cuidadoso, parece estar dando apoio à guerra de Putin, especialmente visto que ele não mostrou nenhuma evidência de mudança de rumo com telefonemas e visitas recentes.

BBC News Brasil - Cerca de uma semana antes do início da guerra na Ucrânia, dois grandes líderes da América Latina, os presidentes da Angentina e do Brasil, foram a Moscou para se encontrar com Putin. O que isso diz sobre as relações dos EUA com esses países da região?

Nuland - Sabíamos que essas visitas iriam acontecer. Exortamos tanto o Brasil quanto a Argentina a darem a Putin a mesma mensagem que o presidente Biden estava enviando a ele e aos funcionários russos em todos os níveis, pública e privadamente, de que esta guerra seria um desastre, não apenas para a Ucrânia, mas para a Rússia, para a liderança de Putin e para sua economia e sua posição militar. E nosso entendimento é que em ambas as visitas, ambos os líderes, tentaram argumentar com Putin, mas ele não estava ouvindo. Então este é o problema, Putin não está ouvindo ninguém.

BBC News Brasil - Teremos eleições presidenciais este ano no Brasil. Os EUA têm alguma preocupação ou motivo para acreditar que os russos tentarão interferir ou se intrometer no processo?

Nuland - Obviamente, temos preocupações. Vimos a Rússia se intrometer em eleições em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos e na América Latina. Por isso, em minha recente visita ao Brasil, exortei o governo a ser extremamente vigilante, e a oposição também, para garantir que forças externas não estejam manipulando seu ambiente eleitoral de forma alguma. Isso precisa ser uma eleição de brasileiros para brasileiros, sobre seu próprio futuro.

'Assim como aconteceu com Trump 2020 nos EUA, o presidente Bolsonaro está lançando dúvidas sobre o processo eleitoral no Brasil antes do pleito'

BBC News Brasil - Assim como aconteceu em 2020 nos EUA, Bolsonaro está lançando dúvidas sobre o processo eleitoral no Brasil de antemão, exigindo a participação do Exército na apuração dos votos e dizendo que pode não reconhecer os resultados. Como os EUA veem esse tipo de declaração?

Nuland - Acreditamos que o Brasil tem um dos sistemas eleitorais mais fortes da América Latina. Vocês têm instituições fortes, salvaguardas fortes, uma base legal forte. Então, o que precisa acontecer são eleições livres e justas, usando suas estruturas institucionais que já serviram bem a vocês no passado. Temos confiança no seu sistema eleitoral. Os brasileiros também precisam ter confiança.

BBC News Brasil - O que os EUA fariam caso alguma tentativa de subversão dos resultados eleitorais acontecesse no país?

Nuland - Queremos eleições livres e justas em países ao redor do mundo e particularmente nas democracias. Julgamos a legitimidade daqueles que se dizem eleitos com base em se a eleição foi livre e justa e se os observadores, internos e externos, concordam com isso. Então, queremos ver, para o povo brasileiro, eleições livres e justas no Brasil. Vocês têm uma longa tradição nisso. E isso é o mais importante para manter a força do Brasil daqui para frente.

BBC News Brasil - Os fertilizantes são um suprimento crítico para a produção de alimentos e o Brasil enfrenta a falta do produto, importado principalmente da Rússia. Os EUA apoiariam a criação de algum corredor seguro ou um salvo-conduto para navios russos carregados de fertilizantes para o Brasil, como o presidente brasileiro solicitou recentemente à diretora da Organização Mundial do Comércio?

Nuland - O fato de haver uma escassez global de fertilizantes - e uma escassez no Brasil - é resultado direto da decisão de Putin de lançar essa guerra. No meu entendimento, a única coisa que impede o fertilizante russo de chegar ao mercado é a guerra que Putin lançou.

Então, o que os Estados Unidos estão tentando fazer é trabalhar com países como o Brasil. E o secretário Blinken terá uma reunião, para a qual o Brasil está convidado, em algumas semanas sobre alimentação, segurança e fertilizantes etc., para ajudar países como o Brasil que precisam de fertilizantes. E então, com fertilizantes, podemos ajudar a alimentar o mundo, porque também temos muitos países com insegurança alimentar que dependem de grãos vindos da Ucrânia.

Quando eu estive no Brasil, nós trabalhamos em um projeto do Departamento de Agricultura dos EUA, para ver como vocês usam os fertilizantes nas lavouras (brasileiras). Estamos tentando aumentar a produção de fertilizantes nos EUA.

Estamos trabalhando com o Canadá e outros países que podem ajudar, para acelerar isso, para que vocês tenham uma safra muito forte, para poder alimentar a si mesmos e seus parceiros de exportação habituais, mas também possa ajudar a alimentar o mundo, (para o Brasil) ser generoso com alimentos, como já foi com o petróleo, com o aumento da produção brasileira de petróleo neste momento de necessidade para o mundo.

BBC Brasil

R$ 571.764,33 de duas Secretarias que devem ser decifrados.

 

                                                       Foto Divulgação

Efetuei uma Análise Econométrica do Impacto desses vultuosos Gastos Públicos; infelizmente não conseguir entender nada.

O remetente informou que o Secretário de Administração e Obras abocanhando mais secretárias e empregos, arranjou uma boquinha na Secretária de Educação para sua cunhada, cujos gastos de ambos abrangeu a quantia acima exposta, ou seja, o Secretário de Obras R$ 333.300,00(trezentos e trinta e três mil e trezentos reais) e sua cunhada Secretério de Educação R$ 244.864,33 (duzentos e quarenta e quatro mil, oitocentos e sessenta e quatromreais com trinta e três centavos) perfazendo um total de R$ 571.764,33(quinhentos e setenta e um mil seiscentos e sessenta e quatro reais com trinta e três centavos).

Como nada entendi, nada tenho a dizer, cabendo aos vereadores na próxima sessão, deslindar essa incógnita.

Dessa vez com tantas denúncias de mau mau uso do dinheiro público, se o Presidente da Câmara não encaminhar as denúncias aos órgãos competes, melhor será FECHAR A CÂMARA E JOGAR A CHAVE NA LATA DO LIXO.

 

Os vereadores da oposição parece que acordaram e não irão ser benevolentes com a administração rejeitada pelo povo, parece que resolveram investigar possíveis irregularidades no uso de recursos públicos, restando saber se irão denunciar e não ficar só em conversas; as denúncias são graves, é muito dinheiro sendo comido pelo gato conforme ananciou o Vereador Neguinhao de Lié.

“O vereador tem a responsabilidade de fiscalizar a coisa pública. São os recursos que, muitas vezes, vêm por meio de convênios, ou são próprios. O POVO quer de saber como eles são gastos, como acontecem os pagamentos e são celebrados os contratos licitatórios. Cercear o vereador de fazer aquilo que lhe é constitucional é infringir, é improbidade”.

Os vereadores principalmente da oposição não podem nem devem  desonrar quem acreditou no seu trabalho nem quem votou em vocês, estão na Casa do Povo para ser um vereador, não para ser um capacho [puxa-saco] e baixar a cabeça atrás de benesses do (des)governo).

As denúncias do uso inapropriado do erário público, das fraudes, da corrupção e das improbidades estão ai expostas, cabe ao PRESIDENTE DA CÂMARA não abafar e dar prosseguimento encaminhando as autoridades competentes, no caso o MPF, o MPE, a CGU e a Polícia Federal.

Caso contrário é fechar a Câmara e jogar a chave no lixo.


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