segunda-feira, julho 12, 2021

Mudança no processo de envio dos recursos faz o ‘orçamento secreto’ ficar ainda mais obscuro

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Ricardo Welbert (Portal Gerais)

 

Mariana Carneiro
O Globo

Uma planilha de cerca de 90 mil linhas guardada a sete chaves no gabinete do senador Marcio Bittar (MDB-AC), o relator do Orçamento de 2021, é o único documento onde se pode encontrar informações sobre o destino dos R$ 16,850 bilhões a serem distribuídos em emendas parlamentares por meio da verba conhecida como “orçamento secreto”.

Isso porque mudanças recentes na forma de empenho dos recursos tornaram o processo ainda mais secreto. Tão secreto que saber qual parlamentar está apadrinhando cada emenda parece ter se tornado tarefa impossível até mesmo para alguns líderes partidários.

EMENDAS RP9 – As emendas de relator, tecnicamente chamadas de RP9, são uma modalidade de distribuição dos recursos criada no final de 2019, dando ao relator do Orçamento o poder de decidir para onde o dinheiro deve ser enviado.

Até agora, ainda se podia encontrar pistas sobre quem eram os donos do dinheiro por meio dos ofícios que pediam aos ministérios a liberação dos repasses, que eram enviados explicando os nomes dos deputados e senadores beneficiados por cada verba.

Foi assim que o jornal O Estado de S. Paulo descobriu que 250 deputados e 35 senadores receberam R$ 3 bilhões em emendas para aplicarem em seus redutos políticos em troca de apoio a governistas na eleição para as presidências da Câmara e do Senado.

NOMES RETIRADAS – Como a lei que criou as RP9 não obrigava que se tomasse essa providência, neste ano a cúpula do Congresso decidiu simplesmente retirar os nomes dos parlamentares dos documentos.

Agora, é Bittar quem assina todos os pedidos, sem dizer quem o pediu, o que torna a informação sobre quem está sendo beneficiado por qual recurso ainda mais difícil de conseguir. 

Mas afinal, quem decide como o dinheiro do “Orçamento secreto” será aplicado? O assunto é tão sensível que em Brasília ninguém quer assumir a paternidade da criança.

NOTA DO RELATOR – O próprio Bittar, que assina as emendas e formalmente assume a responsabilidade pela destinação dos recursos, diz que não tem nada a ver com isso. Ele não quis dar entrevista, mas enviou uma nota em que afirma: “O nome do senador Marcio Bittar aparece como indicador da emenda apenas por ser o responsável pelo envio das informações, mas não é ele o responsável pela alocação do recurso”.

Aliados dizem que ele recebe as listas de emendas com o gasto a ser feito e o município, mas não o nome do político que destinou o dinheiro.

Bittar não informa quem o entrega esses pedidos, embora seja público que R$ 11 bilhões estão sob controle da Câmara e de seu presidente, Arthur Lira (PP-AL), e outros R$ 5,5 bilhões devam ser distribuídos pelo Senado. Só que as emendas do Senado ainda não saíram. Por ora, só a Câmara distribuiu dinheiro.

LIRA DISTRIBUI – Líderes partidários e assessores contam que é o próprio Arthur Lira quem concentra as decisões sobre a destinação da verba – o que ele, obviamente, nega.

 “Tem comissão do Orçamento, tem plenário, tem relator-geral, não é presidente da Casa quem define isso. O relator é quem envia aos ministérios. Você imagina que vou sair ligando de deputado para deputado?”, diz o presidente da Câmara. Mas Lira também não explica quem faz esse trabalho e envia as listas a Bittar.

O que os interlocutores do presidente da Câmara contam é que ele está negociando as emendas apenas com o círculo mais próximo de deputados. Se um líder de um partido não é muito ligado a ele, Lira negocia a destinação das emendas daquele partido com o deputado daquela sigla mais chegado a ele. 

DINHEIRO VAI SAINDO – Já foram liberados dessa forma R$ 2,753 bilhões. Outro R$ 1,2 bilhão está prometido para até o final de julho, no que um deputado envolvido nas conversas chamou de “esforço para votar às pressas a LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] de 2022”.

Sem a aprovação da lei não se pode decretar recesso parlamentar, e por isso a LDO tem que ser votada até o final desta semana. O “esforço”, portanto, consiste na troca de verbas pela votação da LDO.

O fato de ninguém no Congresso querer aparecer como dono do destino do orçamento secreto vem sendo justificado a deputados e assessores parlamentares justamente pela cobertura que a imprensa tem feito do assunto.

ESCONDENDO TUDO – Imagina-se que, fechando o rol de pessoas que têm acesso à informação sobre as emendas, seja reduzida a possibilidade de vazamentos e fique mais fácil rastrear a fonte das informações dadas à imprensa.

Uma coisa é certa: quem quer aplicar de R$ 11 bilhões do dinheiro público sem ter que prestar contas está pensando em tudo, menos no contribuinte. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se vê, o conluio entre governo e Congresso inclui o descumprimento de todas as leis e regras que exigem transparência aos atos públicos. Desse jeito aonde vamos parar? (C.N.)


Violentos protestos nas ruas e crise da Covid mostram que regime cubano está derretendo

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Manifestantes se afastam de soldados que bloqueiam estrada durante protesto em Havana contra o governo

Polícia reprime as manifestações, cada vez mais violentas

Sylvia Colombo
Folha

“Já não gritamos mais ‘pátria ou morte’ [slogan da revolução de 1959], mas ‘pátria e vida'”, cantaram os manifestantes que saíram às ruas em diversas cidades de Cuba e em Miami, nos EUA, no último domingo (11), para protestar contra o regime. As palavras são parte de uma canção de um grupo de artistas: Yotuel Romero, Descemer Bueno, El Osorbo e El Funky.

Lançada em 16 de fevereiro, ela tem servido como motor dos protestos, até então pouco volumosos e pontuais, que vinham ocorrendo nos últimos meses.

É GRAVE A CRISE – Mas apenas uma música não levaria multidões às ruas se a situação em Cuba não fosse tão grave. O país viu o PIB encolher 11% no ano passado. A ilha, que \importa mais de 70% do que consome, tem sofrido com a escassez de alimentos e remédios devido ao fechamento das fronteiras provocado pela pandemia de Covid.

Posts em redes sociais que mostram longas filas para comprar os itens são comuns. A falta de comida é tão grande que o regime cubano impôs condições para permitir que camponeses matem vacas ou bois para consumo próprio. No pedido ao Estado pelo direito de matar o animal, é preciso declarar quanto leite a vaca já produziu e quantos quilos tem o boi.

FLUXO DE DÓLARES – A falta de voos internacionais também interrompeu as remessas em dólares que cubanos radicados no exterior, principalmente nos EUA, enviam para as suas famílias. Segundo dados oficiais, 65% delas recebiam ajuda de parentes. Há, também, o agravamento da situação sanitária devido à pandemia de coronavírus e à falta de estrutura hospitalar para atender toda a população.

Ainda que Cuba tenha medicina de ponta e esteja fabricando vacinas, o sistema hospitalar da ilha não tem dado conta de atender tantos casos. As manifestações ocorreram um dia após o regime ter negado um pedido de dissidentes para que se criasse um “corredor humanitário”, viabilizando a chegada de remédios.

APOIO DO EXTERIOR – O governo recusou a solicitação. Por meio de um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores reconheceu a gravidade da situação sanitária, mas afirmou que está fazendo uma campanha e recebendo apoios do exterior. Em uma postagem nas redes sociais, o chanceler Bruno Rodríguez afirmou que “Cuba recebeu doações de insumos médicos de 20 países, e outras 12 estão em processo de envio”.

No dia em que aconteceram as manifestações em massa, as maiores no país em décadas, Cuba registrou um novo recorde diário de infecções e mortes por Covid, com 6.923 casos de um total de 238.491, além de 47 mortes em 24 horas, somando, ao todo, desde o início da crise sanitária, 1.537 mortes. Essas cifras, porém, segundo opositores, não refletem a situação real dos hospitais, que estariam colapsados.

CULPA DO EMBARGO – No campo político, o líder do regime, Miguel Díaz-Canel, assumiu recentemente também a liderança do Partido Comunista Cubano. A situação macroeconômica que enfrenta, porém, é mais difícil que a de seu antecessor, Raúl Castro. Na gestão do irmão de Fidel Castro, líder histórico do país, houve a tentativa de abrir parte da economia à iniciativa privada e um ensaio de aproximação com os EUA.

A crise, no entanto, congelou a capacidade de consumo dos cubanos. Já a tímida reconciliação com Washington foi revertida por Donald Trump e ainda não foi retomada pelo sucessor, Joe Biden. Assim, o regime segue culpando o embargo imposto à ilha como responsável pela falta de alimentos à população.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sem apoio da Rússia da Venezuela e do Brasil, que também estão em crise, o regime cubano não tem a menor viabilidade. Sem democracia, não há solução. Para a ilha, a saída é o socialismo democrático, abrindo Cuba ao turismo que enriquecerá o belíssimo país(C.N.)

Essa e a Jeremoabo que a imprensa paga, a imprensa lixo não mostra

 



































Essa é a atual situação do regresso de Jeremoabo.

Remove o asfalto e coloca barro.

Carga com 36,5 t de maconha é localizada em maior apreensão de drogas da história

Carga com 36,5 t de maconha é localizada em maior apreensão de drogas da história
Foto: Ministério da Justiça

Uma carga de soja que escondia 36,5 toneladas de maconha foi apreendida neste fim de semana pela Polícia Militar do Mato Grosso do Sul na cidade de Deodápolis. De acordo com a Agência Brasil, se trata da maior apreensão de drogas da história do país.

 

O motorista foi preso e encaminhado à Polícia Civil no município. Segundo a investigação, a droga estava sendo transportada para o Porto de Santos, em São Paulo.

 

Coordenada pela Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a ação integra o Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (Vigia).

 

Segundo a pasta, as apreensões relacionadas ao programa totalizaram 673 toneladas de drogas entre junho de 2020 e junho deste ano, aumento de 111% em relação aos 12 meses anteriores.

 

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a principal droga apreendida é a maconha. Em dois anos de atuação, o Programa Vigia levou a perdas mais de R$ 3 bilhões aos criminosos e evitou prejuízo de mais de R$ 500 bilhões aos cofres públicos. Foram apreendidas mais de 870 toneladas de drogas, 113 milhões de maços de cigarros, além de embarcações, veículos e produtos contrabandeados.

 

O Programa Vigia atua em 15 estados: Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Acre, Rondônia, Tocantins, Goiás, Roraima, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pará, Amapá, Rio Grande do Norte e Ceará. As ações seguem as diretrizes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com foco na atuação integrada, coordenada, conjunta e sistêmica entre as instituições. O programa tem três eixos: operações de segurança, capacitação de agentes e compra de equipamentos e sistemas.

Bahia Notícias

Marco Aurélio defende reforma para enxugamento da competência criminal do Supremo

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

O ministro Marco Aurélio Mello durante sessão do STF

Marco Aurélio foi ministro do Supremo durante 31 anos

José Carlos Werneck

Prestes a se aposentar nesta segunda-feira após 31 anos no Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio Mello defendeu, em entrevista ao podcast “Supremo na Semana”, uma reforma processual que promova redução na competência criminal do Tribunal.

“É preciso que a atribuição, a competência do Supremo, seja enxugada. Por que a Suprema Corte americana, por exemplo, julga por ano, são nove integrantes, 100 processos e aqui nós julgamos milhares de processos? Isso gera uma angústia muito grande para o julgador, que é a conciliação da celeridade com o conteúdo”, enfatizou.

SEMPRE  POLÊMICO – Ele se aposenta ao completar 75 anos, que é a idade limite permitida pela Constituição aos magistrados. O site do tribunal traz ainda um áudio de um dos primeiros julgamentos de que Marco Aurélio participou, em 1990. Recém-chegado ao STF, indicado pelo presidente Fernando Collor, ele abriu divergência para votar contra a possibilidade de o Supremo julgar um habeas corpus, o HC 67915, por entender que a competência seria do Superior Tribunal de Justiça, mas acabou vencido.

Ao tratar do tema, o ministro afirmou que mantém o mesmo entendimento e que o STF precisa julgar “com humildade e com os pés no chão”, respeitando a “pedreira” da magistratura, em menção aos juízes de primeira instância, e os demais ritos processuais.

SEM GARANTIAS – “Quem nos garante que a decisão mais consentânea com a ordem jurídica seja sempre do Supremo?

Eu, por exemplo, confio muito na pedreira da magistratura que está na primeira instância, no juiz de primeira instância, mesmo porque ele ouve as testemunhas, ele tem contato com os elementos probatórios que são coligidos no processo. Então, essa tem que ser a visão. Nós temos que atuar, acima de tudo, com humildade e com os pés no chão, e observando, como eu disse, a organicidade do direito”, afirmou.

O ministro lembrou também que, em muitos temas nos quais ficou inicialmente vencido, o tribunal depois adotou seu entendimento, relembrando um recado dado muitas vezes nos últimos anos: “Quando é preciso contrariar a vontade da maioria, o colegiado deve contrariar. Porque paga-se um preço por se viver numa democracia e é módico: o respeito irrestrito às regras estabelecidas. E, observando-se as regras, se tem segurança jurídica.”

Marco Aurélio Mello, com certeza, fará falta no Supremo.

General Santos Cruz considera uma “ameaça absurda” a fala de Bolsonaro contra a eleição


 (crédito: Ed. Alves)

Santos Cruz defende um combate permanente à corrupção

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, chamou de “ameaça absurda” a afirmação do presidente Jair Bolsonaro sobre não haver eleições em 2022 caso não seja adotado o voto impresso. Ao participar de live organizada pelo grupo Parlatório na noite deste domingo, 11, o militar defendeu ainda uma “reação forte” da sociedade e das instituições contra a ameaça feita pelo chefe do Executivo.

“Algumas ameaças são absurdas, como de o presidente da República dizer que talvez não tenha eleição. Eleição é fundamento básico da democracia”, disse Santos Cruz.

REAÇÃO FORTE – “Esses pontos sofrem algum desgaste, mas tem de haver reação forte das pessoas e das instituições. Temos algumas instituições muito fracas, seja no Judiciário, seja no Congresso Nacional, que, na minha opinião, têm de ser mais fortes”, acrescentou.

O general afirmou que o fanatismo no Brasil pode acabar em violência. Também considerou que há um desrespeito generalizado no país a ser enfrentado pela lei. O ex-ministro disse ainda que a corrupção é um ponto que deve ser combatido por aumentar o risco de ruptura institucional.

Para Santos Cruz, as Forças Armadas estão no centro da discussão política devido à decisão de Bolsonaro de nomear diversos militares para o governo.

CRIA-SE ALARMISMO – O general avaliou também que o caráter político da CPI da Covid criou um desgaste para as Forças Armadas. Mesmo assim, ele julga que não contribui para melhorar o cenário a resposta institucional do Ministério da Defesa e dos comandantes das Forças Armadas em repúdio às declarações do senador Omar Aziz, presidente da CPI, a respeito do suposto envolvimento de militares em corrupção.

“Estamos vendo um contexto de manifestações que não contribuem em nada, que trazem alarmismo, prejudicam o ambiente institucional”, disse Santos Cruz. “Isso começa com um mau exemplo vindo de cima”, completou.

Participam da live do Parlatório, entre outros, o ex-presidente da República Michel Temer, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, o presidente do Google no Brasil, Fábio Coelho, a vice-presidente Executiva do Santander, Patrícia Audi, o presidente da BR Distribuidora, Wilson Ferreira Júnior, e o ex-porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros.

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