segunda-feira, julho 05, 2021

Com a CPI, Centrão e militares estão no foco das suspeitas de corrupção no governo Bolsonaro

 


Arquivo para Charges - Página 34 de 132 - Sindicato dos Bancários ...

Charge do Bier (Arquivo Google)

Vinicius Valfré
Estadão

As suspeitas de corrupção na compra de vacinas contra a covid-19 envolveram, até agora, militares do Exército e apadrinhados do Centrão, duas sólidas bases de sustentação do governo de Jair Bolsonaro. O organograma dos fatos sob investigação evidencia uma aliança pragmática entre os dois setores pelo controle das verbas do Ministério da Saúde, o maior orçamento entre as 22 pastas.

De uma ponta a outra, as tratativas para a importação de imunizantes passaram pelas mãos de nomes indicados pelo grupo do Congresso ao qual Bolsonaro se aproximou para barrar ameaças de impeachment.

CENTRÃO E MILITARES – Os indicados políticos foram mantidos ou apoiados por militares que assumiram o ministério no ano passado e, durante a pandemia, controlaram cifras bilionárias. A dobradinha entre Centrão e Exército se concentrou no Departamento de Logística da pasta, onde estão as principais suspeitas de irregularidades e um histórico de loteamento e denúncias de fraudes.

Ao menos desde o governo de Michel Temer, o setor é controlado pelo Progressistas, do senador Ciro Nogueira (PI) e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PR).

Os três diretores que passaram pelo posto acumulam denúncias de corrupção e mau emprego de dinheiro público. Dois deles foram reabsorvidos pelo governo Bolsonaro. Davidson Tolentino é diretor da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a estatal do Centrão, desde julho. Em maio de 2020, Tiago Queiroz virou secretário de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional, um dos principais cargos da pasta de Rogério Marinho.

ESQUEMA DO PARANÁ – Apesar da narrativa de Jair Bolsonaro de acabar com o loteamento em cargos técnicos, a tradição foi mantida na Saúde. O nome do agora ex-diretor de logística, Roberto Dias, foi indicado pelo Centrão ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM). Oficialmente, a sugestão foi do ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), mas Dias saiu diretamente do governo do Paraná, de Cida Borghetti, mulher de Ricardo Barros, para a cadeira de diretor do Ministério da Saúde.

Com o protagonismo de Mandetta como condutor do combate à pandemia e defensor de posições científicas, Bolsonaro tirou o ministro do cargo. Nada disso abalou a permanência de Dias, homem do Centrão, no posto. Os titulares seguintes da pasta – Nelson Teich, Eduardo Pazuello e o atual Marcelo Queiroga – mantiveram o diretor.

De 2019 para cá, Dias autorizou mais de R$ 20 bilhões em pagamentos. Ele só caiu na última terça-feira, após um policial militar de Minas Gerais dizer que ouviu pedido de propina do então diretor. Integrantes da CPI suspeitam que a denúncia pode ter sido “plantada” pelo governo para atrapalhar a linha principal de investigação.

BOLSONARO ENVOLVIDO – O avanço das investigações da CPI da Covid no Senado indica que militares e representantes do Centrão no Ministério da Saúde consentiram com o processo de compra da vacina indiana Covaxin. As suspeitas envolvendo o caso levaram o presidente Jair Bolsonaro a ser alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal.

Além do ex-diretor de logística Roberto Dias, o general Eduardo Pazuello manteve também na pasta da Saúde um nome da confiança do deputado Wellington Roberto (PL-PB) — Arnaldo Correia de Medeiros, que virou secretário de Vigilância em Saúde. O parlamentar é líder do partido comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão.

A nomeação ocorreu em junho do ano passado, quando o general comandava interinamente o ministério e Bolsonaro consolidava seu casamento com o Centrão. O secretário substituiu Wanderson Oliveira, servidor federal e especialista em epidemias.

APARECE A PRECISA – Medeiros participou da primeira reunião no ministério, em novembro, com representantes da Precisa – empresa que faz a intermediação da Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech. A Precisa pertence a Francisco Maximiano, um empresário que é réu com Ricardo Barros em um processo de 2018 referente à compra de medicamentos quando o atual líder do governo foi ministro.

Foi Dias, o diretor ligado ao Centrão, quem deu a ordem de empenho de R$ 1,6 bilhão para compra da Covaxin mesmo com inconsistências no processo. As principais suspeitas pairam sobre o ex-diretor, apontado como um dos chefes que exerceram pressão sobre o servidor ao qual cabia liberar os trâmites para importação da vacina indiana.

O nome de Roberto Dias surgiu em depoimentos do chefe da Divisão de Importação do ministério, o servidor de carreira Luis Ricardo Fernandes Miranda, irmão do deputado Luis Miranda (DEM-DF). Antes das denúncias dos irmãos Miranda, Bolsonaro, governistas e aliados das Forças Armadas vinham sendo criticados por omissão, pela ineficiência e pelo desprezo à ciência na pandemia.

MILITARES ENVOLVIDOS – Ao assumir o ministério, Pazuello levou consigo ao menos 20 militares da ativa e da reserva. O caso Covaxin, atinge três deles. Coronel Elcio Franco, ex-número 2 da pasta, o tenente-coronel Alex Marinho, coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos, e coronel Marcelo Pires, diretor responsável pela coordenação do Plano Nacional de Operacionalização das Vacinas anticovid, ligado a Elcio Franco.

Políticos, servidores e militares citados negam irregularidades. Ricardo Barros diz não ter participado de nenhuma tratativa relacionada à compra da Covaxin. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), afirmou que Eduardo Pazuello e Elcio Franco não encontraram “irregularidades contratuais” no processo. Roberto Dias disse acreditar que o servidor denunciante se equivocou ou intencionalmente o envolveu.


Ricardo Barros força sua ida à CPI para estancar desgaste dele e do presidente

Publicado em 5 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Ricardo Barros

Ricardo Barros está achando que não existe gravação

Sarah Teófilo e Bruna Lima
Correio Braziliense

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), fez mais uma manobra para ser ouvido o quanto antes pela CPI da Covid. Publicou um vídeo no Twitter no qual afirma que foi convidado para depor no próximo dia 8, mas sua ida foi desmarcada sem qualquer justificativa. A ideia de comparecer logo é para tentar estancar o desgaste dele e do presidente Jair Bolsonaro.

“A CPI não pode sequestrar a minha honra e de qualquer um que seja. Peço ao STF que garanta que eu possa defender a minha honra e dizer que não tenho nada a ver com Covaxin e que ajo no interesse do Brasil”, disse.

PEDIDO AO SUPREMO – Na sexta-feira, o parlamentar entrou com um pedido, no Supremo Tribunal Federal (STF), para que determine à comissão de inquérito sua convocação imediata. Além disso, tem feito repetidos apelos aos senadores pelas redes sociais.

O interesse em ser ouvido logo já foi levado por governistas à cúpula da CPI. Na semana passada, o líder do governo, Fernando Bezerra (MDB-PE), e o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ), pediram que o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), colocasse o depoimento de Barros em pauta.

O parlamentar amazonense chegou a anunciar a ida do líder do governo na Câmara para esta quinta-feira, mas mudou a agenda após conversar com o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e outros integrantes do G7, o grupo composto por sete senadores de oposição e independentes ao governo, que decidem os rumos da comissão.

DEPOIMENTO ADIADO -Por saber que Barros quer ser ouvido para tentar estancar o desgaste dele e do presidente da República, o G7 quer ouvi-lo por último, depois de obter todas as informações que respaldem os questionamentos — e consigam mostrar de forma mais clara o que, por enquanto, são suspeitas.

O nome do líder do governo foi levantado durante depoimento do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e do seu irmão, o chefe de importação do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda — que denunciou “pressões anormais” dos seus superiores para que agilizasse a importação da Covaxin, vacina indiana do laboratório Bharat Biotech, representado no Brasil pela empresa Precisa Medicamentos.

O governo fechou um contrato com a empresa, no valor de R$ 1,6 bilhão, para compra de 20 milhões de doses, mas suspenso depois que as suspeitas vieram à tona.

UM ROLO DE BARROS – Miranda disse na CPI que informou Bolsonaro sobre as suspeitas em relação à negociação para importação da Covaxin — episódio no qual o presidente Bolsonaro teria dito que a questão parecia ser “rolo” de Ricardo Barros.

O deputado, aliás, era ministro da Saúde na época em que a Global Saúde, do mesmo grupo da Precisa Medicamentos, vendeu fármacos à pasta, mas não entregou e causou um prejuízo de mais de R$ 20 milhões. Outra conexão de Barros com a Precisa foi uma emenda parlamentar, apresentada por ele, que possibilitou que a Covaxin pudesse ser importada.

Na agenda da CPI, constam requerimentos para serem votados amanhã, dentre os quais a quebra de sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático de Barros e de Luis Miranda. Para o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), as dúvidas sobre o líder do governo na Câmara ficam ainda mais fortes à medida que o silêncio de Bolsonaro perpetua em relação ao caso. “A situação do Ricardo é delicada, porque, até agora, o presidente da República não saiu em sua defesa”, salientou.

SEM CAPITANEAR –   Entre os senadores, o entendimento é que não há condições de um parlamentar apenas “capitanear” sozinho uma possível atividade irregular de grande porte, envolvendo aquisição de vacinas no meio de uma pandemia.

A avaliação é de que outros deputados também podem ser apontados. Já para os parlamentares, o silêncio do Palácio do Planalto seria pelo receio de que exista um áudio da conversa entre os irmãos Miranda e Bolsonaro — e que, por isso, o presidente não tentou sequer desmentir o deputado do DF ou fez ataques contra ele.

ESQUEMA EM GRUPO – Questionado se via envolvimento do Centrão nas suspeitas, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pontuou que Barros representa o agrupamento de partidos que dá suporte ao governo no Congresso. “Esse tipo de esquema normalmente é de grupo, não é um esquema individual. E o histórico de operações de grande porte que a gente tem mostra isso — uma espécie de consórcio político. Mas a gente vai apurar isso com calma e vamos ver o que vai surgindo”, explicou.

Líder da bancada feminina no Senado, Simone Tebet (MDB-MS) afirma que o foco da CPI, agora, é a Covaxin. “Temos não só indícios, temos muitos elementos de prova. Foi empenhado antes de a lei estar em vigor, antes de o contrato estar assinado. Um contrato ilegal, que não tinha lei permitindo a assinatura. R$ 1,6 bilhão para a compra de uma vacina indiana que nós nem sabemos qual é, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tinha aprovado ainda”, observou, acrescentando que o esquema não envolve apenas a cúpula do governo, “mas gente de dentro do Ministério da Saúde que, recentemente, foi exonerada”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A ida de Ricardo Barros à CPI é importantíssima. Se os irmãos não tiverem gravado a conversa no Alvorado, o presidente e seu líder vão a nocaute e não levantam mais. No entanto, se não houver gravação, ganham mais alguns dias para se recobrarem e depois caírem de novo. Corrupção em vacina é algo imperdoável, até no Brasil. (C.N.)


Vacinação Covid-19: logística e a hora de uma grande mobilização

 em 5 jul, 2021 4:06

Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça

“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo. e traidor”.

 Ontem, 04, após o blog receber diversas denúncias de cidadãos de Aracaju que passaram uma média de quatro horas em filas para se vacinarem, com a “super ideia” da Prefeitura de Aracaju, o blog conversou com o médico Chico Rollemberg que na voz da experiência disse que em 02 de abril fez umas sugestões num debate. Algumas delas:

 – Como a logística vem sendo terrível em quase todos os lugares, a vacinação deveria ocorrer indistintamente 24 horas por dia com apoio dos clubes de serviços, forças armadas, clero e voluntariado, o que infelizmente não foi levado a sério.

 –  A solução passa pela universalização da vacinação. Nada de grupo etário. Postos de vacinação distribuídos em todas as cidades funcionando 24 horas e atendendo a todos que desejem, pois já temos vacinas para tal. A escolha por grupo etário quando há vacinas suficientes é tão somente uma escolha de quem deve morrer primeiro.

 –  Estamos em guerra com uma logística defendida e colocada em prática através de uma mobilização precária. É hora de convocarmos os clubes de serviço,  tais como Lions, Rotary, a Maçonaria, as universidades e o voluntariado para o trabalho comunitário de vacinação, temos que mobilizar a Nação com rapidez só assim venceremos o vírus.

 A voz da experiência na medicina, porém o marketing fala mais alto…

 Atenção promotoria do Consumidor em Aracaju: terceirizada da Energisa corta luz mesmo com usuário mostrando que conta já estava paga E o blog vem recebendo diversas reclamações de clientes da Energisa em Aracaju da forma irresponsável como uma terceirizada que presta serviços à empresa para corte de energia atrasada vem atuando. Mesmo o consumidor mostrando que a conta atrasada foi paga, a empresa corta a energia, muitas vezes sem nenhum diálogo. Com certeza, a empresa deve ganhar por cortes e não tem respeito aos consumidores. Ninguém atrasa conta de energia porque deseja. É porque precisa comer com o pouco dinheiro que recebe. O blog pede socorro em nome dos consumidores para a promotoria do Consumidor de Aracaju para ingressar com uma ação pública contra a Energisa. Urgentemente!

Solidariedade ao jornalista Evenilson Santana O blog se solidariza ao jornalista Evenilson Santana, sergipano que apresenta o programa Balanço Geral, na TV Clube, afiliada da Record. Uma internauta utilizou os comentários da retransmissão do jornalístico nas redes sociais para questionar se o “macaco” que estava apresentando o telejornal “era louco”. A mensagem foi lida pelo apresentador, que se despediu dos telespectadores afirmando que nunca havia encerrado um telejornal de forma tão triste. O blog torce para que a internauta seja identificada e responsabilizada criminalmente.

INFONET

Nota da redação deste Blog ´Dr. Francisco sempre com sua sabedoria e experiência continua prestando grandes serviços, resta as autoridades saber aproveitar para por em prática em beneficio da coletividade.

Aracaju amplia vacinação contra Influenza para a população em geral

O início para a imunização dos aracajuanos em geral está previsto para esta sexta-feira, 9.(Foto: arquivo Portal Infonet)

A Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju (SMS) informou nesta segunda-feira, 5, que pertente estender a cobertura vacinal contra à Influenza para toda a população a partir dos seis meses de vida. Ainda segundo a pasta, o início para a imunização dos aracajuanos em geral está previsto para esta sexta-feira, 9.


em 5 jul, 2021 13:00

A decisão da SMS segue a orientação do Ministério da Saúde que autorizou as prefeituras a ampliarem a campanha de vacinação contra à Influenza. O objetivo é aumentar a cobertura da vacinação para a população em geral, além daquelas pessoas que já fazem parte do grupo prioritário.

De acordo com Ana Paula, que integra a SMS, apesar da ampliação da campanha contra à Influenza, a prioridade neste momento é a vacinação contra o novo coronavírus (Covid-19). “Caso a pessoa já tenha se vacinado contra a doença, é preciso esperar um intervalo de duas semanas para receber a vacina contra à Influenza”, orienta.

Ana Paula diz ainda que para tomar a vacina contra à Influenza basta se deslocar até uma das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Não é preciso realizar cadastro prévio.

por João Paulo Schneider 

INFONET

Povo nas ruas contra Bolsonaro, pelo impeachment, pela vacina, contra o golpe e pela democracia


Governo Bolsonaro desmorona e não tem mais tempo para recuar

Pedro do Coutto

O povo voltou às ruas do país, principalmente na Avenida Paulista, no Rio de Janeiro, em Brasília, em diversas outras capitais e até no exterior, reunindo brasileiros que vivem em cidades americanas e na Europa.

Foram manifestações maciças que atingiram profundamente o presidente Bolsonaro e o governo, sobretudo na medida em que eventos tão intensos acrescentam o que estava faltando até há pouco, a voz do povo nas ruas fechando o círculo que isola ainda mais o presidente e o Palácio do Planalto.

ISOLAMENTO – No O Globo de domingo a reportagem é de Alfredo Mergulhão, Camila Zarur, Rodrigo Castro, Guilherme Caetano, Ivan Martínez Vargas e Mariana Muniz. Na Folha de São Paulo a reportagem não é assinada, mas tanto quanto o Globo destaca as manifestações que deixam a administração Bolsonaro isolada e vulnerável a qualquer ofensiva para decretação do seu impeachment.

O repórter Ricardo Balthazar, Folha de São Paulo, relata os diversos pedidos de impedimento contra o presidente e que estão engavetados pelo deputado Arthur Lira, presidente da Câmara  Federal. Lira é a última barreira colocada e voltada para resistir à onda da opinião pública contra um governo sem projeto e sem rumo, cuja atuação a cada dia piora, uma vez que o Planalto apoia-se em setores radicais da direita, nos produtores de mensagens nas redes sociais e no peso da inércia da Mesa Diretora, obstáculo para conter uma iniciativa que luta para afastar Jair Bolsonaro do cargo que ocupa, mas que não sabe agir dentro do espaço da liberdade e do regime democrático.

A pressão contra Bolsonaro aumentou no decorrer da última semana, conforme destaca Bernardo Mello Franco, O Globo. Em matéria de impeachment , acredito que a questão terminará no Supremo Tribunal Federal, quando os que assinaram os pedidos recorrerem contra a atitude de Arthur Lira.

ACIMA DA LEI – Não tem sentido o presidente de uma Casa do Congresso colocar-se acima da legislação e do bom senso, negando o recurso do plenário, o que caracteriza um caso singular. A maioria da Câmara inclina-se por votar a abertura do processo, mas encontra o bloqueio de Lira.

A contradição de tal atitude é evidente porque se a lei em vigor prevê a hipótese de o plenário rejeitar a posição do presidente da Casa, tal hipótese só pode se configurar depois que esse presidente liberar a matéria para a discussão do plenário, pois se não fizer isso estará barrando uma perspectiva legal bastante clara.

Mas como são 120 requerimentos contra o governo, os signatários deverão se reunir, penso eu, e redigir um documento comum para que a corrente possa entregar ao Supremo o desfecho e o destino da questão.

CASO HERZOG – Em um excelente artigo publicado ontem, no O Globo, Míriam Leitão destaca o transcurso dos 80 anos de Clarice Herzog, mulher do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências do II Exército em 1975. Praticaram a farsa do suicídio por enforcamento quando ele de fato foi morto por torturas praticadas pelos órgãos de repressão, marcado por violento impulso de sadismo.

Cerca de duas semanas depois do assassinato de Herzog, um fato sinistro se repetiu com o operário Manoel Fiel Filho, nas mesmas dependências marcadas pelo desespero do jornalista e pelo desespero do operário, duas vítimas do maior crime hediondo da história que é a tortura.

Foi importante Míriam Leitão focalizar o tema em um momento em que, cada vez mais, se aproxima um desfecho que inclui o impedimento de Bolsonaro e a sua substituição por Hamilton Mourão. Isso porque, aceito o pedido de impeachment, o plenário da Câmara votará o afastamento de Bolsonaro pelo prazo de 120 dias. É possível, portanto, que superado o prazo de quatro meses, o afastamento provisório termine tornando-se definitivo.

FHC – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado no O Globo, dentro de seu estilo de não entrar em bola dividida, aconselhou Jair Bolsonaro  a prestar atenção ao que acontece no país, incluindo o acesso aos fundos públicos. Não deveria desviar o olhar, acrescentou, deixando a impressão de que os fundos públicos citados seriam os recursos dos planos de aposentadoria complementar das empresas estatais, como é o caso da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Eletrobras.

FHC diz que o presidente Bolsonaro deve atuar positivamente enquanto tem tempo. Discordo, pois não há mais tempo para recuar. O escândalo da compra de vacinas acentuado por Elio Gaspari em seu espaço no O Globo e na Folha de São Paulo deixa o Executivo numa situação de calamidade administrativa.

Conforme já dito aqui anteriormente, a queda livre do presidente foi acelerada pelo episódio estranhamente sombrio da intermediação da Covaxin indiana que não engana ninguém. A proposta foi arquitetada por uma teia de interesses que não dá margem para escapismos. A semana que se inicia aprofundará ainda mais a carga da opinião pública sobre o governo que faz oposição a si mesmo e, portanto, a todo o país.

MUSICAIS DO CINEMA –  Para não dizer que não falei das flores, restringindo-me apenas ao cheiro da pólvora dos levantes políticos, destaco o artigo de Ruy Castro, Folha de São Paulo, sobre os musicais do cinema. Ele citou “Cantando na Chuva” (1952), de Stanley Donen e Gene Kelly, e “My Fair Lady” (1964), de George Cukor.

Concordo, acrescentando “Sinfonia de Paris” (1951), de  Vincente Minnelli, e “La Ronde” (1951),  dirigido por Max Ophüls. Há também que assinalar a beleza da “Noviça Rebelde”. Mas “Cantando na Chuva” e “Sinfonia de Paris”, ambos com Gene Kelly, um gênio da dança, são igualmente inesquecíveis.

Pertencem ao passado e não creio que estilo eterno de sensibilidade e beleza  possa retornar na época de hoje. Deixam saudade e não se encontram nos catálogos da NetFlix, do Now ou da Amazon. Creio que a solução é adquirir os cassetes e também a tela na qual poderão ser exibidos. Ruy Castro, mais uma vez, assinala a sua condição que já lhe atribui de passageiro da história reveladora e tradutor do passado.

Ex-cunhada implica Bolsonaro com gravações sobre rachadinhas no seu gabinete da Câmara

 


O policial militar Fabrício Queiroz, o presidente Jair Bolsonaro, e o advogado Frederick Wassef -

Fotomontagem reproduzida do UOL

Juliana Dal Piva
Portal UOL

Gravações inéditas apontam o envolvimento direto do presidente da República, Jair Bolsonaro, no esquema ilegal de entrega de salários de assessores na época em que ele exerceu seguidos mandatos de deputado federal (entre os anos de 1991 e 2018).

Em três reportagens, são mostradas gravações que revelam o que era dito no círculo íntimo e familiar do presidente.

RACHADINHAS – As declarações indicam que Jair Bolsonaro participava diretamente da rachadinha: nome popular para uma prática que configura o crime de peculato (mau uso de dinheiro público).

A primeira reportagem mostra que familiar que não quis devolver valor combinado do salário foi retirado do esquema. A fisiculturista Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, afirma que Bolsonaro demitiu o irmão dela porque ele se recusou a devolver a maior parte do salário de como assessor.

“O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: ‘Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo’.

FAMÍLIA QUEIROZ – A segunda reportagem revela que, dentro da família Queiroz, Jair Bolsonaro é o verdadeiro “01.” Em troca de mensagens de áudio, a mulher e a filha de Fabrício Queiroz,

Márcia Aguiar e Nathália Queiroz, chamam Jair Bolsonaro de “01”. Numa gravação, Márcia afirma que o presidente “não vai deixar” Queiroz voltar a atuar como antes.

Já a terceira reportagem descreve como recolher salários não era uma tarefa exclusiva de Fabrício Queiroz. Ex-cunhada do presidente diz que um coronel da reserva do Exército, ex-colega do presidente na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), atuou no recolhimento de salários da ex-cunhada de Jair Bolsonaro, no período em que ela constava como assessora do antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

ESQUIVO E RÍSPIDO – Desde que foi revelado o esquema conhecido como rachadinha, no fim de 2018, Jair Bolsonaro sempre se esquivou do tema ou reagiu com rispidez quando foi questionado.

Certa vez, o presidente chegou a dizer que “se Flávio errou, vai ter de ser punido”. Em outra oportunidade, ameaçou agredir um jornalista que perguntou por que Fabrício Queiroz depositou cheques na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A partir da investigação sobre Flávio Bolsonaro, surgiu o envolvimento de Queiroz e um grupo de pessoas ligadas a ele. Com o avanço do procedimento no MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), que quebrou o sigilo bancário dos investigados, descobriu-se ainda que o esquema envolvia dez familiares de Ana Cristina Valle, segunda mulher de Bolsonaro.

GABINETE DE CARLUXO – Ainda em 2019, porém, outro procedimento do MP fluminense passou a investigar suspeitas semelhantes no gabinete de Carlos Bolsonaro. Ao todo, a família Bolsonaro empregou 18 parentes de Ana Cristina.

Em março passado, quatro funcionários do gabinete de Jair Bolsonaro fizeram saques atípicos e que sua ex-mulher ficou com todo o dinheiro existente na conta da irmã que estava nomeada para o gabinete do então deputado federal.

Mas nenhum assessor tinha dito até então que era obrigado a devolver parte do salário quando estava nomeado no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

PECULATO É CRIME – O peculato é um crime contra a administração pública e se caracteriza pela subtração ou apropriação indevida de valores ou bens cometida por um servidor público, a exemplo de parlamentares e membros do governo.

“É um crime extremamente grave. Quando um deputado se apodera de recursos dos salários do funcionário de seu gabinete, ele está furtando ou se apropriando indevidamente de dinheiro público. Pois quem paga este salário é o orçamento público, a sociedade”, afirma Roberto Livianu, procurador de Justiça de São Paulo e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção.

“Este dinheiro pertence à sociedade e poderia ser investido em saúde, educação. Mas está sendo gasto com a contratação desnecessária de assessores que terão parte dos salários embolsados por um político”, acrescenta.

ADVOGADO NEGA – Ao ser informado sobre as gravações de Andrea Siqueira Valle, o advogado Frederick Wassef, que representa o presidente, negou ilegalidades e disse que existe uma antecipação da campanha de 2022.

Wassef afirmou que os fatos narrados por Andrea “são narrativas de fatos inverídicos, inexistentes, jamais existiu qualquer esquema de rachadinha no gabinete do deputado Jair Bolsonaro ou de qualquer de seus filhos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente reportagem enviada por Armando Gama. Confirma tudo o que já se sabia, não é novidade. Foi Bolsonaro quem ensinou os filhos a enriquecer com as rachadinhas. E a cada dia o presidente vai ficando mais desmoralizado. (C.N.)

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