terça-feira, junho 29, 2021

Corrupção da vacina equivale a 20 mil carros Fiat Elba do impeachment de Fernando Collor


Nos tempos de Collor, um Fiat Elba já dava impeachment

José Nêumanne
Estadão

Desde a última terça-feira 22 de junho, os despertadores do Palácio da Alvorada e do condomínio Vivendas da Barra foram desligados e o estoque de ansiolíticos nas farmácias das proximidades dos esconderijos da famiglia Bolsonaro, reforçado. Em reportagem que deu manchete de primeira página (Governo comprou vacina indiana por preço 1.000% mais cara), Júlia Affonso relatou:

“Telegrama sigiloso da embaixada brasileira em Nova Délhi de agosto do ano passado, ao qual o Estadão teve acesso, informava que o imunizante produzido pela Bharat Biotech tinha o preço estimado em 100 rúpias (US$ 1,34 a dose). Em dezembro, outro comunicado diplomático dizia que o produto fabricado na Índia ‘custaria menos do que uma garrafa de água’. Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde pagou US$ 15 por unidade (R$ 80,70, na cotação da época) – a mais cara das seis vacinas compradas até agora”.

DENÚNCIA ESPETACULAR – Tudo leva a denúncia espetacular de uma compra escatológica e estapafúrdia. O sobrepreço da vacina indiana, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teve enorme dificuldade em aprovar, e com restrições, apesar das pressões sofridas pelo servidor encarregado de importações de insumos e vacinas no Ministério da Saúde, é o fio da meada de um escândalo gravíssimo.

O governo Bolsonaro, que tinha levado quase um ano para comprar imunizantes testados no mundo inteiro e oferecidos pela Pfizer, comprou a Covaxin em um quarto desse tempo, graças à interferência pessoal do presidente da República, Jair Bolsonaro, em telefonema ao primeiro-ministro da Índia, Narenda Modri.

Para isso empenhou R$ 1,6 bilhão, o equivalente aproximado ao custo de 20 mil Fiats Elba, cuja compra serviu de prova para fundamentar o impeachment de Fernando Collor, em 1992.

QUERIDINHO DA VEZ – A cada dia, sua agonia, diria dona Benta. Desde então até hoje já se sabe que, ao contrário do que dizia Bolsonaro — aliado de Collor, quem diria ­–, não ficamos esperando o vendedor de mezinhas oferecer o produto. Ao contrário das compras feitas de Coronavac, AstraZeneca e Pfizer, houve um atravessador, a Precisa Medicamentos, de propriedade do queridinho da vez, Francisco Maximiano. O pagamento da partida seria pago à Madison, com sede em Singapura e não foi porque a compra não foi entregue.

Desdobramentos diários do furo do Estadão levaram à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, no Senado, um bolsonarista de quatro costados, não como suspeito, mas como delator.

O deputado Luís Cláudio Miranda procurou a cúpula dela para informar que acompanhou o irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, em visita ao chefe do governo no Palácio da Alvorada para denunciar a falcatrua. No depoimento duplo, ele detalhou, pressionado pelos senadores Alessandro Vieira e Simone Tebet, um claríssimo flagrante de prevaricação.

BOLSONARO SE ENTREGOU – O próprio parlamentar da base governista deu detalhes em entrevista, publicada domingo na Folha de S.Paulo:

“Com 10 minutos de conversa ele (Bolsonaro) já soltou. Quando a gente começa a mostrar os papéis acontece essa conversa, ele dá uma desabafada, fala dos combustíveis, que era aquilo que estava irritando. Ele falou assim: ‘Vocês têm informações se o Ricardo Barros estava influenciando ou fazendo?’. Eu digo: ‘Presidente, a gente não sabe o nome de ninguém, trouxemos informações técnicas’. Aí ele disse: ‘Esse pessoal, meu irmão, tá foda. Não consigo resolver esse negócio. Mais uma desse cara, não aguento mais’.“

Ou o presidente da República desmente cabalmente ter citado o líder de seu governo aos irmãos Miranda ou o presidente passa a ser, pelo silêncio, o maior acusador do deputado Ricardo Barros”, resumiu o relator da CPI, senador Renan Calheiros, no Twitter.

BARROS NEGA TUDO – “Fica evidente que não há dados concretos ou mesmo acusações objetivas, inclusive pelas entrevistas dadas no fim de semana pelos próprios irmãos Miranda”, disse Barros, que, exemplo de seus aliados do governo, nada esclareceu, até porque não se submeteu a uma entrevista coletiva, com perguntas de repórteres.

A temporada do terrorista fardado dos anos 80 não é favorável. Os norte-americanos interceptaram uma carga de madeira contrabandeada do Brasil com evidências de participação do então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Este foi exonerado, derrubando, na queda, o delegado da Polícia Federal (PF), Alexandre Saraiva, e outro delegado federal, Franco Perazzoni, que chefiou busca e apreensão ordenada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator do inquérito contra o até então o mais querido do chefão.

AMEAÇAR O SERVIDOR – Bolsonaro mandou o secretário-geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, e o ex-secretário-geral do Ministério da Saúde coronel Elcio Franco ameaçarem o servidor que levou a informação com inquéritos da Advocacia-Geral da União, da Coordenadoria-Geral da União e da própria PF. Ou seja, em vez de investigar o delito gravíssimo, como dizem os irmãos que ele faria, no encontro, inventou a delação punida. Aparentemente, lançou mão de éditos de um Estado policialesco. Na prática, contudo, adotou método das milícias, que matam ou infernizam quem se dispõe a narrar os podres dos chefões das quadrilhas.

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, passou o recibo da aposta na ingenuidade do pagador de impostos ao alinhavar argumentos vazios para tentar defender o indefensável. Em discurso na sessão histórica da CPI na sexta-feira 25, equiparou o atravessador ao Instituto Butantan, fabricante da Coronavac, e à Fiocruz, parceira da AstraZeneca.

Papelão maior fez Flávio Bolsonaro ao confessar que levou Francisco Maximiano ao presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para vender uma “boa ideia” do apadrinhado. “Não era vacina”, disse ele. Mas não teve imaginação sequer para dizer qual teria sido e defendê-la perante os senadores e os cidadãos em geral.

“Bomba! Bomba!”. CPI vai aprovar quarta-feira a convocação do líder Ricardo Barros para depor

Publicado em 28 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge de Montanaro (Folha)

Bruna Lima (Correio Braziliense) 

Após ser denunciado como provável responsável pelo suposto esquema ilícito envolvendo as negociações da vacina indiana Covaxin, o líder do governo na Câmara, deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), teve o nome incluído no rol de requerimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou, nesta segunda-feira (28/6), pedido de convocação do parlamentar.

O objetivo da convocação, como justifica Vieira, é obter mais informações sobre as denúncias feitas pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que “declinou o nome do senhor Ricardo Barros, na condição de participante mencionado pelo próprio presidente da República no cometimento de potenciais ilícitos no contexto de negociação e compra da Covaxin”.

PRESSÕES ANORMAIS – Segundo depoimento de Miranda, na última sexta-feira (25/6), Barros teria sido o articulador por trás do contrato com a Covaxin. O irmão do parlamentar e servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, relatou ao Ministério Público Federal (MPF) ter sofrido “pressões anormais” para assinar a licença de importação, mesmo com elementos que sugeriam ilicitudes, como pagamento adiantado a uma empresa que não estava no rol do contrato.

“Com essa pressão e a forma com que a gente recebeu os documentos, toda a equipe do setor não se sentiu confortável com essa pressão e com a falta de documento. E aí, como os meus dois superiores internos no ministério estavam pressionando, eu acionei, conversei com meu irmão, que aí passou ao presidente”, relatou o servidor à CPI.

DISSE BOLSONARO – Na conversa com o presidente Jair Bolsonaro, o deputado Miranda diz ter relatado os indícios de corrupção, tendo o mandatário apontado o nome de Barros como o responsável pelo “rolo” da vacina. Segundo Miranda, o mandatário teria dito: “Você sabe que ali é foda e tal. Se eu mexo nisso aí, você já viu a m* que vai dar, não é?”, narrou o deputado, na CPI, acrescentando que Bolsonaro chegou a mencionar Barros e questioná-lo se ele sabia que era o líder do governo o envolvido.

No entanto, Miranda se referia a Barros como “fulano” durante toda a sessão, só revelando o nome do deputado no fim do dia, após muita pressão dos senadores. Lamentou, ainda, o fato de Bolsonaro ter prometido levar o caso à Polícia Federal, mas não ter se movimentado para isso. “Que presidente é esse que tem medo da pressão de alguém que está fazendo algo errado, que desvia dinheiro público das pessoas que morreram com a p* dessa covid”, desabafou.

BARROS NEGA TUDO – Pelas redes sociais, logo após ter tido o nome mencionado, na sexta, Barros afirmou: Não participei de nenhuma negociação em relação à compra das vacinas Covaxin. Não sou esse parlamentar citado. A investigação provará isso”.

Já há consenso do G7, grupo de sete senadores independentes ou de oposição ao governo na CPI, sobre a aprovação do requerimento, que deve ser votado nesta quarta-feira (30).

Barros promete não faltar com a presença. “Reafirmo minha disposição de prestar os esclarecimentos à CPI da Covid e demonstrar que não há qualquer envolvimento meu no contrato de aquisição da Covaxin”, escreveu o deputado, no domingo (27).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Até o dia do depoimento, que deve ser sexta-feira ou na semana que vem, a CPI já terá mais informações sobre as pressões de Barros para o Ministério da Saúde comprar outras duas vacinas – a russa Sputnik V e a chinesa Convidecia. Será um depoimento sensacional, tipo “Bomba! Bomba!”, como dizia Ibrahim Sued. (C.N.)


segunda-feira, junho 28, 2021

Ministério da Saúde irá ofertar R$ 52,6 milhões em emendas para 65 cidades na BA

 

Ministério da Saúde irá ofertar R$ 52,6 milhões em emendas para 65 cidades na BA
Foto: Reprodução / Marcello Jr. - Agência Brasil

Por meio de portaria, o Ministério da Saúde habilitou 65 municípios da Bahia a receberem recursos referentes ao incremento temporário ao custeio dos serviços de Atenção Especializada à Saúde, nesta segunda-feira (28).

A portaria, que considerou a Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012,dispõe sobre os valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios em ações e serviços públicos de saúde além de estabelecer os critérios de rateio dos recursos de transferências para a saúde e as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde. 

De acordo com o Governo Federal, os recursos de emendas parlamentares destinados à atenção básica em saúde devem ser direcionados especialmente no combate à pandemia de Covid-19.  

As 65 cidades devem receber ao todo R$ 52,6 milhões. Os valores que variam de R$ 30 mil a R$ 1 milhão a depender do município. Conforme divulgou a Agência Brasil, o repasse será feito do Fundo Nacional de Saúde para os respectivos fundos municipais, em até seis parcelas. 


CIDADES BENEFICIADAS

Alagoinhas 
Amargosa
Araci
Barra
Belo campo
Boquira
Brumado
Camaçari
Candeias
Candido Sales
Carinhanha
Cicero Dantas
Coaraci
Conceição do Jacuípe
Coribe
Cruz das Almas
Euclides da Cunha
Eunápolis
Feira de Santana
Gandu
Ibipitanga
Ibotirama
Ilhéus
Inhambupe
Irara
Irecê
Itaberaba
Itabuna
Itacaré
Jacobina
Jaguaquara
Jaguarari
Jequié
Juazeiro
Lauro de Freitas
Livramento de Nossa Senhora
Luís Eduardo Magalhães
Maracas
Maragogipe
Mata de São João
Monte Santo
Nova Soure
Paramirim
Pindobaçu
Pojuca
Ponto Novo
Presidente Jânio Quadros
Queimadas
Quijingue
Rafael jambeiro
Rio real
Salvador
Santa Maria da Vitória
Santaluz
Santana
Santo Estevão
São Felipe
São Francisco do Conde
São Sebastião do Passé
Saubara
Sento Sé
Serrinha
Teolândia
Uauá

Bahia Notícias

Senadores pedem ao STF que o presidente Bolsonaro seja processado por prevaricação

Publicado em 28 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) Foto: Edilson Rodrigues / Edilson Rodrigues/Agência Senado

Randolfe assinou o pedido junto com Contarato e Kajuru

Julia Lindner
O Globo

 Em notícia-crime apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jorge Kajuru (Podemos-GO) pedem que o presidente Jair Bolsonaro seja denunciado pelo crime de prevaricação.

A justificativa é que Bolsonaro não determinou investigações à Polícia Federal após ser informado sobre possíveis irregularidades no processo de compra da vacina indiana Covaxin.

LÍDER DO GOVERNO – Eles também sugerem que Bolsonaro responda, em até 48 horas, se apontou o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), como provável responsável por suposto esquema nas tratativas do imunizante, conforme dito à CPI da Covid, na última sexta-feira, pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF).

“A intimação do Presidente da República, Sr. Jair Messias Bolsonaro, para que responda, em 48 (quarenta e oito) horas, se foi comunicado das denúncias, se apontou o Dep. Ricardo Barros como provável responsável pelo ilícito, bem como se e em que momento adotou as medidas cabíveis para a apuração das denúncias”, diz trecho do documento.

“A intimação da Polícia Federal para que informe, em 48 (quarenta e oito) horas, se houve a abertura de inquérito para apurar as denúncias sobre a aquisição da vacina Covaxin, discriminando quando e por quem foi aberto o eventual inquérito, bem como seu respectivo escopo”, afirma o texto.

NOTA DE RANDOLFE – “Protocolei, no STF, notícia crime por conta da grave denúncia envolvendo o presidente da República de que não tomou nenhuma providência diante de ter sido noticiado da existência de um gigantesco esquema de corrupção existente no Ministério da Saúde”, afirmou o senador da Rede, acrescentando:

“A prevaricação é crime exposto no Código Penal, por isso que compreendemos a necessidade do STF e da PGR instaurarem um procedimento de investigação” — disse Randolfe Rodrigues, em vídeo divulgado por sua assessoria de imprensa.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Para variar, o jurista Jorge Béja estava certo ao advertir que Randolfe Rodrigues não poderia apresentar a notícia-crime em nome da CPI. Como diza Ibrahim Sued, de leve… (C.N.)

CPI vai apurar também a pressão de Ricardo Barros na compra de vacinas russa e chinesa

Publicado em 28 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Ricardo Barros

Barros, líder do governo, mostra ser um corrupto insaciável

Daniel Weterman e Fabrício de Castro
Estadão

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid quer investigar a ligação do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), com a compra de outras vacinas pelo Ministério da Saúde, além da Covaxin. Nos três casos, o quadro é parecido: vacinas mais caras compradas de laboratórios internacionais por meio de intermediários no Brasil, com elos com o líder do governo.

A nova linha de apuração é discutida após os depoimentos do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e do servidor Luis Ricardo Miranda, irmão do parlamentar, na última sexta-feira, 25. Luis Miranda disse ter ouvido do presidente Jair Bolsonaro o nome de Ricardo Barros quando o alertou sobre um suposto esquema de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin. Barros nega irregularidades.

PRORROGAÇÃO – Diante dos indícios, os senadores querem a prorrogação do prazo de funcionamento da comissão, que inicialmente termina no dia 27 de julho. Para parlamentares ouvidos pelo Broadcast/Estadão, os últimos movimentos da CPI fecham ainda mais o cerco contra o presidente Jair Bolsonaro.

Em depoimento na sexta-feira, 25, Luis Miranda afirmou que Bolsonaro atribuiu a Barros o “rolo” na compra da vacina indiana Covaxin. Agora, outros dois contratos entraram na mira da CPI: o da russa Sputinik V e o da chinesa Convidecia. As suspeitas podem reforçar um pedido de convocação do deputado. A avaliação de senadores é de que o governo priorizou a aquisição de doses mais caras e de laboratórios representados por “atravessadores” no Brasil.

O governo brasileiro se dispôs a comprar 60 milhões de doses, ao preço de US$ 17,00 por dose, da Convidecia, produzida pelo laboratório chinês CanSino. A vacina é representada no Brasil pela Belcher Farmacêutica.

PREÇO ALTÍSSIMO – Uma intenção de compra foi assinada pelo secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros, no dia 4 de junho deste ano. O preço da dose equivale a R$ 83,94, considerando o dólar comercial da última sexta-feira, dia 25.

O valor total da compra, se efetivada, será de US$ 1,020 bilhão, equivalente a cerca de R$ 5,036 bilhões na moeda nacional. Se fosse considerado o câmbio do dia em que a carta de intenções foi assinada, o custo total seria ainda maior, de R$ 5,137 bilhões.

As cifras chamam a atenção, em especial porque o custo da Convidecia, usada em dose única, ultrapassa o valor de outras vacinas negociadas pelo Brasil, inclusive o da Janssen, orçada a US$ 10 por unidade e também administrada por meio de dose única.

NO REDUTO ELEITORAL – A Belcher Farmacêutica é sediada em Maringá, reduto eleitoral de Ricardo Barros. A comissão quer investigar um possível elo dos representantes da companhia com o articulador de Bolsonaro na Câmara dos Deputados. “É preciso abrir um espaço para essa investigação. Pode ser que ele esteja envolvido em mais coisas relativas a vacinas e medicamentos. E não deve ser só ele”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

Em 18 de maio, a Anvisa recebeu pedido de autorização temporária para uso emergencial, em caráter emergencial, da Convidecia. Atualmente, o pedido está em análise e a agência aguarda informações complementares sobre a vacina.

Intermediária do fabricante chinês, a Belcher Farmacêutica já esteve envolvida em outras polêmicas durante a pandemia. No ano passado, a empresa foi citada pelo Ministério Público como uma das participantes de esquema de superfaturamento alvo da operação Falso Negativo. A operação investigava a compra de testes de covid-19 no Distrito Federal, que teria gerado prejuízos estimados de R$ 18 milhões aos cofres públicos.

VACINA RUSSA – Outro contrato no foco da CPI é o da compra de 10 milhões de doses da vacina russa Sputnik V, a US$ 12,60 por dose. O contrato foi assinado com a União Química, sediada no Brasil. O dono da empresa, Fernando de Castro Marques, é próximo a Barros e aparece em fotos com o parlamentar nas redes sociais. Marques tentou uma vaga no Senado pelo Distrito Federal em 2018 e doou recursos para a campanha de 137 candidatos naquela eleição.

O Consórcio do Nordeste, que reúne governadores da região e iniciou a negociação no ano passado, informou ter comprado a Sputnik V a um preço mais baixo, de US$ 9,95 dólares a unidade. Além disso, a aquisição pelos governadores do Nordeste foi assinada diretamente com o Fundo Soberano Russo, sem intermediários. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – As provas contra Barros são abundantes. Pode parecer incrível que Bolsonaro tenha se ligado a esse tipo de político, mas era com eles que ele convivia quando estava na Câmara, e seu partido preferido era justamente o PP, na época comandado por Paulo Maluf. Dize-me com quem andas e… (C.N.)


Apoio do Centrão ao governo Bolsonaro está sob risco e agora tudo dependerá da CPI

Publicado em 28 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Luiz Calcagno (Correio Braziliense) e charge do Kacio (Metropoles)

A CPI da Covid tornou-se a balança do Centrão na Câmara. Os trabalhos do colegiado passaram a servir de termômetro para que o bloco político mais poderoso do Congresso decida se continuará com o presidente Jair Bolsonaro. Principalmente, depois do depoimento à comissão do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e do irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda. Eles denunciaram um esquema de compra superfaturada da vacina Covaxin.

O Centrão segue com o chefe do Planalto, mas o grupo não se comprometerá se o governo entrar em queda livre, pois os centristas se adaptam a qualquer situação.

AS COISAS MUDAM – O apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a Bolsonaro segue firme. Mas a dinâmica do relacionamento mudou. Para cientistas políticos, o parlamentar assumiu ser uma figura fiel ao presidente. Hoje, porém, a proeminência é do aliado e não do mandatário.

Para completar o cenário, há a percepção, da parte de parlamentares, de que, apesar das constantes derrotas em votações, o vento está soprando a favor da oposição, com pesquisas mostrando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva bem-avaliado, enquanto o chefe do Executivo vive o pior momento de sua gestão.

Para o deputado Fábio Trad (PSD-MS), se a acusação contra Bolsonaro e seu líder de governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), se confirmarem, há forte risco de o mandatário perder a governabilidade.

NOVOS RUMOS – “A CPI, hoje, tem mais força do que o Centrão em termos de sustentação da governabilidade. Se a CPI encontrar provas da culpa do presidente e de líderes do bloco nesses fatos, isso tem potencial de desidratar a relação, e o Centrão vai procurar o caminho”, frisou Fábio Trad, acrescentando:

“O vento, hoje, sopra a favor da oposição. Até o dia anterior ao depoimento dos irmãos Miranda, tínhamos uma CPI da imprudência sanitária. E, agora, é a CPI da provável prevaricação do presidente.”

O líder do PT na Câmara, Bohn Gass (RS), confirmou que a oposição trabalha com insistência para quebrar essa liga. “A Câmara não pode chancelar a crueldade do governo Bolsonaro. Acredito que esse quadro vai começar a mudar. Ele sabia que Ricardo Barros estava envolvido. Não fez nada, manteve o líder. Não é possível que o Parlamento vá se submeter a essa lógica”, criticou.

SUPERIMPEACHMENT – A oposição entregará, na quarta-feira, um “superpedido” de impeachment contra o chefe do Planalto e organiza manifestações para o próximo sábado.

O petista destacou, no entanto, que a deterioração da relação entre o presidente e o Centrão é um processo. “O certo é que os dois movimentos estão acontecendo, a comprovação das maracutaias e o desgaste de Bolsonaro na sociedade. E, na medida em que for comprovado, aumentará mais o desgaste. Um terceiro elemento são as mobilizações sociais, que estão crescendo”, ressaltou.

Para o analista político Melillo Dinis, do portal Inteligência Política, o rompimento entre Bolsonaro e Lira não é questão de “se”, mas de “quando”. “O namoro já mudou. Antigamente, o Lira é que, para ser eleito e construir as suas relações internas e externas à Câmara, era fiel a Bolsonaro. Com o passar dos meses, é Bolsonaro que, cada vez mais, precisa ser fiel a Lira. E ambos vão trair um ao outro”, arriscou.

FORTES EVIDÊNCIAS – Na opinião de Dinis, a postura crítica ao governo, do vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), é uma das evidências. “Ele bateu tanto no Bolsonaro, sendo da base, que nem precisa de oposição. Se o vice-presidente, homem de confiança de Lira, já está vociferando esse conjunto de críticas e impropérios, imagine o deputado de perfil baixo que não é líder”, comparou.

No entanto, o vice-líder do governo, Evair de Melo (PP-ES), negou o quadro. “A base está sólida e organizada. O impacto da CPI é zero. Essa conversa que deputados da base estão insatisfeitos… É claro que tem alguém que está fazendo velha política e não está conseguindo. Por estar filiado a partido da base, se diz base, mas nunca foi. O modelo objetivo do governo não o satisfaz”, rebateu.

Mais um passo foi dado no andamento da AIJE que pede a inelegibilidade de Deri do Paloma e Fábio da Farmácia.

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Como acima exposto , a AIJE hoje está sendo encaminhada para o Ministério Público Eleitoral, é como diz a música " devagarinho chega lá".

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