segunda-feira, abril 26, 2021

Volume de recursos do SUS sob investigação da Polícia Federal soma de R$ 2,2 bilhões em 23 estados

Publicado em 25 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Investigações tiveram início a partir de denúncias de superfaturamento

Adriana Ferraz e Bruno Ribeiro
Estadão

Alvo da CPI da Covid no Senado, o uso de verbas federais para combate ao coronavírus por Estados e municípios já rendeu 75 operações especiais da Polícia Federal desde o início da pandemia. As irregularidades investigadas atingem prefeituras ou governos de 23 Estados e somam quase R$ 2,2 bilhões, valor que representa 3,5% dos R$ 64 bilhões repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

As investigações tiveram início em abril de 2020, a partir de denúncias de superfaturamento em contratos envolvendo recursos federais. A prefeitura de Aroeiras (PB) foi alvo da primeira ação, que teve como foco a compra, sem licitação, de livros e cartilhas educativas sobre o vírus – material que, na época, era oferecido pelo Ministério da Saúde sem custo.

NA MIRA – De lá para cá, mais 93 municípios entraram na mira da PF e de outros órgãos federais, como a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF), que geralmente participam das operações. Em um ano, foram cumpridos 1.160 mandados de busca e apreensão, que levaram à prisão temporária de 135 pessoas e à prisão preventiva de outras 12.

A lista de detidos inclui até um senador. Chico Rodrigues (DEM-RR), que naquela época era vice-líder do governo de Jair Bolsonaro no Senado, acabou preso em outubro do ano passado por suspeita de participar de um esquema que teria desviado recursos de emendas parlamentares destinadas ao enfrentamento da doença em Roraima.

Durante a abordagem dos policiais, Rodrigues escondeu R$ 33 mil na cueca. Rodrigues, que nega as acusações, pediu licença do mandato e ficou quatro meses afastado, retomando a atividade parlamentar em fevereiro. Ele afirmou que o dinheiro encontrado é lícito e seria usado para o pagamento de funcionários de uma empresa familiar.

“CONVIDADOS” – Rodrigues não integra a CPI, mas casos como o dele devem ser abordados ao longo da Comissão Parlamentar de Inquérito que deve ser instalada na próxima terça-feira. Com a ampliação do escopo da investigação – após pressão do governo Jair Bolsonaro -, denúncias de irregularidades no uso de verba federal por Estados e municípios podem levar governadores e prefeitos a compor a lista de “convidados” pelo grupo.

O prefeito de Manaus, David Almeida (PSC), deve ser um dos primeiros a serem ouvidos no subgrupo da CPI que terá como alvo a crise de oxigênio no Amazonas. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello já responde a processo aberto pelo Ministério Público Federal (MPF) no Estado por improbidade administrativa derivada de suposta omissão durante o colapso.

“ICEBERG” –  Defensor da ampliação do escopo da CPI, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) afirmou que “as operações da PF são de muita relevância por permitir que os recursos alocados no combate à covid cheguem ao povo brasileiro”. Sobre o fato de as apurações policiais alcançarem apenas 3,5% do total de repasses feitos pelo SUS, o parlamentar disse que o valor pode ser apenas a “ponta do iceberg”.

“Apurar o destino de R$ 64 bilhões requer mais tempo, é um valor considerável.” Girão se coloca como candidato a presidir a CPI da Covid. Pelo acordo feito entre os partidos, porém, o posto de presidente deve ficar com Omar Aziz (PSD-AM) e a relatoria, com Renan Calheiros (MDB-AL). Os cargos serão oficializados na primeira reunião do colegiado, na terça-feira.

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) acredita que a quantidade de operações policiais e o volume de recursos sob investigação justifica a ampliação do escopo da CPI. “É justo que se apure tudo mesmo. Os indícios são muito fortes de irregularidades no uso de recursos federais por Estados e municípios não só pelo governo federal.”

JUSTIFICATIVA – Para o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), autor do pedido de CPI, mesmo que o valor identificado em operações da PF não seja tão importante quando se olha o total, ainda assim diz respeito a recursos públicos, o que justifica fazer a investigação. “A CPI só vai poder atuar naquilo que for conexo com o fato principal, ou seja, aquilo que tiver repercussão nacional. Identificando algum indício de movimentação atípica ou indícios de crime ou infração administrativa, o relatório da CPI poderá fazer o encaminhamento aos órgãos de controle.”

Segundo a PF, apenas o Rio tem sob investigação R$ 850 milhões de recursos enviados pelo governo federal em razão da pandemia. A operação desencadeada no Estado provocou o afastamento do governador Wilson Witzel (PSC), que foi denunciado pelo MPF, acusado de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e de organização criminosa. Ele alega inocência.

Os governadores do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e do Pará, Helder Barbalho (MDB), também já foram alvo de operações. Ambos são investigados pela compra de respiradores. Em fevereiro, a PF pediu o indiciamento de Barbalho pela transação fracassada de compra de 400 aparelhos por R$ 50 milhões. Segundo a polícia, o contrato dos equipamentos se deu sem licitação e com pagamento de metade do valor adiantado, mesmo com atraso na entrega. Há suspeitas de direcionamento na licitação. O governador nega.


Arthur Lira diz que versão inicial da Reforma Tributária será apresentada no dia 3 de maio


Congresso não pode ‘ficar prisioneiro da paralisia política’, diz Lira

Deu na Folha

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), informou neste sábado, dia 25, que um primeiro texto da reforma tributária será apresentado no dia 3 de maio, ao destacar que o objetivo da iniciativa é discutir e aprimorar a proposta com a sociedade.

“Como sinalização de que a política do cabo de guerra não vai alterar nossa missão, estaremos tornando pública na segunda-feira (3), a versão inicial do texto da reforma tributária”, informou Lira no Twitter.


DEBATE – “O objetivo é discutir com a sociedade, fazer consultas públicas, receber as críticas e os aprimoramentos, com transparência e participação de todos. Temos de enfrentar os problemas do Brasil, apesar das crises, passageiras”, acrescentou.

Segundo o presidente da Câmara, o Congresso não pode ficar prisioneiro da paralisia política das guerras legislativas. “Mais do que nunca, temos de cumprir nosso dever com a sociedade”, ressaltou.

Eleito para o cargo com o apoio do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Arthur Lira sempre defendeu a aprovação de uma reforma tributária.O governo, entretanto, está na mira de enfrentar uma CPI da Pandemia no Senado. A comissão de inquérito, com maioria de integrantes de oposição e independentes, deve começar formalmente seus trabalhos a partir da próxima semana.

A volta de Lula, a disputa contra Bolsonaro e a democracia brasileira por um fio…


Charge do Galhardo (site Um Brasil)

Roberto Nascimento

No dizer do político baiano Otavio Mangabeira, a Democracia é uma planta tenra e frágil, por isso, precisa ser cuidada e regada sempre. No Brasil, ela morreu duas vezes, de 1930 a 1945 e de 1964 a 1985, mas renasceu e nos legou a Constituição Cidadã, como a denominou o Sr. Diretas, Ulysses Guimarães, ao promulga-la em 1988. Hoje está nossa Constituição em perigo.

João Gabriel de Lima cita em sua coluna do Estadão, neste sábado, o desenrolar do declínio da Guerra Fria (EUA&URSS), descrita no enredo do livro “A Terceira Onda”, narrativa sobre a derrocada das ditaduras de direita e de esquerda, em especial, a Revolução dos Cravos, eclodida em 25 de abril de 1974, movimento que derrubou a ditadura Salazarista.

FLORES NOS FUZIS – Os soldados marcharam rumo a Lisboa, capital de Portugal, e nas ruas expunham seus fuzis com flores no cano, daí o nome: ” Revolução dos Cravos”. É melhor cultivar flores do que incentivar o uso de armas.

Também no Estadão, sobre armas e bombas, o economista Fábio GiambiagI compara o número de vítimas da Covid no Brasil e as bombas jogadas em Hiroshima e Nagazaki, onde morreram de imediato cerca 140 mil japoneses. Assim, as vítimas no Brasil já ultrapassavam em muito as duas bombas atômicas despejadas pelos americanos no fim da segunda guerra Mundial.

Fabio Giambiagi alerta que não há comunidade, quando uma parte dela trata a outra com cinismo, com descaso e desprezo pela vida humana. Quando o homem se torna frio diante da morte, perde-se a humanidade, mergulhamos no abismo, instaura-se a barbárie, advém a tragédia da vida humana. Quando tudo isso se perdeu? O que aconteceu com o Brasil? Como responderemos aos nossos netos, sobre a razão de pecarmos por ação ou omissão ou nada fazermos para impedir as mortes da Pandemia?

POBRE NÃO LÊ… – Se não bastasse o Negacionismo, o Cinismo, a Ideologização da vida entre os atores políticos, o escritor Sérgio Augusto, do Caderno Especial do Estadão, declara que, em meio ao fechamento de livrarias devido à pandemia, o perverso ministro Paulo Guedes inventou de taxar os livros, enquanto atua para isentar os tributos das Igrejas. Instado a responder por que deseja taxar os livros, o desastrado e inculto ministro disse: ”Pobre não lê”.

Ao mesmo tempo, o jurista Joaquim Falcão, membro da Academia Brasileira de Letras, criticou a decisão do Supremo, sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, argumentando acerca do ativismo do Tribunal Constitucional.

Ora, o STF erra por último, sanando os erros grosseiros das Instâncias Inferiores, no exemplo da prerrogativa de foro (juiz natural). Portanto, decisão boa é aquela que nos favorece, não é mesmo?

LULA DE VOLTA – O jornalista Ascânio Seleme, em artigo no Globo deste sábado, também discorre sobre os efeitos da suspeição de Moro, julgada pelo STF na última quinta-feira, que põe o ex-presidente Lula no páreo para a disputa presidencial de 2022.

O negacionista Bolsonaro estará de um lado e o candidato petista Lula de outro. O desgaste do atual mandatário, apoiado por forças retrógradas e autoritárias, é evidente, vem perdendo adeptos e caindo nas pesquisas, por conta dos fracassos no combate à pandemia.

Seleme acredita, que os possíveis candidatos, Dória, Moro, Mandetta, Ciro e Hulk derrotariam o presidente num provável segundo turno, mas, as nuvens do horizonte de 2022 apontam para o terceiro mandato de Lula. Entretanto, até lá, há um oceano para ser ultrapassado. E nossa democracia está por um fio da navalha.


Bolsonaro quer usar Exército contra o caos ou contra a CPI, o STF e a candidatura Lula?


Charge do Miguel Paiva (Diário do Centro do Mundo)

Eliane Cantanhêde
Estadão

O ex-presidente Lula coleciona vitórias no Supremo e o presidente Jair Bolsonaro reage com medo a Lula e à CPI da Covid, ameaçando os governadores – e o País – com o Exército nas ruas. Está apoiado no GSI, no novo ministro da Defesa, general Braga Neto, no novo comandante do Exército, general Paulo Sérgio, e em todos os seus ministros? Isso não é brincadeira.

O Supremo já tem maioria pela suspeição do ex-juiz Sérgio Moro no caso do triplex do Guarujá, que levou Lula à prisão por 580 dias. O grande vitorioso é Lula, já em campanha para 2022. Os maiores derrotados são Moro e a Lava Jato. E perde também o relator Edson Fachin, que tentou favorecer Lula e a Lava Jato ao mesmo tempo. Não rolou.

“NOSSO EXÉRCITO” – Bolsonaro está em pé de guerra. Já não se refere ao “meu Exército”, mas ao “nosso Exército”, e embrulha seus propósitos com legalidade ao dizer que vai usar os militares para “fazer valer o artigo 5.º da Constituição”, sobre o direito de ir e vir, a liberdade de trabalho e culto. Mero pretexto, porque ele nunca esteve preocupado com direitos e não vê a hora, isso sim, de dar um golpe branco, dentro da lei.

Por que ele inviabilizou o Censo pelo segundo ano seguido? Pelo medo da terrível realidade que o IBGE divulgaria às vésperas da eleição. É justamente por causa dessa realidade, de desemprego, fome, drama social, que o presidente acena com Exército nas ruas.

O que evitaria esse caos? Liberar geral? Deixar o vírus tomar conta do País de vez? Não. É o oposto. Uma política nacional para restringir com rigor a circulação de pessoas e garantir rápida e maciçamente as vacinas é o que seguraria o vírus, aliviaria o sistema de saúde, garantiria a volta à normalidade e a reação da economia mais rapidamente.

ATO DE CAMPANHA – Depois de exibir os generais Braga Neto e Eduardo Pazzuelo num ato de campanha em Goianópolis (GO), sem máscara e distanciamento social, Bolsonaro arranjou um cargo para Pazzuelo, pôs o general debaixo do braço e foi com ele a Manaus, síntese dos erros na pandemia. E há a primeira manifestação do novo comandante do Exército.

O general Paulo Sérgio tirou 10 ao praticar no Exército tudo o que Bolsonaro não praticou no País contra a pandemia. Não foi nomeado por isso, obviamente, mas entrou em sintonia com o presidente ao dizer que o Exército é 1) “vigoroso vetor de estabilidade e de garantia da ordem e da paz social” e 2) “esteve e estará sempre junto ao povo brasileiro”. Isso reforça a dúvida desta coluna em 18/4: que povo? A Nação brasileira ou o “povo” do Bolsonaro?

PARA SALVA VIDAS – Excepcionalidade exige medidas excepcionais. Estados e municípios decretam restrições à circulação, a cultos e compras, não por serem sádicos, contra a Constituição e queiram destruir a economia, mas pelo oposto: porque têm de salvar vidas e recuperar o quanto antes a economia.

Com a incerteza das vacinas, a arma é isolamento. Mas o presidente ataca pelos dois lados: é o grande culpado pela falta de vacinas e guerreia também contra os paliativos.

Bolsonaro é um prato cheio para a CPI e a entrevista do ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten à Veja, apesar da dubiedade, põe mais pimenta ao acusar o Ministério da Saúde de Pazzuelo pelo fracasso na compra da Pfizer em 2020 e relatar que a questão foi tratada – e as chances desperdiçadas – dentro do gabinete presidencial.

MANIPULAÇÃO – Bolsonaro fez tudo errado desde o primeiro momento, deu no que deu. Agora, quer manipular o Exército, atacar os governadores e prefeitos e convencer o “povo” de que a culpa do caos é do combate à pandemia, não da sua total incompetência no combate à pandemia.

Seu real objetivo é usar as Forças Armadas, não contra o caos que ele criou e alimenta, mas contra a CPI, o STF e a candidatura Lula.


O lance de dados dos governadores e a Aliança para o Progresso; informações para Elio Gaspari


Aliança para o Progresso foi instituída por Kennedy, em 1961

Pedro do Coutto

Nos espaços que brilha semanalmente no O Globo e na Folha de São Paulo, Elio Gaspari, ontem, escreveu sobre o documento assinado por 24 governadores dirigindo-se diretamente ao governo Joe Biden no sentido de obter recursos financeiros e ao mesmo tempo realizarem projetos para o combate eficiente ao coronavírus, enfrentamento até agora, no governo Bolsonaro, de pouca efetividade.

Gaspari acha que a iniciativa é uma impertinência. Perfeito, também acho. Porém existe um aspecto político na questão que, a meu ver, deve ser levado em conta, uma vez que a repercussão do documento atingiu o governo de Brasília, podendo levá-lo a uma coordenação mais eficaz com governadores e prefeitos. Mas não apenas isso.

BLOCO POLÍTICO – Tem igualmente o propósito de tentar a formação de um bloco político para as eleições presidenciais de 2022. A chamada classe política e os integrantes do Supremo Tribunal Federal têm motivos para se preocuparem, uma vez que o presidente daRepública participou de manifestações na Esplanada dos Ministérios pedindo o fechamento do Congresso e do Supremo, além de um governo militar tendo à frente o próprio Bolsonaro.

O panorama atual do país inclina-se para uma preocupação institucional quanto ao resultado nas das urnas da sucessão, pois se Bolsonaro viesse a sair vitorioso, poucas dúvidas existem sobre o seu posicionamento futuro.

Não podendo se reeleger a segunda vez iria partir para a implantação de uma ditadura. Os sintomas apontam no sentido dessa hipóteses, pois já no início de 2020, Bolsonaro iniciou a campanha eleitoral para 2022. Distribuiu alimentos no Nordeste e melhorou a sua posição na região, o que refletiu na sua maior popularidade em todo o território nacional. As pesquisas apontaram o seu favoritismo.

AMEAÇA – Sentido essa ameaça em um futuro próximo, correntes partidárias e também facções da magistratura pensaram no assunto e resolveram viabilizar o único nome que certamente baterá Jair Bolsonaro nas urnas. Assim, embora o movimento dos governadores seja inócuo no conteúdo, na opinião pública há de surtir algum efeito, pois nenhuma atitude política deixará de ser maior do que zero. Entre ter uma perspectiva zero e outra superior a zero, as correntes a que me refiro optaram pela saída lógica e capaz de evitar uma grave crise que possa abalar a democracia.

O governo Bolsonaro vem tendo desgaste crescente, basta dizer que enquanto os salários estão congelados, os preços sobem. Falta uma esperança para a população de poder pagar os aumentos sucessivos que recaem sobre os seus bolsos.

ALIANÇA PARA O PROGRESSO – Elio Gaspari focalizou também na Aliança para o Progresso instituída pelo presidente John Kennedy, em 1961 logo que assumiu a Casa Branca. A Aliança para o Progresso, na realidade, nasceu da operação Pan Americana lançada em 1959 pelo presidente Juscelino Kubitschek a partir de um projeto de integração e do reflexo econômico e social de iniciativas voltadas para diminuir as carências sociais da América do Sul que estavam em nível muito inferior ao que hoje se verifica.

Aliás como o próprio Gaspari frisou, citando pontos nevrálgicos da Segurança PÚblica: tráfico de tóxicos e milícias armadas. O projeto de Juscelino nasceu de uma ideia do poeta e também empresário Augusto Frederico Schmidt e a coordenação do drama coube a Edmundo Barbosa da Silva, mais tarde embaixador do Brasil em Washington. O objetivo do JK brasileiro passou a ser o mesmo do JK americano, tanto que ao lançar a Aliança para o Progresso, Kennedy nomeou Juscelino Kubitschek e o ex-presidente Lleras Camargo, da Colômbia, para presidentes executivos da Aliança para o Progresso. JK e Camargo assumiram os postos para os quais foram designados por Kennedy.

A Aliança para o Progresso foi uma decorrência de uma superprodução de trigo nos Estados Unidos. Necessitando colocar o trigo no mercado, o governo de Washington decidiu financiar projetos de desenvolvimento econômico e social no continente para funcionar como fonte financiadora de tais projetos. Os fatos levariam depois, também em 1961, a que a Aliança para o Progresso fosse beneficiar o governo Carlos Lacerda na Guanabara. O Guandu foi construído com dinheiro da Aliança, bem assim outros projetos e criações de Lacerda que partiram de um planejamento muito eficiente de Hélio Beltrão, secretário do Planejamento do Palácio Guanabara.

VILA KENNEDY – Gaspari refere-se também à Vila Kennedy , projeto habitacional de Lacerda, com o intuito de desfavelizar a cidade. A secretária de Desenvolvimento Social era a professora Sandra Cavalcanti, que depois foi deputada constituinte. O projeto de transferência de habitantes de favelas para a Vila Kennedy, próximo a Bangu, começou pela remoção dos moradores do Morro do Pasmado, que os mais jovens não conheceram, mas que se situava ao lado da pista que vai do Leblon a São Conrado pela orla marítima.

Terminada a remoção, o governo Carlos Lacerda lançou gasolina na área e a incendiou, em um sábado. O Correio da manhã, jornal em que eu trabalhava, colocou na primeira página do dia seguinte uma foto das chamas e atribuindo a Lacerda a repetição do que Nero fizera em Roma no passado,

A remoção dos moradores daquela favela foi sucedida pela instalação da Vila Kennedy, nome do presidente dos Estados Unidos que através da Aliança financiou as obras. Os moradores da favela que desapareceu receberam casas na Vila Kennedy, após um cadastramento.

INSATISFAÇÃO – Acontece que a insatisfação foi geral junto aos moradores transferidos. Tanto assim que nas urnas de 1965, 90% dos votos da Vila Kennedy foram dados a Negrão de Lima que derrotou nas urnas para o governo do estado, Flexa Ribeiro candidato de Carlos Lacerda e da UDN, partido ao qual Lacerda pertencia. São fatos históricos que coloco e os destino à apreciação de Elio Gaspari.

Os governadores ao assinarem um documento endereçado ao presidente Joe Biden tentaram, como disse no início, criar um fato político. Fato político não pior do que aquele que Jair Bolsonaro praticou ao discursar na Conferência do Clima, convocada pelo presidente americano. Em sua fala, Bolsonaro afirmou que ampliaria os investimentos da reunião amazônica para combater o desmatamento e as queimadas trágicas no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

As palavras de Bolsonaro serviram de base para que Biden desse destaque à iniciativa brasileira que o presidente da República fez durante a Conferência.  Biden congratulou-se com vários países, inclusive o Brasil. Sucede que enquanto falava no início da tarde de quinta-feira sobre o seu projeto de defesa do meio ambiente, ao anoitecer, foi enviada para o Diário Oficial da União a relação dos cortes orçamentários que Jair Bolsonaro praticou, entre os quais exatamente um deles, no Ministério do Meio Ambiente, cujo titular é Ricardo Salles.

OMISSÃO – São fatos assim que vão acontecendo e que de uma forma ou de outra funcionam para expor uma realidade, a qual, no caso brasileiro, no governo Bolsonaro, vem assumindo o caráter de tragédia por ação e omissão. No caso das vacinas, não é preciso falar. No caso das omissões, basta dizer que com mais de dois anos no Planalto não se conhece sequer um projeto em nenhum setor que tenha sido pelo menos elaborado pelo governo de nosso país.

O Ministério da Economia, cujo titular é Paulo Guedes, atuação para mim desastrosa, absorveu as pastas da Fazenda, do Planejamento, do Trabalho , da Previdência Social e como se não bastasse também a coordenação das privatizações. Acabaram aí as funções que se propõe Paulo Guedes? Não, porque ele também participou da troca de presidente da Petrobras, empresa estatal que se encontra vinculada ao Ministério de Minas e Energia. O homem dessa forma está em todas e se propôs a realizar um trabalho impossível.

E por esse caminho não há tempo diário capaz de ser preenchido para que os titulares possam exercer suas atividades que exigem uma atenção muito profunda. Tanto na forma, mas principalmente no conteúdo. A falta de atenção para uma virgula pode significar um prejuízo enorme para a sociedade brasileira.

PETROLÃO – Os exemplos estão aí, como aconteceu na Petrobras no segundo governo Lula e na reeleição de Dilma Rousseff. Um gerente, como Pedro Barusco que ocupava um cargo imediatamente abaixo do posto de diretor, quando explodiu o petrolão devolveu à Petrobras US$ 95 milhões que se encontravam no exterior em algum paraíso fiscal, que terminou vindo à superfície.

Creio ser desnecessário citar as consequências da operação Lava jato. Para finalizar, os atos de Sergio Moro que condenaram Lula da Silva foram tornados nulos no Supremo Tribunal Federal. Prevaleceu o relatório de Edson Fachin que optou pela transferência do foro do ex-presidente da República para o Tribunal Regional Federal de Brasília.

ANTIBOLSONARISTA – Dessa forma, Lula ressurgiu no horizonte político brasileiro. Com sua imagem, nascia também o candidato mais antibolsanista possível. A respeito do julgamento do Supremo no que se refere à parcialidade do ex-juiz Sergio Moro, na minha opinião, deve ser observado o seguinte: se o STF anulou todas as condenações de Lula em Curitiba, a matéria também em pauta quanto à parcialidade de Moro perde o sentido, claro. Não pode haver parcialidade material em torno daquilo que deixou de existir.

Anulação de condenações significa reduzi-las a zero, de um lado. De outro, os processos vão ser remetidos ao TRF da Capital do país. Portanto , a parcialidade de Moro está ultrapassada pelos processos jurídicos que transcorreram e estão transcorrendo. Não existem na política profecias ou raciocínios congelados, aliás como pensam os que se denominam cientistas políticos.


domingo, abril 25, 2021

Prefeito parabeniza familiares de pessoas que morreram de COVID

 

Luiz Brito DRT/BA 3.913

Um trecho de uma entrevista do prefeito  Derí do Paloma (PP), concedida ao radialista Adalberto Moreno da rádio Jeremoabo FM, virilizou as redes sociais neste final de semana. Ao invés de manifestar solidariedade e condolências aos familiares, o chefe do executivo jeremoabense, foi extremamente infeliz ao “parabenizar os familiares” que tiveram entes queridos vitimados pela COVID-19. A gravação foi distribuída sem pena entre os internautas.


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