domingo, fevereiro 14, 2021

Governo e Congresso precisam lembrar que o poder deve ser exercido em benefício do povo

Publicado em 14 de fevereiro de 2021 por Tribuna da Internet

Resultado de imagem para em nome do povoRoberto Livianu
Estadão

Suspeitos, investigados e processados por corrupção e outros crimes de colarinho-branco estão celebrando o anúncio da desativação da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) na Lava Jato em Curitiba, assim como as declarações reiteradas do líder do governo na Câmara no sentido de se pretender enfraquecer a Lei de Improbidade Administrativa.

Desde 2014, na Lava Jato foram 79 fases, R$ 4,3 bilhões recuperados e 278 sentenças, escrevendo uma nova página da História brasileira no enfrentamento da corrupção de grosso calibre, com procuradores da República designados com exclusividade para cuidar de casos extremamente complexos.

POR QUE DESATIVAR? – Se, hipoteticamente, houvesse compreensão da PGR, e de organismos de controle que se excederam midiaticamente no afã de fazer valer o princípio constitucional da publicidade, de interagir com a sociedade para mobilizá-la, engajá-la e conscientizá-la, como recomenda a ciência política, que recomendassem pedagogicamente o que entendessem de direito.

No entanto, no exercício de meu direito de livre manifestação, opinião e crítica, garantido constitucionalmente, penso que para desativar estrutura responsável por trabalho histórico, reconhecido internacionalmente, com patamar de recuperação de ativos da ordem de um terço, recomendável seria prévia ampla e democrática discussão no seio do MPF, envolvendo amplamente seu Conselho Superior, a Associação Nacional dos Procuradores da República e outras instâncias, buscando solução substitutiva que pudesse enfrentar tão relevante demanda da sociedade.

Ao mesmo tempo, o líder do governo na Câmara vem a público reiteradamente declarar que a Lei de Improbidade deve ser desidratada e enfraquecida, somente devendo punir atos que provoquem danos ao patrimônio público. Será que a sociedade concorda?

IMPUNIDADE GERAL – Essa pregação enaltece o substitutivo Zarattini, apresentado secretamente ao PL 10.887/18, que originalmente pretendia atualizar a Lei de Improbidade. Esse substitutivo, elaborado por advogados pagos com dinheiro público, não obstante disporem todos os parlamentares de assessoria técnica legislativa (o que, em tese, caracteriza ato de improbidade administrativa), propõe a supressão do artigo 11 da lei – não mais se puniriam a “carteirada”, o nepotismo, o não fornecimento de informações nos termos da Lei de Acesso à Informação, o desvio de vacinas e todos os atos sem danos ao patrimônio.

Também propõe impor prazo para encerramento de inquérito civil pelo Ministério Público, mesmo que o caso seja complexo e demande mais trabalho. Esses são apenas dois exemplos. É óbvio o objetivo de criar impunidade.

É importante lembrar também que o Brasil, campeão mundial de lavagem de dinheiro, segundo a Kroll, montou comissão para rever a respectiva lei, composta predominantemente por advogados de acusados de lavagem de dinheiro e secretariada pelo juiz Ney Bello Filho, que concedeu prisão domiciliar a Geddel Vieira Lima .

UMA LEI REFERÊNCIA – As primeiras reuniões sinalizam a intenção de abrandar a Lei 12.682/12, considerada de última geração pelo mundo, que a tem como referência. Isso pode trazer consequências devastadoras para o Brasil, até quanto à dificuldade de aprovação de futuros financiamentos internacionais e ao impedimento de ingresso na OCDE, que pretendemos. Isso no momento em que o índice anual de percepção da corrupção, divulgado pela Transparência Internacional, o principal organismo do mundo dedicado à agenda anticorrupção, acaba de sair e nos mostra com pífios 38 pontos, abaixo da média da América Latina (41), mundial (43), do G-20 (54) e da OCDE (64), apesar de termos a nona economia mundial.

A pandemia tornou a situação ainda mais séria e grave, pois a corrupção se mostrou presente numa enxurrada de casos que levaram à prisão secretários de Saúde e retiraram do cargo governadores de Estado, evidenciando que os dramas humanos não diminuem o afã criminoso dos corruptos.

O PIOR GOVERNO – Além disso tudo, fomos apontados como os de pior governo, dentre 98 examinados, na gestão da crise da pandemia, pelo australiano Instituto Lowy, a partir de critérios científicos.

Os administradores descumprem seus deveres de prestar contas com transparência e só atingiram patamares decentes após a Transparência Internacional e o Open Knowledge os pressionarem com seus observatórios comparativos.

Até hoje o Banco Central não explicou o lançamento da nota de R$ 200, cujo número de cédulas emergenciais não foi emitido, especialmente diante do fato de que o mundo vem retirando de circulação as notas maiores para prevenir crimes de colarinho-branco e outros.

TUDO DOMINADO– Nosso cotidiano tem sido de ingerências presidenciais na Polícia Federal, na Abin, no GSI, no desmanche da política ambiental, no culto à opacidade, em ataques constantes a jornalistas e à liberdade de expressão. No Congresso não há respostas às demandas pelo fim do foro privilegiado, à prisão após condenação em segunda instância, à criminalização do caixa 2 eleitoral, à reforma político-eleitoral.

Executivo e Legislativo devem se lembrar de sempre que numa democracia o poder, pelos mandatos que se renovam (ou não), deve ser exercido em benefício do povo.

sábado, fevereiro 13, 2021

Um governador abobalhado e um militar desonroso, na visão de um escritor imortal


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Natuza Nery não aguentou tanta tragédia e caiu no choro

Vicente Limongi Netto

“Governador abobalhado” é a mais recente e merecida “condecoração” dada ao nefasto Wilson Lima, governador do Amazonas, em extraordinário artigo escrito no Estadão por Ignácio de Loyola Brandão. Leiam este trecho: “Liguei a tevê, Globonews. Por que fiz? Mergulhei no horror, desumanidade, incompetência e desespero. Achei que era a guerra civil, ocasionado por um governador abobalhado e pela logística do Pazuello, o militar que mais desonra as Forças Armadas. É só vexame.”

Transcrevo, com prazer, o artigo de Loyola Brandão, membro da Academia Brasileira de Letras.

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A NOITE EM QUE NATUZA CHOROU
Ignácio de Loyola Brandão
 (Estadão)

Há pouco tempo, na lista de meios já utilizados por mim, faltavam o camburão e a ambulância. Agora, só falta o camburão. Semanas atrás, incomodado por uma constipação intestinal, belo eufemismo da medicina, e pelo que me parecia um quisto em lugar incômodo, me vi no Pronto Atendimento, outra expressão mais tênue, simpática, do que pronto-socorro, que nos dava a sensação de fim de linha. Terminados alguns exames, me assustaram:

“O senhor vai direto para o hospital, a ambulância já está à espera”. Pronto, meu catastrofismo, herdado de minha mãe, aflorou. A vida inteira dona Maria do Rosário, boa e piedosa, teve medo de perder a casa, hipotecada à Caixa durante uma reforma. A casa está na família até hoje.

CADEIRA DE RODAS – Colocaram-me em uma cadeira de rodas, apesar de eu poder caminhar. Cadeira de rodas é boa nos aeroportos, principalmente no de Guarulhos, com seus corredores quilométricos. O motorista da ambulância me devolveu o humor. “Quer com emoção ou sem emoção? Ou seja, a toda velocidade com sirenes abertas ou normal?” Não sabia se eu ia morrer logo ou se dava tempo de chegar ao Einstein, respondi: “Sem emoção”.

Sem? Quem disse? As ruas estropiadas desta cidade são um inferno para quem vai deitado, sofrendo sacudidelas que não nos jogam no chão porque nos prendem com cinturões. Eu me imaginava louco metido em camisa de força.

PLANO DE SAÚDE – Por sorte (ou merecimento, não vá o psicoterapeuta Hiroshi Ushikusa dizer: pare com essa culpa), o convênio médico que a Academia Brasileira de Letras me concedeu cobre tudo e fui entregue ao doutor Alberto Goldenberg, que rápido correu com os procedimentos. Adoro esta palavra, é boa para tudo.

E eu pensava o quê? Aqui terá oxigênio? Ou me angustiava: claro que não conseguirão um diagnóstico. Sou o paciente que não anima nenhum médico. Mas alguém lá em cima – pode ser até no andar superior – olha por mim.

Neste momento, liguei a tevê. GloboNews. Por que fiz? Mergulhei no horror, desumanidade, incompetência e desespero, achei que era a guerra civil, ocasionada por um governador abobalhado e pela logística do Pazuello, o militar que mais desonra as Forças Armadas, é só vexame.

MORTE POR ASFIXIA – Tenebrosas e pungentes mortes por asfixia começaram a saltar da telinha. Tentar respirar e o ar não existir deve ser um horror. Isso de Manaus pode se repetir pelo Brasil, porque o governo garante que está fazendo a sua parte. E, quando ele garante isso, é melhor apanhar o passaporte. Falta de oxigênio deve ser uma morte tão horrorosa quando a provocada pelo gás Zyklon.

Senti-me mal, culpado (atenção Karnal), privilegiado. Estava preocupado com um coisa que acabou sem drama nenhum. E naquele mesmo momento havia pessoas sem respirar e a morrer, enquanto outras nem conseguiam enterrar seus mortos. Quantos Brasis existem dentro de um? Quanta diversidade social e financeira. Eu, privilegiado. Passei por tomografias em máquinas caríssimas, fiz exames laboratoriais cujos resultados saíam em minutos, mas em Manaus – e em tantas outras partes – tinha (e tem) gente sem respirar, sem atendimento, sem respirador e criminosamente sem vacina. Ah, e os fura-filas?

Então, pela primeira vez na minha vida, vi uma jornalista, Natuza Nery, não suportar e explodir em choro, enquanto relatava os fatos daquele inferno amazônico. Diante da crueldade, Natuza chorou. Lágrimas correram, ela parou de falar. Espectadores choraram. Fiquei travado, nunca me esquecerei. Breve cena de poucos minutos.

E OS RESPONSÁVEIS – Mas quem devia chorar, o presidente, os parlamentares, os ministros do Supremo, os generais tão invocados a todo momento, estes pouco se davam, se deram, se dão.

Agora, estou em casa salvo, escrevendo este texto pelo qual posso ser processado pelo ministro da Justiça. E a fila de mortos cresce, avoluma-se, é uma pilha, um Himalaia de pessoas.

Mas tudo bem, o procurador Aras está aí para salvar a pátria, ou o presidente. Passamos dos 215 mil mortos. Toda a população de Araraquara, onde nasci. Uma cidade inteira. Gente, seres humanos que vivem, trabalham, amam, comem, bebem, se divertem, riem, choram, têm prazer e dor, são felizes ou não. Gente que vive, quer viver, porque é bom, apesar de tudo.

Temos medo. Estamos angustiados. Todos, de todas as cores e modos e religiões e ideologias e fantasias e sonhos e desejos, estão na fila para morrer. Não chegou a hora de fazer alguma coisa?

Em viagem a SC durante Carnaval, Bolsonaro promove aglomeração e é chamada de genocida por moradora


Palácio do Planalto não deu informações sobre visita a município catarinense

Ricardo Della Coletta
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) viajou para passar o feriado de Carnaval em São Francisco do Sul (SC), em roteiro não informado pelo Palácio do Planalto por ser tratado como “agenda privada”. Na chegada a Santa Catarina, Bolsonaro cumprimentou apoiadores que se aglomeraram para vê-lo. O presidente foi chamado de “genocida” por uma manifestante que estava no local.

As imagens foram transmitidas nas redes sociais de Bolsonaro, que viajou a Santa Catarina acompanhado por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu filho deputado federal, e pela caçula Laura. Também está na comitiva o deputado Helio Lopes (PSL-RJ), amigo do presidente.

“FORA GENOCIDA” – Ao final de um dos vídeos publicados por Bolsonaro, enquanto ele está interagindo com simpatizantes, uma manifestante grita “fora genocida”. Em seguida, as dezenas de apoiadores presentes vaiaram a manifestante e responderam com gritos de “mito”.

A maioria dos apoiadores de Bolsonaro que aparece na transmissão está sem máscara de proteção facial, apesar de especialistas ressaltarem que o item é importante para conter a disseminação da Covid-19. Bolsonaro e os membros da comitiva tampouco usaram máscara.

São Francisco do Sul tem aproximadamente 53,7 mil habitantes. De acordo com o último boletim da prefeitura, o município registrou 4.078 casos positivos da doença e 61 mortes.

CONFRONTO – Desde o início da disseminação do novo coronavírus, Bolsonaro tem falado e agido em confronto com as medidas de proteção, em especial a política de isolamento da população. O presidente já usou as palavras histeria e fantasia para classificar a reação da população e da mídia à doença.

Além dos discursos, o presidente assinou decretos para driblar decisões estaduais e municipais, manteve contato com pessoas na rua e vetou o uso obrigatório de máscaras em escolas, igrejas e presídios —medida que acabou derrubada pelo Congresso.

Mais recentemente, entrou em uma “guerra da vacina” com Doria.Bolsonaro decolou de Brasília na manhã deste sábado (13), um dia depois de ter nomeado um deputado do centrão para o Ministério da Cidadania.

CONFIRMADO NO CARGO – João Roma (Republicanos-BA), aliado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), foi confirmado no cargo na noite de sexta-feira, dia 12. Bolsonaro também deslocou Onyx Lorenzoni (DEM-RS) do ministério da Cidadania para a Secretaria-Geral da Presidência.

Em sua live semanal de quinta-feira, dia 11, o presidente disse que poderia viajar para São Francisco do Sul. Ele afirmou que retornaria para Brasília na terça-feira, dia 16, ou no dia seguinte pela manhã.

É a segunda visita de Bolsonaro à cidade catarinense em menos de dois meses. No final de dezembro, após sobrevoar áreas atingidas por fortes chuvas no estado, Bolsonaro promoveu um jantar de confraternização no município.

Participaram do jantar o ministro Fábio Faria (Comunicações), o senador Jorginho Mello (PL-SC), empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, e o apresentador do SBT Ratinho, entre outros.

Ilhéus: Câmara reduz em 19% salário dos vereadores e servidores comissionados


Ilhéus: Câmara reduz em 19% salário dos vereadores e servidores comissionados
Foto: Divulgação/ Câmara de Ilhéus

A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Ilhéus, no Litoral Sul do estado, decidiu reduzir os salários dos vereadores, servidores comissionados e diretores de gabinetes da Casa em 19%. A medida foi aprovada e passa a valer já no mês de fevereiro. As informações são do portal Políticos do Sul da Bahia. A medida representa uma economia anual de R$ 2.107.801,93.

 

A medida foi adotada com base em dois fatores. De acordo com a reportagem, o primeiro é que houve redução de 695 mil reais este ano no duodécimo para o Poder Legislativo em 2021 em comparação com o ano anterior. Além disso, a Câmara de Ilhéus passou de 19 para 21 vereadores, com mais dois gabinetes. Então a Casa passou a ter mais despesas com assessoria e diretorias vinculadas a estes gabinetes.

 

O presidente da Câmara, Jerbson Moraes, explicou que o aumento operacional provocou uma projeção acima do limite permitido pela Constituição Federal, que é de até 70 por cento da receita do duodécimo para aplicar em gastos com folha de pagamento.

 

“Por isso decidimos cortar na própria carne”, justificou.

 

Os vencimentos dos vereadores passou de cerca de R$ 12 mil para R$ 10 mil aproximadamente, apurou o Políticos do Sul da Bahia.

 

“É uma decisão inédita, histórica, que deve servir de exemplo para outras Câmaras que passam pela mesma situação em todo o Brasil”, comemorou o presidente Moraes.

 

O presidente também justificou a redução, considerando que este momento de pandemia está difícil para toda a população e a Câmara tem que ser exemplo para uma sociedade que terá que passar por um novo período de reconstrução.

Bahia Notícias

Marco Aurélio quer que governo entregue plano para conter Covid entre quilombolas em 30 dias

Publicado em 13 de fevereiro de 2021 por Tribuna da Internet

Quilombolas constam entre as prioridades do Plano Nacional de Vacinação

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
G1

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, votou nesta sexta-feira, dia 12, a favor de um prazo de 30 dias para que o governo federal formule um plano nacional de combate à Covid-19 entre as comunidades quilombolas.

O tema começou a ser julgado no plenário virtual nesta sexta-feira. O plenário virtual é uma modalidade de deliberação em que os votos dos ministros são apresentados diretamente na página do tribunal da internet, sem a necessidade de sessões por videoconferência. O julgamento deve terminar no dia 23, mas pode ser interrompido se houver pedido de vista (mais tempo para análise) por algum ministro.

PLANO –  Mello é o relator de uma ação que pede a apresentação de um plano específico para as comunidades quilombolas, apresentada em outubro do ano passado por cinco partidos de oposição – PSOL, PSB, PT, PCdoB e Rede – e pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas. Pelo voto do ministro, além do plano, o governo federal deve criar, em 72 horas, um grupo de trabalho para debater, aprovar e monitorar a execução do plano.

O grupo de trabalho teria a participação dos ministérios da Saúde; da Mulher, Família e Direitos Humanos; além de Fundação Cultural Palmares, Defensoria Pública da União, Ministério Público Federal, Conselho Nacional de Direitos Humanos, Associação Brasileira de Saúde Coletiva e representantes das comunidades quilombolas a serem indicados pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas.

QUESITOS –  No voto, Marco Aurélio Mello estabelece ainda que o governo deve providenciar, também em 72 horas, a inclusão de quesitos sobre raça, cor e etnia no registro de casos confirmados de Covid-19. As populações quilombolas estão entre os grupos prioritários na segunda versão do Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19.

Mas, no entendimento do ministro, o governo federal “limitou-se a fazer indicação genérica, deixando de prever protocolos sanitários voltados à efetividade da medida e de articular ações programáticas a fim de evitar descompasso nas unidades da Federação”. “Não há especificação nem do quantitativo populacional nem das doses a serem destinadas aos remanescentes dos quilombos. Tampouco foram estabelecidos objetivos, metas, cronograma e providências para a imunização prioritária”, constatou o ministro.

Segundo ele, “não basta a inclusão formal dos quilombolas no grupo dos primeiros a serem imunizados, se desacompanhada de planejamento conducente à eficácia da medida”. “É preciso viabilizar a concretização dos preceitos fundamentais atinentes à dignidade da pessoa humana, à vida e à saúde”, afirmou.

Um governador abobalhado e um militar desonroso, na visão de um escritor imortal


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Natuza Nery não aguentou tanta tragédia e caiu no choro

Vicente Limongi Netto

“Governador abobalhado” é a mais recente e merecida “condecoração” dada ao nefasto Wilson Lima, governador do Amazonas, em extraordinário artigo escrito no Estadão por Ignácio de Loyola Brandão. Leiam este trecho: “Liguei a tevê, Globonews. Por que fiz? Mergulhei no horror, desumanidade, incompetência e desespero. Achei que era a guerra civil, ocasionado por um governador abobalhado e pela logística do Pazuello, o militar que mais desonra as Forças Armadas. É só vexame.”

Transcrevo, com prazer, o artigo de Loyola Brandão, membro da Academia Brasileira de Letras.

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A NOITE EM QUE NATUZA CHOROU
Ignácio de Loyola Brandão
 (Estadão)

Há pouco tempo, na lista de meios já utilizados por mim, faltavam o camburão e a ambulância. Agora, só falta o camburão. Semanas atrás, incomodado por uma constipação intestinal, belo eufemismo da medicina, e pelo que me parecia um quisto em lugar incômodo, me vi no Pronto Atendimento, outra expressão mais tênue, simpática, do que pronto-socorro, que nos dava a sensação de fim de linha. Terminados alguns exames, me assustaram:

“O senhor vai direto para o hospital, a ambulância já está à espera”. Pronto, meu catastrofismo, herdado de minha mãe, aflorou. A vida inteira dona Maria do Rosário, boa e piedosa, teve medo de perder a casa, hipotecada à Caixa durante uma reforma. A casa está na família até hoje.

CADEIRA DE RODAS – Colocaram-me em uma cadeira de rodas, apesar de eu poder caminhar. Cadeira de rodas é boa nos aeroportos, principalmente no de Guarulhos, com seus corredores quilométricos. O motorista da ambulância me devolveu o humor. “Quer com emoção ou sem emoção? Ou seja, a toda velocidade com sirenes abertas ou normal?” Não sabia se eu ia morrer logo ou se dava tempo de chegar ao Einstein, respondi: “Sem emoção”.

Sem? Quem disse? As ruas estropiadas desta cidade são um inferno para quem vai deitado, sofrendo sacudidelas que não nos jogam no chão porque nos prendem com cinturões. Eu me imaginava louco metido em camisa de força.

PLANO DE SAÚDE – Por sorte (ou merecimento, não vá o psicoterapeuta Hiroshi Ushikusa dizer: pare com essa culpa), o convênio médico que a Academia Brasileira de Letras me concedeu cobre tudo e fui entregue ao doutor Alberto Goldenberg, que rápido correu com os procedimentos. Adoro esta palavra, é boa para tudo.

E eu pensava o quê? Aqui terá oxigênio? Ou me angustiava: claro que não conseguirão um diagnóstico. Sou o paciente que não anima nenhum médico. Mas alguém lá em cima – pode ser até no andar superior – olha por mim.

Neste momento, liguei a tevê. GloboNews. Por que fiz? Mergulhei no horror, desumanidade, incompetência e desespero, achei que era a guerra civil, ocasionada por um governador abobalhado e pela logística do Pazuello, o militar que mais desonra as Forças Armadas, é só vexame.

MORTE POR ASFIXIA – Tenebrosas e pungentes mortes por asfixia começaram a saltar da telinha. Tentar respirar e o ar não existir deve ser um horror. Isso de Manaus pode se repetir pelo Brasil, porque o governo garante que está fazendo a sua parte. E, quando ele garante isso, é melhor apanhar o passaporte. Falta de oxigênio deve ser uma morte tão horrorosa quando a provocada pelo gás Zyklon.

Senti-me mal, culpado (atenção Karnal), privilegiado. Estava preocupado com um coisa que acabou sem drama nenhum. E naquele mesmo momento havia pessoas sem respirar e a morrer, enquanto outras nem conseguiam enterrar seus mortos. Quantos Brasis existem dentro de um? Quanta diversidade social e financeira. Eu, privilegiado. Passei por tomografias em máquinas caríssimas, fiz exames laboratoriais cujos resultados saíam em minutos, mas em Manaus – e em tantas outras partes – tinha (e tem) gente sem respirar, sem atendimento, sem respirador e criminosamente sem vacina. Ah, e os fura-filas?

Então, pela primeira vez na minha vida, vi uma jornalista, Natuza Nery, não suportar e explodir em choro, enquanto relatava os fatos daquele inferno amazônico. Diante da crueldade, Natuza chorou. Lágrimas correram, ela parou de falar. Espectadores choraram. Fiquei travado, nunca me esquecerei. Breve cena de poucos minutos.

E OS RESPONSÁVEIS – Mas quem devia chorar, o presidente, os parlamentares, os ministros do Supremo, os generais tão invocados a todo momento, estes pouco se davam, se deram, se dão.

Agora, estou em casa salvo, escrevendo este texto pelo qual posso ser processado pelo ministro da Justiça. E a fila de mortos cresce, avoluma-se, é uma pilha, um Himalaia de pessoas.

Mas tudo bem, o procurador Aras está aí para salvar a pátria, ou o presidente. Passamos dos 215 mil mortos. Toda a população de Araraquara, onde nasci. Uma cidade inteira. Gente, seres humanos que vivem, trabalham, amam, comem, bebem, se divertem, riem, choram, têm prazer e dor, são felizes ou não. Gente que vive, quer viver, porque é bom, apesar de tudo.

Temos medo. Estamos angustiados. Todos, de todas as cores e modos e religiões e ideologias e fantasias e sonhos e desejos, estão na fila para morrer. Não chegou a hora de fazer alguma coisa?

Oito praias sergipanas estão impróprias para banho e interditadas

 em 13 fev, 2021 11:50

Umas das praias interditadas é a do Abaís, no município de Estância (Foto: BPRv)

A análise da balneabilidade das praias do litoral sergipano, realizada pela Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), aponta que oito praias estão impróprias para banho e devem ficar interditadas pelas próximas três semanas. O motivo é o alto índice de coliformes fecais encontrados nas amostras.

Na capital, a praia do Refúgio, na área próximo ao condomínio Lago Paranoá; a praia do Robalo, na altura do clube do Banco do Brasil (AABB); e a praia dos Artistas, em frente ao novo farol, estão interditadas e impróprias para banho.

No litoral norte, dois trechos da praia da Atalaia Nova estão interditados. Um dos pontos fica na área do antigo terminal ferroviário e o outro em frente ao farol da Barra. Na praia do Jatobá, também na Barra dos Coqueiros, o trecho na altura do terminal portuário também está fechada para banho.

No Litoral Sul, as praias do município de Estância estão com áreas interditadas. A área de banho próximo a Praça de Eventos da praia do Abaís está imprópria para banho, assim como o trecho da Praia do Saco, na altura da rua Principal.

Por Karla Pinheiro

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