sábado, agosto 10, 2019

Atos do presidente devem obedecer ao interesse público, mas Bolsonaro não se contém


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Charge do Nani (Nanihumor.com)
Eliane CantanhêdeEstadão
Alguém precisa avisar ao presidente Jair Bolsonaro que ele foi eleito para presidir o País, não para se tornar dono da República e fazer o que bem entende. Pelo princípio da impessoalidade, definido no artigo 37 da Constituição, o mandatário tem de tomar decisões de acordo com o interesse público, não ao sabor dos seus interesses, vontades e crenças pessoais, nem para favorecer a si, à família, aos amigos ou a grupos específicos. Há controvérsias se é exatamente assim que Bolsonaro governa, fala e age.
O exemplo mais chocante foi a indicação do filho para a mais importante embaixada do planeta, a dos EUA. Trata-se de um jovem de 35 anos que nunca pisou no Instituto Rio Branco, não é especialista na área nem um personagem de destaque na vida nacional. É filho do presidente, ponto.
RETALIAÇÕES – E os dois exemplos mais recentes são retaliações do cidadão Bolsonaro, que aproveita o principal gabinete do Planalto e uma caneta Bic para se vingar de desafetos. Um é o cancelamento do contrato da Petrobrás com o escritório de advocacia do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Outro é a dispensa de publicação de balanços de companhias abertas em jornais.
“Não precisa dar dinheiro para um cara da OAB”, aplaudiu Bolsonaro, que falou de forma cruel sobre o desaparecimento do pai de Felipe na ditadura militar, remexendo uma ferida que não é só da família Santa Cruz, mas de toda a Nação.
Onde está o interesse público no cancelamento do contrato? O escritório, especializado em Justiça do Trabalho, evitou em 2018 rombo de R$ 5 bilhões à Petrobrás em causas trabalhistas. Logo, a companhia não dá dinheiro “para o cara”, remunera um serviço bem feito.
RETRIBUIÇÕES – “Retribuí parte daquilo que grande parte da mídia me atacou”, disse Bolsonaro, assumindo a intenção de vingança quando desobrigou a publicação dos balanços. A decisão é do governo, mas o interessado é o ex-candidato, insatisfeito com as revelações da imprensa sobre seu passado e entorno desde a campanha. Como, aliás, ela tem o dever de fazer.
Lembra a punição ao fiscal do Ibama que multou o cidadão Jair por pescar em área protegida. O fiscal cumpriu seu dever, o cidadão descumpriu a lei. Quem riu por último? Aquele que, flagrado na infração, pensou: “Ah, esse aí me paga!”. Pagou mesmo. O pescador assumiu e usou o poder contra um pobre fiscal.
PARAÍBA DE ESQUERDA – Também não se pode classificar de impessoalidade a decisão do presidente de “não dar nada para esse cara”. Desta vez, não o presidente da OAB, mas o governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, um desses “paraíba” que ousam ser de esquerda.  Do varejo para o atacado, o governo federal conseguiu punir o Nordeste inteiro, com apenas 2,2% dos empréstimos da CEF.
É um direito de Bolsonaro não gostar de Dino, como é dos governadores do Nordeste não gostar de Bolsonaro. Mas não é um direito da pessoa do presidente usar seu poder contra uma região, a segunda mais populosa do Brasil. O interesse dessa população está acima das birras do Jair.
E o que falar sobre o Coaf, que identifica movimentações financeiras atípicas e, assim, municia os órgãos de fiscalização e controle contra a lavagem de dinheiro, prima-irmã da corrupção? Ia tudo bem, até que o Coaf bateu os olhos numa dinheirama de um tal de Queiroz.
COAF PUNIDO – Esse foi o fio da meada de uma história ainda muito mal contada sobre contratações, salários, depósitos e esquemas nos gabinetes do clã Bolsonaro. Tal como o fiscal do Ibama, o Coaf está sendo punido por simplesmente fazer o que tinha de fazer. Podia pegar todo mundo, não o filho “01” do presidente, Flávio, agora senador.
Pimenta nos olhos dos outros é refresco, mas nos olhos do poder arde, causa irritação e, no caso dos Bolsonaro, gera retaliação. O problema é combinar com a Constituição. O artigo 37 é claro, preciso, um alerta.

Indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada nos EUA é um atentado ao bom senso


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Ilustração reproduzida do Arquivo Google
Vicente Limongi Netto
A indicação do presidente da República para o filho Eduardo Bolsonaro vir a ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos, sob qualquer aspecto, é um atentado ao bom senso e um colossal desrespeito aos valorosos, experientes, estudiosos, respeitados e competentes diplomatas de carreira. Melancólica e profunda patetice. Mais absurdo ainda é que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, não proteste contra a decisão insana do chefe da Nação e, pelo contrário, a apoie entusiasticamente.
O cientista politico Paulo Kramer tem razão: “O Brasil é invisível perante o mundo”. Só consegue sair da obscuridade quando seus governantes metem os pés pelas mãos com destemperos e sandices. 
MOTIVO DE CHACOTAS – Bolsonaro insiste em tornar o Brasil um país de galhofeiros e motivo de chacotas no exterior. Deveria completar a pantomima indicando o filho Carlos para ser embaixador na Itália e o filho Flávio para embaixador na França.  Apequenaria mais ainda o Brasil aos olhos do mundo, mas seria a glória dos deuses  para a família Bolsonaro. 
A sabatina no Senado para aprovar ou rejeitar o nome do poliglota deputado Eduardo Bolsonaro, suposto “amigo de infância” dos filhos de Trump, tem o dever de atuar com isenção, firmeza e independência. Os senadores não podem dobrar a espinha e engolir pela goela abaixo mais uma diatribe do chefe do governo que depõe contra o Brasil.

Se ainda fosse colostomizado, Bolsonaro não iria sugerir “fazer cocô, dia sim dia não”


Charge O TEMPO 10/08/2019
Charge do Duke (dukechargista.com.br)
Jorge Béja
Quando o o chefe do governo disse, publicamente, nesta sexta-feira, que, para o desenvolvimento com preservação ambiental “é só fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida”, Jair Bolsonaro perdeu a elegância, a estatura, a fidalguia, o majestático que o cargo de presidente da República exige ter e ser. Bolsonaro cuspiu para o céu. Bolsonaro escarrou no prato em que comeu.
Aquela facada em Juiz de Fora foi para matá-lo. E ele sobreviveu. Foi eleito e ser tornou o presidente do Brasil. Passou um tempo usando bolsa de colostomia e dela se livrou para não mais utilizá-la para o resto da vida. Bolsonaro recebeu uma graça divina. A recuperação foi total.
MÃOS MÁGICAS – Socorro imediato e mãos mágicas e abençoadas dos médicos salvaram-lhe a vida e restituíram-lhe a normalidade da evacuação das fezes, pelos caminhos naturais que a transcendental anatomia humana criou.
Portanto, a necessidade fisiológica de evacuar jamais poderia ser tema, ser assunto, ser referência, ser objeto e motivo para Bolsonaro a ela se referir em qualquer circunstância. Mais ainda quando sugere ao povo brasileiro que só façam cocô dia sim, dia não, para melhorar bastante a vida das pessoas e promover o desenvolvimento com preservação ambiental. Quanta tolice, meu Deus!. Quanta rudeza!. Que pecado!.
E OS OUTROS – Indaga-se: que reação, que sentimento tiveram os brasileiros colostomizados? Bolsonaro se esqueceu e não levou em conta que ele poderia estar morto. Ou, se vivo — como vivo e cheio de saúde se encontra—, poderia ainda estar necessitando da “bolsinha” como receptáculo de suas fezes, expelidas sem comando, sem sentir vontade, sem hora marcada e em qualquer lugar.
E ainda assim, Bolsonaro, carregado de humor negro e externando ingratidão, atira na cara de todos nós que o elegemos e que nele apostamos, essa crudelíssima estupidez.
Sim, Bolsonaro não é um intelectual. Não é um homem letrado. Não é nenhuma notabilidade em nada. Mas a mínima civilidade para quem convive em sociedade não permite tamanho desvario, tamanha ingratidão, tamanha bofetada contra o próximo´. E, pior, contra todos os brasileiros.
PEDIR PERDÃO – Bolsonaro, primeiro vá correndo pedir perdão a Deus. E depois peça perdão ao povo.O senhor foi de uma mediocridade insuperável. O ministro Sérgio Moro, ao seu lado no momento que o senhor presidente assim respondeu à pergunta de um jornalista, Moro não esboçou sorriso.
Olhou para o chão e franziu a testa. Foi um gesto silencioso de desaprovação e estarrecimento. Quem viu, reparou. Quem ainda não viu a cena, então repare o constrangimento do ministro. Deste e de todos que naquele momento acompanhavam o presidente. Que vergonha!

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Vereador pede CPI da Merenda em São Gonçalo



O vereador Diego São Paio (REDE) vai solicitar aos colegas da Câmara Municipal de São Gonçalo que votem pela instauração de uma CPI da Merenda Escolar, a fim de investigar os contratos firmados pela Prefeitura para aquisição de alimentos.
Diego São Paio - merenda 1De acordo com o vereador, não faltam indícios de que a falta de alimentos, as falhas nas entregas nas escolas e a má qualidade dos produtos adquiridos são resultado da péssima gestão do prefeito Neilton Mulim.
“São diversas as denúncias de diretores, responsáveis e alunos. Nossas crianças estão voltando pra casa mais cedo e perdendo aula porque não tem merenda na escola. Mas o prefeito parece ser o único a não enxergar isso, já que prorrogou o contrato com a empresa Home Bread até o dia 31 de dezembro, por quase R$18 milhões”, afirmou Diego, em alusão ao 4º Termo Aditivo publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (06).
Para Diego, o prefeito precisa explicar à população por que os produtos comprados custam mais que o dobro do valor nas prateleiras dos supermercados, conforme matéria publicada pelo Jornal O POVO na última quarta-feira, a respeito do superfaturamento na aquisição de alimentos. Neste mesmo dia, o vereador da Rede Sustentabilidade levou o problema ao plenário. Com um encarte de mercado em mãos, o administrador comparou os preços: a dúzia era vendida por apenas R$3,50 no estabelecimento local, enquanto a adquirida pela Prefeitura custava R$10.
Diário Oficial 03.05 Superfaturamento Parte 3“Tenho certeza que diante da crise que vivemos, o homem ou a mulher chefe de família tem tentando diminuir os gastos, fazendo pesquisa de preço, comprando um produto aqui, a carne ali, os legumes na feira, para pechinchar. Mas o prefeito acha que pode pagar mais que o dobro do preço em uma dúzia de ovos. Está sobrando dinheiro em São Gonçalo pra esbanjar?”, criticou Diego, afirmando em seguida que irá solicitar juridicamente o cancelamento imediato do contrato.
Desde 2015, com o escândalo das escolas que serviam apenas arroz e feijão aos estudantes, Diego São Paio busca aprovar a CPI. No entanto a liderança da oposição ao governo na Câmara dependia de nove votos para que a comissão entrasse em vigor, ou seja, um terço do total de vereadores.

Recordando

A Home Bread Indústria e Comércio Ltda é a mesma empresa investigada pelo Ministério Público no ano passado por superfaturamento nos preços. Somente nos primeiros dois anos de contrato, a fornecedora recebeu R$44 milhões para atender 104 escolas e 40 creches, cerca de 1,8 milhão por mês. Na época, o Tribunal de Contas questionou o valor do contrato, afirmando que pelo menos R$ 15 milhões do valor total poderiam ter sido economizados.

Nota da redação deste Blog - Lendo a presente matéria, lembrei-me logo da CPI do Transporte Escolar instalada pela Câmara Municipal de Jeremoabo, é uma  CPI importante, porém, mais importante seria a CPI da Merenda Escolar que vem acometida de uma doença crônica, haja vista as denúncias por parte dos vereadores já no decorrer desse ano.
Mesmo a CPI do transporte sendo importante, o MPF já vem apurando, já a da merenda não existe apuração, só muita fofoca e de concreto nada. 

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