quarta-feira, maio 29, 2019

Maia ironiza o pacto de Bolsonaro e não vê avanço na relação entre os Poderes

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia 28/05/2019 Foto: Jorge William / Agência O Globo
Já era esperada uma dura reação de Maia, presidente da Câmara
Bruno Góes e Eduardo BrescianiO Globo
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), relatou a parlamentares com quem conversou após a reunião com o presidente Jair Bolsonaro que o encontro no Palácio da Alvorada não teve nenhum avanço efetivo na relação entre os poderes. Maia relatou que a conversa foi genérica e manifestou incômodo de Bolsonaro ter carregado ministros para a reunião que também contou com a presença dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
Maia almoçou com líderes do centrão e em nenhum momento relatou a eles a necessidade de discutir o “pacto” anunciado com pompa pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O presidente da Câmara disse que a conversa foi protocolar e que Bolsonaro limitou-se a fazer pedido de apoio a “pautas de interesse do país”, sem dar detalhes específicos de que tipo de apoio almeja.
DESCONFIANÇA – Após as manifestações de domingo, Maia reconheceu a aliados que a narrativa martelada pelo governo e por pessoas que foram às ruas de que “o centrão quer cargos” foi bem explorada. Os acontecimentos só reforçaram a visão do presidente da Câmara, assim como de outros parlamentares, de que não é possível confiar no governo.
A negociação para a criação de dois ministérios na tramitação da Medida Provisória 870, que tinha o aval de Jair Bolsonaro, é um exemplo do receio. O indicado para a pasta de Cidades seria o secretário de Transportes de São Paulo, Alexandre Baldy, próximo a Maia. Mesmo depois de ter conversado e apoiado a recriação da pasta, Bolsonaro recuou, sem interceder diante das acusações de que a Câmara estaria em busca do “toma lá dá cá”.
Discretamente – Ainda segundo aliados, o presidente da Câmara deve evitar responder publicamente às provocações de Bolsonaro e à rede de influenciadores de direita na internet. A ideia é tocar a reforma da Previdência e liderar a pauta de reformas econômicas.
Nesta terça-feira, por exemplo, Maia defendeu a antecipação do calendário das reformas e qualificou as manifestações como “democráticas”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Já era esperada a reação dura de Maia, muito atacado neste domingo na manifestação organizada a partir do esquema de Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, nas redes sociais. Além disso, o pacto entre poderes não existe em regime democrático, no qual os poderes devem evitar erros e corrigir uns aos outros(C.N.)

Bolsonaro ridicularizou Maia: ‘Com a caneta eu tenho mais poder do que você’


Bolsonaro participa do evento de lançamento da Frente Parlamentar Mista da Marinha Mercante Brasileira, no Clube Naval, em Brasilia Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
Palestra de Bolsonaro na Marinha teve um mar de cadeiras vazias
Felipe FrazãoEstadão
O presidente Jair Bolsonaro disse no final da noite desta terça-feira, 28, que tem a caneta mais poderosa do que a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com quem tomou café da manhã no mesmo dia no Palácio da Alvorada, ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. O presidente comentou sobre a conversa reservada com os chefes dos três poderes e citou esforços do governo para desregulamentação, revogando normas que ele considera “descartáveis” e simplificando a legislação e o licenciamento.
“Eu disse ao Rodrigo Maia: com a caneta eu tenho muito mais poder do que você. Apesar de você, na verdade, fazer as leis, né? Eu tenho o poder de fazer decretos. Logicamente, decretos com fundamento”, relatou Bolsonaro, durante lançamento da Frente Parlamentar Mista da Marinha Mercante Brasileira, no Clube Naval.
DECRETO ILEGAL – Maia foi um dos primeiros da cúpula do Congresso Nacional a questionar a constitucionalidade do decreto presidencial que ampliou direito a posse, porte e alterou as regras de comercialização de armas de fogo. Depois das críticas, Bolsonaro modificou o texto para impedir a compra de fuzis, por exemplo. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi convocado para dar explicações na Câmara. 
No entanto, a comparação o poder de sua caneta Bic com a de Maia foi usada por Bolsonaro para relatar que sugeriu ao deputado a revogação do decreto presidencial que criou a Estação Ecológica de Tamoios, na região de Angra dos Reis (RJ), em 1990. O presidente quer transformar a região preservada com o grau máximo de proteção em um balneário turístico hoteleiro como Cancún, no caribe mexicano. A Constituição, porém, rege que é necessária a aprovação de uma lei específica para alterar uma unidade de conservação.
CANETA BIC – “Falei para ele do caso da Baía de Angra. Nós podemos ser protagonistas e fazer com que a Baía de Angra seja uma nova Cancún. Do que nós dependemos para começar a tirar esse sonho do papel? De uma caneta Bic revogando o decreto que demarcou a Estação Ecológica de Tamoios, lá no governo Sarney”, afirmou Bolsonaro no evento do Clube Naval.
O presidente disse que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recomendou que ele “tomasse cuidado quando fala isso”, porque, considerando a legislação ambiental, e  “levando-se em conta o retrocesso, talvez fosse inconstitucional um decreto revogar outro decreto”. Em seguida, Bolsonaro citou que o presidente do Supremo, presente no Clube Naval, decidisse a questão.
“Passamos para o prezado Dias Toffoli decidir essa questão. Se eu posso revogar uma lei, por que não posso regovar um decreto? A sorte está lançada. Baía de Angra, se Deus quiser alcançaremos esse objetivo.”
DESREGULAMENTAR – O presidente fez um discurso breve aos militares da Marinha e parlamentares, em que prometeu “desregulamentar muita coisa” no seu governo. Ele citou que a administração está cheia de decretos, instruções normativas e portarias que “alguns poucos usam em causa própria para atrapalhar quem quer produzir”. O presidente disse que parte dessas normas são “descartáveis”.
“Caneta Bic resolve esse problema”, disse Bolsonaro. “Não quero atrapalhar, muito ajuda no Brasil quem não atrapalha. O governo federal vai colaborar com os senhores na simplificação dessa legislação, que é um emaranhado que poucos entendem e que a muitos inibe de investir no País.”
VESTÍGIO DE ÍNDIO – Ao citar outro caso, Bolsonaro ainda criticou a atuação de fiscalização da Funai (Fundação Nacional do Índio). Ele relatou que, anos atrás, um empresário do Paraná o procurou “desesperado” para concluir a liberação de um terminal de contêineres e que faltava a Funai conceder a licença.
“Alguém da Funai tinha que ir lá com uma lupa em toda aquela área procurar se existia qualquer vestígio de índio ter passado por ali em tempos remotos. Se descobrisse isso, aquela área seria então destinada à demarcação de terra indígena. Não temos mais problemas no tocante a isso no Brasil. Estamos ultimando todas as medidas para que o trabalho de vocês não encontre pela frente um emaranhado de legislação.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É claro que Bolsonaro está correto ao pretender revogar decretos inúteis, mas é muito mal assessorado pela Assessoria Jurídica do Planalto, que comete um erro atrás do outro. Exemplos: 1) regulamentar o fim do imposto sindical por medida provisória, quando poderia fazê-lo por decreto; 2) mudar o Estatuto do Desarmamento por decreto, quando só poderia fazê-lo por medida provisória. Além disso, Bolsonaro foi inábil e grosseiro, ao ridicularizar em público o presidente da Câmara, que já começou a responder, ironizando o pacto, que é tipo Viúva Porcina, aquela que foi, sem ter sido. O mesmo vai acontecer com o pacto, que também é uma obra de ficção, mas sem a genialidade de Dias Gomes. (C.N.)

DECISÃO: Indevida a cobrança de multas e despesas para liberar veículo retido por transporte irregular de passageiros

28/05/19 18:41

DECISÃO: Indevida a cobrança de multas e despesas para liberar veículo retido por transporte irregular de passageiros
A liberação de veículo retido por transporte irregular de passageiros não está condicionada ao pagamento prévio da multa imposta como consequência da infração praticada ou de despesa de transbordo de passageiros. Com esse entendimento, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) deu provimento à apelação de uma empresa de transporte que teve seu veiculo apreendido em virtude da realização de transporte irregular de passageiros para reformar a sentença, do Juízo Federal da 6ª Vara de Goiás, que denegou a segurança pleiteada pela empresa.
Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora federal Daniele Maranhão, mencionou precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentindo que de que a liberação do veículo retido por transporte irregular de passageiros, conforme o previsto no art. 231, VIII, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), não esta condicionada ao pagamento de multas e despesas.
Nesse contexto, concluiu a magistrada que “o Decreto nº 2.521/98, editado para regulamentar a Lei nº 8.987/95, relativamente à permissão e autorização de serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros, acaba por transpor os limites impostos pela lei que regula, ao prever, em seu art. 85 e § 3º, a penalidade de apreensão do veículo, condicionando sua liberação ao pagamento de multa e despesas nos casos de execução de serviço não autorizado pelo Ministério dos Transportes, tendo em vista a ausência de previsão na Lei nº 8.987/95 quanto à punição estabelecida no referido dispositivo da norma infralegal”.
Diante tal consideração, decidiu o Colegiado, acompanhando o voto da relatora, dar provimento à apelação, reformando a sentença para autorizar a liberação do bem apreendido sem a obrigatoriedade de pagamento prévio da multa imposta como consequência da infração praticada ou de despesas de transbordo.
Processo: 0009255-80.2006.4.01.3500/GO
Data do julgamento: 21/11/2018
Data da publicação: 19/12/2019
SR
Assessoria de Comunicação Social 
Tribunal Regional Federal da 1ª Região

Senado aprova Coaf na Fazenda e Moro diz que mais à frente tentará reverter


Moro assinou o pedido de Bolsonaro, mas ficou “desconfortável”
Deu na Folha
A pedido do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o Senado aprovou nesta terça-feira (28) a versão vinda da Câmara da medida provisória da estrutura ministerial, tirando o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do guarda-chuva do Ministério da Justiça e enfraquecendo o titular da pasta, Sergio Moro, que também assinou a carta de Bolsonaro ao Senado.
A aprovação ocorreu após apelos de Bolsonaro, que chegou a enviar carta para convencer os senadores a aprovar a proposta —que prevê o órgão de inteligência sob a alçada do Ministério da Economia. O presidente temia o risco de a MP inteira expirar, invalidando a redução de 29 para 22 ministérios implantada no começo do mandato.
CONTER O PSL – O governo teve dificuldade para conter senadores do próprio PSL, que queriam mudar o texto para atender à reivindicação de Moro, que considera o Coaf estratégico no combate à corrupção.
Se a medida provisória sofresse mudanças, porém, precisaria voltar à Câmara, pondo em risco a versão completa da MP, incluindo o enxugamento de pastas —já que ela perderia validade em 3 de junho.
Dos 81 senadores, 78 estiveram presentes, dos quais 29 deram voto para deixar o Coaf com o ministério de Moro.
MORO VENCERIA – Senadores favoráveis a Moro fizeram questão de atribuir a derrota do ministro a Bolsonaro. De olho nas redes sociais, quem mudou de posição foi ao microfone se justificar. O texto-base foi aprovado inicialmente em votação simbólica.
O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), pediu votação nominal, em uma manobra para impedir que os destaques que tratam do Coaf também pudessem ser votados nominalmente.
Pelas regras do Senado, uma segunda votação nominal só pode acontecer uma hora depois de uma primeira. Mas alguns senadores alegavam que, se a votação fosse nominal, teriam que votar contra o apelo de Bolsonaro. No final da votação, os senadores a favor do Coaf com Moro que pediram que os votos deles fossem consignados.
DEVOLUÇÃO – Em 1º de janeiro, Bolsonaro transferiu o Coaf do extinto Ministério da Fazenda para o da Justiça. No entanto, a comissão mista que avaliou a proposta e a Câmara devolveram o conselho para o Ministério da Economia.
O governo se viu numa encruzilhada e, nos últimos dias, passou a contrariar seus aliados e redes sociais e começou a defender que o Senado aprovasse o texto como saiu da Câmara para não ter o risco de ver toda a estrutura de governo desfeita.
Se o texto fosse alterado no Senado, teria que voltar à Câmara e ser aprovado até segunda-feira (3), quando perderia a validade. O centrão já havia emitido sinais de que não estava disposto a votar novamente a matéria. Se a MP caducasse, os atuais 22 ministérios voltariam a ser os 29 do governo Michel Temer.
DESCONFORTÁVEL – Procurado por senadores para confirmar sua assinatura na carta sobre a votação da medida provisória que reorganiza o governo, Sergio Moro afirmou considerar a derrota “um pouco desconfortável”.
De acordo com senadores que contataram Moro, o ministro disse que “mais adiante” pode tentar “trazer o Coaf de volta para o ministério da Justiça”. Segundo o ex-juiz, sua decisão foi baseada na convicção do governo de que havia grande risco de “perder a MP inteira”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Foi a melhor solução, para que a MP não caducasse. A Câmara errou ao tirar o Coaf do Ministério da Justiça, mas o ministro Paulo Guedes já se comprometeu a manter a equipe de Moro. Se não o fizer, ficará desmoralizado. (C.N.)

Quem foi ao asfalto pelo Coaf fez papel de bobo

Quem foi ao asfalto pelo Coaf fez papel de bobo
O brasileiro que foi ao asfalto no último domingo parecia disposto a fazer tudo para ajudar Jair Bolsonaro, menos papel de bobo. Na carta que enviou ao Senado suplicando pela aprovação da medida provisória que remodelou a Esplanada dos Ministérios, o capitão anotou:
JOSIASDESOUZA.BLOGOSFERA.UOL.COM.BR

BNews | Política - Prefeito de Jeremoabo é multado por nomear mulher, irmã e três sobrinhos de secretário - 29/05/2019 Denúncia foi formulada por vereadores do município

Senado aprova redução de ministérios e Coaf sem Moro após apelo de Bolsonaro


por Daniel Carvalho / Thais Arbex / Camila Mattoso / Talita Fernandes | Folhapress
Senado aprova redução de ministérios e Coaf sem Moro após apelo de Bolsonaro
Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado
A pedido do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o Senado aprovou nesta terça-feira (28) a versão vinda da Câmara da medida provisória da estrutura ministerial, tirando o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do guarda-chuva do Ministério da Justiça e enfraquecendo o titular da pasta, Sergio Moro.

A aprovação ocorreu após apelos de Bolsonaro, que chegou a enviar carta para convencer os senadores a aprovar a proposta —que prevê o órgão de inteligência sob a alçada do Ministério da Economia. O presidente temia o risco de a MP inteira expirar, invalidando a redução de 29 para 22 ministérios implantada no começo do mandato.O governo teve dificuldade para conter senadores do próprio PSL, que queriam mudar o texto para atender à reivindicação de Moro, que considera o Coaf estratégico no combate à corrupção.

Se a medida provisória sofresse mudanças, porém, precisaria voltar à Câmara, pondo em risco a versão completa da MP, incluindo o enxugamento de pastas —já que ela perderia validade em 3 de junho. Dos 81 senadores, 78 estiveram presentes, dos quais 29 deram voto para deixar o Coaf com o ministério de Moro. Bolsonaro acabou conseguindo conter os senadores de seu partido, o PSL —nenhum descumpriu o apelo do presidente, apesar dos discursos, inclusive nas manifestações de rua de domingo (26), em prol do órgão com a pasta da Justiça.

Senadores favoráveis a Moro fizeram questão de atribuir a derrota do ministro a Bolsonaro. De olho nas redes sociais, quem mudou de posição foi ao microfone se justificar. O texto-base foi aprovado inicialmente em votação simbólica. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), pediu votação nominal, em uma manobra para impedir que os destaques que tratam do Coaf também pudessem ser votados nominalmente.

Pelas regras do Senado, uma segunda votação nominal só pode acontecer uma hora depois de uma primeira. Mas alguns senadores alegavam que, se a votação fosse nominal, teriam que votar contra o apelo de Bolsonaro. No final da votação, os senadores a favor do Coaf com Moro que pediram que os votos deles fossem consignados. Em 1º de janeiro, Bolsonaro transferiu o Coaf do extinto Ministério da Fazenda para o da Justiça. No entanto, a comissão mista que avaliou a proposta e a Câmara devolveram o conselho para o Ministério da Economia.

O governo se viu numa encruzilhada e, nos últimos dias, passou a contrariar seus aliados e redes sociais e começou a defender que o Senado aprovasse o texto como saiu da Câmara para não ter o risco de ver toda a estrutura de governo desfeita.

Se o texto fosse alterado no Senado, teria que voltar à Câmara e ser aprovado até segunda-feira (3), quando perderia a validade. O centrão já havia emitido sinais de que não estava disposto a votar novamente a matéria. Se a MP caducasse, os atuais 22 ministérios voltariam a ser os 29 do governo Michel Temer. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), começou a sessão depois de duas horas de reunião entre líderes partidários em que não se chegou a nenhum acordo para a votação.

Durante o encontro, ele leu uma carta assinada não só por Bolsonaro, mas também pelos ministros Sergio Moro (Justiça), Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil). A carta também foi lida em plenário. Na carta, Bolsonaro repetiu o apelo que já havia feito outras duas vezes e que foi feito também por Moro em telefonemas a alguns senadores. "O referido projeto, que versa sobre a reforma administrativa, urgente à austeridade e à sustentabilidade da máquina pública, saiu da Câmara dos Deputados com mais de 95% de sua integralidade", diz o texto, dando destaque à redução de 29 para 22 ministérios.

"Solicito, portanto, que as senhoras e os senhores senadores aprovem a medida provisória nº 870, de 2019, conforme o texto recebido da Câmara dos Deputados", afirmam os missivistas. Bolsonaro e os ministros lembram na carta que, se a MP não fosse aprovada até segunda-feira, perderia a validade, "resultando em um retrocesso que causará prejuízos a toda a nação brasileira".

"Conclamo a união de esforços de todos os Poderes da República em nome das demandas autênticas de mudanças almejadas por toda a população brasileira", encerra a carta. Procurado por senadores para confirmar a assinatura na carta sobre a votação da medida provisória que reorganiza o governo, Sergio Moro afirmou considerar a derrota "um pouco desconfortável". De acordo com senadores que contataram Moro, o ministro disse que "mais adiante" pode tentar "trazer o Coaf de volta para o ministério da Justiça". Segundo o ex-juiz, sua decisão foi baseada na convicção do governo de que havia grande risco de "perder a MP inteira".

O ministro afirmou lamentar o revés e admitiu que ficar mais feliz se o órgão permanecesse em sua pasta. "A batalha real é a reforma da Previdência e o pacote anticrime", disse Moro aos senadores. Para convencer os senadores, Moro voltou a usar o argumento de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, se comprometeu a manter a estrutura do órgão. Diante do apelo de Bolsonaro e dos ministros, o PSL, partido do presidente, mudou de posição e parou de brigar para manter o Coaf com Moro. "Não dá para você defender uma situação em que o defendido não quer ser defendido", afirmou o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP).

Mas integrantes de Podemos, Rede e PSD não recuaram e insistiram em fazer a alteração. Líder do Podemos, o senador Alvaro Dia s (PR), também foi procurado pelo ministro. Mesmo assim, disse que, se o Coaf deixar o Ministério da Justiça, ingressará com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) alegando inconstitucionalidade da mudança.

Nesta tarde, os parlamentares receberam um documento com relatadas 200 mil assinaturas pedindo a mudança do texto da Câmara e devolução do Coaf ao Ministério da Justiça. Além disso, vários senadores se disseram pressionados pelas manifestações ocorridas no domingo (26), que pediam, entre outras coisas, que o Coaf voltasse para a pasta de Moro.

"Estamos recebendo hoje uma carta de rendição ao que você tem de pior na forma de fazer política, não de troca de cargos, de barganhas, mas a política feita de impostação, de enrolação em rede social. Coerência não se vende na feira. Quem fez campanha defendendo o combate à corrupção tem que ter coerência daquilo que pensa", disse Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

O senador acenou inclusive para as redes sociais, que pressionaram senadores a votar a favor de Moro. "É importante registrar para que as redes sociais, para que os robôs, para que aqueles seguidores fanáticos assinalem na sua cabeça com toda clareza: quem não quer o Coaf no MJ é Jair Bolsonaro."

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, reagiu. "A carta não é uma rendição. É uma mão estendida", afirmou. "A história não perdoa quem desiste no meio da batalha. O povo do Amazonas não me mandou para atender cartinha de presidente ou de ministro", disse o senador Plínio Valério (PSDB-AM). Líder do PSD no Senado, Otto Alencar (BA), afirmou que a mudança de opinião do ministro Sergio Moro "em cima da hora" não convenceu a Casa.

"O ministro Moro errou muito. Assinou uma carta de manhã e, depois, em Portugal, disse 'paciência'", afirmou o senador, indicando referendar a tese de que o ministro da Justiça foi voz vencida dentro do governo. Ao defender a permanência do órgão no guarda-chuva de Moro, Otto criticou o endosso de Bolsonaro às manifestações de domingo.

"Essa carta deveria ter chegado na sexta-feira, antes de seus seguidores participarem de atos nas ruas atacando o Congresso Nacional, chamando de política velha." "Qual é a política velha? É a do ministro do Turismo, que está no laranjal e não é demitido? Essa é a política velha, que está nos pés do presidente da República, para atacar o Congresso nacional com a bandeira da moralidade e a imoralidade lá dentro do Palácio do Planalto, no ministério do Turismo."

Presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a senadora Simone Tebet (MS), diz entender que é possível que Bolsonaro tente mexer na localização do Coaf por meio de decreto presidencial. A senadora Rose de Freitas (PODE-ES) disse que Bolsonaro "não precisa criar esta confusão nem jogar o povo contra o Congresso", já que a Constituição garante ele o direito de fazer a alteração por decreto.

"Faça lembrar a ele que esta Carta vigora no país", disse a Freitas, com uma Constituição na mão, a Davi Alcolumbre. O Palácio do Planalto informou que posteriores avaliações serão realizadas se acharem necessário. Os ataques de alguns senadores se estenderam ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "Façam este apelo ao presidente Bolsonaro e o presidente Bolsonaro faça uma carta ao presidente Rodrigo Maia para que ele analise o destaque que nós vamos votar aqui, da mesma forma como ele está fazendo conosco", disse Omar Aziz (PSD-AM).

Soraya Thronicke (PSL-MS) disse que Bolsonaro e os ministros foram "obrigados" a assinar a carta "porque não confiam no comando da Câmara dos Deputados". "Está todo mundo aqui apontado para o governo quando, na verdade, ninguém lembrou de apontar para a Câmara, para o comando da Câmara e para deputados que deixaram chegar nesta situação. Deixar chegar no Senado no apagar das luzes é uma falta de respeito sem tamanho. A gente fica discutindo aqui e eles estão dando risada lá", afirmou.

TERRAS INDÍGENAS
Em meio aos discursos que antecederam a votação da MP, Thronicke afirmou que o presidente não vai demarcar nenhuma terra indígena. Foi uma referência a um dos destaques da MP, que tira a Funai (Fundação Nacional do Índio) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e a devolve para o Ministério da Justiça.

A pasta também retomará a atribuição de demarcação de terras indígenas, que Bolsonaro havia deixado com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), sob o guarda-chuva do Ministério da Agricultura. "Quero deixar claro para os produtores ruais que, independente do que acontecer agora, o presidente Bolsonaro não vai assinar mais demarcação de terras indígenas. Não assinou desde o dia 1º de janeiro e não vai assinar. Porque o presidente entende que os índios nunca tiveram as terras, sempre foi da União", afirmou a senadora.

"O projeto para os indígenas é que eles tenham a titularidade da terra, então não vai atrapalhar ninguém. Vai ser bom para os índios e vai ser bom para os produtores rurais, independentemente de onde quer que esteja", disse Thronicke.

Bahia Notícias

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