BRASÍLIA - O vice-presidente do Democratas (DEM), deputado José Carlos Aleluia (BA), comparou as informações divulgadas ontem pelo jornal "Folha de S.Paulo", de que a principal assessora da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a advogada Erenice Guerra, foi a responsável pela montagem de um dossiê com os gastos do ex-presidente FHC, com a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que provocou a demissão de Antônio Palocci do Ministério da Fazenda. "Este crime cometido pelo gabinete da ministra Dilma teve a mesma dimensão da ação criminosa contra o caseiro Francenildo", frisou.
Na avaliação de Aleluia, a presença da ministra Dilma no governo Lula ficou insustentável porque "macula e faz com que o governo se comprometa com violação de princípios fundamentais de respeito à pessoa humana". O parlamentar acredita que é irrelevante a discussão que está sendo travada dentro do governo Lula "se é um dossiê ou apenas um levantamento de dados".
E reitera: "Isso é irrelevante. O certo é que se cometeu um crime. Que, de resto, tem sido hábito na era Lula". O líder democrata criticou o que classifica de "arrogância do presidente Lula, ao desafiar o Ministério Público, a Polícia Federal e até o Supremo Tribunal Federal na defesa ostensiva de aliados envolvidos em corrupção".
Aleluia destaca que essa atitude de Lula "acaba por estimular ações espúrias de seus auxiliares". Ele cita que esta é a segunda vez que a Casa Civil se envolve em escândalos no governo Lula, lembrando do episódio de Waldomiro Diniz, então assessor do ex-ministro José Dirceu, acusado de cobrar propina de um bicheiro.
Fonte: Tribuna da Imprensa
sábado, março 29, 2008
Dossiê foi preparado antes da criação de CPI
BRASÍLIA - Na primeira semana de fevereiro, muito antes da CPI dos Cartões Corporativos, que foi instalada no dia 11 de março, o Planalto mobilizou toda a Esplanada dos Ministérios para coletar informações e montar um dossiê com dados sobre gastos do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) com cartões corporativos e contas B. Ontem, o governo deflagrou uma estratégia de despiste, dizendo que havia coletado as informações a pedido da CPI.
A "operação dossiê" saiu de pelo menos duas reuniões realizadas no Planalto, sob comando da ministra Dilma Rousseff e com participação dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento), José Múcio (Relações Institucionais) e Franklin Martins (Comunicação).
Algumas vezes, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi ao Planalto consultar os ministros. No Guarujá, de férias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era consultado e informado sobre as estratégias para resistir à pressão da oposição em favor de uma CPI, depois de consumada a demissão da ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), no dia 1º de fevereiro.
Foi depois de uma reunião no Planalto, com o governo decidido a coletar dados sobre o governo FHC, que a Secretaria de Comunicação Social (Secom), do ministro Franklin Martins, decidiu distribuir um e-mail especial a todos os "coordenadores e assessores" de comunicação dos 37 ministérios e principais repartições da administração direta pedindo que encontrassem prestações de contas antigas, personagens e relatórios de fiscalização, além de estatísticas dos valores desembolsados desde 1998.
Ao reunir dados sigilosos, sem solicitação jurídica ou da CPI, o governo teria obrigação de mantê-los longe de vazamentos, o que não ocorreu. "Se houve alguma irregularidade (com gastos do governo FHC), ela deveria ser apontada para ressarcimento do erário", avaliou o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário do governo FHC.
"A divulgação desses desvios agora só serve para chantagear, aterrorizar e ameaçar". O texto da mensagem do e-mail da Secom mostrava que o relatório dos ministérios deveria incluir o "comprovante de saneamento do erro", quando constatada irregularidade.
Solicitava, ainda, que fossem apurados e identificados "personagens, de preferência alguém que estava na função antes da instituição do cartão" - leia-se, antes de 2001, no governo FHC, portanto. Está escrito no pedido disparado da Secom que a coleta de dados deveria atender, "sobretudo", aos "mecanismos tradicionais (leia-se conta B, antes do cartão corporativo) de gastos públicos utilizados antes".
O "antes" é o governo FHC. Esse e-mail contradiz a informação da ministra Dilma de que não houve "investigação sobre o governo passado". Os dados eram concentrados na Casa Civil, sob coordenação da secretária-executiva, Erenice Guerra.
Logo depois que os dados começaram a ser coletados, alguns ministros diziam abertamente, em Brasília, que o governo estava se armando contra a oposição. "Se a oposição quiser saber dos gastos com a Lurian, filha do presidente Lula, então nós vamos pegar no arquivo morto das contas B quais foram os gastos com o Paulo Henrique, filho do FHC, do próprio FHC e da dona Ruth", diziam ministros e assessores do Planalto.
Ontem, embora um dos ministros políticos de Lula admita que o vazamento "deve ser coisa de um aloprado do PT para atingir a Dilma", na condição de pré-candidata à sucessão de Lula, interlocutores do presidente fizeram circular a versão de que o suspeito do vazamento seria um antigo servidor tucano infiltrado na Casa Civil.
Essa coleta de dados determinada pela Secom não se confunde com a operação de coleta feita a pedido da CPI e encaminhada oficialmente ao Ministério do Planejamento, o que só aconteceu quase um mês depois do e-mail, que pedia a todos que os dados fossem entregues "até o meio-dia do dia 11 de fevereiro".
A decisão de vasculhar a administração tucana foi justificada, à época, como uma reação à pressão dos adversários que ameaçavam investigar toda a família Lula da Silva na CPI dos Cartões. Durante as férias, Lula fora informado de que quatro funcionários da equipe que protege sua família em São Bernardo do Campo gastaram R$ 224,3 mil nos últimos quatro anos (de 2004 a 2007), em compras com o cartão corporativo que incluíram uma esteira ergométrica.
Pedido da CPI
O ministro Paulo Bernardo afirmou que não recebeu a mensagem da Secom nem tomou conhecimento dela e faz questão de esclarecer que jamais soube da existência de nenhum dossiê. Ele explicou que só começou a levantar dados do Planejamento e solicitou que os demais ministérios fizessem o mesmo diante do requerimento da CPI dos Cartões, expedido em 12 de março.
"Eu relatei ao presidente Lula que havia recebido o primeiro requerimento da CPI e sugeri que, se ele não se opusesse, eu poderia coordenar o levantamento", diz o ministro, devidamente autorizado pelo chefe. Foi a partir daí que seu secretário-executivo reuniu os responsáveis pelas secretarias-executivas dos demais ministérios, há cerca de dez dias.
Acertou-se, na ocasião, que o Planejamento centralizaria todas as informações, uma vez que o requerimento da CPI, solicitando documentos referentes às despesas corporativas de todo o governo, fora endereçado a Paulo Bernardo.
"Eu já avisei à senadora Marisa que só o levantamento do nosso ministério, referente a um ano, resultou em dez caixas de papel", disse o ministro, referindo-se a Marisa Serrano, presidente da CPI. Se esta média anual for mantida, contabilizou Bernardo, serão 100 caixas de papel para os dez anos investigados pela CPI.
"Vou ter de aumentar a verba para cópias xerox e contratar uma carreta para entregar tudo ao Congresso", disse o ministro à senadora. O levantamento pedido não inclui a Presidência da República nem a Polícia Federal ou dados sigilosos levantados pela Receita.
Bernardo disse que ainda não examinou em detalhes a documentação já levantada, mas que não foi difícil concluir que as irregularidades são fartas. "Bastou passar os olhos e já deu para concluir que vai dar problema, em vários ministérios. A CPI certamente vai averiguar tudo e determinar providências", diz.
Ele sugere desde já à comissão que proponha a extinção das chamadas contas B, sobre as quais não haveria nenhum controle. "Esse mecanismo, que o governo federal já decidiu extinguir por decreto, é de transparência zero, quando trabalhamos no rumo da transparência máxima. Mas o decreto do presidente Lula não alcança os estados nem os municípios."
Fonte; Tribuna da Imprensa
A "operação dossiê" saiu de pelo menos duas reuniões realizadas no Planalto, sob comando da ministra Dilma Rousseff e com participação dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento), José Múcio (Relações Institucionais) e Franklin Martins (Comunicação).
Algumas vezes, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi ao Planalto consultar os ministros. No Guarujá, de férias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era consultado e informado sobre as estratégias para resistir à pressão da oposição em favor de uma CPI, depois de consumada a demissão da ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), no dia 1º de fevereiro.
Foi depois de uma reunião no Planalto, com o governo decidido a coletar dados sobre o governo FHC, que a Secretaria de Comunicação Social (Secom), do ministro Franklin Martins, decidiu distribuir um e-mail especial a todos os "coordenadores e assessores" de comunicação dos 37 ministérios e principais repartições da administração direta pedindo que encontrassem prestações de contas antigas, personagens e relatórios de fiscalização, além de estatísticas dos valores desembolsados desde 1998.
Ao reunir dados sigilosos, sem solicitação jurídica ou da CPI, o governo teria obrigação de mantê-los longe de vazamentos, o que não ocorreu. "Se houve alguma irregularidade (com gastos do governo FHC), ela deveria ser apontada para ressarcimento do erário", avaliou o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário do governo FHC.
"A divulgação desses desvios agora só serve para chantagear, aterrorizar e ameaçar". O texto da mensagem do e-mail da Secom mostrava que o relatório dos ministérios deveria incluir o "comprovante de saneamento do erro", quando constatada irregularidade.
Solicitava, ainda, que fossem apurados e identificados "personagens, de preferência alguém que estava na função antes da instituição do cartão" - leia-se, antes de 2001, no governo FHC, portanto. Está escrito no pedido disparado da Secom que a coleta de dados deveria atender, "sobretudo", aos "mecanismos tradicionais (leia-se conta B, antes do cartão corporativo) de gastos públicos utilizados antes".
O "antes" é o governo FHC. Esse e-mail contradiz a informação da ministra Dilma de que não houve "investigação sobre o governo passado". Os dados eram concentrados na Casa Civil, sob coordenação da secretária-executiva, Erenice Guerra.
Logo depois que os dados começaram a ser coletados, alguns ministros diziam abertamente, em Brasília, que o governo estava se armando contra a oposição. "Se a oposição quiser saber dos gastos com a Lurian, filha do presidente Lula, então nós vamos pegar no arquivo morto das contas B quais foram os gastos com o Paulo Henrique, filho do FHC, do próprio FHC e da dona Ruth", diziam ministros e assessores do Planalto.
Ontem, embora um dos ministros políticos de Lula admita que o vazamento "deve ser coisa de um aloprado do PT para atingir a Dilma", na condição de pré-candidata à sucessão de Lula, interlocutores do presidente fizeram circular a versão de que o suspeito do vazamento seria um antigo servidor tucano infiltrado na Casa Civil.
Essa coleta de dados determinada pela Secom não se confunde com a operação de coleta feita a pedido da CPI e encaminhada oficialmente ao Ministério do Planejamento, o que só aconteceu quase um mês depois do e-mail, que pedia a todos que os dados fossem entregues "até o meio-dia do dia 11 de fevereiro".
A decisão de vasculhar a administração tucana foi justificada, à época, como uma reação à pressão dos adversários que ameaçavam investigar toda a família Lula da Silva na CPI dos Cartões. Durante as férias, Lula fora informado de que quatro funcionários da equipe que protege sua família em São Bernardo do Campo gastaram R$ 224,3 mil nos últimos quatro anos (de 2004 a 2007), em compras com o cartão corporativo que incluíram uma esteira ergométrica.
Pedido da CPI
O ministro Paulo Bernardo afirmou que não recebeu a mensagem da Secom nem tomou conhecimento dela e faz questão de esclarecer que jamais soube da existência de nenhum dossiê. Ele explicou que só começou a levantar dados do Planejamento e solicitou que os demais ministérios fizessem o mesmo diante do requerimento da CPI dos Cartões, expedido em 12 de março.
"Eu relatei ao presidente Lula que havia recebido o primeiro requerimento da CPI e sugeri que, se ele não se opusesse, eu poderia coordenar o levantamento", diz o ministro, devidamente autorizado pelo chefe. Foi a partir daí que seu secretário-executivo reuniu os responsáveis pelas secretarias-executivas dos demais ministérios, há cerca de dez dias.
Acertou-se, na ocasião, que o Planejamento centralizaria todas as informações, uma vez que o requerimento da CPI, solicitando documentos referentes às despesas corporativas de todo o governo, fora endereçado a Paulo Bernardo.
"Eu já avisei à senadora Marisa que só o levantamento do nosso ministério, referente a um ano, resultou em dez caixas de papel", disse o ministro, referindo-se a Marisa Serrano, presidente da CPI. Se esta média anual for mantida, contabilizou Bernardo, serão 100 caixas de papel para os dez anos investigados pela CPI.
"Vou ter de aumentar a verba para cópias xerox e contratar uma carreta para entregar tudo ao Congresso", disse o ministro à senadora. O levantamento pedido não inclui a Presidência da República nem a Polícia Federal ou dados sigilosos levantados pela Receita.
Bernardo disse que ainda não examinou em detalhes a documentação já levantada, mas que não foi difícil concluir que as irregularidades são fartas. "Bastou passar os olhos e já deu para concluir que vai dar problema, em vários ministérios. A CPI certamente vai averiguar tudo e determinar providências", diz.
Ele sugere desde já à comissão que proponha a extinção das chamadas contas B, sobre as quais não haveria nenhum controle. "Esse mecanismo, que o governo federal já decidiu extinguir por decreto, é de transparência zero, quando trabalhamos no rumo da transparência máxima. Mas o decreto do presidente Lula não alcança os estados nem os municípios."
Fonte; Tribuna da Imprensa
sexta-feira, março 28, 2008
BC: ferramenta para conter inflação é taxa de juros
Agencia Estado
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, disse hoje que "a ferramenta clássica usada pelos bancos centrais é a taxa de juros". Assim, ele respondeu a pergunta sobre se há estudos conjuntos do BC com o Ministério da Fazenda para criar outras ferramentas contra a pressão inflacionária. Mesquita também disse que não comenta iniciativas de outras áreas do governo.O diretor criticou medidas de regulação do crédito, como o Ministério da Fazenda esteve recentemente estudando, da década de 70. Na ocasião, foram adotadas medidas de restrição ao crédito como fixação de limites de entrada mínima e prazo máximo para financiamento. "A experiência do BC na década de 70 não parece ser a mais interessante", disse ele, para quem o resultado das políticas, então, foram "decepcionantes". De acordo com ele, "na época não havia muito compromisso com a estabilidade".Ele lembrou que "no mundo, um número grande de países opera com taxas de juros elevadas", apesar de em outros países, como os Estados Unidos, estar havendo redução dos juros (o BC americana vem reduzindo o juro básico no país em meio à crise que assola a maior economia do mundo). Mesquita registrou ainda que a China já aumentou juros mais de uma vez este ano.Mesquita ressaltou que o BC considera um conjunto grande de informações e projeções, mas "olha para suas próprias projeções para tomar decisões". Deixou claro que isso vale também em relação a informações de outros órgãos do governo.BNDESMesquita não quis comentar a informação dada pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, ontem de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu avaliação de gargalos potenciais em cinco setores e a instituição de fomento não identificou nenhuma pressão de preço.O diretor do BC relatou que a autoridade monetária se pauta por indicadores macroeconômicos. "Não fazemos análise setorial. O risco que a gente vê é macro", disse. No entanto, ele mencionou que "diversos segmentos estão com uso da capacidade alto, principalmente bens de capital (máquinas e equipamentos) e material de construção, que estão praticamente no topo". Mesquita citou pelo menos duas vezes como maior preocupação do BC o descompasso entre o ritmo de crescimento da demanda e da oferta, que pode causar pressão inflacionária.
Fonte; A TARDE
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, disse hoje que "a ferramenta clássica usada pelos bancos centrais é a taxa de juros". Assim, ele respondeu a pergunta sobre se há estudos conjuntos do BC com o Ministério da Fazenda para criar outras ferramentas contra a pressão inflacionária. Mesquita também disse que não comenta iniciativas de outras áreas do governo.O diretor criticou medidas de regulação do crédito, como o Ministério da Fazenda esteve recentemente estudando, da década de 70. Na ocasião, foram adotadas medidas de restrição ao crédito como fixação de limites de entrada mínima e prazo máximo para financiamento. "A experiência do BC na década de 70 não parece ser a mais interessante", disse ele, para quem o resultado das políticas, então, foram "decepcionantes". De acordo com ele, "na época não havia muito compromisso com a estabilidade".Ele lembrou que "no mundo, um número grande de países opera com taxas de juros elevadas", apesar de em outros países, como os Estados Unidos, estar havendo redução dos juros (o BC americana vem reduzindo o juro básico no país em meio à crise que assola a maior economia do mundo). Mesquita registrou ainda que a China já aumentou juros mais de uma vez este ano.Mesquita ressaltou que o BC considera um conjunto grande de informações e projeções, mas "olha para suas próprias projeções para tomar decisões". Deixou claro que isso vale também em relação a informações de outros órgãos do governo.BNDESMesquita não quis comentar a informação dada pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, ontem de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu avaliação de gargalos potenciais em cinco setores e a instituição de fomento não identificou nenhuma pressão de preço.O diretor do BC relatou que a autoridade monetária se pauta por indicadores macroeconômicos. "Não fazemos análise setorial. O risco que a gente vê é macro", disse. No entanto, ele mencionou que "diversos segmentos estão com uso da capacidade alto, principalmente bens de capital (máquinas e equipamentos) e material de construção, que estão praticamente no topo". Mesquita citou pelo menos duas vezes como maior preocupação do BC o descompasso entre o ritmo de crescimento da demanda e da oferta, que pode causar pressão inflacionária.
Fonte; A TARDE
DEM lança ACM Neto em Salvador
SALVADOR - O partido Democratas (DEM) escolheu Salvador (BA) para comemorar seu primeiro aniversário. Os motivos para a festa na capital baiana ontem eram claros: tentar reerguer a legenda no palco onde ocorreu a mais inesperada derrota eleitoral do DEM - à época ainda PFL - nas últimas eleições, a do então governador Paulo Souto, afilhado político do então cacique do partido, Antonio Carlos Magalhães, que liderava com folga as pesquisas na véspera da eleição até ser derrotado pelo atual governador, Jaques Wagner (PT).
Aproveitando a festa, o DEM fez o lançamento da pré-candidatura do deputado federal ACM Neto, líder da oposição na Câmara, para a prefeitura de Salvador. A grande estrela da festa, porém, foi o prefeito do Rio, Cesar Maia.
Entre outros políticos de destaque do DEM, como o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia, e o líder da legenda no Senado, José Agripino Maia (RN), Cesar Maia atraiu as atenções, em especial por causa da epidemia de dengue que vive a capital fluminense.
Ao falar sobre o tema, o prefeito voltou a atacar o Ministério da Saúde. "A dengue não é um problema do Rio, mas de todo o País", afirma. "O que ocorre no Rio é derivado do que aconteceu no ano passado, em especial no Maranhão e no Piauí, onde surgiram surtos da dengue do tipo 2 e o Ministério da Saúde não nos comunicou o fato", argumenta Maia.
"Houve omissão do ministério porque, se soubéssemos desses casos em dezembro ou janeiro, teríamos tomado as medidas necessárias em tempo. Hoje, por exemplo, posso garantir que, se chegar alguma criança com dengue em estado inicial a um posto de saúde do Rio, ela vai sobreviver porque já tomamos as medidas para que isso ocorra".
O prefeito carioca, porém, não se limitou a falar sobre a crise da saúde no Rio. Desdenhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e garantiu que o DEM vai ter candidato próprio à Presidência em 2010. Sobre o comentário feito quarta-feira por Lula de que ele faria seu sucessor, Maia disparou: "Se ele tivesse um candidato forte, não falaria alto assim", referindo-se à expressão usada pelo presidente de que a oposição deveria "tirar o cavalinho da chuva".
"Ele anuncia o PAC para lá e para cá, mas as obras não começam", justificou. Quando o assunto foi a eleição de outubro, o prefeito carioca também frisou a posição do partido. "Vamos ter candidato próprio em todas as principais cidades brasileiras este ano, em todos os estados e para presidente em 2010", garantiu.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Aproveitando a festa, o DEM fez o lançamento da pré-candidatura do deputado federal ACM Neto, líder da oposição na Câmara, para a prefeitura de Salvador. A grande estrela da festa, porém, foi o prefeito do Rio, Cesar Maia.
Entre outros políticos de destaque do DEM, como o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia, e o líder da legenda no Senado, José Agripino Maia (RN), Cesar Maia atraiu as atenções, em especial por causa da epidemia de dengue que vive a capital fluminense.
Ao falar sobre o tema, o prefeito voltou a atacar o Ministério da Saúde. "A dengue não é um problema do Rio, mas de todo o País", afirma. "O que ocorre no Rio é derivado do que aconteceu no ano passado, em especial no Maranhão e no Piauí, onde surgiram surtos da dengue do tipo 2 e o Ministério da Saúde não nos comunicou o fato", argumenta Maia.
"Houve omissão do ministério porque, se soubéssemos desses casos em dezembro ou janeiro, teríamos tomado as medidas necessárias em tempo. Hoje, por exemplo, posso garantir que, se chegar alguma criança com dengue em estado inicial a um posto de saúde do Rio, ela vai sobreviver porque já tomamos as medidas para que isso ocorra".
O prefeito carioca, porém, não se limitou a falar sobre a crise da saúde no Rio. Desdenhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e garantiu que o DEM vai ter candidato próprio à Presidência em 2010. Sobre o comentário feito quarta-feira por Lula de que ele faria seu sucessor, Maia disparou: "Se ele tivesse um candidato forte, não falaria alto assim", referindo-se à expressão usada pelo presidente de que a oposição deveria "tirar o cavalinho da chuva".
"Ele anuncia o PAC para lá e para cá, mas as obras não começam", justificou. Quando o assunto foi a eleição de outubro, o prefeito carioca também frisou a posição do partido. "Vamos ter candidato próprio em todas as principais cidades brasileiras este ano, em todos os estados e para presidente em 2010", garantiu.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Governo Lula tem aprovação recorde de 58%
BRASÍLIA - Na última rodada da pesquisa CNI/Ibope, divulgada ontem, a avaliação positiva do governo bateu o recorde dos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - 58% dos 2.002 entrevistados consideram-no ótimo ou bom. Na pesquisa anterior, de dezembro de 2007, o índice já havia atingido 51%, nível só alcançado em março de 2003, três meses após a posse.
O levantamento aponta outros números positivos para o Palácio do Planalto e sugerem a influência da economia na alta popularidade do presidente. O índice de avaliação regular recuou 1 ponto percentual, ficando em 30%, e o de ruim/péssimo caiu de 17% para 11%.
Pela série histórica, a avaliação mais baixa do governo Lula, de 29%, coincide com o início de 2004 - quando Lula foi alvejado pelo descumprimento de algumas promessas de campanha, como aumento maior do salário mínimo - e os meses de setembro e dezembro de 2005, no auge do desgaste pelo escândalo do mensalão, quando veio à tona a suspeita de compra de apoio de parlamentares.
Agora, o cenário é oposto - até a nota média atribuída ao governo bateu recorde, ficando em 7,1. Em outro gráfico divulgado pela CNI, a aprovação ao governo subiu de 65% para 73%. A desaprovação caiu de 30% para 22%. De modo similar, 68% - em dezembro eram 60% - declararam confiar no presidente.
Só 28% (antes eram 35%) não confiam. O Ibope ouviu eleitores em 141 municípios e a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O Ibope revelou, também, o otimismo com a economia.
A aprovação às ações de combate ao desemprego atingiu 55% - índice mais alto de todos os levantamentos desde a chegada de Lula à Presidência. A desaprovação é de 41%. Além disso, pela primeira vez, desde dezembro de 2006, a porcentagem daqueles que acreditam no aumento da própria renda supera a dos que não acreditam - 42% a 40%. Para 14%, a renda diminuirá.
Quando indagados sobre notícias veiculadas sobre o governo, 30% apontaram para itens relacionados a temas econômicos, como o aumento do salário mínimo, para R$ 415, que começou a valer no dia 1º. Ainda segundo o levantamento, 81% dos entrevistados avaliam positivamente o ano de 2008. Na pesquisa anterior, de dezembro, eram 79%.
Nem tudo, porém, é motivo de comemoração para o PT. Para 51% das pessoas ouvidas, a inflação aumentará nos próximos seis meses. Outros 15% dizem que ela vai ceder e 27% acham que nada mudará. No quesito segurança, os resultados também não foram favoráveis - 56% dos entrevistados desaprovam a ação do governo no setor, ante os 40% que aprovam.
Voltando à economia, a taxa de juros também não agrada à maioria: 53% dos entrevistados desaprovam a política do governo para o setor, enquanto 39% acham correto o posicionamento. Na pesquisa espontânea sobre quais foram os principais fatos noticiados relativamente à gestão petista, 16% apontaram para os gastos irregulares com cartão corporativo e para o novo valor do salário mínimo.
Também chamaram a atenção das pessoas que foram ouvidas as viagens do presidente (8%), a reação ao tratamento dado aos brasileiros na Espanha (5%) e a participação do País nas negociações para encerrar a crise diplomática entre o Equador e a Colômbia (5%).
Noticiário
Ao avaliar o noticiário nas emissoras de TV, nos rádios e nos jornais relativo ao governo do presidente Lula, 32% dos entrevistados disseram que ele não é nem favorável nem desfavorável ao Planalto. Para 27%, a maioria das notícias é favorável ao governo, mas 23% disseram ser desfavorável.
Outros 18% não souberam responder à questão ou não quiseram opinar. Em situação oposta, o Legislativo aparece com popularidade em baixa - 61% disseram não confiar no Congresso. É a pior avaliação das instituições do País, de acordo com o Ibope.
O governo conta com a confiança de 59% dos entrevistados e a desconfiança de 39%. No topo do ranking estão as Forças Armadas, com a confiança de 74% dos brasileiros.
Fonte: Tribuna da Imprensa
O levantamento aponta outros números positivos para o Palácio do Planalto e sugerem a influência da economia na alta popularidade do presidente. O índice de avaliação regular recuou 1 ponto percentual, ficando em 30%, e o de ruim/péssimo caiu de 17% para 11%.
Pela série histórica, a avaliação mais baixa do governo Lula, de 29%, coincide com o início de 2004 - quando Lula foi alvejado pelo descumprimento de algumas promessas de campanha, como aumento maior do salário mínimo - e os meses de setembro e dezembro de 2005, no auge do desgaste pelo escândalo do mensalão, quando veio à tona a suspeita de compra de apoio de parlamentares.
Agora, o cenário é oposto - até a nota média atribuída ao governo bateu recorde, ficando em 7,1. Em outro gráfico divulgado pela CNI, a aprovação ao governo subiu de 65% para 73%. A desaprovação caiu de 30% para 22%. De modo similar, 68% - em dezembro eram 60% - declararam confiar no presidente.
Só 28% (antes eram 35%) não confiam. O Ibope ouviu eleitores em 141 municípios e a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O Ibope revelou, também, o otimismo com a economia.
A aprovação às ações de combate ao desemprego atingiu 55% - índice mais alto de todos os levantamentos desde a chegada de Lula à Presidência. A desaprovação é de 41%. Além disso, pela primeira vez, desde dezembro de 2006, a porcentagem daqueles que acreditam no aumento da própria renda supera a dos que não acreditam - 42% a 40%. Para 14%, a renda diminuirá.
Quando indagados sobre notícias veiculadas sobre o governo, 30% apontaram para itens relacionados a temas econômicos, como o aumento do salário mínimo, para R$ 415, que começou a valer no dia 1º. Ainda segundo o levantamento, 81% dos entrevistados avaliam positivamente o ano de 2008. Na pesquisa anterior, de dezembro, eram 79%.
Nem tudo, porém, é motivo de comemoração para o PT. Para 51% das pessoas ouvidas, a inflação aumentará nos próximos seis meses. Outros 15% dizem que ela vai ceder e 27% acham que nada mudará. No quesito segurança, os resultados também não foram favoráveis - 56% dos entrevistados desaprovam a ação do governo no setor, ante os 40% que aprovam.
Voltando à economia, a taxa de juros também não agrada à maioria: 53% dos entrevistados desaprovam a política do governo para o setor, enquanto 39% acham correto o posicionamento. Na pesquisa espontânea sobre quais foram os principais fatos noticiados relativamente à gestão petista, 16% apontaram para os gastos irregulares com cartão corporativo e para o novo valor do salário mínimo.
Também chamaram a atenção das pessoas que foram ouvidas as viagens do presidente (8%), a reação ao tratamento dado aos brasileiros na Espanha (5%) e a participação do País nas negociações para encerrar a crise diplomática entre o Equador e a Colômbia (5%).
Noticiário
Ao avaliar o noticiário nas emissoras de TV, nos rádios e nos jornais relativo ao governo do presidente Lula, 32% dos entrevistados disseram que ele não é nem favorável nem desfavorável ao Planalto. Para 27%, a maioria das notícias é favorável ao governo, mas 23% disseram ser desfavorável.
Outros 18% não souberam responder à questão ou não quiseram opinar. Em situação oposta, o Legislativo aparece com popularidade em baixa - 61% disseram não confiar no Congresso. É a pior avaliação das instituições do País, de acordo com o Ibope.
O governo conta com a confiança de 59% dos entrevistados e a desconfiança de 39%. No topo do ranking estão as Forças Armadas, com a confiança de 74% dos brasileiros.
Fonte: Tribuna da Imprensa
TSE cassa 1º mandato de deputado federal por infidelidade
BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou ontem o primeiro mandato de deputado federal por infidelidade partidária. Walter Brito Neto (PB), 25 anos, perdeu o cargo. Ele havia assumido a vaga na Câmara em novembro do ano passado, depois que Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) renunciou ao mandato para fugir de um processo por tentativa de assassinato de um adversário político na Paraíba que seria julgado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Brito disputou as eleições de 2006 pelo PFL (atual DEM) e conseguiu uma vaga de suplente. Em setembro do ano passado, seis meses depois de o TSE definir ser dos partidos políticos a titularidade dos mandatos de deputados - em caso de troca, o infiel devolveria o mandato -, ele trocou o DEM pelo PRB, partido do vice-presidente da República, José Alencar.
Ele alegou, para fugir do processo de cassação, aberto a pedido do DEM, que foi perseguido politicamente e que o Democratas mudou substancialmente seu programa partidário. Por isso, alegou, mudou de partido. As ponderações, se aceitas, poderiam mantê-lo no mandato, já que o TSE estipulou essas exceções para permitir a troca de legenda sem a perda de mandato.
Porém, por unanimidade, os ministros recusaram os argumentos. Brito poderá recorrer da decisão ao próprio TSE e depois ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas a decisão não deve mudar. Enquanto esses recursos não forem julgados, Brito deve pedir uma liminar para permanecer na Câmara.
Suplente
Com a cassação, deveria assumir o mandato o segundo suplente, Tarcísio Marcelo (PSDB-PB). O problema é que o TSE o considerou inelegível, porque suas contas na prefeitura de Belém (PB) foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Por isso, ele não deverá assumir o mandato.
Somente o terceiro suplente, que é do DEM, Major Fábio, terá condições de assumir o mandato e exercê-lo sem restrições judiciais. Ele foi o 30º colocado nas eleições passadas na Paraíba e obteve apenas 4.061 votos - Cunha Lima foi eleito com mais de 124 mil.
No primeiro julgamento por infidelidade, em fevereiro deste ano, o tribunal decidiu manter o mandato da deputada Jusmari Oliveira (BA), que trocou de partido antes de o TSE definir que a troca de legenda sem justificativa poderia acabar em perda de mandato.
STF anula ação contra Valdemar Costa Neto
BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou uma ação penal, que corria em sigilo de Justiça, contra o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) por crime contra a ordem tributária. Ele era acusado de "omitir informação ou prestar declaração falsa" à Receita Federal para não pagar tributos.
Em decisão unânime, os ministros entenderam que, enquanto essa dívida tributária é contestada pelo deputado na Receita, a ação penal não pode ser aberta. Com isso, o caso é anulado e volta ao Ministério Público. Agora, o procurador-geral da Republica, Antonio Fernando Souza, poderá aguardar a definição da Receita Federal sobre essa dívida tributária para pedir novamente a reabertura da ação penal.
Enquanto isso, ele deverá investigar suspeitas de que o deputado prestou também à Justiça Eleitoral informações falsas sobre seu patrimônio e apurar movimentações financeiras nas contas do deputado supostamente incompatíveis com sua renda. Esses indícios, de acordo com o processo, já foram identificados.
Com a decisão do STF, Valdemar passa a responder apenas à ação penal do mensalão, em que é réu pelos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Tramitam também no Supremo inquéritos contra ele que, a depender das provas obtidas pelo MP, podem gerar novas ações penais.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Brito disputou as eleições de 2006 pelo PFL (atual DEM) e conseguiu uma vaga de suplente. Em setembro do ano passado, seis meses depois de o TSE definir ser dos partidos políticos a titularidade dos mandatos de deputados - em caso de troca, o infiel devolveria o mandato -, ele trocou o DEM pelo PRB, partido do vice-presidente da República, José Alencar.
Ele alegou, para fugir do processo de cassação, aberto a pedido do DEM, que foi perseguido politicamente e que o Democratas mudou substancialmente seu programa partidário. Por isso, alegou, mudou de partido. As ponderações, se aceitas, poderiam mantê-lo no mandato, já que o TSE estipulou essas exceções para permitir a troca de legenda sem a perda de mandato.
Porém, por unanimidade, os ministros recusaram os argumentos. Brito poderá recorrer da decisão ao próprio TSE e depois ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas a decisão não deve mudar. Enquanto esses recursos não forem julgados, Brito deve pedir uma liminar para permanecer na Câmara.
Suplente
Com a cassação, deveria assumir o mandato o segundo suplente, Tarcísio Marcelo (PSDB-PB). O problema é que o TSE o considerou inelegível, porque suas contas na prefeitura de Belém (PB) foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Por isso, ele não deverá assumir o mandato.
Somente o terceiro suplente, que é do DEM, Major Fábio, terá condições de assumir o mandato e exercê-lo sem restrições judiciais. Ele foi o 30º colocado nas eleições passadas na Paraíba e obteve apenas 4.061 votos - Cunha Lima foi eleito com mais de 124 mil.
No primeiro julgamento por infidelidade, em fevereiro deste ano, o tribunal decidiu manter o mandato da deputada Jusmari Oliveira (BA), que trocou de partido antes de o TSE definir que a troca de legenda sem justificativa poderia acabar em perda de mandato.
STF anula ação contra Valdemar Costa Neto
BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou uma ação penal, que corria em sigilo de Justiça, contra o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) por crime contra a ordem tributária. Ele era acusado de "omitir informação ou prestar declaração falsa" à Receita Federal para não pagar tributos.
Em decisão unânime, os ministros entenderam que, enquanto essa dívida tributária é contestada pelo deputado na Receita, a ação penal não pode ser aberta. Com isso, o caso é anulado e volta ao Ministério Público. Agora, o procurador-geral da Republica, Antonio Fernando Souza, poderá aguardar a definição da Receita Federal sobre essa dívida tributária para pedir novamente a reabertura da ação penal.
Enquanto isso, ele deverá investigar suspeitas de que o deputado prestou também à Justiça Eleitoral informações falsas sobre seu patrimônio e apurar movimentações financeiras nas contas do deputado supostamente incompatíveis com sua renda. Esses indícios, de acordo com o processo, já foram identificados.
Com a decisão do STF, Valdemar passa a responder apenas à ação penal do mensalão, em que é réu pelos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Tramitam também no Supremo inquéritos contra ele que, a depender das provas obtidas pelo MP, podem gerar novas ações penais.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Traiu-se ou "que rei sou eu?"
Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Depois de uma carta endereçada aos integrantes do diretório nacional do PSDB, derramou-se Fernando Henrique Cardoso em entrevistas à imprensa, onde repetiu à exaustão abrir mão de qualquer sigilo em suas contas, enquanto presidente da República. Mereceriam todos os aplauso, não fosse um ato falho praticado ao falar a uma emissora de rádio.
Utilizando sofisticada figura de retórica, o sociólogo criticou a concepção de que basta ser governo para ser corrupto e acrescentou: "Todos acham que há algo de podre no Reino da Dinamarca". Referia-se ao Hamlet, de Shakespeare, mas acrescentou: "Pelo menos no meu reinado não foi assim." Pronto. Caiu a máscara. Traiu-se aquele que se acha rei.
Dirão os partidários de Fernando Henrique tratar-se de uma blague, de uma pitada de bom humor em meio a uma discussão delicada envolvendo os cartões corporativos. Os psicólogos, porém, discordarão. Afinal, para os que conviveram com o ex-presidente, nos palácios do Planalto e da Alvorada, seus dois períodos de governo apresentaram características monárquicas.
O Estado era ele, à maneira de Luiz XIV, pois não hesitou em prorrogar o próprio mandato, obrigando o Congresso a mudar as regras do jogo depois dele começado. Eleito por quatro anos, ficou oito, disputando nova eleição no exercício do poder, sem precisar deixar o cargo.
Com relação aos gastos de Fernando Henrique e de Luiz Inácio da Silva, agregados os familiares de ambos, tornou-se imperioso abri-los todos. Só então saberemos se Hamlet estava certo.
Festival de restrições mentais
Otto Lara Resende, editor-chefe da "Manchete" foi entrevistar o todo-poderoso general Henrique Lott, logo depois do singular golpe para impedir o golpe, em novembro de 1955. Tão correto que chegava a ser chato, o militar justificou haver mentido uma vez só, na vida, ao dizer ao então presidente licenciado, Café Filho, que ele poderia reassumir. Só que, na entrevista, Lott usou um artifício para mascarar a mentira: chamou-a de "restrição mental".
Tantas décadas depois, a moda acaba de voltar. A ministra Dilma Rousseff disse à ex-primeira-dama, Rute Cardoso, não haver sido montado nem produzido na Casa Civil o dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e seus familiares com cartões corporativos. Mais tarde, em nota oficial, a ministra confundiu a situação ao afirmar que o conteúdo do dossiê estava num computador da Presidência da República. Não explicou em que setor, se foi no computador da garagem, da cozinha, da secretaria particular do presidente ou da Casa Civil.
Mas tem mais restrições mentais. Dona Dilma informou que o dossiê, nome, aliás, que ela não usa, começou a ser preparado a pedido do Tribunal de Contas da União. O TCU desmentiu. Resta aguardar os trinta dias que a chefe da Casa Civil deu de prazo para uma comissão de sindicância apurar os vazamentos.
Serra e Aécio perderam
Nesta mesma semana, derrotas para José Serra e para Aécio Neves, que, pelo jeito, atravessa o mesmo inferno zodiacal. O governador de São Paulo foi participado pelo presidente do PSDB, senador Sergio Guerra, de que o candidato do partido à prefeitura paulistana será mesmo Geraldo Alckmin.
Precisamente o que Serra não queria, empenhado que estava em sustentar a reeleição de Gilberto Kassab, do DEM, forma de garantir o apoio antecipado do ex-PFL à sua candidatura presidencial em 2010. Não dá para omitir o prejuízo, tanto a nível municipal quanto federal. Alckmin é uma pedra no sapato do governador.
Se eleito, quinze minutos depois será candidato a governador, podendo até apresentar-se ao palácio do Planalto. Afinal, a tradição brasileira é de ver vitorioso os derrotados em eleições anteriores, prática que o próprio Serra pretende ver repetida. Mostra-se rachado o muro em que se assenta o ninho dos tucanos, muitos deles propensos a não trabalhar por Alckmin e até a apoiar Kassab, por baixo do pano. Não será, propriamente, uma avenida larga e florida para a sucessão federal, essa que o governador vem trilhando.
Em Minas, a mesma coisa. Depois de sucessos em cascata, Aécio Neves enfrenta a tempestade. Costurou em detalhes a aliança do PSDB com o PT, a nível municipal, nas eleições para a prefeitura de Belo Horizonte. O atual prefeito Fernando Pimentel, petista, aceitou indicar Márcio Lacerda, do Partido Socialista, com o apoio do governador, desde que em 2010 viesse a ser candidato à sucessão de Aécio, com o apoio dele. Tudo parecia acertado, até Ciro Gomes, amigo de Márcio Lacerda, entrou na equação, estimulando o acordo entre tucanos e companheiros. Se desse certo a armação, estaria reforçada a candidatura do neto do dr. Tancredo à Presidência da República, daqui a dois anos e meio, mesmo se reconhecendo a prevalência atual de José Serra no âmbito do PSDB.
Ainda assim, a aproximação de Aécio com o PT poderia levar o presidente Lula a considerá-lo apto a disputar a sucessão, desde que trocando o ninho pelo PMDB, partido da base oficial. Foi tudo por água abaixo, a começar pelo acordo em torno da prefeitura de Belo Horizonte, quando o vice-presidente José Alencar insurgiu-se, apoiado pelo ministro Helio Costa, do PMDB, e até pelo secretário-geral da presidência da República, Luiz Dulci, do PT. Os companheiros devem lançar candidato próprio, possivelmente o ministro Patrus Ananias, não deixando outra alternativa ao PSDB senão procurar seu próprio tucano. Ficam prejudicadas, ainda que não afastadas, as pretensões presidenciais de Aécio Neves.
O que deu errado?
A economia vai de vento em popa, pelo menos até agora a crise americana não nos atingiu. O PAC começou a funcionar, o desemprego caiu. As massas festejam o bolsa-família, as elites entram em orgasmo com o lucro dos bancos. Até os funcionários públicos de cara amarrada começam a sorrir em função de aumentos escalonados que o governo prepara.
O que deu errado, então, para o Brasil estar sendo desconsiderado internacionalmente, não apenas pela expulsão de nossos cidadãos de aeroportos estrangeiros, mas por recomendações a turistas evitarem vir por aqui? Lá fora, alinham a total falta de segurança pública em cidades como o Rio e São Paulo.
Alertam para epidemias que passam pela febre amarela e chegam com impacto à dengue. Recusam-se a aceitar o real como moeda, apesar de seu valor cada vez maior diante do dólar. Acusam-nos de cada vez mais desmatarmos o pulmão do mundo, queimando a Amazônia, e recusam até a carne por nós exportada, sob alegação da febre aftosa.
Há quem suponha o descompasso entre a comunicação social interna, que funciona exemplarmente pelas mãos de Franklin Martins, e a externa, que caberia ao Itamaraty.
Fonte: Tribuna da IMPRENSA
BRASÍLIA - Depois de uma carta endereçada aos integrantes do diretório nacional do PSDB, derramou-se Fernando Henrique Cardoso em entrevistas à imprensa, onde repetiu à exaustão abrir mão de qualquer sigilo em suas contas, enquanto presidente da República. Mereceriam todos os aplauso, não fosse um ato falho praticado ao falar a uma emissora de rádio.
Utilizando sofisticada figura de retórica, o sociólogo criticou a concepção de que basta ser governo para ser corrupto e acrescentou: "Todos acham que há algo de podre no Reino da Dinamarca". Referia-se ao Hamlet, de Shakespeare, mas acrescentou: "Pelo menos no meu reinado não foi assim." Pronto. Caiu a máscara. Traiu-se aquele que se acha rei.
Dirão os partidários de Fernando Henrique tratar-se de uma blague, de uma pitada de bom humor em meio a uma discussão delicada envolvendo os cartões corporativos. Os psicólogos, porém, discordarão. Afinal, para os que conviveram com o ex-presidente, nos palácios do Planalto e da Alvorada, seus dois períodos de governo apresentaram características monárquicas.
O Estado era ele, à maneira de Luiz XIV, pois não hesitou em prorrogar o próprio mandato, obrigando o Congresso a mudar as regras do jogo depois dele começado. Eleito por quatro anos, ficou oito, disputando nova eleição no exercício do poder, sem precisar deixar o cargo.
Com relação aos gastos de Fernando Henrique e de Luiz Inácio da Silva, agregados os familiares de ambos, tornou-se imperioso abri-los todos. Só então saberemos se Hamlet estava certo.
Festival de restrições mentais
Otto Lara Resende, editor-chefe da "Manchete" foi entrevistar o todo-poderoso general Henrique Lott, logo depois do singular golpe para impedir o golpe, em novembro de 1955. Tão correto que chegava a ser chato, o militar justificou haver mentido uma vez só, na vida, ao dizer ao então presidente licenciado, Café Filho, que ele poderia reassumir. Só que, na entrevista, Lott usou um artifício para mascarar a mentira: chamou-a de "restrição mental".
Tantas décadas depois, a moda acaba de voltar. A ministra Dilma Rousseff disse à ex-primeira-dama, Rute Cardoso, não haver sido montado nem produzido na Casa Civil o dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e seus familiares com cartões corporativos. Mais tarde, em nota oficial, a ministra confundiu a situação ao afirmar que o conteúdo do dossiê estava num computador da Presidência da República. Não explicou em que setor, se foi no computador da garagem, da cozinha, da secretaria particular do presidente ou da Casa Civil.
Mas tem mais restrições mentais. Dona Dilma informou que o dossiê, nome, aliás, que ela não usa, começou a ser preparado a pedido do Tribunal de Contas da União. O TCU desmentiu. Resta aguardar os trinta dias que a chefe da Casa Civil deu de prazo para uma comissão de sindicância apurar os vazamentos.
Serra e Aécio perderam
Nesta mesma semana, derrotas para José Serra e para Aécio Neves, que, pelo jeito, atravessa o mesmo inferno zodiacal. O governador de São Paulo foi participado pelo presidente do PSDB, senador Sergio Guerra, de que o candidato do partido à prefeitura paulistana será mesmo Geraldo Alckmin.
Precisamente o que Serra não queria, empenhado que estava em sustentar a reeleição de Gilberto Kassab, do DEM, forma de garantir o apoio antecipado do ex-PFL à sua candidatura presidencial em 2010. Não dá para omitir o prejuízo, tanto a nível municipal quanto federal. Alckmin é uma pedra no sapato do governador.
Se eleito, quinze minutos depois será candidato a governador, podendo até apresentar-se ao palácio do Planalto. Afinal, a tradição brasileira é de ver vitorioso os derrotados em eleições anteriores, prática que o próprio Serra pretende ver repetida. Mostra-se rachado o muro em que se assenta o ninho dos tucanos, muitos deles propensos a não trabalhar por Alckmin e até a apoiar Kassab, por baixo do pano. Não será, propriamente, uma avenida larga e florida para a sucessão federal, essa que o governador vem trilhando.
Em Minas, a mesma coisa. Depois de sucessos em cascata, Aécio Neves enfrenta a tempestade. Costurou em detalhes a aliança do PSDB com o PT, a nível municipal, nas eleições para a prefeitura de Belo Horizonte. O atual prefeito Fernando Pimentel, petista, aceitou indicar Márcio Lacerda, do Partido Socialista, com o apoio do governador, desde que em 2010 viesse a ser candidato à sucessão de Aécio, com o apoio dele. Tudo parecia acertado, até Ciro Gomes, amigo de Márcio Lacerda, entrou na equação, estimulando o acordo entre tucanos e companheiros. Se desse certo a armação, estaria reforçada a candidatura do neto do dr. Tancredo à Presidência da República, daqui a dois anos e meio, mesmo se reconhecendo a prevalência atual de José Serra no âmbito do PSDB.
Ainda assim, a aproximação de Aécio com o PT poderia levar o presidente Lula a considerá-lo apto a disputar a sucessão, desde que trocando o ninho pelo PMDB, partido da base oficial. Foi tudo por água abaixo, a começar pelo acordo em torno da prefeitura de Belo Horizonte, quando o vice-presidente José Alencar insurgiu-se, apoiado pelo ministro Helio Costa, do PMDB, e até pelo secretário-geral da presidência da República, Luiz Dulci, do PT. Os companheiros devem lançar candidato próprio, possivelmente o ministro Patrus Ananias, não deixando outra alternativa ao PSDB senão procurar seu próprio tucano. Ficam prejudicadas, ainda que não afastadas, as pretensões presidenciais de Aécio Neves.
O que deu errado?
A economia vai de vento em popa, pelo menos até agora a crise americana não nos atingiu. O PAC começou a funcionar, o desemprego caiu. As massas festejam o bolsa-família, as elites entram em orgasmo com o lucro dos bancos. Até os funcionários públicos de cara amarrada começam a sorrir em função de aumentos escalonados que o governo prepara.
O que deu errado, então, para o Brasil estar sendo desconsiderado internacionalmente, não apenas pela expulsão de nossos cidadãos de aeroportos estrangeiros, mas por recomendações a turistas evitarem vir por aqui? Lá fora, alinham a total falta de segurança pública em cidades como o Rio e São Paulo.
Alertam para epidemias que passam pela febre amarela e chegam com impacto à dengue. Recusam-se a aceitar o real como moeda, apesar de seu valor cada vez maior diante do dólar. Acusam-nos de cada vez mais desmatarmos o pulmão do mundo, queimando a Amazônia, e recusam até a carne por nós exportada, sob alegação da febre aftosa.
Há quem suponha o descompasso entre a comunicação social interna, que funciona exemplarmente pelas mãos de Franklin Martins, e a externa, que caberia ao Itamaraty.
Fonte: Tribuna da IMPRENSA
quinta-feira, março 27, 2008
Financiamento de carros terá prazo máximo de seis anos
Ministro alertou executivos de bancos para que não permitam o pagamento em parcelamentos maiores
BRASÍLIA - Em reunião ontem com representantes do setor bancário, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, questionou os dirigentes dos principais bancos do país sobre os prazos dos créditos concedidos a pessoas físicas, principalmente para a compra de automóveis. Os executivos garantiram ao ministro que são poucos os financiamentos de seis a oito anos, se considerado o volume de créditos concedidos. Eles disseram que a maioria dos contratos ainda é fechada para pagamento em até cinco anos.
Ao sair do encontro, o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Fábio Barbosa, disse que os prazos mais longos observados em alguns tipos de financiamento, como o de automóveis, são exceções e não oferecem risco ao sistema bancário. “A maior parte da carteira de crédito dos bancos é muito sólida. Existem situações eventuais de posições um pouquinho mais alongadas, mas são residuais.” A resposta dos bancos, segundo ele, tranqüilizou Mantega, que estava preocupado com o aumento do volume desses financiamentos.
O ministro alertou os executivos para que não permitam o pagamento do crédito acima de seis anos. Mantega argumentou que, a partir do quinto ano, os proprietários começam a ter altas despesas com os veículos comprados e, com isso, podem deixar de pagar as prestações. Como o carro perde valor, bancos e financeiras ficariam sem as garantias. Segundo técnicos que participaram da reunião, os executivos disseram ao ministro que havia uma demanda muito reprimida por crédito no país. Por isso, o ritmo de crescimento dos financiamentos de pessoas físicas não seria um risco para a economia. (Folhapress)
Fonte: Correio da Bahia
BRASÍLIA - Em reunião ontem com representantes do setor bancário, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, questionou os dirigentes dos principais bancos do país sobre os prazos dos créditos concedidos a pessoas físicas, principalmente para a compra de automóveis. Os executivos garantiram ao ministro que são poucos os financiamentos de seis a oito anos, se considerado o volume de créditos concedidos. Eles disseram que a maioria dos contratos ainda é fechada para pagamento em até cinco anos.
Ao sair do encontro, o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Fábio Barbosa, disse que os prazos mais longos observados em alguns tipos de financiamento, como o de automóveis, são exceções e não oferecem risco ao sistema bancário. “A maior parte da carteira de crédito dos bancos é muito sólida. Existem situações eventuais de posições um pouquinho mais alongadas, mas são residuais.” A resposta dos bancos, segundo ele, tranqüilizou Mantega, que estava preocupado com o aumento do volume desses financiamentos.
O ministro alertou os executivos para que não permitam o pagamento do crédito acima de seis anos. Mantega argumentou que, a partir do quinto ano, os proprietários começam a ter altas despesas com os veículos comprados e, com isso, podem deixar de pagar as prestações. Como o carro perde valor, bancos e financeiras ficariam sem as garantias. Segundo técnicos que participaram da reunião, os executivos disseram ao ministro que havia uma demanda muito reprimida por crédito no país. Por isso, o ritmo de crescimento dos financiamentos de pessoas físicas não seria um risco para a economia. (Folhapress)
Fonte: Correio da Bahia
Opinião - Na contramão do Brasil
José Dirceu
Qualquer proposta de restringir o crédito ou aumentar juros neste momento é uma usurpação da esperança e das oportunidades que se abriram para o Brasil depois de anos de sacrifícios e desencontros na política econômica do país.
Não há nenhuma razão para isso. O crédito no Brasil não chega a 35% do PIB, a metade da média internacional; o crédito consignado está totalmente garantido; a inflação está dentro da meta de 4,5%, fora a banda de 2% (para cima e para baixo), que nossos conservadores fazem de conta que não existe. Nossa economia está crescendo 5% ao ano, um bom índice, embora não seja tão espetacular para os padrões chinês, russo, indiano e mesmo argentino.
Está claro que esse crescimento tem, como conseqüência imediata, o aumento do emprego – foram 1,65 milhão no ano passado, que podem chegar a 1,8 milhão este ano – e está baseado na distribuição de renda e no aumento da demanda interna e dos investimentos. Estes, sim, começam a crescer no ritmo chinês, particularmente a demanda doméstica, de 9%. A formação bruta de capital fixo está crescendo três vezes mais que o PIB e os investimentos em infra-estrutura duas vezes.
Nosso crescimento não depende exclusivamente das exportações ou do comércio internacional e nada indica que a China e outros países citados deixarão de crescer. É verdade que os Estados Unidos estão entrando numa desaceleração, que pode durar anos, mas, ao contrário da União Européia e do Canadá e México, ligados aos americanos pelo Nafta, o Brasil só exporta 20% de suas vendas externas àquele país e não tem os mesmos laços de dependência e a mesma relação financeira.
Por outro lado, mesmo com o surgimento de um déficit nas transações externas, vamos exportar US$ 182 bilhões e importar US$ 155 bilhões, e vamos receber investimentos suficientes para evitar um déficit externo grave.
Não há nada, portanto, que justifique um aumento de juros ou qualquer tipo de restrição ao crédito. Ainda bem que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recuou da proposta que havia colocado de restringir as operações de crédito como alternativa para conter a demanda e, com isso, evitar uma provável elevação da taxa de juros pelo Banco Central.
Se efetivada, a proposta do ministro Mantega seria como jogar água fria no ânimo do empresariado de assumir riscos e investir. E certamente faria o país sair da rota do crescimento, dificultando a solução de seus graves problemas de infra-estrutura, educação e inovação. O país precisa é resolver os gargalos, como os das contas públicas, déficit da Previdência e dívida interna, e não esfriar o crescimento.
A saída é continuar na mesma direção e adotar medidas de política industrial e inovação que apresentem alternativas à provável escassez de matérias primas, insumos e bens de capital. E, de outro lado, permitam retomar os investimentos nos setores estratégicos como biotecnologia, fármacos, software e semicondutores, para que nossa economia seja exportadora não só de commodities e manufaturas, mas cada vez mais de capitais, tecnologia e serviços.
É preciso viabilizar a reforma tributária, a desoneração dos investimentos e a redução dos juros. Reafirmo: redução dos juros, sim, pois todas as taxas de juros subiram nos últimos dois meses. A taxa média dos financiamentos para pessoas físicas, por exemplo, subiu de 48,8% ao ano para 49,0%, a taxa média dos empréstimos passou de 33,8% ao ano para 37,4%. E continuamos com uma Selic de 11,25%, para uma inflação de 4,3%.
Portanto, a idéia de reduzir a demanda via aumento dos juros ou redução do crédito é um erro grosseiro. A única saída é a associação entre o Estado, o empresariado e a sociedade para organizar os investimentos, como faz o PAC, e superar os pontos de estrangulamento. Só assim vamos manter o ciclo virtuoso de crescimento, fora do qual não há saída para o Brasil.
Fonte: JB Onine
Qualquer proposta de restringir o crédito ou aumentar juros neste momento é uma usurpação da esperança e das oportunidades que se abriram para o Brasil depois de anos de sacrifícios e desencontros na política econômica do país.
Não há nenhuma razão para isso. O crédito no Brasil não chega a 35% do PIB, a metade da média internacional; o crédito consignado está totalmente garantido; a inflação está dentro da meta de 4,5%, fora a banda de 2% (para cima e para baixo), que nossos conservadores fazem de conta que não existe. Nossa economia está crescendo 5% ao ano, um bom índice, embora não seja tão espetacular para os padrões chinês, russo, indiano e mesmo argentino.
Está claro que esse crescimento tem, como conseqüência imediata, o aumento do emprego – foram 1,65 milhão no ano passado, que podem chegar a 1,8 milhão este ano – e está baseado na distribuição de renda e no aumento da demanda interna e dos investimentos. Estes, sim, começam a crescer no ritmo chinês, particularmente a demanda doméstica, de 9%. A formação bruta de capital fixo está crescendo três vezes mais que o PIB e os investimentos em infra-estrutura duas vezes.
Nosso crescimento não depende exclusivamente das exportações ou do comércio internacional e nada indica que a China e outros países citados deixarão de crescer. É verdade que os Estados Unidos estão entrando numa desaceleração, que pode durar anos, mas, ao contrário da União Européia e do Canadá e México, ligados aos americanos pelo Nafta, o Brasil só exporta 20% de suas vendas externas àquele país e não tem os mesmos laços de dependência e a mesma relação financeira.
Por outro lado, mesmo com o surgimento de um déficit nas transações externas, vamos exportar US$ 182 bilhões e importar US$ 155 bilhões, e vamos receber investimentos suficientes para evitar um déficit externo grave.
Não há nada, portanto, que justifique um aumento de juros ou qualquer tipo de restrição ao crédito. Ainda bem que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recuou da proposta que havia colocado de restringir as operações de crédito como alternativa para conter a demanda e, com isso, evitar uma provável elevação da taxa de juros pelo Banco Central.
Se efetivada, a proposta do ministro Mantega seria como jogar água fria no ânimo do empresariado de assumir riscos e investir. E certamente faria o país sair da rota do crescimento, dificultando a solução de seus graves problemas de infra-estrutura, educação e inovação. O país precisa é resolver os gargalos, como os das contas públicas, déficit da Previdência e dívida interna, e não esfriar o crescimento.
A saída é continuar na mesma direção e adotar medidas de política industrial e inovação que apresentem alternativas à provável escassez de matérias primas, insumos e bens de capital. E, de outro lado, permitam retomar os investimentos nos setores estratégicos como biotecnologia, fármacos, software e semicondutores, para que nossa economia seja exportadora não só de commodities e manufaturas, mas cada vez mais de capitais, tecnologia e serviços.
É preciso viabilizar a reforma tributária, a desoneração dos investimentos e a redução dos juros. Reafirmo: redução dos juros, sim, pois todas as taxas de juros subiram nos últimos dois meses. A taxa média dos financiamentos para pessoas físicas, por exemplo, subiu de 48,8% ao ano para 49,0%, a taxa média dos empréstimos passou de 33,8% ao ano para 37,4%. E continuamos com uma Selic de 11,25%, para uma inflação de 4,3%.
Portanto, a idéia de reduzir a demanda via aumento dos juros ou redução do crédito é um erro grosseiro. A única saída é a associação entre o Estado, o empresariado e a sociedade para organizar os investimentos, como faz o PAC, e superar os pontos de estrangulamento. Só assim vamos manter o ciclo virtuoso de crescimento, fora do qual não há saída para o Brasil.
Fonte: JB Onine
A meta: esfolar o cidadão comum
Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Num objetivo acoplam-se perfeitamente o interesse público e o interesse privado, melhor dizendo, a ação dos agentes públicos e dos agentes privados: é na voracidade de depenar o cidadão comum. Para cada lado que se olhe acontece a mesma coisa. Ainda há dias, em Brasília, o governo local distribuiu os talões de pagamento do IPTU.
A média dos "reajustes" foi de 300%. Quem pagou ano passado mil e poucos reais viu-se taxado em sete mil reais. E assim por diante. A rapinagem foi tão grande que, pressionado por mil e um protestos, o governador José Roberto Arruda mandou recolher os talões e determinou que os aumentos não ultrapassassem 16%.
Já foi um exagero, porque a inflação não chegou a 7%, em 2007, mas todo mundo ficou satisfeito e não se falou mais no assunto. Falta de exercício da cidadania, porque deveriam os brasilienses ter ido em frente e exigido do governo local uma explicação: quem determinou os abusivos reajustes?
Tratou-se de iniciativa de amanuenses aloprados, de chefes abomináveis ou veio lá de cima, no mínimo, a concordância com esse ato explícito de esfolamento do semelhante? Claro que ninguém investigou, muito menos o governo do Distrito Federal, ficando o dito pelo não dito, ou o roubado pelo não roubado.
Passando do plano estadual para o federal, nem será preciso referir que enquanto as grandes empresas burlam o fisco, empenhando-se anos e até décadas a fio em batalhas judiciais sem pagar impostos e tributos, milhares de contribuintes comuns, dos que vivem de salário, são assoberbados com notificações da Receita para comprovarem despesas médicas e outras, nas declarações anteriores do Imposto de Renda. Parece o caminho para o poder público vangloriar-se do aumento de arrecadação.
Mas tem mais, lá e cá. Ainda esta semana os assinantes da famigerada NET foram surpreendidos não apenas com o aumento das mensalidades, mas com a supressão de razoável número de canais antes acessados conforme os contratos. Para assisti-los, agora, será necessário pagar por fora, como no caso anterior de torneios de futebol e de filmes não tão velhos quanto os apresentados normalmente. Isso sem falar em que, quando lançados os canais a cabo, a promessa era de que não conteriam publicidade ou propaganda de qualquer espécie.
Só isso? Nem pensar. Também há poucos dias o governo autorizou o aumento generalizado no preço dos remédios. A informação era de que tudo se limitaria a 4%. Vá o leitor reclamar na farmácia da esquina. Mesmo proibidos os reajustes, eles não pararam de acontecer nos últimos doze meses. Agora, autorizados, passam de 30%.
Reclamar para quem? No setor público, mesmo com o advento dos companheiros ao poder, primeiro municipal, depois estadual e agora federal, continuam a fluir as propinas e comissões pela realização de qualquer tipo de obras ou contratação de serviços. Só que com um detalhe: antes, cobrava-se 10%. Hoje, a regra é de 30%, existindo até determinados intermediários batizados com um sobrenome suplementar: Fulaninho Trinta...
Essa simbiose entre o público e o privado parece não ter limites. Quem não disporá de um exemplo a mais, no seu dia-a-dia, para demonstrar como somos explorados? Deve prevenir-se quem pensa estar a solução na eclosão de um regime de força, sabe-se lá conduzido porque corporação for. Será apenas mais uma legião de malandros a dominar o Estado.
Engolidor de sapos ou de espadas?
Tornou-se rotina, porque aconteceu de novo, há dois dias. Depois de haver alertado a população de que o crédito deveria sofrer maiores restrições, e até os juros poderiam aumentar, o ministro da Fazenda desceu humilde do gabinete do presidente Lula para a sala de imprensa, no palácio do Planalto, desmentindo-se. Declarou que jamais o governo pensou em restringir o crédito, muito menos em aumentar os juros.
Não é preciso imaginar o tamanho da bronca que Guido Mantega levou do Lula. Melhor seria imaginarmos quem alertou o presidente para mandar seu ministro desmentir-se. Porque não será, o chefe do governo, um especialista em questões econômicas. Pelo contrário, vale-se de alguns oráculos (bom dia, Delfim Netto) que com freqüência consulta no recôndito das ligações telefônicas.
Salta aos olhos, porém, a humildade com que o ministro Mantega vai e vem. Ainda há meses, depois de o Senado haver extinguido a CPMF, ele anunciou a criação de um novo imposto, sucedâneo para compensar o anterior. Não se passaram muitas horas para que viesse o desmentido, pela palavra do próprio. Será que vale a pena exercer o papel de biruta de aeroporto, só para acrescentar numa biografia já digna de elogios o tempo passado na chefia da política econômica? Aliás, que chefia?...
Desgraçou a todos
Hugo Chávez esperava peremptória condenação do presidente Lula, mesmo atrasada, à estratégia da Colômbia e dos Estados Unidos relativamente a ataques preventivos ao território de outras nações, se for para combater o terrorismo. Não gostou nem um pouco da cautela com que o chefe do governo brasileiro referiu-se ao recente episódio da invasão do Equador por tropa colombiana dirigida por consultores americanos.
No reverso da medalha, Condoleesa Rice irritou-se ao saber que o Lula passou lotado e nem se referiu a essa estranha visão de um país dispor do direito e até do dever de invadir o outro se for para massacrar revolucionários, narcotraficantes e sucedâneos contrários à dominação da superpotência.
Falamos do encontro de ontem, em Recife, entre os presidentes do Brasil e o da Venezuela. Uma frustração para os dois lados em conflito, lá na nossa fronteira Norte. Mas, vamos fazer justiça, um elogiável posicionamento do Brasil. Afinal, em briga de nhambu, jacu não entra.
Exageros
Domingo de Páscoa, no palácio do Jaburu, o vice-presidente José Alencar reuniu um grupo seleto de amigos e companheiros para celebrar a data, com direito a missa e, depois, um lanche modesto, sem champagne nem uísque. Convidou o presidente Lula, que compareceu desacompanhado de D. Marisa, às voltas com a doença de um neto, no Alvorada.
Tudo conforme as previsões, pelo menos até a hora do lanche. Porque não se conteve um grupo de dondocas brasilienses convidadas. Cercaram o presidente, como costumam fazer os repórteres nas oportunidades em que podem aproximar-se, mas, ao contrário dos profissionais de imprensa, não foi para perguntar coisa alguma. Demoraram-se em gritinhos e em manifestações explícitas de corpo presente a respeito "de como ele era bonito", "como sua barba estava tão bem aparada", "como vestia com elegância um traje esporte" e sucedâneos tão inusitados quanto impertinentes.
Para um observador incógnito, pareciam um bando de gralhas. O Lula, que no fundo é um tímido, chegou a pedir socorro ao vice-presidente, indagando onde estavam os repórteres, que seria muito melhor enfrentar do que aquele time de mal-amadas. Só que os repórteres não estavam...
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Num objetivo acoplam-se perfeitamente o interesse público e o interesse privado, melhor dizendo, a ação dos agentes públicos e dos agentes privados: é na voracidade de depenar o cidadão comum. Para cada lado que se olhe acontece a mesma coisa. Ainda há dias, em Brasília, o governo local distribuiu os talões de pagamento do IPTU.
A média dos "reajustes" foi de 300%. Quem pagou ano passado mil e poucos reais viu-se taxado em sete mil reais. E assim por diante. A rapinagem foi tão grande que, pressionado por mil e um protestos, o governador José Roberto Arruda mandou recolher os talões e determinou que os aumentos não ultrapassassem 16%.
Já foi um exagero, porque a inflação não chegou a 7%, em 2007, mas todo mundo ficou satisfeito e não se falou mais no assunto. Falta de exercício da cidadania, porque deveriam os brasilienses ter ido em frente e exigido do governo local uma explicação: quem determinou os abusivos reajustes?
Tratou-se de iniciativa de amanuenses aloprados, de chefes abomináveis ou veio lá de cima, no mínimo, a concordância com esse ato explícito de esfolamento do semelhante? Claro que ninguém investigou, muito menos o governo do Distrito Federal, ficando o dito pelo não dito, ou o roubado pelo não roubado.
Passando do plano estadual para o federal, nem será preciso referir que enquanto as grandes empresas burlam o fisco, empenhando-se anos e até décadas a fio em batalhas judiciais sem pagar impostos e tributos, milhares de contribuintes comuns, dos que vivem de salário, são assoberbados com notificações da Receita para comprovarem despesas médicas e outras, nas declarações anteriores do Imposto de Renda. Parece o caminho para o poder público vangloriar-se do aumento de arrecadação.
Mas tem mais, lá e cá. Ainda esta semana os assinantes da famigerada NET foram surpreendidos não apenas com o aumento das mensalidades, mas com a supressão de razoável número de canais antes acessados conforme os contratos. Para assisti-los, agora, será necessário pagar por fora, como no caso anterior de torneios de futebol e de filmes não tão velhos quanto os apresentados normalmente. Isso sem falar em que, quando lançados os canais a cabo, a promessa era de que não conteriam publicidade ou propaganda de qualquer espécie.
Só isso? Nem pensar. Também há poucos dias o governo autorizou o aumento generalizado no preço dos remédios. A informação era de que tudo se limitaria a 4%. Vá o leitor reclamar na farmácia da esquina. Mesmo proibidos os reajustes, eles não pararam de acontecer nos últimos doze meses. Agora, autorizados, passam de 30%.
Reclamar para quem? No setor público, mesmo com o advento dos companheiros ao poder, primeiro municipal, depois estadual e agora federal, continuam a fluir as propinas e comissões pela realização de qualquer tipo de obras ou contratação de serviços. Só que com um detalhe: antes, cobrava-se 10%. Hoje, a regra é de 30%, existindo até determinados intermediários batizados com um sobrenome suplementar: Fulaninho Trinta...
Essa simbiose entre o público e o privado parece não ter limites. Quem não disporá de um exemplo a mais, no seu dia-a-dia, para demonstrar como somos explorados? Deve prevenir-se quem pensa estar a solução na eclosão de um regime de força, sabe-se lá conduzido porque corporação for. Será apenas mais uma legião de malandros a dominar o Estado.
Engolidor de sapos ou de espadas?
Tornou-se rotina, porque aconteceu de novo, há dois dias. Depois de haver alertado a população de que o crédito deveria sofrer maiores restrições, e até os juros poderiam aumentar, o ministro da Fazenda desceu humilde do gabinete do presidente Lula para a sala de imprensa, no palácio do Planalto, desmentindo-se. Declarou que jamais o governo pensou em restringir o crédito, muito menos em aumentar os juros.
Não é preciso imaginar o tamanho da bronca que Guido Mantega levou do Lula. Melhor seria imaginarmos quem alertou o presidente para mandar seu ministro desmentir-se. Porque não será, o chefe do governo, um especialista em questões econômicas. Pelo contrário, vale-se de alguns oráculos (bom dia, Delfim Netto) que com freqüência consulta no recôndito das ligações telefônicas.
Salta aos olhos, porém, a humildade com que o ministro Mantega vai e vem. Ainda há meses, depois de o Senado haver extinguido a CPMF, ele anunciou a criação de um novo imposto, sucedâneo para compensar o anterior. Não se passaram muitas horas para que viesse o desmentido, pela palavra do próprio. Será que vale a pena exercer o papel de biruta de aeroporto, só para acrescentar numa biografia já digna de elogios o tempo passado na chefia da política econômica? Aliás, que chefia?...
Desgraçou a todos
Hugo Chávez esperava peremptória condenação do presidente Lula, mesmo atrasada, à estratégia da Colômbia e dos Estados Unidos relativamente a ataques preventivos ao território de outras nações, se for para combater o terrorismo. Não gostou nem um pouco da cautela com que o chefe do governo brasileiro referiu-se ao recente episódio da invasão do Equador por tropa colombiana dirigida por consultores americanos.
No reverso da medalha, Condoleesa Rice irritou-se ao saber que o Lula passou lotado e nem se referiu a essa estranha visão de um país dispor do direito e até do dever de invadir o outro se for para massacrar revolucionários, narcotraficantes e sucedâneos contrários à dominação da superpotência.
Falamos do encontro de ontem, em Recife, entre os presidentes do Brasil e o da Venezuela. Uma frustração para os dois lados em conflito, lá na nossa fronteira Norte. Mas, vamos fazer justiça, um elogiável posicionamento do Brasil. Afinal, em briga de nhambu, jacu não entra.
Exageros
Domingo de Páscoa, no palácio do Jaburu, o vice-presidente José Alencar reuniu um grupo seleto de amigos e companheiros para celebrar a data, com direito a missa e, depois, um lanche modesto, sem champagne nem uísque. Convidou o presidente Lula, que compareceu desacompanhado de D. Marisa, às voltas com a doença de um neto, no Alvorada.
Tudo conforme as previsões, pelo menos até a hora do lanche. Porque não se conteve um grupo de dondocas brasilienses convidadas. Cercaram o presidente, como costumam fazer os repórteres nas oportunidades em que podem aproximar-se, mas, ao contrário dos profissionais de imprensa, não foi para perguntar coisa alguma. Demoraram-se em gritinhos e em manifestações explícitas de corpo presente a respeito "de como ele era bonito", "como sua barba estava tão bem aparada", "como vestia com elegância um traje esporte" e sucedâneos tão inusitados quanto impertinentes.
Para um observador incógnito, pareciam um bando de gralhas. O Lula, que no fundo é um tímido, chegou a pedir socorro ao vice-presidente, indagando onde estavam os repórteres, que seria muito melhor enfrentar do que aquele time de mal-amadas. Só que os repórteres não estavam...
Fonte: Tribuna da Imprensa
Vou fazer meu sucessor, diz Lula
RECIFE - Horas depois da tentativa frustrada da oposição de convocar a ministra da Casa Civil para depor na CPI dos Cartões Corporativos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou uma solenidade de desagravo a Dilma Rousseff, sob um sol escaldante no final da manhã de ontem, na periferia da capital pernambucana. No evento de anúncio de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra recebeu honras de pré-candidata. Foi elogiada por outros ministros, distribuiu autógrafos e mandou beijinhos de longe.
A uma platéia de 3.500 pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, o presidente fez ataques aos adversários e, ao lado de Dilma, afirmou que elegerá o sucessor na próxima eleição. "A oposição pensa que vai eleger o (meu) sucessor, mas pode tirar o cavalinho da chuva porque vamos fazer a sucessão para continuar governando este País", afirmou.
"Se alguém pensa que vai atrapalhar o projeto de desenvolvimento, pode saber que terá de lutar e trabalhar muito", afirmou. "Só fazendo discursos, não vai nos derrotar". Numa espécie de apresentação do Nordeste à ministra, Lula avisou que fará um tour pela região e depois percorrerá os demais estados do País.
"Meus adversários vão dizer: 'Ele está em campanha, está em campanha.' Não estou em campanha, não, porque não posso concorrer", disse. "Agora, se acham que vou ficar em Brasília ouvindo discursos, podem fazer quantos discursos quiserem, pois eu vou para a rua ouvir o povo, que eu ganho mais".
Calor
Lula fez um discurso tradicional. Lembrou da mãe, dona Lindu, disse que não tinha nem colchão forrado com capim em Garanhuns e lembrou das enchentes em São Paulo, para onde se mudou com a família em 1952. "Não me conte história ruim porque eu já vivi", disse."Já acordei com rato em cima da cama para não morrer afogado em época de chuva".
Depois de dizer que fez mais que o governo tucano, Lula deixou o palanque e foi abraçar simpatizantes. Deslocada, Dilma Rousseff ficou no mesmo local até ser chamada por um militante petista para autografar um boné. Ao se aproximar da multidão e do tumulto causado pelo presidente, a ministra foi questionada por um repórter se estava em campanha política.
"Não, meu filho, estou fazendo o PAC", respondeu. A uma pergunta se estava gostando do "clima" do Nordeste, Dilma, suando, disse que estava "um pouco quente". "Estou derretendo", completou, num surpreendente bom humor.
Chamada de mulher "arretada" pelo ministro Geddel Vieira Lima (Integração) e classificada como uma pessoa capacitada para tirar projetos do papel, segundo o governador Eduardo Campos (PSB), Dilma se esforçou para discursar para a comunidade do Jordão, um dos bairros mais pobres do Recife.
"Estamos trabalhando para que, em Pernambuco, nenhum candeeiro esteja aceso até 2010", disse a ministra, repetindo discurso tradicional do chefe dela nos grotões. Depois, ela usou a metáfora da locomotiva, para explicar os vários "vagões", isto é, os vários setores beneficiados pelo PAC.
A ministra, porém, evitou beijar crianças, prática política que faz parte do arsenal dos candidatos e que Lula nunca teve vergonha de assumir. Um teste de fogo para a ministra, segundo assessores que estavam na comitiva, foi o momento em que uma menina do bairro foi levada até o palco para cumprimentar o presidente.
Lula beijou a criança, que antes resistiu à idéia de adultos de levá-la até o palanque, sendo imitado pelo casal Eduardo e Renata Campos e outras autoridades. Dilma não beijou a menina e se limitou a um sorriso contido, sem se aproximar da criança.
O PT de Vitória de Santo Antão, cidade a 55 quilômetros do Recife, levou 350 pessoas com camisas de apoio ao presidente, usada na última campanha. "Brasil pede, fica Lula", destacava a inscrição. O kit petista incluía ainda bonés da Caixa Econômica Federal.
Fonte: Tribuna da Imprensa
A uma platéia de 3.500 pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, o presidente fez ataques aos adversários e, ao lado de Dilma, afirmou que elegerá o sucessor na próxima eleição. "A oposição pensa que vai eleger o (meu) sucessor, mas pode tirar o cavalinho da chuva porque vamos fazer a sucessão para continuar governando este País", afirmou.
"Se alguém pensa que vai atrapalhar o projeto de desenvolvimento, pode saber que terá de lutar e trabalhar muito", afirmou. "Só fazendo discursos, não vai nos derrotar". Numa espécie de apresentação do Nordeste à ministra, Lula avisou que fará um tour pela região e depois percorrerá os demais estados do País.
"Meus adversários vão dizer: 'Ele está em campanha, está em campanha.' Não estou em campanha, não, porque não posso concorrer", disse. "Agora, se acham que vou ficar em Brasília ouvindo discursos, podem fazer quantos discursos quiserem, pois eu vou para a rua ouvir o povo, que eu ganho mais".
Calor
Lula fez um discurso tradicional. Lembrou da mãe, dona Lindu, disse que não tinha nem colchão forrado com capim em Garanhuns e lembrou das enchentes em São Paulo, para onde se mudou com a família em 1952. "Não me conte história ruim porque eu já vivi", disse."Já acordei com rato em cima da cama para não morrer afogado em época de chuva".
Depois de dizer que fez mais que o governo tucano, Lula deixou o palanque e foi abraçar simpatizantes. Deslocada, Dilma Rousseff ficou no mesmo local até ser chamada por um militante petista para autografar um boné. Ao se aproximar da multidão e do tumulto causado pelo presidente, a ministra foi questionada por um repórter se estava em campanha política.
"Não, meu filho, estou fazendo o PAC", respondeu. A uma pergunta se estava gostando do "clima" do Nordeste, Dilma, suando, disse que estava "um pouco quente". "Estou derretendo", completou, num surpreendente bom humor.
Chamada de mulher "arretada" pelo ministro Geddel Vieira Lima (Integração) e classificada como uma pessoa capacitada para tirar projetos do papel, segundo o governador Eduardo Campos (PSB), Dilma se esforçou para discursar para a comunidade do Jordão, um dos bairros mais pobres do Recife.
"Estamos trabalhando para que, em Pernambuco, nenhum candeeiro esteja aceso até 2010", disse a ministra, repetindo discurso tradicional do chefe dela nos grotões. Depois, ela usou a metáfora da locomotiva, para explicar os vários "vagões", isto é, os vários setores beneficiados pelo PAC.
A ministra, porém, evitou beijar crianças, prática política que faz parte do arsenal dos candidatos e que Lula nunca teve vergonha de assumir. Um teste de fogo para a ministra, segundo assessores que estavam na comitiva, foi o momento em que uma menina do bairro foi levada até o palco para cumprimentar o presidente.
Lula beijou a criança, que antes resistiu à idéia de adultos de levá-la até o palanque, sendo imitado pelo casal Eduardo e Renata Campos e outras autoridades. Dilma não beijou a menina e se limitou a um sorriso contido, sem se aproximar da criança.
O PT de Vitória de Santo Antão, cidade a 55 quilômetros do Recife, levou 350 pessoas com camisas de apoio ao presidente, usada na última campanha. "Brasil pede, fica Lula", destacava a inscrição. O kit petista incluía ainda bonés da Caixa Econômica Federal.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Fernando Henrique faz desafio a Lula
SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) cobrou ontem a abertura dos gastos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após participar de conferência na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre marco regulatório, ele provocou. "Se eu fosse o presidente Lula, eu diria: 'venham ver o que eu fiz com o dinheiro, como é que foi gasto', não tem problema nenhum. Abre, mostra, é melhor. Não é preciso fazer dessa questão um cavalo de batalha".
A respeito de sua gestão, FHC disse que suas contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e "que o resto é onda para disfarçar" o fato de que na atual gestão o número de cartões corporativos foi multiplicado por dez e há um elevado volume de recursos sacados em dinheiro.
"Esses são fatores concretos que deram origem à CPI, o resto é exploração política. Com relação ao passado, não tem nada determinado, é mera exploração política", emendou. Apesar das críticas sobre o aumento do número de cartões corporativos no atual governo e dos saques em dinheiro, o ex-presidente tucano diz que essa é uma forma correta de controle dos gastos públicos.
"O cartão corporativo é bom porque deixa registrado quem fez e porque fez. O que é errado é pegar o cartão corporativo e usar para sacar dinheiro e não explicar". Ao cobrar do presidente Lula a abertura dos gastos, FHC disse que é um equívoco dizer que existe conta sigilosa ou secreta da Presidência da República.
"Eu não abri (as minhas contas), elas sempre estiveram abertas. Criou-se uma noção equivocada, não existe conta secreta ou sigilosa da Presidência e tampouco das contas pessoais, porque não se pode usar recursos públicos para o pagamento de contas pessoais. Se houver recurso público para pagamento de conta pessoal, não pode, está errado", argumentou.
Defesa
O ex-presidente disse que ficou "constrangido" com a forma como uma revista semanal divulgou suas contas. E contestou as informações publicadas, dizendo que no caso dos champanhes, não foi gasto pessoal seu e nem de eleição. "Foi gasto protocolar, houve uma recepção da posse, com champanhe nacional, coisa protocolar".
FHC também refutou a divulgação dos gastos de sua esposa, Ruth Cardoso. "Disseram que ela gastou com um presente em visita à Colômbia. Não foi ela, se gastou foi o cerimonial para retribuir o presente (concedido à esposa de um chefe de Estado), coisa normal, não é gasto pessoal".
FHC disse que esse tipo de informação tem de ser divulgado "direitinho e não da maneira errada como foi feito, para não dar a falsa sensação de que se está usando mal os recursos públicos".
Fonte: Tribuna da Imprensa
A respeito de sua gestão, FHC disse que suas contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e "que o resto é onda para disfarçar" o fato de que na atual gestão o número de cartões corporativos foi multiplicado por dez e há um elevado volume de recursos sacados em dinheiro.
"Esses são fatores concretos que deram origem à CPI, o resto é exploração política. Com relação ao passado, não tem nada determinado, é mera exploração política", emendou. Apesar das críticas sobre o aumento do número de cartões corporativos no atual governo e dos saques em dinheiro, o ex-presidente tucano diz que essa é uma forma correta de controle dos gastos públicos.
"O cartão corporativo é bom porque deixa registrado quem fez e porque fez. O que é errado é pegar o cartão corporativo e usar para sacar dinheiro e não explicar". Ao cobrar do presidente Lula a abertura dos gastos, FHC disse que é um equívoco dizer que existe conta sigilosa ou secreta da Presidência da República.
"Eu não abri (as minhas contas), elas sempre estiveram abertas. Criou-se uma noção equivocada, não existe conta secreta ou sigilosa da Presidência e tampouco das contas pessoais, porque não se pode usar recursos públicos para o pagamento de contas pessoais. Se houver recurso público para pagamento de conta pessoal, não pode, está errado", argumentou.
Defesa
O ex-presidente disse que ficou "constrangido" com a forma como uma revista semanal divulgou suas contas. E contestou as informações publicadas, dizendo que no caso dos champanhes, não foi gasto pessoal seu e nem de eleição. "Foi gasto protocolar, houve uma recepção da posse, com champanhe nacional, coisa protocolar".
FHC também refutou a divulgação dos gastos de sua esposa, Ruth Cardoso. "Disseram que ela gastou com um presente em visita à Colômbia. Não foi ela, se gastou foi o cerimonial para retribuir o presente (concedido à esposa de um chefe de Estado), coisa normal, não é gasto pessoal".
FHC disse que esse tipo de informação tem de ser divulgado "direitinho e não da maneira errada como foi feito, para não dar a falsa sensação de que se está usando mal os recursos públicos".
Fonte: Tribuna da Imprensa
Presidente dá nova versão para o caso Severino
RECIFE - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou ontem uma nova versão para um capítulo recente da política. Em discurso no bairro do Jordão, periferia da capital pernambucana, ele disse que o conterrâneo e ex-deputado Severino Cavalcanti (PP) foi derrubado do cargo de presidente da Câmara pelas elites paulista e paranaense. "Eu continuo tendo o mesmo respeito hoje que eu tinha por você há muito tempo, porque a relação humana não é feita apenas do momento", ressaltou Lula. "A relação humana é feita de forma mais sadia".
Presente à solenidade de anúncio de repasse de R$ 465 milhões do governo federal para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Pernambuco, Severino Cavalcanti está no ostracismo político desde setembro de 2005, quando renunciou à cadeira de parlamentar sob acusação de ter cobrado propina.
Ele foi acusado pelo empresário Sebastião Buani de comandar um "mensalinho", que era a cobrança de uma mensalidade de R$ 10 mil para manter a concessão de um restaurante na Câmara. Em 2006, tentou sem sucesso se eleger deputado. A versão conspiratória do presidente da República não bate com os fatos apurados e confirmados pelas investigações da polícia e do Ministério Público.
Uma das provas da cobrança de propina por Severino foi o cheque de Buani, no valor de R$ 7,5 mil, descontado em julho de 2002 por uma secretária do então presidente da Câmara. Rastreando a movimentação bancária, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) descobriu que na seqüência do saque havia uma operação de depósito do dinheiro na conta do próprio deputado.
Ontem, Lula retribuiu a Severino a adesão ao governo dias depois da surpreendente disputa na Câmara, no início de 2005, quando o então deputado do PP derrotou o candidato do Planalto Luiz Eduardo Greenhalgh. "Estou vendo ali um homem que foi presidente da Câmara", disse o presidente.
"Ele foi eleito porque nossa oposição queria derrotar o governo, achando que o Severino ia ser contra o governo", afirmou. "Elegeram o Severino, mas não levou muito tempo para eles perceberam que o Severino não era oposição".
Lula afirmou que os adversários derrubaram Severino com a mesma facilidade com que o elegeram. "Certamente, aquelas partes da elite paulista e do Paraná que o convidavam para fazer palestra toda semana, para falar mal de alguns projetos, hoje, se o encontrar na rua, não cumprimenta", disse o presidente.
Em seguida, Lula disse que a oposição só "endeusa" pobre em época de eleição e trata o eleitor das camadas mais carentes como "fatia de mortadela". Ele atacou o governo passado (FHC), acusando os adversários de maltratar os pobres. "A hipocrisia deste País deixou grande parte da população marginalizada", afirmou.
O presidente ainda comentou que os primeiros quatro anos de governo foram "amargos" e que não gosta de reclamar dos problemas. "A vida humana é muito curta, a gente vive em média até 71 anos. Temos de ter muita esperança e fé", disse. "O que salva é a fé que o povo tem em Deus".
Fonte: Tribuna da Imprensa
Presente à solenidade de anúncio de repasse de R$ 465 milhões do governo federal para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Pernambuco, Severino Cavalcanti está no ostracismo político desde setembro de 2005, quando renunciou à cadeira de parlamentar sob acusação de ter cobrado propina.
Ele foi acusado pelo empresário Sebastião Buani de comandar um "mensalinho", que era a cobrança de uma mensalidade de R$ 10 mil para manter a concessão de um restaurante na Câmara. Em 2006, tentou sem sucesso se eleger deputado. A versão conspiratória do presidente da República não bate com os fatos apurados e confirmados pelas investigações da polícia e do Ministério Público.
Uma das provas da cobrança de propina por Severino foi o cheque de Buani, no valor de R$ 7,5 mil, descontado em julho de 2002 por uma secretária do então presidente da Câmara. Rastreando a movimentação bancária, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) descobriu que na seqüência do saque havia uma operação de depósito do dinheiro na conta do próprio deputado.
Ontem, Lula retribuiu a Severino a adesão ao governo dias depois da surpreendente disputa na Câmara, no início de 2005, quando o então deputado do PP derrotou o candidato do Planalto Luiz Eduardo Greenhalgh. "Estou vendo ali um homem que foi presidente da Câmara", disse o presidente.
"Ele foi eleito porque nossa oposição queria derrotar o governo, achando que o Severino ia ser contra o governo", afirmou. "Elegeram o Severino, mas não levou muito tempo para eles perceberam que o Severino não era oposição".
Lula afirmou que os adversários derrubaram Severino com a mesma facilidade com que o elegeram. "Certamente, aquelas partes da elite paulista e do Paraná que o convidavam para fazer palestra toda semana, para falar mal de alguns projetos, hoje, se o encontrar na rua, não cumprimenta", disse o presidente.
Em seguida, Lula disse que a oposição só "endeusa" pobre em época de eleição e trata o eleitor das camadas mais carentes como "fatia de mortadela". Ele atacou o governo passado (FHC), acusando os adversários de maltratar os pobres. "A hipocrisia deste País deixou grande parte da população marginalizada", afirmou.
O presidente ainda comentou que os primeiros quatro anos de governo foram "amargos" e que não gosta de reclamar dos problemas. "A vida humana é muito curta, a gente vive em média até 71 anos. Temos de ter muita esperança e fé", disse. "O que salva é a fé que o povo tem em Deus".
Fonte: Tribuna da Imprensa
Pertence: "Juízes banalizaram autorização de grampos"
BRASÍLIA - José Paulo Sepúlveda Pertence, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), corte que integrou durante 18 anos, revelou ontem à CPI dos Grampos, na Câmara, que são numerosos os casos que passaram por suas mãos em que juízes autorizaram interceptação telefônica amparados em "meros expedientes policiais".
"Há uma banalização da própria autorização judicial para a escuta", condenou Pertence, referindo-se à insuficiência de dados e argumentos da polícia ao apresentar os requerimentos de escuta. "Isso tem se tornado cada vez mais o início de investigações e não, como exige a lei, o último recurso a ser utilizado. É dramático porque a autorização há de ser cercada de cautelas".
O ex-ministro, que atualmente preside a Comissão de Ética Pública da Presidência da República, foi convidado para depor na CPI que investiga a indústria do grampo no País porque ele próprio foi vítima de diálogo de terceiros, que teriam usado seu nome para obter vantagem em dinheiro de um grupo interessado em um processo no Supremo do qual era relator.
Pertence contou que ficou perplexo com a informação divulgada pelo relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), de que 4 milhões de brasileiros estariam sob escuta. "É estarrecedor, um abuso intolerável no Estado de Direito", reagiu. O relator disse que sua informação é baseada em "um cálculo simples, mas bem razoável".
As operadoras de telefonia comunicaram à CPI que, no ano passado, instalaram 409 mil grampos por ordem judicial em todo o País. "Imagine-se que cada alvo grampeado ligue ou receba no mínimo 10 ligações por dia, o que é muito provável", disse ele. "Na prática, essas pessoas que com o investigado mantiveram contato também foram interceptadas".
No depoimento, Pertence também recriminou a atuação dos analistas policiais que levam ao inquérito resumos dos telefonemas interceptados. O risco, na sua avaliação, está na interpretação que esses agentes dão ao material que transcrevem. "Existem grampos que duram 900 horas!", observou. "Nenhum indivíduo pode ser objeto de uma devassa interminável".
Vazamento
Sobre o vazamento de trechos de grampos para a imprensa, ele anotou: "É um problema ético da imprensa a divulgação de escutas cujo contexto, muitas vezes, o próprio veículo desconhece. O sujeito da obrigação de manter o sigilo judicial ou policial é o agente público".
Hoje, integrantes da CPI vão ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para se informar sobre o anteprojeto do governo que trata da interceptação telefônica. A proposta do Planalto prevê a destruição das fitas após dois meses de uso do seu conteúdo e responsabilização penal para quem violar o compromisso de sigilo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
"Há uma banalização da própria autorização judicial para a escuta", condenou Pertence, referindo-se à insuficiência de dados e argumentos da polícia ao apresentar os requerimentos de escuta. "Isso tem se tornado cada vez mais o início de investigações e não, como exige a lei, o último recurso a ser utilizado. É dramático porque a autorização há de ser cercada de cautelas".
O ex-ministro, que atualmente preside a Comissão de Ética Pública da Presidência da República, foi convidado para depor na CPI que investiga a indústria do grampo no País porque ele próprio foi vítima de diálogo de terceiros, que teriam usado seu nome para obter vantagem em dinheiro de um grupo interessado em um processo no Supremo do qual era relator.
Pertence contou que ficou perplexo com a informação divulgada pelo relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), de que 4 milhões de brasileiros estariam sob escuta. "É estarrecedor, um abuso intolerável no Estado de Direito", reagiu. O relator disse que sua informação é baseada em "um cálculo simples, mas bem razoável".
As operadoras de telefonia comunicaram à CPI que, no ano passado, instalaram 409 mil grampos por ordem judicial em todo o País. "Imagine-se que cada alvo grampeado ligue ou receba no mínimo 10 ligações por dia, o que é muito provável", disse ele. "Na prática, essas pessoas que com o investigado mantiveram contato também foram interceptadas".
No depoimento, Pertence também recriminou a atuação dos analistas policiais que levam ao inquérito resumos dos telefonemas interceptados. O risco, na sua avaliação, está na interpretação que esses agentes dão ao material que transcrevem. "Existem grampos que duram 900 horas!", observou. "Nenhum indivíduo pode ser objeto de uma devassa interminável".
Vazamento
Sobre o vazamento de trechos de grampos para a imprensa, ele anotou: "É um problema ético da imprensa a divulgação de escutas cujo contexto, muitas vezes, o próprio veículo desconhece. O sujeito da obrigação de manter o sigilo judicial ou policial é o agente público".
Hoje, integrantes da CPI vão ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para se informar sobre o anteprojeto do governo que trata da interceptação telefônica. A proposta do Planalto prevê a destruição das fitas após dois meses de uso do seu conteúdo e responsabilização penal para quem violar o compromisso de sigilo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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