quinta-feira, março 20, 2008
O despertar dos companheiros
BRASÍLIA - Em política, as surpresas vÊm de onde menos se espera, diria o presidente Lula num de seus improvisos, porque em caso contrário não seriam surpresas. É preciso analisar com mais profundidade a vitória da deputada Maria do Rosário nas prévias realizadas pelo PT, em Porto Alegre, para a escolha do candidato a prefeito.
Desembarcaram na capital gaúcha os ministros Dilma Rousseff e Tarso Genro, unindo suas forças a líderes como Olívio Dutra e Raul Pont. Contaram com o apoio não só de Ricardo Berzoini, presidente nacional do partido, mas, dizem, até do presidente Lula. Todos fechados com Miguel Rossetto, ex-ministro da Reforma Agrária e expoente do petismo gaúcho.
Pois bem: na hora de contar os votos, ganhou a deputada Maria do Rosário, ainda que por pequena margem. Significa o que, essa derrota dos caciques?
Pode significar muita coisa, começando pela chamada à ordem dos dirigentes, pelas bases. Tem muita coisa que os companheiros não entendem. Outras, que entendem muito bem. Onde foi parar aquela legenda que se propunha mudar não apenas o País, mas o mundo? Apesar da intensa propaganda distribuída de Brasília, parte do PT aburguesou-se.
Para acompanhar o governo, quantos dirigentes tornaram-se neoliberais, apoiando e até justificando o abominável lucro dos bancos, as benesses concedidas aos especuladores, a submissão aos organismos financeiros internacionais, o arrocho salarial dos trabalhadores, as reformas elitistas e, acima de tudo, a imobilidade diante das teses e dos objetivos que marcaram a fundação do PT?
As conseqüências começam a aparecer. Nas bases, e não apenas de Porto Alegre, mas de todas as capitais e principais cidades, verifica-se primeiro o inconformismo. A próxima etapa será o racha. Tudo dentro de uma estratégia racional, a de que só se muda o rumo do barco tomando o seu leme. Não deu nem dará certo a opção da retirada, como tentou Heloísa Helena, para fundar o Psol, apenas mais um pequeno apêndice. A reação das bases petistas começam a acontecer nos limites do partido. Se vai dar certo ou não, é outra história. É bom prestar atenção.
Vão entregar o ouro
No PSDB de São Paulo, registra-se um ataque de burrice. Os tucanos paulistanos não se entendem quanto à escolha do candidato a prefeito da capital. A bancada de vereadores acaba de apoiar Gilberto Kassab, do DEM, certamente em atenção ao Diário Oficial gerido pelo governador José Serra.
Em oposição à executiva estadual do partido fala até em punição para os kassabistas, por descumprirem os estatutos que proíbem apoio a alienígenas. Os caciques dividem-se entre ficar com Serra (e Kassab) ou integrar-se na campanha de Geraldo Alckmin. Os mais radicais, de um lado e de outro, falam até em cruzar os braços se o candidato vir a ser o adversário.
Enquanto isso, cresce o nome de Marta Suplicy, que estaria fragorosamente derrotada, caso os tucanos se tivessem apresentado unidos desde o começo. Ela perderia para Alckmin ou para Kassab na hipótese de um deles ter sido definido desde o começo do ano. Ainda mais porque outra estranha aliança começa a surgir na paulicéia: o PMDB de Orestes Quércia propõe-se a apoiar Marta, desde que indique o candidato a vice.
Não é raro ver na política de São Paulo campanhas tidas como vitoriosas terminarem em fracasso total. O problema, no caso, é que se José Serra for derrotado na proposta de fazer Kassab o candidato, respingos cairão sobre sua candidatura presidencial, em 2010. Precisamente o que deseja o governador Aécio Neves, intrometido cabo eleitoral de Geraldo Alckmin...
Não se emendam
Para continuarmos nas eleições municipais de outubro, há que voltar a atenção para o Rio. Lá, as esquerdas continuam as mesmas. Não se emendam. Preferem dividir-se e perder do que se unir e aspirar à vitória. Fernando Gabeira, Chico Alencar e Jandira Feghalli parecem intransigentes. Aceitam a união, desde que se faça em torno de seu nome. Resultado: numa cidade sempre voltada para as esquerdas, o risco será da eleição de um adversário incapaz de se apresentar como da direita, mas, na realidade, constituindo-se na própria...
Enxugando gelo e ensacando fumaça
Reuniram-se esta semana as bancadas do PT e do PSDB na Câmara, claro que em separado, mas com um objetivo comum: debater a reforma tributária. Os companheiros ouviram longas perorações do ministro Guido Mantega. Os tucanos, sem a interferência do governo.
Concluíram alguma coisa? Nem pensar. Ficaram de reunir-se outras vezes, formar grupos de trabalho, designar comissões para ouvir governadores e outras práticas protelatórias. Não há hipótese de chegarem a uma pauta mínima, sequer um ponto de partida em torno do projeto oficial, exceção às exortações permanentes de que a reforma tributária precisa ser feita.
Parece óbvio faltar ao governo um maestro, um comandante, alguém capaz de falar em nome do presidente Lula e de centralizar os entendimentos, mesmo lentos e difíceis, mas capazes de avançar em torno de propostas aceitas pela maioria parlamentar.
Esse nome existe, chama-se Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda desafortunadamente catapultado do poder por grotesco episódio envolvendo a quebra do sigilo bancário de um caseiro. Deputado Federal, Palocci é respeitado como alguém que botou ordem nas finanças nacionais e até despontava, não fosse o imprevisto, como forte candidato à sucessão de Lula. Caso não venha a ser entronizado de modo formal pelo chefe do governo, detendo poder efetivo, a reforma tributária continuará um infindável exercício de enxugar gelo e ensacar fumaça.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Presidente do STF defende limite para MPs
Em sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em que foi aprovado para presidir o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o ministro afirmou que o sistema atual, sem limitação para a edição de MPs e com o trancamento da pauta do plenário "é fazer roleta-russa com todas as balas no revólver".
Por isso, defendeu que o Executivo possa editar um número limitado de medidas provisórias por ano. Hoje, depois de 45 dias sem ser votada uma MP impede outras votações. "É preciso encontrar um limite. Caberia ao Congresso criar uma fórmula", sugeriu. "A partir daí, o modelo levaria à descapitalização daquele que tem o poder-dever de editar a MP".
Apesar dessa crítica, o ministro se disse favorável às medidas provisórias. Ele afirmou que, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, quando era advogado-geral da União, vivenciou crises sérias em que as MPs foram vitais. "Quem vivenciou esse tipo de situação sabe que a medida provisória é fundamental para a governabilidade", declarou.
Foro privilegiado
Além das medidas provisórias, Gilmar Mendes disse que o foro privilegiado também é necessário para a governabilidade. Sem o direito de ser julgado apenas pelo Supremo, o presidente da República, deputados, senadores e ministros de Estado teriam de responder ações o tempo todo na Justiça, segundo ele.
"Não imagino como o presidente Lula teria condições de sair pelo Brasil afora se não tivesse prerrogativa de foro. Ele teria de dar depoimento em todas as delegacias. Não me parece que seja isso que queremos", ponderou. "Se engendraria inquéritos e denúncias por todo o País. É isso que se quer?"
Caso o ato questionado na Justiça tenha sido praticado pela autoridade durante o mandato, o ministro defende que o processo prossiga no Supremo mesmo depois da perda do cargo. Isso evitaria que ações contra parlamentares, por exemplo, voltassem à primeira instância com o fim de seus mandatos, o que poderia contribuir para a prescrição dos processos.
Durante a sessão da CCJ, o novo presidente do STF defendeu que o Judiciário não interfira no funcionamento do Legislativo. Porém, disse que o Supremo pode corrigir eventuais excessos do Congresso Nacional. "O Judiciário não substitui o Legislativo. Ele pode agir aqui e acolá para fazer eventuais correções de rumo do chamado excesso do Poder Legislativo", disse, sem especificar quais seriam esses excessos.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Saques em dinheiro serão divulgados na internet
Ao enfatizar que o governo já determinou a limitação em 30% dos saques com os cartões, o que, segundo ele, deverá ocorrer até junho, Hage afirmou que a divulgação dos saques significará "80% a 90%" de transparência nos suprimentos de fundos.
Tanto Hage quando o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que depôs logo em seguida, defenderam a utilização de cartões corporativos como mecanismo de gastos transparentes no controle das despesas públicas. O ministro da CGU rebateu acusações de que o cartão seja uma espécie de benesse para os servidores.
"O cartão corporativo não é empresarial, não é complemento de renda. Nada disso. É apenas um meio mais moderno para evitar o talão de cheque", afirmou. Bernardo foi além: "As contas tipo B têm de acabar. São da época dos dinossauros".
Hage também minimizou a polêmica sobre os gastos sigilosos com os cartões corporativos. Segundo ele, somente 5% do número de transações efetuadas com os cartões são sigilosos. "Mesmo assim, essas despesas são auditadas por órgãos de controle. Elas apenas não podem ser disponibilizadas na internet", afirmou.Diárias
Hage confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara para os próximos dias um decreto em que reedita a prática de conceder diárias fixas para ministros. "A diária de valor fixo é o melhor mecanismo. Há consenso no governo sobre isso e a extinção dela, no passado, não passou de medida demagógica, farisaica e hipócrita", observou.
Para ele, com a diária, se um ministro quiser ficar em um hotel de melhor qualidade "paga a diferença do próprio bolso". Ao responder as dúvidas de deputados e senadores, Hage rejeitou a proposta feita na véspera pelo procurador do Ministério Público no Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Eduardo Marsico.
Em depoimento na CPI, Marsico propôs a suspensão imediata do uso dos cartões corporativos. Hage classificou a proposta de "atitude inconseqüente e inqualificável". Para detalhar os gastos do governo com os cartões, o ministro da CGU utilizou transparências e afirmou que houve o incremento do uso dos cartões corporativos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conseqüência de uma decisão do próprio Executivo de ampliar o mecanismo.
Segundo dados apresentados por Hage, em 2002, apenas R$ 3,6 milhões foram gastos com os cartões. No ano passado, esse valor chegou a R$ 78 milhões. "Em 2001 e 2002, o uso foi praticamente nenhum. O atual governo estimulou o uso para substituir as contas tipo B", frisou. O ministro também criticou a divulgação de informações do Portal da Transparência pela imprensa sem ahttp://www.blogger.com/post-create.g?blogID=25162499 comprovação efetiva dos gastos.
De acordo com o ministro, apenas 4% das denúncias divulgadas publicamente foram contabilizadas pela CGU como gastos não justificados. Ele citou casos de denúncias inequívocas, como a da compras em uma loja "Império da Pelúcia". Lá, segundo ele, foram adquiridos material para curso de barbeiro da Marinha. "Independente do caráter folclórico, todas as denúncias da imprensa são investigadas pela CGU", assegurou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Presidente da CPI dos Cartões ameaça deixar cargo
"Se os requerimentos forem aprovados (na semana que vem), a CPI continua. Vamos bater em cima até quebrar o sigilo. Tenho sentido que a base governista não tem muito interesse em aprofundar as investigações, mas nós temos de chegar aonde temos de chegar. Não estou aqui para brincar de senadora", avisou, minutos antes de entrar na sala da CPI e começar a ouvir o depoimento do ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage.
O baixo quorum durante toda a sessão de ontem - foram sete horas de depoimento - evidenciou ainda mais o pouco interesse que governistas e até oposicionistas têm de avançar nas investigações sobre o mau uso dos cartões.
Na maior parte do tempo, a CPI contou com a presença de apenas 10 parlamentares - ao todo, 24 parlamentares compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito. No período da tarde, enquanto quem dava explicações era o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a situação era ainda mais crítica.
Ele falou praticamente para as paredes: seis deputados e nenhum senador ouviram quase toda sua explanação. As falas tanto de Hage quanto de Bernardo pouco acrescentaram. Eles se limitaram a falar sobre o uso do cartão pelo Executivo.
quarta-feira, março 19, 2008
Seu carro foi clonado? Veja o que fazer
Fonte: Abrastran
Campanha conscientiza população sobre prevenção do câncer de intestino
Fonte: A TARDE
PT sela a paz e quer discutir Salvador
Justiça promove campanha sobre mesário voluntário
Com o objetivo de estimular a participação cívica e qualificação dos mesários, o Tribunal Regional Eleitoral baiano lançou ontem, para diretores e reitores das Universidades e Instituições de ensino superior, a Campanha Mesário Voluntário. A intenção é estabelecer parcerias para que estudantes participem da Campanha, de forma a atrair um perfil de mesários capacitados a lidar com a tecnologia das urnas eletrônicas, com a expectativa de contribuir para a celeridade do processo e redução de abstenção. Durante o evento de ontem, reitores e diretores das instituições de ensino superior, discutiram formas de garantir benefícios aos que participarem. Aderiram à campanha, a Universidade Salvador (Unifacs), Faculdades Integradas Olga Metting, Faculdades Delta, Faculdade de Ciências Gerenciais da Bahia (Unicenid), Faculdades Montessoriano, além da Rui Barbosa. De acordo com a coordenadora do projeto, Ana Amoedo, os termos de adesão garantem “reconhecer as horas trabalhadas na mesa receptora de votos como atividade extra curricular ou complementar”. O problema é que com a implantação da urna eletrônica, os mesários tornaram-se usuários de um computador, equipamento que exige desenvoltura, capacidade de iniciativa e cuidados dos seus operadores. Mas apesar de orientados, muitos não demonstram habilidade e segurança para lidar com eventuais ocorrências durante o dia da eleição, o que interfere na celeridade do processo de totalização dos votos. A Campanha já representa uma realidade, com o resultado animador em experiência na última eleição, em Vitória da Conquista, quando cerca de 10% dos mesários se inscreveram voluntariamente. A aposta é conquistar mesários voluntários oriundos do serviço público, universitários e secundaristas. O TRE convoca cerca de 220 mil mesários em todo o Estado a cada eleição, destes, 40 mil só em Salvador. Para quem desejar participar espontaneamente, a Justiça Eleitoral garante a oferta de auxílio alimentação diário no valor de R$12,00 e dois dias de folga para cada dia de trabalho durante processo eleitoral. As fichas de inscrição para Mesário Voluntário já estão disponíveis nos cartórios eleitorais onde o candidato está inscrito ou através do site www.tre-ba.gov.br. (Por Livia Veiga)
Burocracia impede Olívia de assumir liderança da oposição
E continua o impasse na Câmara Municipal de Salvador sobre a liderança da bancada de oposição. De um lado o atual líder da minoria, vereador Paulo Magalhães Júnior, (DEM), que substituiu, com acordo feito pela bancada, no dia 1ª de Janeiro, o vereador Téo Senna (PTC). Do outro, doze vereadores da bancada de oposição independente, formada pelos partidos PSDB, PCdoB, PSB e PPS, que aguardam há uma semana a homologação compulsória e a publicação no Diário Oficial do Município da mudança na liderança do Bloco, decidida em reunião realizada no dia 05 de março. A bancada entregou um ofício à presidência da Câmara Municipal do Salvador no dia 11, comunicando a escolha do nome da vereadora Olívia Santana (PCdoB) como líder da oposição. O presidente da Casa, Valdenor Cardoso (PTC), afirmou que pretende dividir a decisão com a Mesa Diretora da Câmara. A bancada independente questionou a decisão de Cardoso afirmando que feriria o Regimento Interno, que determina que “as representações partidárias dos partidos de oposição poderão escolher, por maioria entre os seus membros, o líder das oposições, atribuindo-lhe as prerrogativas conferidas aos demais líderes”. “A conjuntura política mudou e a bancada não se sente mais representada por esses líderes. Os ideais deles não correspondem aos interesses da maioria dos vereadores que compõem o bloco”, justificou Olívia Santana. (Por Carolina Parada)
PMDB lança curso de formação política
A Fundação Ulysses Guimarães, FUG, entidade criada pelo PMDB para o debate e a formação do pensamento político, lançou em Feira de Santana, o Curso de Formação Política pelo método de Educação a Distância (EAD) para a Bahia. O encontro reuniu cerca de 100 representantes de diversas regiões do estado. Através do Curso de Formação Política, os filiados ao partido poderão atualizar os conhecimentos ou se capacitar para a atividade política, afinando-se com a linha política pregada pelo PMDB. O ato de lançamento contou com a participação de inúmeras lideranças do partido no interior do Estado, dentre elas Alexsandro Freitas, representante do município de Ibirataia, Alessandro Abreu de Euclides da Cunha e Nestor Neto, representantes do PMDB Jovem da mesma cidade.
Fonte: Tribuna da Bahia
A China que se cuide
BRASÍLIA - Vale o preâmbulo de que toda nação tem direito à autodeterminação. Quando submetida ou subjugada por outra, caracteriza-se violência inadmissível, a menos que seu povo careça de condições econômicas, políticas e culturais de governar-se sozinho.
O Tibet, tradicionalmente, forma uma nação e vem sendo dominado pela China há décadas ou, se quiserem, há séculos. Têm os tibetanos o direito indiscutível de independência. Só que surge um problema: por que, de repente, eclode não apenas no Tibet, mas no mundo inteiro, intensa campanha de resistência e até de rebelião contra o governo de Pequim?
Certas coisas não acontecem de graça. A China incomoda meio mundo ou mais. Aliás, já incomodava desde 1949, quando Mao Tse-Tung tomou o poder e estabeleceu o comunismo à moda chinesa, mais duro e inflexível do que outros espalhados pelo planeta.
Mesmo agora admitindo uma espécie de capitalismo singular, ou por causa disso, a China entrou feito faca na manteiga na economia ocidental. Através de suas multinacionais, as grandes potências financeiras aceitaram, até porque tiraram e tiram proveito das mudanças promovidas por Deng Xiao Ping.
Afinal, a mão-de-obra que utilizam em território chinês é infinitamente pior remunerada do que em seus países de origem. Ganham rios de dinheiro, as multinacionais e a China, mas o crescimento econômico e político de nossos antípodas, importa repetir, incomoda e significa um perigo dos diabos para o capitalismo mundial, nas próximas décadas.
Assim... Assim, interessa aos incomodados criar dificuldades e reduzir ao máximo a influência chinesa no mundo. Que melhor oportunidade haveria do que desacreditar a China e seu regime do que quando mais um passo significativo está prestes a ser dado para ampliar sua presença em todos os continentes? Qual? Ora, as Olimpíadas.
Explica-se, por aí, a crise no Tibet. De repente, os vassalos do Dalai-Lama vão para as ruas em suas principais cidades, protestando contra a dominação chinesa. Mais estranho ainda, em todas as capitais da Europa e adjacências multidões invadem as embaixadas da China, queimam suas bandeiras e, como por milagre, acenam com milhares de bandeiras do Tibet, costuradas e distribuídas sabe-se lá por quem.
Corrigindo, sabe-se muito bem: pelos artífices da política de dominação elaborada nas sombras, nos becos inidentificáveis e nos gabinetes secretos e refrigerados dos donos do poder mundial. Os mesmos que fomentam rebeliões onde quer que surjam obstáculos à sua prevalência universal. No caso, não apenas rebeliões armadas, mas movimentos culturais, religiosos, familiares, sociais e congêneres.
Agiram com sucesso para derrubar o Muro de Berlim e levar a União Soviética à extinção. Não que aquela nação deixasse de dar motivos para ser relegada ao lixo da História, mas até o Papa João Paulo II integrou-se na conspiração. Tinham feito o mesmo no Chile, na Guatemala, até no Brasil, só para ficarmos nos tempos modernos.
Parece óbvio que não podem virar a China de cabeça para baixo, mas terão sucesso parcial se puderem criar empecilhos ao seu crescimento e à sua influência, fomentando insurreições como a que acontece no Tibet, tudo com o objetivo de travar e até desmoralizar a nova superpotência. Em especial, repete-se, às vésperas da Olimpíada que fará o mundo curvar-se à eficiência e à determinação dos chineses.
Em suma, tem azeitona nessa empada, com a evidente colaboração da mídia internacional. Erra quem supuser apenas uma operação rocambolesca da CIA, porque essa trama envolve muito mais agências, empresas, governos, recursos e quadrilhas. Os instrumentos de conflito são outros, neste início do novo século. Nada de bombas atômicas e batalhas de tanques. Minar os adversários por dentro pode ser mais complicado, ainda que mais eficiente. A China que se cuide.
Jogo de cena
No Congresso, não se encontra um só parlamentar que concorde, retoricamente, com a violência do governo em governar com medidas provisórias. Até o PT se insurge, ainda que apenas no gogó. Todo mundo critica a edição de éditos que não são nem de urgência nem de relevância, como manda a Constituição. Protestam deputados e senadores contra o trancamento das pautas enquanto as medidas provisórias não são votadas. Querem mudar as regras do jogo, ironicamente alternando-se no apoio ou na condenação dessa singular forma de submissão do Poder Legislativo.
O diabo é que nada fazem, quando poderiam fazer. Dormem nas gavetas do Congresso mil e um projetos alterando a sistemática das medidas provisórias. Na hora de dar seguimento às mudanças, encolhe-se a maioria e até segmentos das minorias fazem ouvidos moucos aos próprios reclamos.
O palácio do Planalto dispõe de instrumentos para conter qualquer movimento contrário aos seus interesses. Nomeações, favores, benesses - tudo funciona de acordo com seus objetivos. Se o presidente Lula exige que as coisas continuem como sempre, não há quem ouse enfrentá-lo. Continuará soltando seus ucasses.
Dominação inconcebível
Denunciou a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) que embarcações empenhadas na navegação de cabotagem pagam PIS e Cofins para transportar mercadorias brasileiras de portos brasileiros para portos brasileiros. Apesar de no governo Fernando Henrique ter sido alterada a Constituição, permitindo-se o ingresso de estrangeiros nessa que precisaria ser uma atividade puramente nacional, a navegação de cabotagem representa um dos esteios da soberania do País.
Pois a brava senadora, aliás, de um estado sem litoral, descobriu estarem livres do pagamento do PIS e do Cofins os navios que levarem produtos nacionais para fora, bem como trouxerem de fora produtos estrangeiros. Quer dizer, beneficiamos as multinacionais com isenção fiscal, mas taxamos as empresas nacionais. A atividade que deveria favorecer-nos é punida, mas aquela que concorre contra nós é beneficiada. Trata-se de mais um crime de lesa-pátria dos tempos do sociólogo que permanece sendo praticado no período do torneiro-mecânico.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Lula deixa claro que não abre mão de MPs
CAMPO GRANDE - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Campo Grande, onde deu início a obras de urbanização e saneamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que não se sente sob ameaça do Congresso. Lula foi categórico ao avisar que não pretende abrir mão da edição de medidas provisórias (MPs) - mecanismo que parlamentares contestam.
Qualquer deputado e qualquer senador sabe que é humanamente impossível você governar se não tiver medida provisória. Porque o tempo e a agilidade com que as coisas precisam acontecer, muitas vezes, são mais rápidos do que o tempo das discussões democráticas que são necessárias acontecerem no Congresso".
O presidente reagiu à mobilização de parlamentares de oposição, que articulam trancamento da pauta de votações por causa do excesso de MPs. "Primeiro, não tem ameaça. Eu acho que o Congresso tem de trabalhar de uma forma que se sinta bem. A medida provisória, quando foi instituída, na Constituinte de 88, ela veio porque todos nós estávamos cansados de decreto-lei".
CPMF
Lula aproveitou para ironizar opositores e exumou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que o Senado sepultou em dezembro, ao garantir que vai superar a falta do imposto do cheque. "Se Deus quiser, a economia vai continuar crescendo este ano", disse ao povo da Vila Popular, nos arredores de Campo Grande, que foi aplaudir o presidente e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a quem alguns aclamaram como a sucessora de Lula na Presidência.
"Vocês sabem que no final do ano teve um grupo de pessoas lá no Senado que teve uma imaginação, eu diria, extraordinária", ele prosseguiu. "Resolveram tirar a CPMF do governo. Isso significou menos R$ 120 bilhões para o governo até 2010, dos quais R$ 40 bilhões eram para a saúde".
Sorte
O presidente contou à sua platéia e à sua maneira como os senadores rivais teriam tramado. "As pessoas diziam assim: 'Nós não vamos deixar passar porque imagina se esse Lula tiver R$ 120 bilhões até 2010. Ele vai querer eleger o seu sucessor. Nós temos que derrotá-lo'".
E Lula continuou: "Mas, como eu tenho sorte, eu vou arrecadar os R$ 40 bilhões que eles me tiraram, vou fazer todos os programas que queria fazer na área da saúde e eles vão ficar com muito mais raiva ainda porque as coisas vão acontecer da mesma forma".
O PAC em Mato Grosso do Sul envolve investimentos de R$ 5 bilhões. O prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), presenteou Lula com um rádio de pilhas que afirma ter comprado no camelódromo da cidade que administra. "É para ouvir os jogos do Corinthians na segunda divisão porque a TV nem sempre mostra", disse ao presidente corintiano.
Lula garantiu isenção político-partidária do PAC e divulgou que R$ 12 bilhões estão sendo destinados a dois de seus rivais diretos, os governadores José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas), ambos do PSDB. "Não pensem que são só meus amigos do PT e do PMDB".
E continuou: "O Serra lá em São Paulo, que é nosso adversário, não ele, o partido dele, está recebendo R$ 8 bilhões do PAC. O Aécio Neves, que é do PSDB, está recebendo R$ 4 bilhões. O prefeito Cesar Maia, do Rio, que é do PFL - ainda não aprendi a falar demo, para mim continua sendo PFL - está recebendo muitos bilhões".
Dilma Rousseff exaltou o PAC como "a porta de saída do Bolsa-Família porque garante emprego e renda". Segundo ela, o programa é "uma vacina contra as crises externas".
Fonte: Tribuna da Imprensa
Comissão aprova projeto que termina com foro especial
O projeto segue agora para apreciação de uma comissão especial. Se aprovado por lá, vai para o plenário da Câmara, onde tem de receber no mínimo 308 votos dos deputados, em dois turnos de votação. No Senado, a votação também ocorre em dois turnos, com o mínimo de votos de 49 senadores.
"Se a proposta for aprovada em última instância, caberá à Justiça comum julgar os casos de crime comum, sejam eles cometidos pelo mais simples dos cidadãos, seja pelo mais importante, que é o presidente da República", disse Itagiba.
História do foro
Em seu parecer, o relator da proposta, Régis de Oliveira (PSC-SP), lembrou a origem do foro privilegiado. No século V, já totalmente enfronhada no corpo dirigente do Império Romano, a Igreja Católica outorgava foro privilegiado para determinadas pessoas, principalmente a nobreza e o clero.
Com a queda de Roma (476 D.C.), os reis passaram a dar o privilégio para os nobres, juízes, oficiais judiciais, abades, priores, fidalgos e pessoas poderosas, disse o relator, citando João Mendes de Almeida Júnior, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), falecido nos anos 20 do século passado.
A atual Constituição dá ao Supremo Tribunal Federal a incumbência de processar e julgar as principais autoridades do Brasil nas infrações penais comuns, como seus próprios ministros, o presidente da República e o vice, os congressistas e o procurador-geral da República.
Também são julgados pelo STF os ministros de Estado e os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, os membros dos Tribunais Superiores e os do Tribunal de Contas da União, e os chefes de missão diplomática de caráter permanente.
A mesma prerrogativa alcança os prefeitos, que são processados e julgados perante os tribunais estaduais. Da mesma forma, os juízes estaduais e distritais e os membros do Ministério Público são julgados perante estes tribunais.
Já os governadores dos estados e do Distrito Federal são processados e julgados perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que ocorre também com os desembargadores dos Tribunais de Justiça, os membros dos Tribunais de Contas dos estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais (TRFs)e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e do Trabalho (TRTs), os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos municípios e os do Ministério Público da União (MPU).
Letrados
A CCJ aprovou um segundo projeto do deputado Marcelo Itagiba, agora liberando os juízes para que, na aplicação da pena, considerem a escolaridade do réu. Quanto mais esclarecido for, maior deverá ser a pena. O projeto considera que uma pessoa letrada deve conhecer mais as normas que regem a convivência social do que as analfabetas.
Fonte: Tribuna da Imprensa
terça-feira, março 18, 2008
Prefeito afastado diz que vai voltar esta semana
Fonte: Tribuna da Bahia
Roubo de urnas dá cadeia e impede apuração
Varela se prepara para levar “missão” adiante
O apresentador Raimundo Varela (PRB) cada vez mais dá sinais de que sua candidatura à prefeitura de Salvador é irreversível. Além de vir fazendo críticas constantes no programa Balanço Geral da TV Itapoan e Rádio Sociedade contra a administração do prefeito João Henrique (PMDB), que é candidato à reeleição, ele também vem se movimentando nos bastidores e costurando apoios para reforçar a sua campanha. Ontem o apresentador deu mais um passo significativo em relação às suas pretensões de entrar na disputa pelo Palácio Thomé de Souza ao passar o comando do programa Balanço Geral no TV Itapoan para Zé Eduardo, contratado recentemente para ser o seu substituto. Depois de uma rápida troca de gentilezas entre os dois, com direito a abraços e emoção, Zé Eduardo revelou que vai substituir o apresentador no rádio e na TV “para que Varela possa cumprir uma nova missão em sua vida”. E esta missão, diante de tudo o que já foi dito, é a campanha para a prefeitura de Salvador. A possível candidatura de Raimundo Varela a prefeito de Salvador pelo Partido Republicano Democrático (PRB) tem o aval da cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus e da TV Record. Assim como Varela, o bispo e senador Marcelo Crivela, no Rio de Janeiro, também conta com este apoio, já tendo, inclusive, afastado a pré-candidatura do apresentador Wagner Montes (PDT), que liderava todas as pesquisas de intenção de votos que já foram realizadas. (Por Evandro Matos)
Pré-candidato já se articula
Sem se descuidar do marketing, Varela também tem agido nos bastidores e feito um esforço para botar o seu bloco na rua. Diferente de 2004, quando liderava as pesquisas e desistiu de ser candidato em cima da hora, este ano tem sido diferente. Mesmo contrariando a lei eleitoral, cerca de cinco a dez pessoas tem se posicionado estrategicamente no centro da cidade ostentando bandeiras do PRB com dizeres como “Salvador inteira é 10”, numa alusão ao número do partido associado aos resultados das pesquisas, que têm apontado Varela na liderança. Na semana passada o pré-candidato do Partido da República Brasileira teve um encontro em Brasília com o senador César Borges e o deputado federal José Rocha, dirigentes do PR estadual, para uma possível aliança nas eleições municípios. No encontro, Varela esteve acompanhado do diretor geral da Rede Record, Alexandre Raposo, e do diretor da Record na Bahia, Fabiano Freitas. O senador César Borges confirmou o encontro, mas disse que não ficou nada definido. “A época é de conversas políticas. Quem tem nos procurado, nós temos conversado. Foi uma primeira etapa, que não é o primeiro, mas foi um contato mais aprofundado”, admitiu. Ele negou, contudo, especulações sobre a vaga de vice oferecida por Varela. “A participação está em aberto. Existem várias possibilidades de se participar”, concluiu. (Por Evandro Matos)
Governo nega caráter eleitoreiro
A menos de sete meses das eleições municipais, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu estender o pagamento do programa Bolsa Família para jovens de 16 e 17 anos. A partir de ontem, as famílias que já possuem crianças e jovens inscritos no programa poderão ampliar o benefício caso os filhos já tenham completado 15 anos —idade fixada como limite, em 2003, para o pagamento do Bolsa Família. A secretária nacional de Renda e Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social, Rosani Cunha, negou que a extensão do programa tenha fins eleitoreiros, mesmo atingindo jovens já autorizados pela Legislação Eleitoral a votarem. “Estamos falando de uma modalidade dentro do programa. A compreensão do governo é a de que não faremos um novo benefício, mas um ajuste em um programa que já existia. Não é a ampliação do Bolsa Família, mas o seu aperfeiçoamento. Além disso, a extensão foi aprovada pelo Congresso no ano passado”, afirmou. Segundo a secretária, o pagamento continuará sendo repassado à mãe (ou chefe da família) responsável pelo jovem. “Quem melhor consegue decidir onde adotar esse dinheiro é a própria família, preferencialmente a mãe. A decisão foi muito mais para guardar coerência com o Bolsa Família que qualquer outra coisa”, disse a secretária ao ser questionada sobre o suposto viés eleitoreiro da extensão.
Fonte: Tribuna da Bahia
Estado concede aumento de 4,46% a servidores
Chega hoje à Assembléia Legislativa a proposta do governo do estado de reajuste salarial dos servidores públicos ativos e inativos. O valor do reajuste será de 4,46% já neste mês, percentual menor do que o aumento que o governo federal concedeu ao salário mínimo, que saltou de R$380 para R$415 (9,21%). Além do reajuste linear, a proposta contém outros benefícios acordados nas mesas setorias de negociação com representantes dos sindicatos dos servidores da Justiça, da educação básica e superior (incluindo os técnicos), do Departamento de Estradas e Rodagens (Derba) e do fisco.
O governo ainda negocia com as categorias da Segurança Pública – Polícia Civil e Militar – e da Saúde. A assembléia do Sindsaúde acontece hoje, às 17h, no auditório da Associação dos Funcionários Públicos, na avenida Carlos Gomes, em Salvador. A categoria reivindica correção da Gratificação de Produtividade, revisão do plano de carreira e liberação dos processos pendentes de insalubridade. Indicativo de paralisação pode ser analisado. Segundo informe do Sindsaúde, o governo avançou pouco nas propostas apresentadas na mesa setorial.
O secretário da Administração, Maonel Vitório, ressaltou que, pela proposta de reajuste oferecida pelo governo – que favorece 250 mil servidores entre ativos, aposentados e pensionistas – nenhum funcionário público ganhará como vencimento base abaixo do mínimo, como acontecia até o ano passado. Em 2007, o governo Jaques Wagner (PT) ofereceu um reajuste de 4,5% para os funcionários públicos que ganhavam como vencimento base a partir do salário mínimo vigente – de forma “parcelada – e 17,28% para aqueles que recebiam como salário base abaixo do mínimo.
O secretário explicou ainda que a proposta do governo, que deverá ter tramitação acelerada na Assembléia, com dispensas de formalidade, contempla ainda a recuperação das perdas inflacionárias no período e as reivindicações consolidadas nas mesas setoriais. A concessão do aumento e as conquistas específicas de cada carreira vão gerar um impacto da ordem de R$283 milhões em 2008 sobre a folha de pagamento do estado, que é de R$4,9 bilhões anuais.
Vitório destacou que o governo antecipou para março o pagamento do reajuste do salário mínimo, e não em abril, como acontecia nos anos anteriores. “Estamos evoluindo no processo de negociação com os servidores. Houve um amadurecimento com a nova metodologia de negociação. Estamos fechando a pauta de 2008 de praticamente todas as categorias e estou satisfeito”, disse.
Categorias – Nas mesas setoriais, os servidores do Fisco, que pressionam o governo pela incorporação de um prêmio trimestral, conseguiram o resgate da Gratificação de Atividade Fiscal, que vai ser retomada em três parcelas. A questão da incorporação do prêmio ficou para ser discutida nas próximas reuniões da mesa setorial, e será atendida, informou o secretário da Administração, se o estado tiver condições financeiras.
Os servidores penitenciários garantiram do governo o encaminhamento à Assembléia do projeto que trata da criação da Gratificação pelo Exercício em Unidade do Sistema Prisional (Geusp), entre outros benefícios. Na mesa setorial do Derba, o acordo garantiu a separação dos precatórios de pequeno valor, a incorporação do percentual de gratificação e a regulamentação do processo de ascensão funcional dos analistas de nível superior.
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Salário maior para os professores
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB) aceitou ontem a proposta do governo estadual de reajuste salarial, aprovada em assembléia geral da categoria. O acordo setorial, com nove itens pactuados, concretiza ganhos maiores para os professores quando comparados a outras categorias. Os índices de reajuste variam de 5,85% a 6,22% para os docentes dos níveis um e dois, e de 7,19% a 12,57% para os de níveis três e quatro.
Segundo a Secretaria da Administração, a proposta traz também um novo modelo de ascensão funcional para a categoria, reformulando a atual estrutura de classes que passa a ampliar o acesso ao crescimento na carreira. “A proposta da nova metodologia é criar os meios para viabilizar condições gerais de promoção para os professores que obtiverem mérito, aplicando a progressão de carreira entre as classes”, explicou o titular da pasta, Manoel Vitório.
“Aprovamos a proposta porque ela considera os diferentes interníveis, o que é um reconhecimento do governo ao nosso pleito, e diferencia a nossa categoria. Além disso, o governo garantiu que vai elaborar um novo Estatuto do Magistério e o plano de carreira num prazo de 90 dias, além de prometer que vai enviar também à Assembléia Legislativa o projeto de eleições diretas para dirigentes escolares”, contou o presidente da APLB, Rui Oliveira. Ele lembrou que, ano passado, a categoria fez uma greve de 57 dias cujo eixo principais foi o fato de o governo não levar em conta, ao reajustar os salários dos servidores, os diferentes interníveis.
Entre os professores universitários, a proposta do governo foi a de incorporar a gratificação de atividades acadêmicas, no percentual de 7,2%, ao vencimento da categoria, a partir de março de 2008. Também ficou assegurado a incorporação do restante da mesma gratificação até dezembro de 2010, dentro do processo de reestruturação da carreira, totalizando um percentual de 27,20%.
Os servidores e a oposição na Assembléia já vinham cobrando uma posição do governo sobre a proposta de reajuste. O líder da minoria na Assembléia, deputado Gildásio Penedo (DEM), chegou a enviar um requerimento ao secretário da Administração solicitando informações sobre o conteúdo da proposta, que chega hoje ao Legislativo.
Fonte: Correio da Bahia
Só pensando naquilo
BRASÍLIA - Na semana que passou o presidente Lula acusou as oposições de "só pensarem naquilo", referência à clássica piada envolvendo o Joãozinho e sua professora. Correndo o risco de alguma semelhança com o pimpolho, vale começar em qualquer dos variados aspectos da sucessão presidencial de 2010 para chegar à mesma conclusão de sempre.
Dilma Rousseff, Patrus Ananias, Tarso Genro e Marta Suplicy integram a lista dos pré-candidatos do PT à derrota. Claro, se as pesquisas continuarem revelando que todos, somados, não chegam a 5% das preferências do eleitorado. Tudo pode mudar, vale a ressalva, mas permanecendo as coisas como vão, nem o todo-poderoso presidente Lula seria capaz de transferir seu prestígio a um deles. Sequer a Antônio Palocci, que parece o mais novo pretendente a ingressar nesse, com todo o respeito, Exército Brancaleone dos tempos atuais.
Prestígio político e votos dificilmente se transferem, diz uma das mais contundentes verdades eleitorais. Suponha-se, só para argumentar, que José Serra venha a ser o candidato do PSDB, Aécio Neves, do PMDB, se ousar a troca de partido, Ciro Gomes, pelo PSB e outros nanicos, além de Heloísa Helena, pelo PSol. Dois passarão para o segundo turno, quem sabe Serra e Aécio, ou Serra e Ciro.
O PT precisará definir-se. Para salvar os dedos, entregará os anéis e os cartões corporativos, mas jamais apoiaria José Serra. Haveria que negociar com Aécio ou Ciro, mas numa posição subalterna, sequer aquela hoje sustentada pelo PMDB. O mais provável, assim, será assistir aos companheiros retornando à oposição. Mas jamais com a desenvoltura dos tempos passados. Sem tesão, apenas por falta de alternativa, de olho em 2014, quando a tentativa seria ressuscitar o Lula, à época quase setentão mas certamente ainda imbatível nas urnas.
Por conta dessas ilações, feitas diariamente, com amargura, pelos líderes e dirigentes petistas, torna-se imprescindível antecipar aquilo que na realidade desejam. Porque para continuar no poder, no qual se deu tão bem, o PT só dispõe, mesmo, da opção golpista de alterar as regras do jogo e promover mudança na Constituição, estabelecendo a possibilidade de o presidente Lula concorrer ao terceiro mandato.
Nada mais fácil do que começar às avessas, ou seja, extinguindo a reeleição e aumentando os mandatos presidenciais de quatro para cinco ou seis anos. Nessa hora, o apagador seria passado no quadro negro. Zeraria tudo, isto é, todo brasileiro teria o direito de candidatar-se. Inclusive ele.
Para essa aventura, o PT contaria com respeitável respaldo parlamentar, começando pelo PMDB. Porque, além de ninguém garantir que Aécio Neves deixará o ninho tucano, melhor para os peemedebistas parece permanecer como estão do que ficar ao sol e ao sereno num governo chefiado por José Serra. Mesmo os pequenos partidos empenhados na candidatura Ciro Gomes pensariam duas vezes na hora de votar a emenda constitucional. Ou não participam dos restos do banquete?
Nem tentaram
Surpresas sempre acontecem, mas, pelas previsões e pelos costumes, esta será uma semana pálida, no Congresso. Dos 513 deputados, é provável que de 100 a 150 nem apareçam em Brasília. Entre os 81 senadores, faltarão uns 30 ou mais. Houve tempo em que a Semana Santa começava na quarta-feira. Os colégios religiosos dispensavam seus alunos naquele dia, as repartições públicas iniciavam o ponto facultativo depois do meio-dia, o comércio começava a fechar suas portas e os teatros davam folga às companhias.
Os tempos mudaram, dia santificado, quer dizer, sem trabalho, ficou mesmo a Sexta-Feira Santa. Ora, as sextas-feiras já constituem dia em que, no Congresso, falta quorum. Nada se vota, nenhuma comissão se reúne, encontram-se mais parlamentares no aeroporto do que nos plenários.
Sendo assim, a pergunta surge espontânea: por que os presidentes da Câmara e do Senado não cortam o ponto dos faltosos, ao mesmo tempo marcando sessões deliberativas hoje, amanhã e depois, colocando em pauta projetos de grande interesse nacional e obrigando a realização de reuniões e audiências públicas nas comissões, inclusive as CPIS?
Garibaldi Alves e Arlindo Chinaglia devem explicações, ou melhor, passarão a dever na noite de quinta-feira, quando os presságios acima referidos se confirmarão. Ou não?
Fonte: tribuna da Imprensa
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