terça-feira, novembro 26, 2024

Bolsonaro apresentou minuta de golpe a comandantes das Forças Armadas, diz PF

 Foto: Marcos Corrêa/PR/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)26 de novembro de 2024 | 17:45

Bolsonaro apresentou minuta de golpe a comandantes das Forças Armadas, diz PF

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Foi o próprio Jair Bolsonaro (PL), então presidente da República, quem apresentou em 2022 a minuta do golpe aos comandantes da Forças Armadas, de acordo com a Polícia Federal.

No relatório, a PF diz que o general Marcos Antonio Freire Gomes, então comandante do Exército, afirmou como testemunha que “participou de reuniões no Palácio do Alvorada após o segundo turno e que Bolsonaro apresentou hipóteses de utilização de institutos jurídicos como GLO (Garantia da Lei de Ordem), estado de defesa e estado de sítio”.

No depoimento, Freire Gomes afirmou também que foi convocado por Bolsonaro, por meio do então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, a comparecer a reunião no Alvorada no dia 7 de dezembro.

Segundo ele, estavam presentes Nogueira, o comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, e o então assessor para assuntos internacionais da Presidência, Filipe Martins.

Freire Gomes confirmou que, no encontro foi apresentado material posteriormente apreendido no celular do ajudante de ordens Mauro Cid: um decreto de estado de sítio e, ato contínuo, de uma Operação de Garantia da Lei de Ordem.

“Após a leitura do documento, Filipe Martins se retirou da sala, ficando apenas os militares e o presidente Jair Bolsonaro. Por fim, Freire Gomes relatou que o presidente Jair Bolsonaro informou que o documento estava em estudo e reportaria a evolução aos comandantes”, diz a denúncia.

A investigação sobre a trama golpista teve seus principais avanços em fevereiro deste ano. A PF realizou na época a maior operação deste caso, mirando Bolsonaro, aliados e militares envolvidos em discussões para viabilizar um golpe de Estado.

Em março deste ano, os então comandantes Freire Gomes (Exército) e Baptista Júnior (Aeronáutica) confirmaram que o plano foi apresentado por Bolsonaro. Segundo o brigadeiro, o general Freire Gomes chegou a dizer que prenderia Bolsonaro se ele avançasse com os intentos golpistas.

Nesta terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu derrubar o sigilo da investigação da PF sobre a trama golpista de 2022, que resultou no indiciamento do ex-presidente e de outras 36 pessoas.

Os documentos também serão enviados à PGR (Procuradoria-Geral da República), responsável por analisar as provas e decidir se denuncia ou não os investigados.

Segundo a corporação, os envolvidos cometeram três crimes: tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, cujas penas somam de 12 a 28 anos de prisão, desconsiderando os agravantes.

O lado golpista de Bolsonaro é conhecido de longa data.

Saudosista da ditadura militar (1964-1985), ele reiterou ao longo de anos sua tendência autoritária e seu desapreço pelo regime democrático. Negou a existência de ditadura no Brasil e se disse favorável a “um regime de exceção”, afirmando que “através do voto você não vai mudar nada nesse país”.

Na Presidência, deu a entender em 2021 que não poderia fazer tudo o que gostaria por causa dos pilares democráticos. “Alguns acham que eu posso fazer tudo. Se tudo tivesse que depender de mim, não seria este o regime que nós estaríamos vivendo. E apesar de tudo eu represento a democracia no Brasil.”

Durante seu mandato e após a derrota em uma acirrada disputa de segundo turno, acumulou declarações golpistas.

Questionou a legitimidade das urnas, ameaçou não entregar a Presidência a Lula após a derrota eleitoral, atacou instituições como o STF e o TSE e estimulou a população a participar de atos golpistas.

Demétrio Vecchioli/FolhapressPoliticaLivre

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