Publicado em 11 de julho de 2023 por Tribuna da Internet

Esse cartão registra todas as operações dos parlamentares
João Gabriel de Lima
Estadão
Todos deveríamos acompanhar as despesas de deputados e senadores como monitoramos nosso cartão de crédito. Afinal, o dinheiro que eles gastam é o nosso dinheiro. Uma nova ferramenta digital permite que você faça exatamente isso. Você escolhe um ou mais parlamentares e, a cada despesa do gabinete de seu escolhido, recebe um “push” no celular – como se fosse uma despesa do cartão de crédito de um de seus filhos.
A ferramenta, batizada de “Cartão da Transparência”, acaba de ganhar seis “leões” no Festival de Cannes, considerado o Oscar da publicidade mundial – dois de ouro, três de prata e um de bronze. Ela foi desenvolvida pela agência de comunicação AKQA e está hospedada no site Congresso em Foco.
PORTAL DA TRANSPARÊNCIA – “Essas informações estavam disponíveis no Portal da Transparência, mas era muito difícil acessá-las”, diz Carolina Pinheiro, diretora de criação da AKQA. “Faltava uma tecnologia que as lesse e organizasse – e foi isso que fizemos”, afirma Carolina Pinheiro. A expectativa após o festival é que a iniciativa brasileira inspire outras pelo mundo.
Pelo Cartão da Transparência é possível saber quanto um congressista gasta, por exemplo, em refeições, viagens ou aluguel de carros, despesas que devem ser obrigatoriamente declaradas. Não é possível saber se tais rubricas escondem outras despesas – mas é possível desconfiar se os números são incompatíveis com o preço das coisas na vida real.
Vale novamente a comparação com o cartão de crédito: se aparece um gasto de R$ 4 mil num restaurante, e nos últimos tempos você só comeu no quilo da esquina, é o caso de desconfiar.
E OS OUTROS GASTOS? – Seria possível usar o Cartão da Transparência para acompanhar outras despesas – como, por exemplo, para onde vão os recursos do orçamento? “A ferramenta está sendo constantemente melhorada e atualizada para abranger mais políticos e mais informação para o cidadão”, diz Pinheiro.
“Nós conseguimos trazer para o site, no entanto, apenas as informações que a lei obriga que sejam publicadas. O que levanta a questão: se não podemos saber por lei, não seria o caso de mudar essa lei?”
Numa democracia, todas as informações relativas aos representantes que escolhemos através do voto deveriam ser públicas. Nada mais antidemocrático do que a existência de um “orçamento secreto” – aberração que, sob mil disfarces, a classe política brasileira teima em manter. Cabe aos cidadãos exigir que tais informações sejam públicas e acessíveis. Fiscalizar é um exercício de cidadania, e você pode começar por aqui: www.cartaodatransparencia.com