segunda-feira, novembro 14, 2022

Brincando com fogo




Próximo governo já tem desafios no campo socioeconômico para resolver

Por José Roberto Mendonça de Barros* (foto)

“Qualquer que seja o resultado da eleição, o novo governo terá de enfrentar rapidamente dois grandes desafios no campo econômico:

- Como reorganizar o Orçamento de 2023 depois da farra fiscal eleitoral? Sem essa resposta, o câmbio não se estabilizará e será muito mais difícil reduzir a inflação e os juros.

- Como construir uma regra fiscal crível e uma agenda de ações que possibilitem a volta de um crescimento sustentado.”

Foi assim que meu artigo publicado no dia da eleição descrevia os desafios da nova equipe. Mostrando a dificuldade dessas questões, tivemos já nesta semana muita confusão a propósito do Orçamento de 2023.

Isso porque os representantes políticos do novo presidente anunciaram, após várias conversas no Congresso, que o Bolsa Família poderia ficar fora do teto por quatro anos, liberando recursos para outras despesas e implicando significativos déficits. Nessas condições, antes mesmo da visão geral do Orçamento e da nomeação do novo ministro, elevações robustas de gastos já seriam sancionadas, colocando sérias dúvidas sobre o compromisso de responsabilidade do novo governo.

Não bastasse isso, o discurso do novo presidente na quinta-feira incendiou as expectativas. Uma fala de palanque que trouxe de volta a divisão do mundo de “nós contra eles”: de um lado, os bons que se preocupam com o social; de outro, os fiscalistas insensíveis. Ignorou que o País precisa, mesmo, é de tranquilidade, realismo e bom senso.

Além disso, é inacreditável que Lula ainda não tenha entendido que contas públicas equilibradas são a porta para o crescimento sustentado.

Igualmente inacreditável é que esqueça que o crescimento imprudente de gastos acaba por pressionar a inflação. Até agora, a inflação só caiu com reduções de tributos sobre energia, enquanto outras categorias de preços, como alimentação, seguem perigosamente próximas de 10%. Quem perde mais são os mais pobres, como já deveriam saber aqueles que se dizem preocupados com o social.

Finalmente, vale dizer que não é apenas a Faria Lima que se preocupa com a incerteza, a inflação e o crescimento – uma versão muito conveniente do “nós contra eles”. É todo o sistema produtivo, exceto a minoria dos empresários que aprenderam a viver das benesses do Tesouro Nacional.

A eleição de Lula só ocorreu porque parte da sociedade, preocupada com os riscos à democracia, aderiu à sua candidatura, dando-lhe uma característica de coalizão ampla. Foi o que ele próprio reconheceu quando o resultado das urnas foi confirmado. Trazer de volta os “conceitos” e a sombra do governo Dilma é flertar com o desastre.

*Economista e sócio da MB Associados

O Estado de São Paulo

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