
Fotocharge reproduzida do Arquivo Google
Vicente Limongi Netto
As mexidas dos jogadores na combalida e tonta terceira via, deixam Lula e Bolsonaro cada vez mais rindo com as paredes. O pleito está longe. Mas os búzios indicam que aqueles que se atreverem a disputar a presidência com eles vão sair chamuscados da peleja.
Sérgio Moro nunca foi do ramo. Entrou de gaiato na disputa presidencial, incentivado por correligionários aprendizes de paladinos da moral e da ética, como ele. Moro e políticos nunca se entenderam. Moro é, para políticos, uma nota de três reais. Moro adora elogios, mas fica deprimido com críticas.
Desfecho feio para o casal Moro. O ex-juiz e a mulher deixaram o Podemos pela porta dos fundos.
DORIA E LEITE – O ex-governador paulista João Dória, por sua vez, vai surfando. Quer passar a impressão que pode virar o jogo. Não perde a pose própria dos guerreiros paulistanos. Com mania de grandeza, nunca admite erros e está seguro que vai salvar o Brasil do atoleiro.
Outro jovem, igualmente aspirante a salvador da Pátria, o ex-governador gaúcho Eduardo Leite, caiu na onda do insistente Gilberto Kassab. O presidente do PSD queria porque queria ter um candidato à Presidência da República que finalmente pudesse bater no peito e chamar de seu, mas deu tudo errado.
Como o importante é manter-se no jogo. Dória e Leite vão segurar a brocha de pré-candidatos, com sorrisos largos e otimistas por mais um tempo. Como político sem mandato perde o respeito dos correligionários, seguirão, adiante, o caminho de Moro, que deve acabar disputando vaga para a Câmara Federal.
AS DIVAS DA POLÍTICA – Ana Maria Campos e Denise Rothenburg, antes de serem esmeradas colunistas, já foram repórteres, como relata o artigo “As divas da política”, de Ana Dubeux (dia 3). Sabem, de cor e salteado, o trabalho de garimpar a boa informação. Fechar a coluna atenta ao que pode ser especulado, checado e publicado, livre da má fé e da ressentida, chula e encomendada intriga.
Tornaram-se respeitadas e lidas profissionais cultivando e correndo atrás do ouro do jornalismo, a boa e isenta notícia. Ana e Denise escrevem colunas qualificadas preservando boas fontes. A editora Ana Dubeux salienta com razão que as duas colunistas do Correio Braziliense são exemplos marcantes de como a jornalista pode e deve se impor diante do machismo torpe e covarde que insiste em proliferar em todos os setores de atividades da sociedade.
VOLÚVEL – Demitido por Lula, do Ministério da Educação, pelo telefone, o enfadonho Cristovam Buarque agora é tiete do pré-candidato petista à Presidência da República. Deu show de puxa-saquismo explícito.
Em melancólica entrevista ao Correio Braziliense (dia 4) Buarque derrete-se em elogios a Lula. Para o autor de livros encalhados, Lula é a salvação do Brasil. Cristovam é patético. Não perde a pose de sábio de proveta da política.
Foi péssimo governador e senador pior ainda. Diz que não é candidato. Foi a única coisa boa e sensata revelada na cansativa entrevista.