sábado, julho 17, 2021

PSD, criado por Kassab há 10 anos, ganha peso para influenciar na sucessão

Publicado em 17 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Givaldo Barbosa

Sem mandato e investigado por corrução, Kassab é o cara

Vera Magalhães
O Globo

Faz dez anos que Gilberto Kassab fundou o PSD. Logo após a derrota do PSDB, em 2010, o então prefeito de São Paulo decidiu declarar independência do partido pelo qual se aliara aos tucanos, o DEM, e fundar a própria legenda, definida por ele logo nos primórdios como “nem de direita, nem de esquerda, nem de centro”.

Uma década depois, a legenda encorpou. Saiu bem das urnas em 2020 e, quase um ano depois, ganha musculatura em cima da perda de quadros justamente do DEM, o partido de cuja “costela” surgiu.

UMA LEITURA ERRADA – ACM Neto e Kassab, como dirigentes partidários, vivem momentos opostos. O ex-prefeito de Salvador leu mal o cenário pós-eleições municipais e aproximou seu partido — que tinha o comando das duas Casas do Congresso, levou prefeituras importantes (além de Salvador, base eleitoral do presidente, fez o Rio e Curitiba) e tinha um bom nome para colocar à mesa da sucessão de 2022, o do ex-ministro Luiz Mandetta — de Bolsonaro.

O apoio do DEM, traindo o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), foi vital para dar a Arthur Lira a presidência da Casa, e, portanto, para ajudar a blindar Bolsonaro do impeachment.

Assim sendo, de nada adianta ACM Neto repetir que o partido ainda não decidiu estar com o presidente em 2022, porque o partido que ele preside foi fundamental para que o presidente tivesse o controle da Câmara.

BOA PESCARIA – Kassab soube pescar nas águas turvas do DEM. Levou o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e, agora, se prepara para filiar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), um movimento mais surpreendente e com potencial de embaralhar o jogo eleitoral.

Não porque Pacheco seja, mesmo, pré-candidato a presidente. Até hoje, nesses dez anos de vida, o PSD nunca se apresentou com nome próprio à Presidência. Mas sempre ameaça, e isso tem tudo a ver com o movimento de agora.

Mas a ida de Pacheco para o PSD é surpreendente porque afasta do presidente do Senado de Bolsonaro, tornando sua vida ainda mais difícil. O lançamento de seu nome como opção para 2022 já é o suficiente para torná-lo alvo dos ataques do presidente, dos filhos e dos seguidores mais fanáticos. Isso obrigará Pacheco a ser menos em cima do muro do que vem sendo em relação aos arreganhos autoritários do Executivo. Justamente num momento que é de enfrentamento entre os senadores da CPI (presidida, aliás, por um integrante do próprio PSD) e setores do governo, inclusive as Forças Armadas.

JUNTO COM KALIL – Ao ir para o PSD, Pacheco fica na mesma legenda de um aliado local seu, o prefeito de BH, Alexandre Kalil. Também se junta ao ex-governador de Minas e senador Antonio Anastasia, tornando o partido de Kassab uma força muito grande no Estado de segundo maior eleitorado da federação.

A única peça que não se encaixa nessa operação é que Kassb teve conversas com o do ex-presidente Lula, o que alimentou nos bastidores a aposta em um vice do PSD para o petista. Nesse caso, o perfil de Pacheco não parece preencher os requisitos.

A interlocutores, Kassab diz que teve só uma conversa com Lula, e que a aposta numa aliança foi alimentada mais pelos petistas, e nunca esteve no radar do PSD. Mas também admite que, num eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, estará com o petista. 


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