domingo, julho 18, 2021

Eduardo Bolsonaro votou a favor do Fundão Eleitoral bilionário, depois tentou “disfarçar”

Publicado em 18 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Ramos, que presidiu a sessão, desmentiu Eduardo Bolsonaro

Augusto Fernandes
Correio Braziliense

A aprovação no Congresso Nacional da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022, que aumentou os recursos para o Fundo Eleitoral do ano que vem de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões, criou uma saia justa para parlamentares que apoiam o presidente Jair Bolsonaro, pois muitos deputados que se dizem contra o reajuste votaram a favor da matéria. A situação fez com que fossem às redes sociais para tentar se justificar.

O argumento utilizado pelos deputados foi o mesmo: votaram pela aprovação da LDO porque o texto apresentava uma série de dispositivos para orientar a elaboração da Lei Orçamentária de 2022.

BOA DESCULPA… – Por mais que o texto sugerisse a ampliação do valor do Fundo Eleitoral, os parlamentares disseram que não poderiam se colocar contra a LDO apenas por esse motivo.

“O orçamento, em si, precisava ser aprovado, porque eu faço parte da base do governo. (Não aprovar a LDO) é uma irresponsabilidade. Se não conseguisse aprovar o orçamento ontem (quinta-feira), você atrasa todas as contas do governo do resto do ano”, justificou-se a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que foi hostilizada no Twitter pelo voto que deu.

Os bolsonaristas se defenderam, também, com a tese de que foram favoráveis a um destaque à redação da LDO apresentado pelo partido Novo, que sugeria alterar o texto da lei para retirar a previsão de reajuste do Fundo Eleitoral.

VOTAÇÃO SIMBÓLICA – Esse destaque foi reprovado em votação simbólica, ou seja, sem o registro nominal dos votos de cada parlamentar. Mesmo assim, para tentar se safar de críticas, os aliados do presidente fizeram questão de protocolar os seus votos favoráveis ao destaque no sistema da Câmara.

O comportamento dos deputados foi reprovado nas redes sociais e as desculpas apresentadas não foram suficientes para diminuir o mal-estar. Em especial porque os parlamentares quiseram transferir a culpa pelo aumento do Fundo Eleitoral para a conta do deputado Marcelo Ramos (PL-AM) — vice-presidente do Congresso, que conduziu a sessão de votação da LDO —, alegando que ele não permitiu a votação nominal do destaque do Novo.

Um dos deputados que se manifestou nesse sentido foi Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). “Pretendíamos votar para não ser esse fundão de R$ 6 bilhões, o que é uma excrescência. Infelizmente, o presidente Marcelo Ramos atropelou a votação e acabou a Lei de Diretrizes Orçamentárias sendo aprovada com esse fundão”, alegou.

HOUVE ACORDO – Ao contrário da versão dos bolsonaristas, os deputados acertaram antes da sessão que a análise de qualquer sugestão de alteração ao texto seria feita simbolicamente para garantir a aprovação da lei e possibilitar a realização do recesso parlamentar até o fim de julho.

Por isso, a atitude de Eduardo Bolsonaro em atacar Marcelo Ramos foi bastante contestada, sobretudo porque ninguém da base do governo pediu ao vice-presidente do Congresso que o destaque fosse votado de forma nominal.

DURA RESPOSTA  – Por conta disso,  Marcelo Ramos reagiu duro à falsa acusação. “Quero dizer ao deputado Eduardo Bolsonaro que ele devia ter coragem de assumir seus votos, suas atitudes e suas posturas, porque eu tenho e assumir o que faço. Não exponho os colegas, não tergiverso sobre minhas posições mesmo quando são impopulares”, frisou ao final da votação, e depois reproduziu esse texto no Twitter, acrescentando:.

“E outra coisa: o partido do deputado Bolsonaro e o líder do governo do presidente Bolsonaro, nenhum deles protestou quando da orientação da votação simbólica do destaque do partido Novo. É muito fácil, depois da votação simbólica, ir para a rede social e dizer que votou contra e tentar transferir responsabilidade. Eu agi estritamente dentro das regras regimentais”, completou o presidente da sessão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O velho ditado ensina: “quem diz o que quer, ouve o que não quer”. E assim Eduardo Bolsonaro perdeu mais uma oportunidade de ficar calado”. (C.N.)

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