quinta-feira, julho 08, 2021

Defesa demorou nove horas até convencer os comandantes a assinar a nota

 Publicado em 8 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Nani (nanihumor.com)

BERNARDO MELLO FRANCO
O GLOBO

O ministro da Defesa e os comandantes das Forças Armadas levaram quase nove horas para reagir às declarações do senador Omar Aziz sobre o envolvimento de militares em suspeitas de corrupção na compra de vacinas.

Em nota divulgada às 19h41 desta quarta-feira, a Defesa acusou o senador de “desrespeitar as Forças Armadas e generalizar esquemas de corrupção”. O texto afirma que Aziz atingiu os militares “de forma vil e leviana”.

ATAQUE LEVIANO – O documento é assinado pelo ministro da Defesa, general Braga Netto, e pelos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Em tom ameaçador, eles afirmam que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano”.

A nota não combina com o tom adotado pelo presidente da CPI ao longo do dia. Após se referir às suspeitas no Ministério da Saúde, Aziz fez diversos elogios aos militares e ressaltou que não estava “generalizando” acusações.

O senador tem hostilizado por Jair Bolsonaro. Irritado com o avanço das investigações, o presidente já chamou Aziz de “patife”, “picareta” e bandido”. Ele estendeu os últimos dois adjetivos a outros seis integrantes da CPI.

FOI DE MANHà– Eram 10h48 desta quarta quando Aziz fez crítica a “alguns” militares: “As Forças Armadas, os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do Governo. Fazia muitos anos”. 

Em seguida, o senador disse que não tinha notícia de casos de corrupção na “época da exceção”, referindo-se à ditadura militar. “Uma coisa de que a gente não os acusava era de corrupção, mas, agora, Força Aérea Brasileira, coronel Guerra, coronel Elcio, general Pazuello e haja envolvimento de militares…”, comentou.

Ao longo da sessão, Aziz ressaltou que não estava generalizando as críticas e fez elogios às Forças Armadas. “Quando a gente fala de alguns oficiais do Exército, é lógico, nós não estamos generalizando”, afirmou, às 13h28. “De forma nenhuma, nós estamos entrando aqui no mérito que as Forças Armadas têm”, acrescentou.

TENTOU CONSERTAR – Quatro minutos depois, o senador disse que não tinha “absolutamente nada em relação às Forças Armadas”. “Tanto Exército, Marinha e Aeronáutica prestam um grande serviço para os brasileiros, têm grandes oficiais que diariamente estão cuidando das nossas fronteiras, principalmente”, afirmou.

“O que eu falei é que, às vezes, aparecem aqui tenente-coronel, coronel, tenente-coronel, coronel e que isso não é bom para as Forças Armadas. Por isso que é bom a gente esclarecer, para que não fique três, quatro pessoas sendo citadas como se fossem todo o contingente. E não é verdade. O nosso respeito do Senado e dos brasileiros às Forças Armadas brasileiras”, concluiu.

Eram 19h41 quando os militares resolveram divulgar a nota com ataques a Aziz. Curiosamente, isso só ocorreu depois de o presidente da CPI dar voz de prisão ao servidor Roberto Dias, suspeito de cobrar propina na negociação de vacinas.


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