quinta-feira, julho 08, 2021

Bolsonaro e Braga Netto se equivocam em ataque contra Omar Aziz, presidente da CPI


Omar Aziz criticou os oficiais do Exército envolvidos em acusações

Pedro do Coutto

Na noite desta quarta-feira, o ministro da defesa, general Braga Netto, redigiu uma nota juntamente com o presidente Jair Bolsonaro sustentando que as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro. Reportagem de Jussara Soares e Julia Lindner, O Globo de hoje, publica um documento que consta também o apoio dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Acontece que o senador Omar Aziz não atacou de forma alguma as Forças Armadas, e sim criticou os oficiais do Exército envolvidos nas acusações a respeito do episódio da compra de vacinas mediante a atuação do cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, Luiz Paulo Dominguetti. Um escândalo tendo como alvo uma aquisição fantástica de 400 milhões de imunizantes.

GENERALIZAÇÃO – Os oficiais citados não só por Omar Aziz, mas também por demais membros da CPI, não representam tanto o Exército quanto as Forças Armadas. Portanto, na minha opinião, o documento redigido no Planalto faz, ele sim, uma generalização que não foi cometida, e que foi usada para, no fundo da questão, defender contraditoriamente o governo no caso do Ministério da Saúde.

Tanto havia suspeitas graves que o governo Bolsonaro demitiu o então diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, do cargo que ocupava em decorrência direta das dúvidas sobre a sua atuação, colocadas em destaques pelo cabo da Polícia Militar.

Em nenhum o senador pelo Amazonas, presidente da CPI, atacou as Forças Armadas. Ele, Omar Aziz, não as desrespeitou. Pelo contrário, restringiu suas críticas a uma corrente que age acima da lei  e que mancha as fardas que vestem. Mas, nem por um centímetro, por sua conduta, agridem o Exército, a Marinha e a Aeronáutica.

NEGOCIAÇÃO –  A citação do senador é evidente e restringe-se aos coronéis que participaram de uma negociação com Dominguetti, cabo da PM que responde a 37 procedimentos administrativos e que surgiu como intermediário de uma empresa, por sua vez também intermediária, da vacina indiana Covaxin.

O presidente Bolsonaro encontra-se desorientado, não pela CPI, mas pelos fatos. Assunto, inclusive, da competência do ministro Marcelo Queiroga que demitiu Roberto Ferreira Dias por sua aproximação com Dominguetti e cuja presença tanto na Saúde quanto no jantar do shopping é inexplicável pelas regras da lei.

EQUÍVOCO – O presidente da República e o general Braga Netto cometeram um equívoco já que o Exército brasileiro não pode ou se dispõe a fazer qualquer movimento capaz de beneficiar atores da corrupção que lutaram pela comissão acreditando estarem imunes tanto á Covid-19 quanto à letra da lei.

No momento em que escrevo esse artigo, está depondo a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde Francieli Fantinato. Ela foi exonerada ontem pelo ministro da Saúde. Afirmou no início de seu depoimento que foi afastada em consequência da pressão política contra ela e de sua posição a favor da vacinação, mas sem interesses ocasionais de grupos.


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