sábado, outubro 17, 2020

Presidente do Conselho de Ética do Senado diz que Barroso “se precipitou” ao afastar Chico Rodrigues

 


Espírito de autoproteção fala mais alto do que o escândalo em si

Ana Flor
G1

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Jayme Campos (PSD-MT), afirmou ao blog nesta sexta-feira, dia 16,  que acredita que houve precipitação do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao determinar o afastamento do senador Chico Rodrigues (DEM-RR). “Houve uma precipitação, o inquérito da Polícia Federal sequer foi concluído e o cidadão tem o direito de defesa”, disse Campos.

Chico Rodrigues foi flagrado com R$ 33 mil na cueca durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão pela Polícia Federal, nesta quarta-feira, dia 14. A medida fez parte de uma investigação de desvios de recursos que deveriam ter ido para o combate ao coronavírus.

MESA DIRETORA – A determinação do ministro do STF foi enviada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e será discutida na Mesa Diretora da Casa. Cabe ao Senado dar a palavra final sobre o afastamento.

A fala do presidente do colegiado demonstra um descontentamento que se espalhou nesta quinta-feira, dia 15, entre integrantes do Legislativo. Senadores e deputados demonstraram contrariedade pela decisão monocrática de um ministro do STF para afastar um senador eleito pelo voto popular.

Jayme Campos chegou a lembrar uma decisão anterior do STF, também monocrática, de afastar o então presidente do Congresso, Renan Calheiros. Na época, a determinação do Supremo não foi acatada pela Mesa Diretora do Senado.

MANIFESTAÇÃO – Sobre um possível procedimento na Comissão de Ética, Campos afirmou que até agora não houve qualquer representação protocolada. Ele disse aguardar a manifestação de outros senadores para levar o tema aos demais integrantes da comissão.

Desde março de 2019 Chico Rodrigues era vice-líder do governo no Senado. Porém, o senador deixou o posto após a repercussão da operação da PF. O senador tem negado todas as acusações e afirmou que vai provar sua inocência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Para muitos senadores o escândalo é secundário e, nesse caso,  fala mais alto a necessidade de proteção coletiva. Ninguém sabe o dia de amanhã, não é ? Enquanto a população se indigna com o dinheiro na cueca, os parlamentares se preocupam com a determinação de afastamento. O temor é generalizado. (Marcelo Copelli)

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