domingo, outubro 11, 2020

Moro conhecia o viés autoritário, conservador, militarista e armamentista de Bolsonaro

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Sergio Moro após discurso de Lula

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Roberto Nascimento

Muitos que votaram em Jair Bolsonaro, acreditando que ele levaria adiante a Lava Jato contra a corrupção, já se arrependeram amargamente, mas o caso do então juiz Sérgio Moro é diferente. Ele realmente pode ter pensado que o novo presidente apoiaria seu Pacote Anticrime, mas sabia perfeitamente sobre a carreira do “Mito”.

Moro conhecia o viés autoritário, conservador, militarista e armamentista de Bolsonaro, assim como sua aproximação com lideranças evangélicas, da bala e do agronegócio, para se alçar ao poder.

Mas sua intenção de ocupar uma cadeira no STF falou mais alto. Aceitou ser ministro, abandonar a carreira de magistrado para quê? Para morrer na praia, junto com o procurador Deltan Dallagnol, que comandou os inquéritos contra o PT.

LULA NÃO ESTAVA SOZINHO – O então presidente Lula errou muito, isso é claro como a luz do sol. Mas não operou sozinho o Mensalão e a Lava Jato. O Centrão, o PMDB e outros partidos estavam lá, como também estão agora neste governo, que muitos ainda teimosamente apoiam.

O PMDB de Michel Temer, de Renan Calheiros, de Romero Jucá, de Moreira Franco, de Edson Lobão, de Jader Barbalho também participou do governo de Lula e de Dilma Rousseff em cargos chaves do Ministério, usando a velha política do toma lá dá cá.

Porém, a fixação da Lava Jato era preferencialmente derrotar o PT. Por isso, a força-tarefa demorou a mirar os outros partidos mais fortes, como o próprio PMDB e o PSDB.

MOSTROU DIGNIDADE – O ex-juiz pagou o seu preço, como tudo na vida. Foi castigado, humilhado por Jair Bolsonaro e obrigado a entregar o cargo. Nesse incidente, Moro mostrou ter dignidade e se desligou do Ministério da Justiça, ao não concordar com os rumos ditados pelo presidente contra a democracia.

Sabemos que Moro, se pudesse, teria voltado no tempo. Mas ele aprendeu que nenhum grupo consegue mudar a natureza humana, a mesquinhez do homem para enriquecer e, nessa sanha louca, eliminar a concorrência, tendo como objetivo de vida saquear a nação, empobrecer o povo, dando-lhe migalhas, e se perpetuar no comando central, junto da família e dos áulicos, sejam sindicalistas, militares ou empresários amigos, não há diferença. O povo que se dane, que se vire para sobreviver.

Será mesmo que foi o povo que escolheu livremente tirar o PT do poder ou também foi levado por uma onda de fake news avassaladora, acompanhada do massacre diário da Globo e das outras TVs, especialmente a Record, que apoiou o candidato “evangélico”? Vamos pensar nisso, porque em 2022 iremos votar de novo.

PIOR DO QUE O PT – Sob determinado ponto de vista, o grupo que tomou o poder está fazendo até pior, prejudicando a imagem do país no exterior, e torna-se até enfadonho enumerar as ameaças a democracia e as instituições do Estado.

Lembro as demissões dos empregados das estatais, trabalhadores e não as diretorias, o esmagamento e a execração dos servidores públicos, a venda das estatais quase de graça. Pensem nisso, na desgraça que isso acarretará para a nossa soberania, isso é certo?

Os corruptos roubam, ficam com parte das fortunas ilícitas, passam um ou dois anos presos, saem com tornozeleiras, prisão domiciliar, enquanto quem realmente trabalha vai para o chamado olho da rua. Como explicar isso em casa para os filhos, que perguntam ao pai: “Se o senhor não roubou, se não temos fortuna e vivemos na simplicidade, porque foi demitido?

INDICAÇÃO PARA O STF – Quanto à indicação para a vaga no Supremo, é prerrogativa do presidente, que escolhe quem ele quiser. Se não tiver os predicados de notável saber jurídico e ilibada reputação, cabe aos senadores rejeitar o nome, após a sabatina de praxe. Mas, esse Congresso eleito é pior que o anterior, tenho absoluta certeza de que irá referendar o nome do indicado.

Não entro no mérito da escolha, por desconhecer a capacidade do desembargador. Pode até ter saber jurídico, mas não é notório…

TRAIÇÃO NA POLÍTICA – Quanto à traição na política, é um fato corriqueiro. Amigos e apaniguados, quando deixam de interessar ao mandatário ou ao grupo que o sustenta, são sumariamente eliminados, na frieza peculiar dos autocratas.

Todos fizeram isso, por exemplo, Lula demitiu Marina Silva e Cristovam Buarque, o PT expulsou os três deputados que votaram no Colégio Eleitoral a favor de Tancredo Neves, enfim, se contrariar a cúpula ou o chefe, tá fora. Por que Bolsonaro seria diferente? Faz o que todo mundo já fez. Tudo igual. Bobo foi quem acreditou que seria diferente.

SEM NOVA CONSTITUINTE – Discordo veementemente dessa ideia de Constituinte Exclusiva. Isso para mim é um palavrão. Mito Teixeira veio com essa cantilena recentemente. Essa excrescência, se vier, será para acabar de vez com os direitos sociais elencados no Artigo quinto da Carta Magna

Se até agora não conseguiram votar as Leis Complementares da Carta de 1988, como farão hoje ou amanhã, nessa exclusividade? E pior, os parlamentares de hoje são muito abaixo da categoria de um Ulysses Guimarães, de Bernardo Cabral, de Célio Borja, de Paes de Andrade, de Tancredo Neves e de todos aqueles que participaram da Constituição em vigor.

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