quinta-feira, agosto 20, 2020

PF alega atentado à “liberdade de expressão” e investiga página que denuncia fake news de bolsonaristas


Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)
Mônica Bergamo
Folha
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a página Sleeping Giants Brasil, que tem alertado empresas que anunciam na internet para o conteúdo de ódio ou mentiroso de algumas páginas em que colocam a sua publicidade. A abertura da investigação, na Delegacia da PF em Londrina (PR), ocorreu em 25 de maio – cinco dias antes, o Sleeping Giants denunciou que o Banco do Brasil anunciava em um site que apoia Jair Bolsonaro e que já tinha sido condenado na Justiça por disseminar fake news. O banco suspendeu a publicidade e a medida causou turbulência nas redes bolsonaristas.
O vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, reclamou publicamente no Twitter. O secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, disse, também no Twitter, que o problema seria “contornado”. E o BB voltou a colocar anúncios na página já condenada. A confusão chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou a suspensão da publicidade.
NO ALVO – A partir de então, o Sleeping Giants virou alvo de bolsonaristas e passou a sofrer ataques na internet –inclusive dos filhos de Bolsonaro. As investidas se intensificaram depois que o PayPal bloqueou o acesso do escritor Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro, à sua plataforma de pagamentos, pela qual ele recebe doações e mensalidades de cursos.
A medida foi tomada depois de uma série de alertas feitos pelo Sleeping Giants Brasil sobre o que considerava discursos de intolerância do guru. A justificativa do delegado Ricardo Filippi Pecoraro para abrir a investigação, depois de uma “análise de inteligência” da PF, foi a de que, ao criticar páginas e apontá-las como propagadoras de fake news, o Sleeping Giants Brasil atentava contra a “liberdade de expressão” e poderia incorrer em denunciação caluniosa.
DESGASTE – O delegado afirmava ainda que “a informação de que há sites propagadores de fake news causou extremo desgaste e inconformismo a toda a população, inclusive a que vive em Londrina e nas cidades que compõem a jurisdição” da Delegacia de Polícia Federal em Londrina, da qual ele faz parte.
O “inconformismo” ocorreria porque a página “passou a fazer acusações graves, contudo genéricas, não apontando exatamente quais teriam sido as fake news que os veículos de comunicação que cita teriam cometido, gerando insegurança à coletividade”. Questionada, a assessoria da PF afirma que o inquérito foi arquivado, a pedido do Ministério Público Federal e por decisão da Justiça.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
O argumento do delegado para abrir a investigação é pra lá de contraditório. Qual a justificativa razoável  ou indício de crime  ? Os sites apontados pela página, sim, demonstram uma gigantesca estrutura debruçada sobre discursos de ódio e disseminação de desinformações. E, para piorar, angariavam verbas milionárias com publicidade. Um ciclo vicioso, mesclando altas audiências e falsos conteúdos. Mas quem denuncia é investigado. Tudo às avessas. (Marcelo Copelli)

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