segunda-feira, agosto 17, 2020

No duelo entre TV Globo e TV Record, não há mocinhos, todos são bandidos


Diário do Centro do Mundo | O que interessa e nada mais. | Página 631
Charge reproduzida do site DCM
Carlos Newton
Está causando sensação midiática a reportagem de João Batista Jr., sobre as operações do doleiro Dario Messer para os dois filhos mais velho do jornalista Roberto Marinho,’ criador da Organização Globo – os empresários Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho. Considerado um dos maiores doleiros do mundo, Dario Messer, que é investigado pela Lava Jato, disse em delação premiada que entregava pacotes de moeda norte-americana no edifício-sede da Rede Globo no bairro do Jardim Botânico, conhecido como “Vênus Platinada”.
Segundo Messer, as remessas eram feitas de duas a três vezes por mês, em quantias que variavam entre 50 mil e 300 mil dólares.
Em nota, a assessoria de Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho negou que eles realizassem operações de câmbio não declaradas às autoridades brasileiras, o que é o óbvio, pois ninguém esperava que fossem assumir os atos ilegais.
INTERMEDIÁRIO – Messer disse que não entregava o dinheiro diretamente aos dois irmãos, porque quem recebia os dólares era um funcionário chamado José Aleixo, que funcionava como intermediário nessas nebulosas transações, como diria Chico Buarque.
O novo escândalo causa surpresa na alta sociedade frequentada pelos irmãos Marinho, porque hipoteticamente eles não teriam necessidade de fazer operações escusas com doleiros, pois estão entre os empresários mais ricos do mundo, segundo as revistas especializadas Forbes e Fortune.
No entanto, não há novidade alguma para o Ministério Público, a Receita e a Polícia Federal, pois os filhos de Roberto Marinho são conhecidos pela forma pouco lícita com que administram o patrimônio legado pelo pai, que também costumava aplicar golpes na praça, como se dizia antigamente.
TV PAULISTA – Aqui na Tribuna da Internet já denunciamos diversas vezes o caso da usurpação da antiga TV Paulista, canal 5 de São Paulo, um episódio em que Marinho cometeu seguidas ilegalidades societárias e criminais, assumindo o controle da emissora sem pagar um centavos aos sócios da empresa, no início do regime militar. No Justiça, os crimes foram constatados, mas já estavam prescritos quando as ações contra o jornalista carioca foram movidas.
Os filhos herdaram as empresas da Organização Globo e nada fizeram para limpar o nome do pai. Pelo contrário, passaram a também cometer ilegalidades no Brasil e no exterior.
Quando surgiu o escândalo do Fifagate, os irmãos Marinho ficaram amedrontados e passaram a mexer na administração da Rede Globo, que já tinha passado para o controle dos três, como legítimos herdeiros.
EM NOME DOS NETOS – No desespero, passaram as emissoras da rede para os netos de Roberto Marinho, para sair de cena na administração da Globo, que hipoteticamente passaria a ser gerida pela terceira geração, sob liderança do mais velho, Roberto Marinho Neto, mais o conhecido socialite não revelou o menor talento para o mundo dos negócios, digamos assim.
Mais recentemente, os irmãos voltaram a mexer e colocaram na presidência-executiva do grupo o administrador de empresas Jorge Nóbrega, que desde 1998 vinha cuidando das estratégias financeiras do grupo, que têm sido motivo de investigações pela Receita Federal.   
RECORD APROVEITA – A maior rival da Globo aproveita a situação para fazer escândalo com a delação do doleiro Dario Messer, em que ele entrega a Globo. Em seu principal noticiário, o Jornal da Record, deu detalhes do que aparece na delação, segundo vazamento à revista Veja.
Messer t     que duas a três vezes por mês entregava pacotes de dinheiro que variavam de 50 mil a 300 mil dólares. A entrega seria na sede da emissora, no Jardim Botânico.
Cá entre nós, no duelo entre a Globo e a Record não existem mocinhos, só há bandidos. Lembrem-se de que a Record cresceu como emissora porque teve injeção de dinheiro dos fiéis da seita Universal, que conduzem a arrecadação em grande sacos, do tipo usado por Papai Noel. Mas isso é outro caso policial.

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