
Charge do Adnael (Arquivo Google)
Carlos Newton
Em momento extremamente oportuno, o comentarista André Cardoso envia à Tribuna da Internet a notícia de que Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), que congrega sindicatos de comunicação social de todo o país, denuncia que o presidente Jair Bolsonaro vem atacando profissionais jornalistas e a própria imprensa, por meio de discursos, entrevistas e postagens em mídias sociais, ao menos duas vezes por semana, mas ultimamente radicalizou esse discurso.
“Até 31 de outubro, foram 99 declarações vistas como ataques a jornalistas (11 ocorrências) e descredibilização da imprensa (88 ocorrências), que visam a deslegitimar o trabalho jornalístico, colocando a imprensa e os jornalistas como adversários políticos, ou descredibilizando o trabalho de profissionais e veículos”, diz a Fenaj, em nota oficial.
OBJETIVO – Com tal estratégia, o que pretendem Jair Bolsonaro e os filhos (ele jamais age sozinho)? O que almejam é desacreditar os profissionais da imprensa, principais formadores de opinião do mundo contemporâneo, para que sejam substituídos pelos amadores que operam nas chamadas redes sociais e que hoje se julgam jornalistas, vejam a que ponto chega a infantilidade dessa gente.
O jornalismo é uma profissão de grande responsabilidade social. Para se tornar um formador de opinião, o repórter passa por um filtro. Pela excelência do trabalho, torna-se redator, depois editor e somente quando demonstra especiais aptidões é que se transforma em formador de opinião, ao atuar como colunista, editorialista ou articulista. É uma longa jornada.
AUGUSTO HELENO – A surpresa é ver o mais importante ministro da República fazer coro a esse posicionamento da família Bolsonaro. Em entrevista por telefone com o jornal Estadão, no dia 31 de outubro , ao ser questionado sobre a declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) acerca do “novo AI-5”, vejam o que o general Augusto Heleno respondeu:
“Não ouvi ele falar isso. Se falou, tem de estudar como vai fazer, como vai conduzir. Acho que, se houver uma coisa no padrão do Chile, é lógico que tem de fazer alguma coisa para conter. Mas até chegar a esse ponto tem um caminho longo.”
Em seguida, questionado sobre os protestos no Chile, Heleno teceu duras críticas à imprensa: “O que a imprensa noticia normalmente não é a verdade. Isso a gente já se acostumou no Brasil. Notícia de jornal, televisão, é toda manipulada. A favor ou contra ao que interessa àquele canal. Até os sites de redes sociais são manipulados”, disse, acrescentando “Não tenho ainda informações seguras sobre o que houve no Chile. Hoje em dia não acredito em nada da imprensa. A imprensa hoje, eu falo com muito receio que é tudo com segundas intenções.”
DECEPÇÃO – Pessoalmente, o editor da TI tinha grande apreço pelo general Augusto Heleno, que atraiu muitos votos para Bolsonaro. Hoje, o militar só desperta decepção. É como se fosse um boneco de ventríloquo manejado pela família presidencial. Repete as asneiras do clã Bolsonaro com a própria voz, jogando no lixo sua antiga imagem de grande chefe militar.
O fato concreto é que jamais algum jornalista ou órgão de imprensa deturpou qualquer declaração desse leviano Heleno, que deveria ter mais discrição, ser comedido e veraz, seguindo o exemplo do ex-comandante Eduardo Villas Bôas e do vice-presidente Hamilton Mourão, que nunca demonstraram serem áulicos de nenhum governante, merecem ser considerados generais de verdade.
Tenho apreço também pelo general Santos Cruz, que se portou no governo com a eficiência, a altivez e o nacionalismo que caracterizam os grandes chefes militares. Foi demitido de forma torpe, por causa de uma mensagem forjada em seu nome que ele jamais transmitiu. Mas quem se interessa?
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P.S. – Pobre Brasil! Se depender desses militares que cercam Bolsonaro, o gigante continuará deitado eternamente em berço esplêndido. (C.N.)
P.S. – Pobre Brasil! Se depender desses militares que cercam Bolsonaro, o gigante continuará deitado eternamente em berço esplêndido. (C.N.)